{"id":3560,"date":"2011-06-03T14:42:05","date_gmt":"2011-06-03T17:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2011\/06\/03\/em-defesa-de-um-portugues-brasileiro-nas-escolas-2\/"},"modified":"2011-06-03T14:42:05","modified_gmt":"2011-06-03T17:42:05","slug":"em-defesa-de-um-portugues-brasileiro-nas-escolas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/em-defesa-de-um-portugues-brasileiro-nas-escolas-2\/","title":{"rendered":"Em defesa de um portugu\u00eas brasileiro nas escolas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Escritor, tradutor, linguista e professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Marcos Bagno milita, h\u00e1 d\u00e9cadas, contra o &#8220;preconceito lingu\u00edstico&#8221; no Brasil e foi o primeiro especialista a sair em defesa dos autores do livro &#8220;Por uma vida melhor&#8221;, da Cole\u00e7\u00e3o Viver, Aprender \u2014 o livro did\u00e1tico de L\u00edngua Portuguesa mais debatido no pa\u00eds nos \u00faltimos tempos, cuja responsabilidade pedag\u00f3gica \u00e9 da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental A\u00e7\u00e3o Educativa. <\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Se para diversos segmentos da sociedade, a atitude de registrar em um livro did\u00e1tico a constru\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00f3s pega o peixe&#8221; representa um massacre \u00e0 L\u00edngua Portuguesa ou revela um posicionamento demag\u00f3gico e falacioso com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o destinada \u00e0s classes populares, para Marcos Bagno tal orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica simplesmente reconhece as variantes populares da L\u00edngua Portuguesa faladas no Brasil h\u00e1 mais de 200 anos. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Para o escritor, o alarde em torno da abordagem presente na obra, que conta com o aval do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), demonstra o enorme &#8220;preconceito lingu\u00edstico&#8221; de nossa sociedade. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Autor premiado na \u00e1rea acad\u00eamica e tamb\u00e9m na Literatura, o professor da UnB investiga h\u00e1 d\u00e9cadas os fen\u00f4menos da sociolingu\u00edstica. Em 1999, com a publica\u00e7\u00e3o de &#8220;Preconceito lingu\u00edstico: o que \u00e9, como se faz&#8221; (Ed. Loyola).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Marcos Bagno se transformou em refer\u00eancia nos cursos de Letras e de Pedagogia de todo o Brasil, que adotam a obra como marco te\u00f3rico na forma\u00e7\u00e3o dos futuros professores de L\u00edngua Portuguesa. No ano seguinte, publicou &#8220;Dram\u00e1tica da L\u00edngua Portuguesa&#8221;, fruto de sua tese de doutorado defendida na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Em sua pesquisa, apontou discrep\u00e2ncias entre a l\u00edngua realmente utilizada pelos brasileiros e a norma-padr\u00e3o veiculada pelas gram\u00e1ticas tradicionais, pelos livros did\u00e1ticos e pela m\u00eddia. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Seu posicionamento de vanguarda se consolidou em 2009, com a publica\u00e7\u00e3o de &#8220;N\u00c3O \u00c9 ERRADO FALAR ASSIM! Em defesa do portugu\u00eas brasileiro&#8221; (Par\u00e1bola), obra em que defende abertamente o reconhecimento do &#8220;portugu\u00eas brasileiro&#8221;.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Marcos Bagno n\u00e3o est\u00e1 sozinho em sua luta pelo reconhecimento de formas alternativas do uso de l\u00edngua portuguesa. No \u00faltimo dia 20, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lingu\u00edstica (Abralin) e a Associa\u00e7\u00e3o de Lingu\u00edstica Aplicada do Brasil (Alab) publicaram nota em que condenam a cobertura de ve\u00edculos de imprensa sobre livro da Cole\u00e7\u00e3o Viver, Aprender. Passadas algumas semanas da divulga\u00e7\u00e3o de trechos como &#8220;n\u00f3s pega o peixe&#8221; ou &#8220;Os livro ilustrado mais interessante est\u00e3o emprestado&#8221;, a pol\u00eamica ainda est\u00e1 longe de terminar. A centen\u00e1ria Academia Brasileira de Letras (ABL), por exemplo, por meio de nota oficial, condenou tanto a obra quanto a postura do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) ao distribu\u00ed-la para as redes p\u00fablicas de todo o pa\u00eds.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<br \/>Para enriquecer o debate em torno da quest\u00e3o, a FOLHA DIRIGIDA procurou o professor Marcos Bagno, que fez a pioneira defesa do livro &#8220;Por uma vida melhor&#8221; no artigo &#8220;Pol\u00eamica ou ignor\u00e2ncia? Discuss\u00e3o sobre livro did\u00e1tico s\u00f3 revela ignor\u00e2ncia da grande imprensa&#8221;, artigo dispon\u00edvel na p\u00e1gina eletr\u00f4nica do educador (<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"http:\/\/www.marcosbagno.com.br\">www.marcosbagno.com.br<\/a><\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">). Concedida por &#8220;e-mail&#8221; (ou seria mais adequado correio eletr\u00f4nico?), o depoimento aqueceu ainda mais o debate sobre as diretrizes para o ensino de L\u00edngua Portuguesa no pa\u00eds.