{"id":3807,"date":"2011-10-28T15:40:20","date_gmt":"2011-10-28T17:40:20","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2011\/10\/28\/a-democratizacao-do-acesso-as-tecnologias-estimula-o-debate-sobre-o-letramento-digital\/"},"modified":"2011-10-28T15:40:20","modified_gmt":"2011-10-28T17:40:20","slug":"a-democratizacao-do-acesso-as-tecnologias-estimula-o-debate-sobre-o-letramento-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/a-democratizacao-do-acesso-as-tecnologias-estimula-o-debate-sobre-o-letramento-digital\/","title":{"rendered":"A democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s tecnologias estimula o debate sobre o letramento digital"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Com a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s denominadas Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TICs), a apropria\u00e7\u00e3o da linguagem digital provoca situa\u00e7\u00f5es inusitadas e fen\u00f4menos que t\u00eam despertado o interesse de in\u00fameros pesquisadores e profissionais da educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A professora entra na sala de aula com o objetivo de trabalhar uma proposta de letramento a partir do uso de tecnologia com seus alunos, todos na faixa dos seis anos. A rea\u00e7\u00e3o de um deles \u00e9 imediata: \u201cj\u00e1 sei o alfabeto! \u00c9 asdfghjkl\u2026\u201d. A resposta descreve a sequ\u00eancia de letras do teclado \u2013 e n\u00e3o a conhecida sequ\u00eancia alfab\u00e9tica ensinada nas escolas. A cena, que aconteceu em uma escola de periferia de Piracicaba, no interior de S\u00e3o Paulo, ser\u00e1 descrita com mais detalhes em livro a ser lan\u00e7ado pela linguista Roxane Rojo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ainda neste ano.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Ao evidenciar uma mudan\u00e7a no desenho da sequ\u00eancia alfab\u00e9tica, a hist\u00f3ria traz \u00e0 tona um debate recente: a influ\u00eancia da tecnologia nos chamados processos de letramento.\u00a0Tablets, web 2.0, redes sociais, blogs, Wikip\u00e9dia e Google s\u00e3o apenas alguns exemplos dos recursos que prometem mudar as configura\u00e7\u00f5es atuais do meio educacional. Mas, para al\u00e9m das promessas, \u00e9 preciso entender as mudan\u00e7as causadas pela tecnologia em sala de aula \u2013 principalmente no que diz respeito ao processo de apropria\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas de leitura e de escrita.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00c9 preciso, antes de entrar na discuss\u00e3o do letramento digital, retomar o pr\u00f3prio conceito de letramento. A express\u00e3o \u00e9 nova e deriva de outro neologismo, que come\u00e7ou a surgir ainda nos anos 80 para designar pr\u00e1ticas mais avan\u00e7adas que a codifica\u00e7\u00e3o e a decodifica\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo escrito. Como explica a linguista Magda Becker Soares, do Centro de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Leitura e Escrita (Ceale) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), letrar \u00e9 mais que alfabetizar. \u201c\u00c9 ensinar a ler e escrever dentro de um contexto no qual a leitura e a escrita tenham sentido social e fa\u00e7am parte da vida das pessoas\u201d, diz. O termo \u201cletramento\u201d apareceu pela primeira vez na l\u00edngua inglesa no final do s\u00e9culo 19 (\u201cliteracy\u201d). Em meados dos anos 80, ao mesmo tempo, os franceses cunhavam o \u201cilletrisme\u201d, Portugal, a \u201cliteracia\u201d, enquanto o Brasil \u201cinventava\u201d o letramento.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Brian Street, professor no King`s College da Universidade de Londres, defende que n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico letramento, formal e acad\u00eamico, mas uma experimenta\u00e7\u00e3o que \u00e9 t\u00e3o distinta quanto as cores do tecido social. S\u00e3o letramentos m\u00faltiplos, h\u00edbridos de letramentos locais e globais. Escolares ou n\u00e3o, s\u00e3o pr\u00e1ticas inscritas em certos modos de vida, culturas, valores e ideologias \u2013 e \u00e9 exatamente desse repert\u00f3rio que a escola \u00e9 convidada a participar. Nesse sentido, Roxane Rojo afirma que letramentos, no plural, seria um termo adequado para designar um conjunto diversificado de pr\u00e1ticas sociais situadas que envolvem a escrita e outras modalidades de linguagem. Dentre os diversos tipos de letramento ter\u00edamos, ent\u00e3o, o que diversos autores passaram a denominar de letramento digital.