{"id":326,"date":"2003-10-03T14:36:00","date_gmt":"2003-10-03T17:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2003\/10\/03\/criancas-sustentam-mercado-de-livros\/"},"modified":"2003-10-03T14:36:00","modified_gmt":"2003-10-03T17:36:00","slug":"criancas-sustentam-mercado-de-livros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/criancas-sustentam-mercado-de-livros\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7as sustentam mercado de livros"},"content":{"rendered":"<p>Did\u00e1ticos, infantis e juvenis representam 76% da cena editorial brasileira. Literatura adulta perde espa\u00e7o \u00a0<br \/>  \u00a0<br \/> Ao longo do s\u00e9culo 20, o mercado editorial brasileiro se transformou. Livros did\u00e1ticos e infantis ganharam terreno, as obras traduzidas cederam espa\u00e7o para autores nacionais e a literatura adulta perdeu posi\u00e7\u00f5es no ranking. As mudan\u00e7as ficam claras com a compara\u00e7\u00e3o das Estat\u00edsticas do S\u00e9culo 20, divulgada na segunda-feira pelo IBGE, com n\u00fameros de estudos recentes de institui\u00e7\u00f5es como a C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os did\u00e1ticos, que em 1963 representavam 28% dos exemplares vendidos no pa\u00eds, hoje respondem por uma fatia de 51%. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 simples: nos \u00faltimos anos, o governo federal passou a comprar em grande volume. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> &#8211; O governo passado fez um grande esfor\u00e7o para universalizar a distribui\u00e7\u00e3o dos livros did\u00e1ticos. Isso aumentou o n\u00famero de t\u00edtulos e de exemplares &#8211; avalia Marino Lobello, vice-presidente da CBL. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Crescimento semelhante pode ser notado no segmento dos livros infantis e juvenis. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70, eles representavam 8% da tiragem dos lan\u00e7amentos. Hoje, o n\u00famero de exemplares vendidos j\u00e1 corresponde a 25% do mercado, com expectativa de crescer ainda mais. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A secret\u00e1ria geral da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Elizabeth Serra, explica que o governo Lula est\u00e1 ampliando o programa que fez alegria dos editores desse tipo de publica\u00e7\u00e3o, o Literatura em Minha Casa. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> &#8211; Ano passado, o governo comprou 23 milh\u00f5es de exemplares. Este ano, vai comprar 40 milh\u00f5es. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os n\u00fameros astron\u00f4micos n\u00e3o s\u00e3o novidade. Em 2001, gra\u00e7as ao programa, a Uni\u00e3o adquiriu 60 milh\u00f5es de livros infantis e juvenis &#8211; simplesmente o dobro do que costumava ser a produ\u00e7\u00e3o anual: 30 milh\u00f5es. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Marino Lobello aponta outro motivo para o aumento do interesse pelos infantis: o cuidado com as edi\u00e7\u00f5es. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> &#8211; A \u00e1rea cresceu nas duas pontas: a distribui\u00e7\u00e3o do governo e as livrarias, j\u00e1 que o livro infantil tomou um banho de loja &#8211; diz o executivo da CBL. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Paulo Rocco, presidente do Snel, concorda. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> &#8211; Este \u00e9 um mercado muito forte no Brasil, que sempre cresce e se renova. Afinal, todo dia nasce crian\u00e7a, ent\u00e3o n\u00e3o faltam leitores &#8211; brinca Paulo. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No outro lado da gangorra est\u00e3o as obras traduzidas, que passaram de 27% do mercado em 1972 para apenas 10% em 2002. Paulo Rocco v\u00ea uma rela\u00e7\u00e3o dessa queda com o avan\u00e7o dos did\u00e1ticos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> &#8211; Muitos livros continuam sendo traduzidos, mas os did\u00e1ticos ganharam uma import\u00e2ncia muito grande no mercado e tomaram espa\u00e7o das tradu\u00e7\u00f5es &#8211; afirma Rocco. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Marino Lobello prefere apostar no bom momento da fic\u00e7\u00e3o nacional. Em quinto lugar na lista de g\u00eaneros mais publicados (atr\u00e1s de did\u00e1ticos, infantis\/juvenis, religiosos e generalidades), a literatura adulta tem se concentrado mais nos brasileiros do que nos estrangeiros. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> &#8211; Hoje a produ\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 maior e ocupou o terreno das tradu\u00e7\u00f5es. H\u00e1 10 anos, poucos autores brasileiros estavam nas listas dos mais vendidos. Hoje nossos autores fazem muito sucesso, vide Luis Fernando Verissimo e Paulo Coelho. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A atua\u00e7\u00e3o p\u00e1lida da literatura adulta em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros gerais, no entanto, \u00e9 motivo de inquieta\u00e7\u00e3o para Elizabeth Serra: \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> &#8211; A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito preocupante. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No in\u00edcio dos anos 70, as obras liter\u00e1rias &#8211; inclusive de cr\u00edtica, filologia e ling\u00fc\u00edstica &#8211; respondiam por 20% dos lan\u00e7amentos em termos de tiragem e ocupavam o segundo lugar no mercado editorial. \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Did\u00e1ticos, infantis e juvenis representam 76% da cena editorial brasileira. Literatura adulta perde espa\u00e7o \u00a0 \u00a0 Ao longo do s\u00e9culo 20, o mercado editorial brasileiro se transformou. 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