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Al\u00e9m de propor a legitimidade de um &#8220;portugu\u00eas brasileiro&#8221;, o escritor critica a ABL, recomenda o engavetamento da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), documento regulador do ensino program\u00e1tico da L\u00edngua Portuguesa, e atribui o enfoque da cobertura em torno do caso a convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas contr\u00e1rias \u00e0quelas adotadas pelo Governo Federal.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">FOLHA DIRIGIDA &#8211; <strong>O senhor foi uma das poucas vozes, com exce\u00e7\u00e3o de representantes do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), a sair em defesa do livro did\u00e1tico &#8220;Por uma vida Melhor&#8221;, da Cole\u00e7\u00e3o Viver, Aprender, no qual formas usuais da linguagem popular como &#8220;os menino pega o peixe&#8221; s\u00e3o apontadas como alternativas de uso da L\u00edngua Portuguesa. O senhor defende os autores do livro? Por qu\u00ea?<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Marcos Bagno &#8211; Eu n\u00e3o fui uma das poucas vozes, fui talvez a primeira a me manifestar contra essa falsa pol\u00eamica que s\u00f3 revela a desinforma\u00e7\u00e3o total dos meios de comunica\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica de ensino de l\u00edngua hoje no Brasil. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Outras pessoas se manifestaram tamb\u00e9m, como a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lingu\u00edstica (Abralin), que re\u00fane mais de quatro mil especialistas da \u00e1rea, a professora Stella Maris Bortoni-Ricardo, pioneira nos estudos de sociolingu\u00edstica educacional entre n\u00f3s, o professor Sirio Possenti da Universidade de Campinas (Unicamp), o antrop\u00f3logo Maur\u00edcio \u00c9rnica e a professora Maria Alice Set\u00fabal, do Cenpec, uma ONG que trabalha h\u00e1 muito tempo com educa\u00e7\u00e3o. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Podemos dizer que os linguistas e educadores em peso est\u00e3o do lado dos autores do livro &#8220;Por uma vida melhor&#8221;, porque sabem que o que aparece nesse livro n\u00e3o \u00e9 nenhuma novidade. Ele s\u00f3 causa surpresa para os que ignoram o que se passa na educa\u00e7\u00e3o brasileira. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">H\u00e1 mais de 15 anos que todos os livros did\u00e1ticos de portugu\u00eas abordam o fen\u00f4meno da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica como porta de entrada para a conscientiza\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o existem formas &#8220;erradas&#8221; de falar, mas t\u00e3o somente formas diferentes, das quais se selecionou um conjunto muito restrito para compor a norma-padr\u00e3o. A partir da\u00ed, todos esses livros mostram a import\u00e2ncia de todos os aprendizes dominarem \u2018tamb\u00e9m\u2019 as formas de prest\u00edgio, para que possam se integrar plenamente na cultura letrada. Parece que a dificuldade da m\u00eddia \u00e9 entender o que significa a palavra \u2018tamb\u00e9m\u2019.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<br \/><strong>O simples fato de frases como &#8220;os menino pega o peixe&#8221; constarem em um livro did\u00e1tico foi suficiente para chocar professores e diversos segmentos da sociedade. Para o senhor, o que desencadeou tal rea\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Nenhuma professora ou professor bem formado se chocou com essa situa\u00e7\u00e3o porque sabem que o tratamento da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica n\u00e3o \u00e9 novidade nos materiais de forma\u00e7\u00e3o docente. Os segmentos da sociedade que se escandalizaram com o fato s\u00f3 se escandalizaram por causa do esc\u00e2ndalo sem fundamento e, repito, ignorante promovido pela m\u00eddia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Na sua avalia\u00e7\u00e3o, em que contexto essas frases s\u00e3o apresentadas na obra? Com que objetivo? A avalia\u00e7\u00e3o do ministro Haddad, de que as cr\u00edticas foram feitas por pessoas que n\u00e3o leram o livro, procede?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Em todos os livros did\u00e1ticos de portugu\u00eas dispon\u00edveis hoje, no mercado brasileiro, aparecem li\u00e7\u00f5es como a do livro &#8220;Por uma vida melhor&#8221;, como prepara\u00e7\u00e3o para introduzir os aprendizes ao mundo letrado e \u00e0s normas urbanas de prest\u00edgio. O ministro tem toda a raz\u00e3o: 99,9% das pessoas que t\u00eam falado do assunto n\u00e3o viram nem de longe a cor do livro e falam por ter ouvido falar, o que \u00e9 uma leviandade, principalmente por parte da m\u00eddia.