{"id":280,"date":"2003-02-26T14:58:00","date_gmt":"2003-02-26T17:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2003\/02\/26\/progressao-continuada-e-escola-plural-os-ciclos-e-a-qualidade-do-ensino\/"},"modified":"2003-02-26T14:58:00","modified_gmt":"2003-02-26T17:58:00","slug":"progressao-continuada-e-escola-plural-os-ciclos-e-a-qualidade-do-ensino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/progressao-continuada-e-escola-plural-os-ciclos-e-a-qualidade-do-ensino\/","title":{"rendered":"Progress\u00e3o Continuada e Escola Plural &#8211; os ciclos e a qualidade do ensino"},"content":{"rendered":"<p>Afinal, os ciclos pioraram ou n\u00e3o a qualidade do ensino? Conhe\u00e7a diferentes vis\u00f5es sobre a quest\u00e3o atrav\u00e9s da an\u00e1lise das experi\u00eancias de S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte. <\/p>\n<p> <b>Psic\u00f3loga  comenta problemas na Progress\u00e3o Continuada &#8211;   Ag\u00eancia USP <\/b> <\/p>\n<p>O Programa de Progress\u00e3o Continuada implementado nas escolas paulistas n\u00e3o resolveu a exclus\u00e3o pela qual passam alunos de classes socioecon\u00f4micas mais baixas. Segundo a psic\u00f3loga Lygia de Sousa Vi\u00e9gas, o problema tornou-se apenas sutil. \u201cA exclus\u00e3o simplesmente deixou de aparecer \u00e0 sociedade\u201c, diz. A psic\u00f3loga defendeu a disserta\u00e7\u00e3o Progress\u00e3o continuada e suas repercuss\u00f5es na escola p\u00fablica estadual paulista: concep\u00e7\u00f5es de educadores, apresentada no Instituto de Psicologia (IP) da USP, sob orienta\u00e7\u00e3o da professora Marilene Proen\u00e7a Rebello de Souza.  <\/p>\n<p>  A Progress\u00e3o Continuada foi institu\u00edda em 1998 pelo Governo do Estado de S\u00e3o Paulo, reorganizando o ensino p\u00fablico fundamental em dois ciclos: o ciclo I, de primeira \u00e0 quarta s\u00e9rie, e o ciclo II, de quinta \u00e0 oitava. Em ambos, ficou impedida a reprova\u00e7\u00e3o de alunos. Em seu estudo, Lygia analisou como os professores vivenciaram essa mudan\u00e7a no cotidiano escolar. Ela trabalhou com cerca de dez profissionais de uma escola da Capital, de ciclo II do Ensino Fundamental (antigo gin\u00e1sio) e de Ensino M\u00e9dio.  <\/p>\n<p>  Segundo a pesquisadora, os professores sentiram-se desvalorizados com o programa. \u201cNos encontros coletivos e nas entrevistas individuais para coleta de dados, encontrei educadores irritados com a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o, desinformados sobre a Lei e sentindo-se desvalorizados e perdidos para lidar com essa nova situa\u00e7\u00e3o escolar\u201c, relata.  <\/p>\n<p>  \u201cN\u00e3o foram dados \u00e0s escolas elementos para que a Progress\u00e3o fosse implementada por completo. A Lei previa acompanhamento pedag\u00f3gico e psicol\u00f3gico \u00e0s crian\u00e7as que estivessem com dificuldade. Elas passariam de ano mas seus problemas seriam trabalhados\u201c, conta Lygia. \u201cInfelizmente, o que ficou foi mesmo a \u00b4aprova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica\u00b4, como foi apelidada\u201c.  <\/p>\n<p>  Na opini\u00e3o da pesquisadora, a decis\u00e3o de implanta\u00e7\u00e3o da Progress\u00e3o Continuada veio de forma autorit\u00e1ria, n\u00e3o apenas mantendo o aluno exclu\u00eddo dentro da escola como excluindo tamb\u00e9m o professor do processo. \u201cEm nenhum momento foi levada em conta a experi\u00eancia educacional do professor \u201c, constata. Ela diz que muitos dos professores entrevistados eram a favor de uma mudan\u00e7a educacional, mas todos se colocaram contra a Progress\u00e3o Continuada como ela tinha chegado, \u201cde cima para baixo\u201c.  <\/p>\n<p>  \u201cOs \u00edndices de aprova\u00e7\u00e3o escolar dos alunos aumentaram, mas o problema n\u00e3o se alterou. Ele foi mascarado\u201c, explica a pesquisadora. \u201cProfessores especialistas, formados em Hist\u00f3ria ou Matem\u00e1tica, n\u00e3o sabiam lidar com alunos que estavam chegando ao ciclo II n\u00e3o-alfabetizados.