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Implica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cO letramento digital \u00e9 um peda\u00e7o do letramento. N\u00e3o se pode conceber um sem o outro\u201d, lembra Carla Coscarelli, tamb\u00e9m do Ceale. Em outras palavras: se o aluno deve ser capaz de usar a l\u00edngua escrita na vida em sociedade, a tecnologia entra como um dos aspectos a serem ensinados e contextualizados na escola.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Para D\u00e9bora Duran, pesquisadora do Centro Integrado de Aprendizagem em Rede (Ciar) e professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Goi\u00e1s (UFG), letramento digital \u00e9 o \u201cprocesso de configura\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos ou grupos que se apropriam da linguagem digital nas pr\u00e1ticas sociais relacionadas direta ou indiretamente \u00e0 leitura e \u00e0 escrita mediadas pelas TICs\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Em seu livro Letramento digital e desenvolvimento: das afirma\u00e7\u00f5es \u00e0s interroga\u00e7\u00f5es, a autora explica que o processo de apropria\u00e7\u00e3o das TICs pode ser entendido como uma estrutura complexa que envolve os recursos tecnol\u00f3gicos, a subjetividade e as caracter\u00edsticas dos contextos nos quais se d\u00e3o as in\u00fameras pr\u00e1ticas sociais de utiliza\u00e7\u00e3o das ferramentas. Com base nos estudos dos psic\u00f3logos Lev Vigotski e Alexei Leontiev, ela defende que \u00e9 necess\u00e1rio deixar de lado a postura determinista diante dos supostos \u201cimpactos digitais\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cIsso porque os processos de transforma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento decorrentes da mediatiza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica dependem, necessariamente, das media\u00e7\u00f5es humanas. O que mais importa n\u00e3o \u00e9 o que as tecnologias fazem conosco, mas o que podemos fazer (ou n\u00e3o) com elas\u201d, explica.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Papeis repensados<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Se, por um lado, h\u00e1 escolas que, cada vez mais, recebem alunos que conhecem a l\u00edngua escrita atrav\u00e9s do contato com o meio tecnol\u00f3gico, ainda h\u00e1 um contingente significativo de estudantes com acesso limitado a computador e internet. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma pesquisa realizada recentemente pelo Comit\u00ea Gestor da Internet no Brasil com 500 escolas p\u00fablicas de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds apontou que h\u00e1 23 computadores instalados em cada uma delas para um universo m\u00e9dio de 800 alunos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O panorama brasileiro faz com que o letramento digital aconte\u00e7a em dois \u00e2mbitos. Primeiramente, \u00e9 preciso ensinar as crian\u00e7as a trabalhar com as especificidades do mundo digital. Exemplos: usar mecanismos de busca, formatar um texto, redigir um e-mail. \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter aula de computa\u00e7\u00e3o, mas promover o tr\u00e2nsito na web de modo cr\u00edtico, fazendo o sujeito perceber em que pode ou n\u00e3o confiar\u201d, alerta Silvia Colello, da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP (Feusp).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O mundo digital tamb\u00e9m pode aproximar a escola de tipos de linguagens diferentes, que permitem que o aluno assuma certa responsabilidade em seu processo de aprendizagem. A produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos e \u00e1udios, por exemplo, coloca o estudante como produtor de conte\u00fado, e n\u00e3o s\u00f3 como receptor. \u201cA tecnologia \u00e9 hiperm\u00eddia e multim\u00eddia. Ao mesmo tempo que tenho escrita, a imagem est\u00e1 presente, tenho v\u00eddeo, \u00e1udio e tudo isso \u00e9 pr\u00f3ximo da crian\u00e7a, que j\u00e1 vem habituada pela televis\u00e3o. \u00c9 uma aproxima\u00e7\u00e3o mais natural e multimodal\u201d, diz Roxane Rojo, uma das grandes entusiastas do letramento digital.