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Por outro lado, o simples fato de a frase constar em um livro did\u00e1tico n\u00e3o causa confus\u00e3o entre os estudantes?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">N\u00e3o, de modo algum. A abordagem da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica tem se revelado extremamente frut\u00edfera em sala de aula para que as pessoas entendam que seu modo de falar \u00e9 l\u00f3gico, coerente, tem uma gram\u00e1tica pr\u00f3pria. Com isso, cria-se um ambiente pedag\u00f3gico mais acolhedor que propicia o interesse dos estudantes pelo acesso \u00e0s demais maneiras de falar e de escrever.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A imprensa mostrou-se despreparada ao abordar o tema, ou, propositalmente, optou por alimentar essa pol\u00eamica?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">As duas coisas: a imprensa se revelou, como sempre, ignorant\u00edssima a respeito de quest\u00f5es lingu\u00edsticas. E com base nessa ignor\u00e2ncia criou a pol\u00eamica para tirar proveito pol\u00edtico. Como a grande m\u00eddia brasileira \u00e9 comprometida at\u00e9 a medula com as classes dominantes e odeia o PT, os jornalistas acharam que poderiam aproveitar o tema para atacar o governo. No entanto, a abordagem da varia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica \u00e9 proposta desde, pelo menos, 1997, quando o MEC sob a gest\u00e3o de Paulo Renato Souza, tucan\u00edssimo, publicou os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais, documentos que advogam por uma educa\u00e7\u00e3o mais democratizadora e menos autorit\u00e1ria.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A Academia Brasileira de Letras divulgou em nota oficial, que foi publicada na imprensa, inclusive pela FOLHA DIRIGIDA: &#8220;todas as fei\u00e7\u00f5es sociais do nosso idioma constituem objeto de disciplinas cient\u00edficas, mas bem diferente \u00e9 a tarefa do professor de L\u00edngua Portuguesa, que espera encontrar no livro did\u00e1tico o respaldo dos usos da l\u00edngua padr\u00e3o que ministra a seus disc\u00edpulos, variedade que eles dever\u00e3o conhecer e praticar no exerc\u00edcio da efetiva ascens\u00e3o social que a escola lhes proporciona&#8221;. O senhor concorda com o posicionamento dos acad\u00eamicos diante da quest\u00e3o? Por qu\u00ea?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">N\u00e3o concordo com nada que venha da Academia Brasileira de Letras (ABL) porque, na minha opini\u00e3o, essa entidade simplesmente nem deveria existir. Ela n\u00e3o serve para absolutamente nada, n\u00e3o tem nenhum impacto em nossa vida social e cultural e s\u00f3 serve para gastar dinheiro p\u00fablico. Esses 40 senhores e senhoras n\u00e3o t\u00eam nada a dizer sobre ensino porque n\u00e3o atuam na \u00e1rea. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o professor Evanildo Bechara, gram\u00e1tico respeit\u00e1vel, mas que, infelizmente, \u00e9 francamente reacion\u00e1rio quando a quest\u00e3o \u00e9 ensino de l\u00edngua.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Como o senhor define o &#8220;preconceito lingu\u00edstico&#8221; e de que forma ele ocorre em nossa sociedade? O preconceito lingu\u00edstico est\u00e1 atrelado ao preconceito social? Por qu\u00ea?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O preconceito lingu\u00edstico \u00e9, na verdade, um disfarce para um preconceito que \u00e9, no fundo, social. Hoje em dia n\u00e3o \u2018pega bem\u2019 discriminar uma pessoa por ser mulher, negra, pobre, deficiente f\u00edsico e at\u00e9 mesmo homossexual, mas nossa sociedade hierarquizada e tradicionalmente autorit\u00e1ria precisa de uma arma para discriminar e excluir. Por isso, o preconceito lingu\u00edstico \u00e9 t\u00e3o eficiente: ningu\u00e9m se escandaliza quando alguma pessoa repete os mitos de que &#8220;brasileiro fala tudo errado&#8221;, &#8220;a l\u00edngua portuguesa est\u00e1 em ru\u00ednas&#8221; e outras besteiras do tipo. Da extrema esquerda \u00e0 extrema direita, todo mundo acredita nessas supersti\u00e7\u00f5es.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Quais metodologias de ensino de L\u00edngua Portuguesa o senhor defende em seu livro &#8220;N\u00c3O \u00c9 ERRADO FALAR ASSIM! Em defesa do portugu\u00eas brasileiro&#8221;?