{"id":3586,"date":"2011-06-21T13:56:14","date_gmt":"2011-06-21T16:56:14","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2011\/06\/21\/a-licao-digital\/"},"modified":"2011-06-21T13:56:14","modified_gmt":"2011-06-21T16:56:14","slug":"a-licao-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/a-licao-digital\/","title":{"rendered":"A li\u00e7\u00e3o digital"},"content":{"rendered":"<p \/><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>Do computador \u00e0 lousa digital, pesquisas in\u00e9ditas mostram quando e como a tecnologia realmente funciona na escola.<\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Poucos segundos depois de bater o sinal que anunciava o in\u00edcio da aula de ci\u00eancias, os alunos do 6\u00ba ano come\u00e7aram a entrar na classe da professora Leika Procopiak, cada um carregando seu pr\u00f3prio laptop, trazido de casa. Ao se acomodar nas mesas, nenhum deles tirou da mochila um caderno ou um livro. <\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Abriram seus computadores, conectaram-se \u00e0 internet (sem fio e de alta velocidade) e estavam prontos para aprender a li\u00e7\u00e3o do dia: fotoss\u00edntese. \u201cCada dupla decide quais das atividades far\u00e1 hoje\u201d, disse ela, no in\u00edcio da aula.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Sem usar a lousa e movimentando-se pela sala, Leika passou os 80 minutos seguintes orientando pesquisas em bancos internacionais de dados on-line sobre fontes de energia. Ajudou a fazer simula\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas de como varia\u00e7\u00f5es da luz e da temperatura podem afetar o resultado da fotoss\u00edntese. Corrigiu exerc\u00edcios propostos a partir de v\u00eddeos a que os alunos assistiram em sites especializados na web. Depois, cada dupla de alunos produziu um relat\u00f3rio, compartilhado com os colegas e com a professora pelo servi\u00e7o de arquivos on-line Google Docs.O sinal marcando o fim da aula bateu e nenhum caderno sa\u00edra das mochilas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Essa aula aconteceu na Graded School, uma das melhores escolas de S\u00e3o Paulo. \u00c9 o tipo de atividade com que sonham pais deslumbrados com a parafern\u00e1lia tecnol\u00f3gica que atualmente \u00e9 alardeada por col\u00e9gios particulares. Escolas que muitas vezes cobram mensalidades mais altas por isso. H\u00e1 mais de 25 anos tenta-se comprovar a efic\u00e1cia do uso da tecnologia no ensino. Mas depois de tanto tempo, e de tanto marketing, ainda resta a pergunta: usar tecnologia para ensinar faz os alunos aprender mais?<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A resposta \u00e9 sim. Dois estudos in\u00e9ditos demonstram como a tecnologia ajudou a melhorar as notas de alunos da rede p\u00fablica. A Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas (FCC) acaba de concluir uma avalia\u00e7\u00e3o dos alunos de todas as escolas p\u00fablicas do munic\u00edpio de Jos\u00e9 de Freitas, no interior do Piau\u00ed, que desde o in\u00edcio de 2009 estudam com o apoio de lousas interativas, laptops individuais e softwares educativos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">De acordo com o estudo, esses alunos melhoraram sua m\u00e9dia de matem\u00e1tica em 8,3 pontos, enquanto os que n\u00e3o usaram a tecnologia avan\u00e7aram apenas 0,2 ponto. O segundo estudo, da Unesco, bra\u00e7o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a educa\u00e7\u00e3o, avaliou o desempenho de alunos de escolas p\u00fablicas de Hortol\u00e2ndia, em S\u00e3o Paulo, que usaram salas de aula com lousa digital e um computador por aluno. O avan\u00e7o foi de duas a sete vezes em rela\u00e7\u00e3o aos colegas em salas de aula comuns.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O sucesso, por\u00e9m, depende de como a tecnologia \u00e9 usada. N\u00e3o adianta trocar o caderno por notebook ou tablet sem ter estrat\u00e9gias e conte\u00fado para us\u00e1-los. Isso ficou claro em alguns fracassos no uso dos computadores. O Banco Mundial divulgou, no fim do ano passado, a avalia\u00e7\u00e3o de um programa do governo colombiano que distribuiu m\u00e1quinas para 2 milh\u00f5es de alunos. O impacto nas notas de espanhol e matem\u00e1tica foi pr\u00f3ximo de zero. Em alguns casos, as notas at\u00e9 pioram depois da chegada dos aparelhos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Em 2007, uma pesquisa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do Brasil mostrou que alunos que estudaram, por tr\u00eas anos, em escolas com computador estavam pelo menos seis meses atrasados no aprendizado em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Em ambos os casos, os pesquisadores se limitaram a contar se havia computador na escola. N\u00e3o avaliaram se as m\u00e1quinas eram usadas para dar algum conte\u00fado, al\u00e9m dos cursos de processadores de texto e planilhas.