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Da mesma maneira, as intera\u00e7\u00f5es por meio de redes sociais mostram que os atuais suportes tecnol\u00f3gicos s\u00e3o centrados na escrita e favorecem a imers\u00e3o na pr\u00e1tica letrada. \u201cQuerem desmerecer o Orkut com erro ortogr\u00e1fico, mas as pessoas est\u00e3o escrevendo e antes n\u00e3o escreviam. Essa intensifica\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 escrita, essa democratiza\u00e7\u00e3o foi muito grande\u201d, sublinha Roxane. Se a escrita no universo do livro enfrenta limita\u00e7\u00f5es, de certa maneira, democratiza-se em ambiente digital.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Processos cognitivos<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">As novas tecnologias acabam dando novos moldes aos pr\u00f3prios processos de alfabetiza\u00e7\u00e3o e letramento. A come\u00e7ar pela hist\u00f3ria descrita no in\u00edcio desta reportagem \u2013 a incorpora\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia alfab\u00e9tica do teclado. \u201cO abandono da sequ\u00eancia alfab\u00e9tica n\u00e3o seria um exemplo forte sobre as mudan\u00e7as cognitivas. N\u00e3o se trata de uma transforma\u00e7\u00e3o no funcionamento psicol\u00f3gico, mas de uma altera\u00e7\u00e3o em uma conven\u00e7\u00e3o\u201d, opina D\u00e9bora. Para a pesquisadora, o relato se configura como indicativo \u201cda ponta de um iceberg\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O caso mais recente de impacto efetivo da tecnologia nos processos de letramento aconteceu nos EUA, onde 46 estados recomendaram que suas escolas abandonassem o ensino da letra cursiva. A ideia \u00e9 alfabetizar as crian\u00e7as com o teclado do computador. A import\u00e2ncia da letra cursiva, fortemente associada \u00e0 cultura manuscrita, come\u00e7a, ent\u00e3o, a ser questionada. Em reportagem publicada na edi\u00e7\u00e3o 173 de Educa\u00e7\u00e3o, Elvira de Souza Lima lembra que o abandono da cursiva pode ter impactos no desenvolvimento da crian\u00e7a.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">No teclado, a letra j\u00e1 est\u00e1 dada, o que dificulta a forma\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria. Al\u00e9m disso, escrever \u00e0 m\u00e3o envolve movimento, requer maior aten\u00e7\u00e3o e guarda rela\u00e7\u00e3o com a quest\u00e3o da identidade e da autoria. \u201cQuando est\u00e1 aprendendo a escrever, a crian\u00e7a entende que est\u00e1 desenhando. A fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica desenvolvida pela escrita \u00e9 decorrente de um processo de desenvolvimento do movimento que ter\u00e1 implica\u00e7\u00f5es inclusive em outros aspectos\u201d, explica. Para D\u00e9bora Duran, h\u00e1 outro problema: as conven\u00e7\u00f5es sociais ainda n\u00e3o permitem o abandono da cursiva sem preju\u00edzo. \u201cUm exemplo: escrever uma reda\u00e7\u00e3o num vestibular ou num concurso p\u00fablico. N\u00e3o sei se o teclado precisa, necessariamente, substituir a cursiva\u201d, diz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Carla Coscarelli, do Ceale, concorda: \u201cn\u00e3o vejo por que o aluno n\u00e3o pode aprender com o teclado, mas o interessante \u00e9 que ele tenha acesso \u00e0s duas coisas\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Protagonismo<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma pesquisa realizada em 2010 na Gr\u00e3-Bretanha levanta uma quest\u00e3o importante sobre a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s TICs nas escolas: a possibilidade de perda das habilidades de leitura na era p\u00f3s-tecnologia. Entre as edi\u00e7\u00f5es de 2006 e 2009 do Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos (Pisa), o pa\u00eds caiu oito posi\u00e7\u00f5es no ranking de leitura, saindo do 17\u00ba para o 25\u00ba lugar. A partir do resultado, a National Literacy Trust resolveu investigar o que motivou a queda no desempenho. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A pesquisa, que ouviu 18 mil crian\u00e7as e jovens entre 8 e 17 anos, descobriu que entre os adolescentes de 14 e 16 anos, as chances de que se leia um livro em detrimento do uso do computador \u00e9 10 vezes menor do que entre os mais novos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Entre os materiais lidos fora da sala de aula, os mais mencionados pelos participantes foram: mensagens de textos (60%), revistas (58%), e-mails (50%) e websites (49%). Livros de fic\u00e7\u00e3o foram citados por 45,6% deles, enquanto a porcentagem para aqueles que leem n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o foi de 35,2%. Em entrevista \u00e0 imprensa ap\u00f3s o lan\u00e7amento da pesquisa, Jonathan Douglas, diretor da entidade, afirmou que o estudo toca em poss\u00edveis problemas de letramento. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cA nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que essas crian\u00e7as podem se tornar adultos que tenham a habilidade de leitura de uma crian\u00e7a de 11 anos\u201d, disse. Nesse sentido, a an\u00e1lise do autor norte-americano Nicholas Carr sobre os efeitos da internet no c\u00e9rebro se torna significativa. Segundo Carr, a web pode estar provocando altera\u00e7\u00f5es em partes do c\u00e9rebro relacionadas com a intelig\u00eancia, o que provocaria a perda da capacidade de estabelecer racioc\u00ednios mais elaborados e de fazer leituras que demandam mais tempo.\u201cMuitos afirmam que as pessoas est\u00e3o lendo e escrevendo mais em fun\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 tecnologia. No entanto, mais \u00e9 sin\u00f4nimo de melhor? Quais s\u00e3o as pr\u00e1ticas de leitura que garantem a forma\u00e7\u00e3o de um leitor cr\u00edtico e reflexivo?\u201d, questiona D\u00e9bora. Nesse sentido, ela insiste que o papel da escola deve ir al\u00e9m da perspectiva da instrumentaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cEla pode ser um espa\u00e7o privilegiado para as pr\u00e1ticas de letramento digital. Isso n\u00e3o significa somente utilizar os computadores nos laborat\u00f3rios de inform\u00e1tica ou nas salas de aula para fins pedag\u00f3gicos\u201d, explica. A quest\u00e3o do letramento digital se coloca de maneira mais complexa, j\u00e1 que as pr\u00e1ticas sociais de uso de computadores n\u00e3o se limitam \u00e0 sala de aula. O desafio da escola, para a educadora, n\u00e3o \u00e9 ensinar apenas o know-how (saber como) mas tamb\u00e9m o know why (saber por qu\u00ea). <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cA inclus\u00e3o digital est\u00e1 atrelada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de sujeitos cr\u00edticos que sejam capazes de compreender as implica\u00e7\u00f5es sociais, \u00e9ticas, econ\u00f4micas e pol\u00edticas do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico\u201d. Por essa raz\u00e3o, ela acredita que o letramento digital se configura como um desafio interdisciplinar<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Velhos gargalos<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Para que o sistema educativo propicie tais encaminhamentos, a escola precisa repensar sua pr\u00f3pria capacidade (e, em alguns casos, disposi\u00e7\u00e3o) de se adequar ao novo cen\u00e1rio. A press\u00e3o para que os docentes obrigatoriamente ensinem as disciplinas e seus conte\u00fados programados, associada \u00e0 pouca flexibilidade de hor\u00e1rios, pode impedir a abertura nesse sentido. \u201cO tempo deve ser repensado. Assim, seria poss\u00edvel trabalhar, por exemplo, com projetos de busca de informa\u00e7\u00f5es, de constru\u00e7\u00e3o de sites, que extrapolem as disciplinas propriamente ditas\u201d, explica Carla Coscarelli.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Diferentes especialistas tamb\u00e9m argumentam em defesa de sistemas mistos e integrados, que podem oferecer ao aluno atividades presenciais e a dist\u00e2ncia, tanto no ensino fundamental como no m\u00e9dio. Assim, a tradicional aula expositiva, antes centrada na repeti\u00e7\u00e3o de conte\u00fados de forma linear, pode abrir espa\u00e7o para modelos mais colaborativos e fragmentados. