{"id":3534,"date":"2011-05-23T13:45:36","date_gmt":"2011-05-23T16:45:36","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2011\/05\/23\/mesmo-falantes-cultos-nao-seguem-a-norma-padrao\/"},"modified":"2011-05-23T13:45:36","modified_gmt":"2011-05-23T16:45:36","slug":"mesmo-falantes-cultos-nao-seguem-a-norma-padrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/mesmo-falantes-cultos-nao-seguem-a-norma-padrao\/","title":{"rendered":"Mesmo falantes cultos n\u00e3o seguem a norma padr\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span><span>An\u00e1lise de mais de 1.500 horas de entrevistas gravadas desde 1970 em cinco capitais revelam que mesmo os brasileiros de n\u00edvel universit\u00e1rio, na fala, usam variedades lingu\u00edsticas em desacordo com a norma padr\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\" \/><span style=\"font-size: 10pt;\" \/>  <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">&#8220;Os menino pega o peixe e colocam na mesa.&#8221;<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">O leitor mais escolarizado provavelmente estranhar\u00e1 a falta de concord\u00e2ncia na frase anterior entre o artigo e o substantivo e entre o sujeito e o verbo. Mas h\u00e1 algo mais nela em desacordo com o que \u00e9 ensinado em gram\u00e1ticas. <\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p> <span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"> <\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Falta o pronome obl\u00edquo &#8220;o&#8221;, para que a frase, agora escrita em total acordo com a norma padr\u00e3o, fique assim: &#8220;Os meninos pegam o peixe e colocam-no na mesa.&#8221;\u00a0<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Estudos feitos a partir do projeto Nurc (Norma Lingu\u00edstica Culta Urbana) e do Programa de Estudos sobre o Uso da L\u00edngua revelam, por exemplo, que a omiss\u00e3o do pronome, como no exemplo da frase que iniciou este texto, \u00e9 uma das caracter\u00edsticas mais comuns tanto entre os mais escolarizados quanto entre os menos instru\u00eddos. Entre brasileiros com n\u00edvel superior, n\u00e3o passa de 5% a frequ\u00eancia na fala com que o pronome \u00e9 colocado em casos em que a norma padr\u00e3o escrita recomendaria. Entre os menos escolarizados, o percentual \u00e9 de 1%.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">CONCORD\u00c2NCIA &#8211; A diferen\u00e7a mais vis\u00edvel est\u00e1 na concord\u00e2ncia em frases curtas, como em &#8220;Os menino pega o peixe&#8221;, mais comum entre os menos escolarizados. As pesquisadoras Dinah Callou, Eugenia Duarte e C\u00e9lia Lopes, da UFRJ do projeto Nurc, explicam que os mais escolarizados t\u00eam maior cuidado com a concord\u00e2ncia ao escrever. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Na fala coloquial, por\u00e9m, o monitoramento \u00e9 menor e ela se aproxima das variantes populares. &#8220;Para espanto de muitos, as an\u00e1lises mostram que as variedades cultas n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o se distinguem muito entre si como tamb\u00e9m n\u00e3o se distanciam muito das variedades chamadas populares&#8221;, afirmam as pesquisadoras. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Um dos mais conhecidos estudos feitos a partir da base de dados do projeto Nurc foi feito por Ataliba Teixeira de Castilho (Unicamp).<\/span><\/span><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Ele afirma que uma das principais conclus\u00f5es foi que, para surpresa de muitos, a l\u00edngua falada por eles era tamb\u00e9m muito diferente do que era preconizado pelas gram\u00e1ticas da \u00e9poca. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Os pronomes pessoais das gram\u00e1ticas escolares (eu, tu, eles, n\u00f3s, v\u00f3s, eles), por exemplo, j\u00e1 n\u00e3o correspondiam mais ao que era usado na fala dos mais escolarizados, que j\u00e1 trocavam, desde a d\u00e9cada de 1970, &#8220;tu&#8221; e &#8220;v\u00f3s&#8221; por &#8220;voc\u00ea&#8221; e &#8220;voc\u00eas&#8221;, al\u00e9m de &#8220;n\u00f3s&#8221; por &#8220;a gente&#8221;. Uma das consequ\u00eancias \u00e9 que, como explica Castilho, \u00e9 cada vez menos comum o uso do sujeito oculto, j\u00e1 que, pela termina\u00e7\u00e3o do verbo, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mais identificar claramente qual pronome pessoal foi ocultado. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial,helvetica,sans-serif;\"><span style=\"font-size: 10pt;\">As formas verbais de terceira pessoa s\u00e3o usadas com os pronomes &#8220;voc\u00ea&#8221; e &#8220;ele&#8221;, portanto a termina\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 capaz de identificar o sujeito (por exemplo, &#8220;voc\u00ea fala&#8221;, &#8220;ele fala&#8221;). O mesmo vale para as formas do plural (&#8220;voc\u00eas falam&#8221;, &#8220;eles falam&#8221;). Com &#8220;tu&#8221; ou &#8220;v\u00f3s&#8221;, isso n\u00e3o aconteceria. A termina\u00e7\u00e3o seria suficiente para que o interlocutor descobrisse qual era o sujeito da frase.<\/span><\/span> <br \/>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p> <\/span><\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise de mais de 1.500 horas de entrevistas gravadas desde 1970 em cinco capitais revelam que mesmo os brasileiros de n\u00edvel universit\u00e1rio, na fala, usam variedades lingu\u00edsticas em desacordo com a norma padr\u00e3o. \u00a0 &#8220;Os menino pega o peixe e colocam na mesa.&#8221;O leitor mais escolarizado provavelmente estranhar\u00e1 a falta de concord\u00e2ncia na frase anterior [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3534","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mesmo falantes cultos n\u00e3o seguem a norma padr\u00e3o &raquo; 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