<\/strong><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Uma metodologia muito simples: parar de lutar contra o portugu\u00eas brasileiro, que \u00e9 a nossa l\u00edngua materna, e aceitar sem susto as formas lingu\u00edsticas que s\u00e3o caracter\u00edsticas dele e que constituem a nossa gram\u00e1tica intuitiva. Mostrar que ao lado das formas cl\u00e1ssicas, padronizadas, \u2018tamb\u00e9m\u2019 existem formas novas que j\u00e1 est\u00e3o em uso h\u00e1 pelo menos 200 anos. Que \u00e9 certo dizer \u2018os \u00f3culos\u2019 e tamb\u00e9m \u2018o \u00f3culos\u2019, \u2018assisti ao filme\u2019 e tamb\u00e9m \u2018assisti o filme\u2019. N\u00e3o \u00e9 nada de radical. \u00c9 simplesmente reconhecer que o que existe&#8230; existe!<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Quais repercuss\u00f5es a obra teve no meio acad\u00eamico e entre os profissionais que atuam na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">N\u00e3o sei dizer. Como ela foi lan\u00e7ada recentemente, ainda n\u00e3o posso avaliar. Mas acredito que ter\u00e1 a mesma boa recep\u00e7\u00e3o que meus outros livros t\u00eam merecido.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Recentemente, o Brasil assinou um acordo ortogr\u00e1fico com a comunidade dos pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa. O senhor acredita que deveria haver alguma iniciativa similar no que diz respeito \u00e0s regras gramaticais? De que forma esse processo deveria ser conduzido?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">N\u00e3o se pode confundir ortografia com gram\u00e1tica. A ortografia n\u00e3o faz parte da l\u00edngua, \u00e9 um mero sistema representacional para registrar a l\u00edngua falada. As regras gramaticais s\u00e3o m\u00faltiplas e vari\u00e1veis, est\u00e3o em constante mudan\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel submet\u00ea-las a uma padroniza\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 da ortografia. Por isso, uma atitude mais sensata \u00e9 abandonar a ideia de normatiza\u00e7\u00e3o e aceitar a ideia de variabilidade gramatical.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Ainda hoje, o ensino program\u00e1tico da L\u00edngua Portuguesa \u00e9 baseado na Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), aprovada em 1959. O senhor acredita que \u00e9 preciso fazer uma revis\u00e3o da NGB? Por qu\u00ea? E dentro de qual orienta\u00e7\u00e3o?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A NGB j\u00e1 devia estar no museu h\u00e1 muito tempo. Ela foi produzida antes da introdu\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia lingu\u00edstica nas universidades brasileiras. Est\u00e1 repleta de equ\u00edvocos que s\u00f3 atrapalham o ensino. N\u00e3o \u00e9 preciso criar uma nomenclatura unificada porque cada escola de pensamento lingu\u00edstico promove an\u00e1lises diferentes dos fen\u00f4menos da linguagem e, por isso, cada escola precisa criar e definir seus pr\u00f3prios termos. Como n\u00e3o \u00e9 preciso ensinar nomenclatura gramatical na escola, a NGB pode ser abandonada para sempre.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Como o senhor avalia o uso de manuais de estilo de grandes editoras como refer\u00eancia para escrita de estudantes e professores?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Um perfeito desastre. Esses manuais se mostram muitas vezes mais conservadores e autorit\u00e1rios do que as boas gram\u00e1ticas normativas. A prova de sua inefic\u00e1cia \u00e9 que, pesquisando a escrita jornal\u00edstica, \u00e9 poss\u00edvel ver que os redatores desobedecem alegremente as prescri\u00e7\u00f5es r\u00edgidas desses manuais.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Alguns desses manuais, por exemplo, j\u00e1 indicam a mes\u00f3clise (dar-te-ei), por exemplo, como constru\u00e7\u00e3o ultrapassada. Eles est\u00e3o no caminho certo? Por qu\u00ea?<\/span><\/span><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O caso da mes\u00f3clise \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o que confirma a regra, e a regra \u00e9 a prescri\u00e7\u00e3o mais autorit\u00e1ria do que a das boas gram\u00e1ticas normativas. O que esses manuais dizem, por exemplo, sobre reg\u00eancia verbal, voz passiva e outros aspectos da gram\u00e1tica \u00e9 extremamente conservador<\/span><\/span>.<\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritor, tradutor, linguista e professor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), Marcos Bagno milita, h\u00e1 d\u00e9cadas, contra o &#8220;preconceito lingu\u00edstico&#8221; no Brasil e foi o primeiro especialista a sair em defesa dos autores do livro &#8220;Por uma vida melhor&#8221;, da Cole\u00e7\u00e3o Viver, Aprender \u2014 o livro did\u00e1tico de L\u00edngua Portuguesa mais debatido no pa\u00eds nos \u00faltimos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3560","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Em defesa de um portugu\u00eas brasileiro nas escolas &raquo; 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