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00c9 por isso que, nos pa\u00edses mais adiantados na implanta\u00e7\u00e3o de tecnologia, a discuss\u00e3o hoje \u00e9 como usar a tecnologia da melhor forma. Nos pa\u00edses ricos, a quest\u00e3o do acesso \u00e0s m\u00e1quinas foi superada. Cerca de 97% da rede p\u00fablica americana tem um computador por aluno. Na Alemanha, mais de 30 mil escolas est\u00e3o equipadas desde 2001. Mas, depois de tanto tempo usando computador na sala de aula, as estat\u00edsticas de aprendizado nacionais n\u00e3o melhoraram significativamente. A pergunta \u00e9 como usar a tecnologia de um jeito diferente. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A Inglaterra criou um departamento s\u00f3 para pesquisar e avaliar o uso inovador da tecnologia em sala de aula. Na Coreia do Sul, o governo percebeu que, sem um conte\u00fado curricular fortemente relacionado \u00e0 tecnologia, ela teria pouco efeito.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Come\u00e7ou a produzir novos materiais did\u00e1ticos para os computadores. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cAinda tendemos a conceber o papel da tecnologia como algo a que basta o aluno ter acesso que as coisas v\u00e3o melhorar\u201d, afirma o americano Mark Weston, estrategista educacional da f\u00e1brica de computadores Dell. \u201cEssa era a ideia h\u00e1 30 anos, mas agora sabemos que tamb\u00e9m \u00e9 preciso ter boas pr\u00e1ticas de ensino.\u201d (Leia a entrevista com Weston)A seguir, cinco pr\u00e1ticas que ajudam a tecnologia a ensinar.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Saber para que usar a tecnologia<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A tecnologia precisa ser usada com um prop\u00f3sito. A professora Leika, da Graded School, planejou a aula descrita no come\u00e7o desta reportagem porque queria que os alunos aprendessem na pr\u00e1tica a teoria que ela tinha ensinado, do jeito tradicional, na aula anterior. \u201cPlanejei em casa e pesquisei as melhores fontes para que isso acontecesse\u201d, diz. Na sala de aula, quem domina a estrat\u00e9gia \u00e9 o professor, mas tamb\u00e9m \u00e9 decis\u00e3o da escola, ou at\u00e9 de uma rede inteira, como usar determinada tecnologia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Em segundo lugar, o conte\u00fado tecnol\u00f3gico deve ser complementar ao transmitido da forma tradicional. \u201cN\u00e3o adianta dar para o aluno ler no computador o mesmo texto que ele leria no livro did\u00e1tico ou na apostila. Isso n\u00e3o o far\u00e1 aprender mais ou melhor\u201d, afirma Marcos Telles, diretor da Dynamic Lab, uma empresa de tecnologia de educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Essa integra\u00e7\u00e3o entre a tecnologia e o conte\u00fado das aulas \u00e9 o maior desafio das escolas. As escolas municipais de Matinhos, no Paran\u00e1, tinham uma demanda espec\u00edfica: melhorar as notas de portugu\u00eas e matem\u00e1tica de todos os 3 mil alunos da rede, com equidade. Foram atr\u00e1s de um software educacional feito sob medida para isso. No computador, o aluno faz atividades interativas e evolui para as mais dif\u00edceis, de acordo com seu ritmo de aprendizado. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cAlunos aprendem de jeitos diferentes e, no ensino tradicional, os que est\u00e3o para tr\u00e1s acabam fadados ao fracasso por n\u00e3o receber acompanhamento adequado\u201d, afirma Betina von Staa, pesquisadora da Positivo Inform\u00e1tica, que faz os softwares educativos.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Marcos Vinicyus de Oliveira, de 7 anos, poderia ter sido um deles. Em 2010, estava no 2\u00ba ano e ainda n\u00e3o conseguia ler nem cumprir tarefas mais simples, como copiar a li\u00e7\u00e3o da lousa. \u201cAgora consigo juntar as letras no computador\u201d, diz. Marcos aprendeu a ler e a escrever depois de come\u00e7ar a usar o programa.