{"id":3668,"date":"2011-08-22T03:00:00","date_gmt":"2011-08-22T06:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2011\/08\/22\/expansao-em-ritmo-acelerado\/"},"modified":"2011-08-22T03:00:00","modified_gmt":"2011-08-22T06:00:00","slug":"expansao-em-ritmo-acelerado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/expansao-em-ritmo-acelerado\/","title":{"rendered":"Expans\u00e3o em ritmo acelerado"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os \u00faltimos n\u00fameros do desempenho do setor no Brasil confirmam a percep\u00e7\u00e3o de editores e livreiros de um fen\u00f4meno que cedo ou tarde acontece nos grandes mercados editoriais: a superprodu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p>\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Por alto, Sergio Machado calcula que sejam mais de 2 milh\u00f5es de livros. Isso considerando s\u00f3 o excesso, &#8220;algo de que a gente poderia se desfazer sem afetar em nada a editora&#8221;. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Est\u00e3o estocados h\u00e1 cinco, seis anos, num armaz\u00e9m alugado pr\u00f3ximo \u00e0 sede da Record, grupo editorial que Machado preside, ali junto ao est\u00e1dio do Vasco, na zona norte do Rio. L\u00e1 seguiriam indefinidamente n\u00e3o fosse o recente pedido de desocupa\u00e7\u00e3o do lugar. Agora o dono da maior editora de obras de interesse geral do Pa\u00eds tem poucos meses para dar destino \u00e0s pilhas que abarrotam o lugar. &#8220;Estamos alugando outro espa\u00e7o e avaliando alternativas&#8221;, diz Machado. &#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que alguma coisa seja destru\u00edda.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A elimina\u00e7\u00e3o de sobras de livros \u00e9 tema abordado com cautela por empres\u00e1rios, mas a pr\u00e1tica de &#8220;transformar em aparas&#8221;, como eles preferem, \u00e9 bem menos rara do que se possa pensar, em especial neste momento em que o mercado editorial brasileiro produz muito mais do que consegue vender. A mais recente pesquisa, realizada pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe), d\u00e1 a dimens\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Em 2010, as editoras produziram quase 23% mais exemplares de livros que em 2009, enquanto o crescimento no n\u00famero de c\u00f3pias vendidas foi de apenas 13%. Conforme a estimativa, ao longo do ano foram produzidos 55 milh\u00f5es de livros a mais do que se comercializou para o mercado e o governo, mantendo uma tend\u00eancia \u00e0 superprodu\u00e7\u00e3o j\u00e1 percebida nos \u00faltimos anos. Num momento em que o digital domina o debate sobre o futuro do livro, o presente \u00e9 feito de encalhe de livros em papel.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os n\u00fameros confirmam a percep\u00e7\u00e3o un\u00e2nime de editores e livreiros desse fen\u00f4meno que, mais cedo ou mais tarde, repete-se em v\u00e1rios pa\u00edses. &#8220;H\u00e1 uma superprodu\u00e7\u00e3o. Trabalho na \u00e1rea desde 1984 e nunca vi coisa igual. De uns dois anos para c\u00e1, deu um salto&#8221;, diz Ricardo Schil, gestor de neg\u00f3cios da Livraria Cultura. Atuando nos dois lados do neg\u00f3cio, o editor e livreiro Alexandre Martins Fontes diz n\u00e3o ter d\u00favida de que hoje se produz muito mais do que o mercado pode consumir. &#8220;E me pergunto onde isso vai parar. Em algum momento o mercado ter\u00e1 de se autorregular. Porque, se voc\u00ea publica e n\u00e3o vende, uma hora voc\u00ea quebra.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O incha\u00e7o na produ\u00e7\u00e3o teve como est\u00edmulos o aumento das compras pelo governo, o maior poder aquisitivo da classe C e o crescimento de um p\u00fablico leitor mais jovem, decorr\u00eancia do sucesso de Harry Potter. Mas, mais do que o n\u00famero de compradores em potencial, o que impulsionou essa superprodu\u00e7\u00e3o foram as facilidades tecnol\u00f3gicas. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">&#8220;Antigamente, para editar um livro eram necess\u00e1rios equipamentos caros e sofisticados. Aquilo era uma esp\u00e9cie de filtro. Com as novas possibilidades de edi\u00e7\u00e3o e impress\u00e3o ficou tudo mais vi\u00e1vel&#8221;, diz S\u00e9rgio Machado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Entre edi\u00e7\u00f5es e reedi\u00e7\u00f5es, publicaram-se em 2010 no Brasil quase 55 mil t\u00edtulos, numa m\u00e9dia de 210 diferentes obras chegando ao mercado por dia \u00fatil. S\u00f3 o Grupo Record, adepto de uma agressiva estrat\u00e9gia de publicar muito para que os sucessos compensem os fracassos, coloca no mercado todo m\u00eas 80 novos t\u00edtulos. Nem uma esfriada nas vendas, como a percebida nos \u00faltimos meses pela diretora editorial da casa, Luciana Villas-Boas, prejudica a produ\u00e7\u00e3o do grupo, que imprime 600 mil exemplares por m\u00eas. &#8220;Se caem as vendas, acabamos publicando mais t\u00edtulos, porque as m\u00e1quinas ficam menos tempo ocupadas com impress\u00f5es.