\u201c Ela emenda: \u201cantes, o dado de que 30% das crian\u00e7as reprovavam o ano era um sinal de que a escola estava fracassando. Hoje, os n\u00fameros n\u00e3o mostram isso claramente\u201c.  <\/p>\n<p>  Outro aspecto levantado pelos educadores foi a diminui\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a da fam\u00edlia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escola e provavelmente aos alunos. \u201cOs professores diziam que muitos pais estavam mais satisfeitos porque seus filhos tinham \u00b4deslanchado\u00b4 no ensino e pararam de repetir de ano\u201c, relata a psic\u00f3loga.  <\/p>\n<p>  Para Lygia, a decis\u00e3o da n\u00e3o-reprova\u00e7\u00e3o obedeceu principalmente a crit\u00e9rios econ\u00f4micos. \u201cExiste uma vis\u00e3o de que o aluno de baixa renda da rede p\u00fablica n\u00e3o ir\u00e1 aprender de qualquer maneira. O pr\u00f3prio texto que acompanha a Lei deixa claro que um aluno reprovado \u00e9 um desperd\u00edcio para o Estado\u201c.  <\/p>\n<p>  O preconceito, segundo ela, \u00e9 um dos motivos pelos quais a mudan\u00e7a n\u00e3o foi bem implementada. \u201cA escola n\u00e3o acredita em seu aluno: a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o considera o investimento no jovem de baixa renda in\u00fatil pois ele traz problemas de drogas, viol\u00eancia e fam\u00edlia desestruturada e por isso n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de aprender\u201c, diz. \u201cMuitas vezes os pr\u00f3prios professores n\u00e3o acreditam que esse aluno problem\u00e1tico possa aprender\u201c.  <\/p>\n<p>  Na opini\u00e3o da pesquisadora, para produzir uma boa pol\u00edtica educacional \u00e9 preciso livrar-se desse preconceito. E conclui: \u201cum maior investimento na educa\u00e7\u00e3o, a valoriza\u00e7\u00e3o do seu profissional e a discuss\u00e3o dos problemas com quem os vive diariamente traria resultados positivos\u201c.  <\/p>\n<p><p>   <b> A qualidade em xeque <br \/>Revista Nova Escola, Edi\u00e7\u00e3o 160 \u00a0 <\/B>\u00a0<br \/> Ricardo Prado, de S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte<\/p>\n<p> Os ciclos s\u00e3o acusados de ter piorado o ensino. Na verdade, serviram para expor o drama da repet\u00eancia e mostrar que a escola n\u00e3o garante que todos aprendam. \u00a0 \u00a0<br \/> Afinal, os ciclos pioram a qualidade do ensino? As pesquisas realizadas at\u00e9 agora indicam que n\u00e3o. Exames como o Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e o Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o da Rede Estadual de S\u00e3o Paulo (Saresp) mostram que quase n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a no desempenho de alunos de ciclos ou s\u00e9ries. Em S\u00e3o Paulo, 81% est\u00e3o na chamada progress\u00e3o continuada e as notas do Saresp de 2001 foram melhores que as de 1997, quando a rede ainda era seriada. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Na verdade, o regime de ciclos rompeu com o c\u00edrculo vicioso da repet\u00eancia. Antes o estudante n\u00e3o aprendia e ficava retido. Agora a escola tem a responsabilidade de ensinar sem deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s. O que veio \u00e0 tona foi a discuss\u00e3o sobre a qualidade.\u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/novaescola.abril.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia a mat\u00e9ria completa<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afinal, os ciclos pioraram ou n\u00e3o a qualidade do ensino? Conhe\u00e7a diferentes vis\u00f5es sobre a quest\u00e3o atrav\u00e9s da an\u00e1lise das experi\u00eancias de S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte. 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