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Transformar o jeito de dar aula<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Para usar qualquer tecnologia, da c\u00e2mera digital ao computador, \u00e9 preciso abandonar a geografia tradicional da sala de aula, aquela que coloca o professor na frente do quadro e os alunos enfileirados anotando tudo. Uma das tecnologias mais antigas em pr\u00e1tica nas escolas brasileiras e que d\u00e1 certo \u00e9 a rob\u00f3tica. Ela refor\u00e7a a ideia de ensinar de forma diferente: s\u00e3o aulas em que os alunos, sempre em grupo, precisam executar um projeto: programar e montar um rob\u00f4. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u201cAprendi a trabalhar em equipe e a prestar aten\u00e7\u00e3o em pequenos detalhes\u201d, diz C\u00e9sar Henrique Braga. Ele acabara de terminar seu primeiro rob\u00f4, um jipe lunar, com outros tr\u00eas colegas do 6\u00ba ano do col\u00e9gio COC Vila Yara, em Osasco, S\u00e3o Paulo. \u201cO aluno precisa aprender a usar o conhecimento para criar\u201d, diz Paulo Blikstein, professor da Escola de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Stanford.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Blikstein ensina professores da rede p\u00fablica dos Estados Unidos a ensinar em ambientes com tecnologia. Para ele, a voca\u00e7\u00e3o da tecnologia \u00e9 ajudar no ensino por projetos. Essa estrat\u00e9gia parte dos conte\u00fados do curr\u00edculo tradicional, como escrita e matem\u00e1tica, para desafiar os alunos a executar tarefas criativas, como fazer um filme. E essas habilidades dificilmente s\u00e3o ensinadas nas aulas tradicionais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Mudar a rela\u00e7\u00e3o entre professor e aluno<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Segundo Blikstein, um dos maiores desafios na hora de usar tecnologia \u00e9 mudar a pr\u00e1tica e a mentalidade dos professores. Isso aconteceu no in\u00edcio do projeto em Hortol\u00e2ndia, estudado pela Unesco. Ele foi elaborado e executado por especialistas em educa\u00e7\u00e3o da fabricante de computadores Dell e da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo. O objetivo era melhorar o aprendizado de portugu\u00eas e matem\u00e1tica de 5.500 alunos do 6\u00ba e 7\u00ba ano do ensino fundamental e 1\u00ba e 2\u00ba ano do ensino m\u00e9dio, de 23 escolas estaduais. As salas de aula ganharam um computador por aluno e lousa digital, com material did\u00e1tico digital desenvolvido por educadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Foi preciso um ajuste de cara. As aulas n\u00e3o estavam durando o tempo planejado. O material fora criado para aulas de 50 minutos. Mas elas acabavam em apenas 20. Isso porque os professores usavam a lousa digital como se fosse um quadro-negro tradicional. \u201cEles n\u00e3o davam espa\u00e7o para os alunos interagirem com a lousa\u201d, diz Ricardo Menezes, diretor da \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o da Dell para o Brasil.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A pr\u00e1tica do professor tamb\u00e9m est\u00e1 ligada a sua rela\u00e7\u00e3o com o aluno e a seu dom\u00ednio sobre a classe. A concentra\u00e7\u00e3o dos alunos na aula \u00e9 um dos fatores mais determinantes para que eles de fato aprendam. V\u00e1rias pesquisas e estudos j\u00e1 foram feitos sobre isso, mas n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula m\u00e1gica que garanta que garotos se interessem mais por c\u00e1lculos de raiz quadrada do que por bater papo com um colega. Mas alguns especialistas dizem e pesquisas demonstram que, usada da maneira correta, a tecnologia pode sim ajudar a prender a aten\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0\u201cComo \u00e9 uma linguagem que o aluno conhece, o professor se aproxima com mais facilidade\u201d, diz Maria Elizabeth Almeida, professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o curricular da PUC de S\u00e3o Paulo.<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Formar e treinar os professores<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">No Brasil e no mundo, a maioria dos professores ainda n\u00e3o consegue justificar o uso da tecnologia na classe. \u201cEles n\u00e3o t\u00eam a forma\u00e7\u00e3o adequada para isso\u201d, diz Weston, da Dell. N\u00e3o por acaso, o projeto de Hortol\u00e2ndia foi executado pela Escola de Forma\u00e7\u00e3o de Professores do Estado de S\u00e3o Paulo. \u201cN\u00e3o adianta colocar tecnologia na escola sem dar a forma\u00e7\u00e3o adequada aos professores\u201d, diz Vera Cabral, diretora da escola. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 levar o projeto para toda a rede e treinar professores em grande escala.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">H\u00e1 duas maneiras de fazer a forma\u00e7\u00e3o dos professores. A primeira \u00e9 colocar os formadores, monitores especializados na tecnologia e no conte\u00fado, dentro das salas de aula, como fez um projeto conjunto do Estado do Piau\u00ed, do munic\u00edpio de Jos\u00e9 de Freitas, e da Positivo. Francisca das Chagas Lopes da Silva d\u00e1 aula no 4\u00ba ano de uma escola estadual da cidade. Formada em pedagogia, ela n\u00e3o sabia como fazer o planejamento di\u00e1rio de suas aulas, nem aprendeu na faculdade a avaliar seus alunos de outra forma a n\u00e3o ser as tradicionais provas bimestrais. Ao participar do projeto, Francisca passou a dar aulas acompanhada por monitores.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O planejamento das atividades fazia parte do treinamento, assim como fazer o registro de tudo o que acontecia em classe para avaliar melhor o desenvolvimento dos alunos. \u201cAprendi a ensinar usando a tecnologia, mas tamb\u00e9m aprendi a planejar. Se eu for planejar uma aula qualquer, do jeito tradicional, farei isso melhor do que antes\u201d, diz.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A segunda estrat\u00e9gia para formar os professores \u00e9 mais comum nas escolas particulares. Ali, a forma\u00e7\u00e3o acontece mais por iniciativa de cada professor do que em cursos oferecidos pelos gestores. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">No Beit Yaacov, col\u00e9gio particular de S\u00e3o Paulo, a estrat\u00e9gia adotada foi deixar a cargo dos professores quando e qual tecnologia usar. Os profissionais s\u00e3o estimulados a pesquisar por conta pr\u00f3pria novas tecnologias e as maneiras de us\u00e1-las, inclusive no ensino infantil. A partir da experi\u00eancia de cada um, o que d\u00e1 certo \u00e9 adotado pelo resto da escola e o que deu errado \u00e9 aperfei\u00e7oado. \u201cSem o envolvimento de todos os professores, n\u00e3o h\u00e1 como criar e fortalecer uma cultura digital dentro da escola\u201d, afirma Silvana Del Vecchio, coordenadora de tecnologia do col\u00e9gio.<br \/>\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">5. Reformar a cultura da escola<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Nem a tecnologia mais avan\u00e7ada conseguiu ainda o feito de mudar a cultura escolar. Mas uma escola p\u00fablica de Nova York resolveu tentar. A Quest to Learn foi criada pela designer de games Katie Salen, que escreveu v\u00e1rios livros sobre o uso de jogos na educa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os alunos aprendem o conte\u00fado curricular criando e jogando videogames. Em funcionamento h\u00e1 um ano e meio, a escola foi moldada sob conceitos muito diferentes: os alunos n\u00e3o passam de ano, mas de fase \u2013 como nos jogos \u2013, e n\u00e3o ganham notas, mas classifica\u00e7\u00f5es de acordo com sua habilidade. \u201cAcreditamos que aprender a programar e a lidar com m\u00eddias ser\u00e3o habilidades centrais para que os jovens se expressem e sejam competitivos ao entrar na universidade e no mercado de trabalho\u201d, diz Katie.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A cultura do ensino pela tecnologia est\u00e1 na pr\u00e1tica di\u00e1ria dos professores da Quest to Learn. \u201cEles s\u00e3o treinados para criar experi\u00eancias nas quais os alunos possam aprender fazendo, tentar solu\u00e7\u00f5es e dividir o conhecimento\u201d, diz Katie. At\u00e9 agora, os alunos da escola n\u00e3o mostraram notas melhores nos testes tradicionais, que n\u00e3o medem as tais \u201chabilidades do futuro\u201d. Se derem certo, por\u00e9m, experi\u00eancias como essa podem e devem ser usadas como alternativas para melhorar o ensino para todos.<\/span><\/span><\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do computador \u00e0 lousa digital, pesquisas in\u00e9ditas mostram quando e como a tecnologia realmente funciona na escola. \u00a0 Poucos segundos depois de bater o sinal que anunciava o in\u00edcio da aula de ci\u00eancias, os alunos do 6\u00ba ano come\u00e7aram a entrar na classe da professora Leika Procopiak, cada um carregando seu pr\u00f3prio laptop, trazido de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3586","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A li\u00e7\u00e3o digital &raquo; 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