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A reboque dessa nova l\u00f3gica, o mundo da educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a a se confrontar sen\u00e3o com uma nova hierarquia, certamente com um redesenho das rela\u00e7\u00f5es dentro e fora da sala de aula. A quest\u00e3o traz muitos n\u00f3s. Um deles remete a um velho problema educacional: a necessidade de repensar os cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores \u2013 seja para responder \u00e0 avalanche de novos processos tecnol\u00f3gicos, seja para dar respostas \u00e0 pr\u00f3pria mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o professor-aluno.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Com a perda do monop\u00f3lio na transmiss\u00e3o do conhecimento, a escola divide responsabilidades com toda uma comunidade de aprendizagem \u2013 estudantes, professores e pais. E ao lado dessa nova hierarquia, a institui\u00e7\u00e3o se confronta com a redefini\u00e7\u00e3o da did\u00e1tica, agora diante de diversos meios para a constru\u00e7\u00e3o do saber e da crescente import\u00e2ncia conquistada pela transdisciplinaridade. Como preparar o professor para trabalhar no ambiente multim\u00eddia? E os projetos pedag\u00f3gicos apoiados na metodologia expositiva, que mudan\u00e7as ter\u00e3o de incorporar para encontrar sentido no mundo de bits e bytes?<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Assim como o professor se v\u00ea diante de um novo fazer pedag\u00f3gico, o papel do estudante tamb\u00e9m muda. No modelo contempor\u00e2neo, autonomia \u00e9 palavra-chave e tem papel central na proposta pedag\u00f3gica. Na inten\u00e7\u00e3o de conceituar e entender o conjunto de transforma\u00e7\u00f5es de f\u00f4lego que batem \u00e0 porta da institui\u00e7\u00e3o escola, alguns autores, como Howard Gardner, come\u00e7am a se valer da express\u00e3o Ecologia da Aprendizagem. Ainda que o conceito esteja em constru\u00e7\u00e3o, a ideia \u00e9 que o amplo acesso a conhecimentos e informa\u00e7\u00f5es, aliado ao ritmo acelerado das comunica\u00e7\u00f5es digitais, pode criar novas potencialidades individuais e coletivas para a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"http:\/\/www.editorasegmento.com.br\/tecnologia\/?p=37&#038;\">Leia mais sobre escolas em que pr\u00e1ticas de letramento digital envolvem a aprendizagem em rede, a cria\u00e7\u00e3o de redes sociais pr\u00f3prias e o uso de tablets<\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Tecnologia e car\u00e1ter<br \/><\/strong>\u00a0<br \/>Em meio a tantas mudan\u00e7as trazidas pelo repert\u00f3rio digital, uma come\u00e7a a chamar a aten\u00e7\u00e3o: a ideia de que a tecnologia pode ajudar a moldar o car\u00e1ter dos jovens. A novidade vem de Howard Gardner, psic\u00f3logo cognitivo, e de sua mais recente pesquisa, o GoodPlay Project, que ele conduz ao lado dos pesquisadores de Harvard. O projeto quer investigar o comportamento \u00e9tico de jovens e adolescentes em ambiente digital, incluindo redes sociais, blogs, jogos on-line e at\u00e9 o uso de ferramentas como a Wikip\u00e9dia. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A proposta \u00e9 entender como os jovens conceituam sua participa\u00e7\u00e3o no universo virtual e as considera\u00e7\u00f5es \u00e9ticas que orientam sua conduta.A pesquisa tem car\u00e1ter essencialmente qualitativo e adota como metodologia entrevistas em profundidade. Alguns temas ganham relevo na investiga\u00e7\u00e3o, seja por sua import\u00e2ncia na era digital, seja por sua evidente implica\u00e7\u00e3o \u00e9tica. S\u00e3o quest\u00f5es como identidade, propriedade, privacidade, autoria e credibilidade.Na etapa atual, que compreende a faixa de 10 a 14 anos, o estudo tamb\u00e9m se debru\u00e7a sobre a influ\u00eancia do adulto na vida dos jovens e busca um olhar especial para o uso politicamente correto da tecnologia. Aqui, a regra \u00e9 concentrar o foco nos que associam letramento digital e cidadania, fazendo do universo multim\u00eddia um terreno de boas pr\u00e1ticas. Na primeira fase, o projeto trabalhou com um corte de 15 a 25 anos, usu\u00e1rios de jogos on-line, p\u00e1ginas de redes sociais e outras comunidades digitais.