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Esse tipo de pensamento incomoda editoras menores. &#8220;Se por um lado essa variedade de t\u00edtulos parece boa, ao final, quando o gargalo \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o, o problema fica ainda maior. A disputa por espa\u00e7o nas livrarias torna-se invi\u00e1vel&#8221;, diz Cristina Warth, editora da Pallas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Com cerca de cem associadas, a Libre, entidade que re\u00fane pequenas e m\u00e9dias editoras, entende que o excesso de oferta prejudica a bibliodiversidade. Foi o que constatou tamb\u00e9m uma recente pesquisa divulgada na Espanha pela FGEE, a maior entidade editorial local: naquele pa\u00eds, um novo t\u00edtulo tem no m\u00e1ximo 30 dias para chamar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico leitor antes de dar lugar a t\u00edtulos ainda mais novos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O excesso de oferta pode parecer positivo para o leitor, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. No Brasil, desde 2004 as pesquisas apontam para uma queda no pre\u00e7o do livro, mas mais lenta do que fariam supor as facilidades de impress\u00e3o e a concorr\u00eancia acirrada. Como as editoras publicam muito mais do que as livrarias conseguem estocar, os gastos com estrat\u00e9gias de exposi\u00e7\u00e3o aumentam os custos da produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Com o exagero na produ\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos, algumas coisas boas, autores ou t\u00edtulos, j\u00e1 nascem mortas, pois n\u00e3o conseguir\u00e3o o mesmo espa\u00e7o para divulga\u00e7\u00e3o na imprensa ou nas livrarias&#8221;, diz Warth, da Pallas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Estocagem. H\u00e1 algum tempo, o escritor amazonense M\u00e1rcio Souza recebeu do governo do Par\u00e1 a sobra de uma HQ baseada em seu romance Galvez, o Imperador do Acre, editada com financiamento p\u00fablico. Era algo em torno de 300 exemplares, que Souza come\u00e7ou a distribuir entre amigos. &#8220;Acho que seria mais f\u00e1cil eu me livrar de um cad\u00e1ver do que dessa sobra. Ainda tenho aqui uns cem. Ningu\u00e9m tem tanto amigo.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Doar \u00e9 sin\u00f4nimo de dor de cabe\u00e7a. Para editoras, preparar kits com poucos exemplares de cada livro e distribuir entre institui\u00e7\u00f5es sairia mais caro que estocar e n\u00e3o resolveria a quest\u00e3o da quantidade; tampouco interessa \u00e0s institui\u00e7\u00f5es receber mil exemplares de um livro s\u00f3. &#8220;A doa\u00e7\u00e3o existe, mas n\u00e3o resolve. Al\u00e9m disso, dependendo do contrato, voc\u00ea n\u00e3o consegue doar sem pagar direitos autorais. Da\u00ed precisa de documenta\u00e7\u00e3o para fins de doa\u00e7\u00e3o do autor e do governo&#8221;, diz Roberto Feith, diretor da Objetiva.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema Municipal de Bibliotecas de S\u00e3o Paulo, respons\u00e1vel por mais de cem pontos na cidade, diz que iniciativas de doa\u00e7\u00f5es s\u00e3o rar\u00edssimas. &#8220;Quase 100% dos livros que as bibliotecas t\u00eam s\u00e3o comprados. Este ano, recebemos uma \u00fanica doa\u00e7\u00e3o de uma editora, Editora 34, que teve uma sobra de coisas que publicaram pelo governo.&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Junta-se a isso o fato de que estocar \u00e9 muito mais caro que destruir o encalhe, mesmo que a destrui\u00e7\u00e3o implique perder o dinheiro da edi\u00e7\u00e3o. No caso dos dois milh\u00f5es de livros para os quais a Record precisa achar uma solu\u00e7\u00e3o, at\u00e9 fazer um saldo seria dif\u00edcil, j\u00e1 que, segundo Machado, os autores teriam de autorizar. S\u00f3 de nacionais, ele imagina, s\u00e3o cerca de 1.200, num universo de 3 mil t\u00edtulos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Feith acredita que a sele\u00e7\u00e3o cada vez maior de t\u00edtulos ser\u00e1 imprescind\u00edvel. &#8220;Tudo tem o seu ponto de equil\u00edbrio, o mercado editorial precisa descobrir o seu. Vamos ter de descobrir quando come\u00e7ar a existir preju\u00edzo.&#8221; \u00c9 claro que, no caso do mercado editorial, o caso \u00e9 mais complicado, j\u00e1 que um \u00fanico best-seller pode compensar toda a aposta em t\u00edtulos que encalham.<\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os \u00faltimos n\u00fameros do desempenho do setor no Brasil confirmam a percep\u00e7\u00e3o de editores e livreiros de um fen\u00f4meno que cedo ou tarde acontece nos grandes mercados editoriais: a superprodu\u00e7\u00e3o. \u00a0\u00a0 Por alto, Sergio Machado calcula que sejam mais de 2 milh\u00f5es de livros. 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