<br \/>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>O que diz o \u201cinternet\u00eas\u201d<br \/><\/strong>\u00a0<br \/>Em e-mails, nas p\u00e1ginas do Facebook e em outras tantas redes sociais o \u201cinternet\u00eas\u201d \u00e9 empregado como marca que territorializa, definindo os contornos da linguagem ressignificada em vers\u00e3o digital. As regras buscam a agilidade t\u00e3o pr\u00f3pria dos ambientes e da linguagem digital. Envolvem, por exemplo, a pontua\u00e7\u00e3o minimalista e um variado repert\u00f3rio de siglas e abreviaturas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O emprego do K economiza o tra\u00e7ado, preserva o fonema e assegura a compreens\u00e3o do interlocutor. Aqui \u00e9 aki e aquilo, na mesma regra, vira akilo, assim como quem \u00e9 simplesmente kem. A s\u00edntese \u00e9 sempre presente, pela pr\u00f3pria agilidade que \u00e9 marca registrada das tecnologias \u2013 voc\u00ea vira vc, n\u00e3o acaba em naum e tamb\u00e9m vira tb, apenas para ilustrar com os exemplos mais corriqueiros.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">E por falar em s\u00edntese, mensagens de e-\u00admails e de celular usam e abusam de sauda\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o s\u00e3o mais beijos ou abra\u00e7os, mas bjs e ab\u00e7s. O simples ato de agradecer tamb\u00e9m pode ser expresso em tr\u00eas letras \u2013 bgd \u2013 muito mais pr\u00e1tico e funcional que o convencional obrigado. E se o letramento se reconfigura em ambiente digital, vem agora acompanhado de desenhos simb\u00f3licos (emoticons), estruturas frasais pouco convencionais e de uma escrita que muitos julgam semialfab\u00e9tica.\u00c9 simplifica\u00e7\u00e3o e empobrecimento da l\u00edngua? Como, afinal, compreender esse fen\u00f4meno? \u201cN\u00e3o \u00e9 l\u00edngua, nem linguagem. \u00c9 como uma \u2018reforma ortogr\u00e1fica\u2019 para um uso espec\u00edfico. E vem essencialmente com tr\u00eas fun\u00e7\u00f5es: agilizar a digita\u00e7\u00e3o, se livrar da acentua\u00e7\u00e3o \u2013 simplificando a parte motora da escrita atual \u2013 e, finalmente, definir c\u00edrculos sociais ou comunidades dentro da rede\u201d, explica Roxane Rojo, da Unicamp.Mas \u00e9 ineg\u00e1vel que muitos professores reagem e ficam incomodados diante dessa mudan\u00e7a nas formas de escrita. H\u00e1 educadores que transitam com desenvoltura e s\u00e3o grandes entusiastas do repert\u00f3rio digital, enquanto outros tantos temem o fim do livro e difundem os perigos da tecnologia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O debate remete aos conceitos de \u201capocal\u00edptico\u201d e \u201cintegrados\u201d, institu\u00eddos pelo linguista italiano Umberto Eco em seu livro Apocal\u00edpticos e integrados, publicado na d\u00e9cada de 70. Em plena discuss\u00e3o sobre a cultura de massa, Eco definiu como \u201capocal\u00edpticos\u201d aqueles para os quais a cultura de massa significaria a ru\u00edna dos \u201caltos valores\u201d art\u00edsticos. O \u201cintegrado\u201d, por sua vez, convidaria o leitor \u00e0 passividade ao aceitar o consumo acr\u00edtico dos produtos da cultura de massa. Diante de toda inova\u00e7\u00e3o, parece que se repete, na escola, justamente esse comportamento dicot\u00f4mico de ades\u00e3o ou repulsa.<br \/><\/span><\/span>\u00a0<\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s denominadas Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TICs), a apropria\u00e7\u00e3o da linguagem digital provoca situa\u00e7\u00f5es inusitadas e fen\u00f4menos que t\u00eam despertado o interesse de in\u00fameros pesquisadores e profissionais da educa\u00e7\u00e3o. \u00a0 A professora entra na sala de aula com o objetivo de trabalhar uma proposta de letramento a partir do [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3807","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A democratiza\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s tecnologias estimula o debate sobre o letramento digital &raquo; 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