{"id":22520,"date":"2026-09-30T12:22:21","date_gmt":"2026-09-30T15:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=22520"},"modified":"2026-09-30T12:22:21","modified_gmt":"2026-09-30T15:22:21","slug":"o-protagonismo-humano-nao-pode-ser-anulado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-protagonismo-humano-nao-pode-ser-anulado\/","title":{"rendered":"\u201cO protagonismo humano n\u00e3o pode ser anulado\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A Abrelivros em Pauta deste m\u00eas conversa com Ana L\u00edgia Scachetti, CEO da Associa\u00e7\u00e3o Nova Escola, organiza\u00e7\u00e3o que produz conte\u00fado e forma\u00e7\u00e3o para educadores da rede p\u00fablica. Um levantamento da Nova Escola, realizado com mais de 1.200 docentes, mostra que o uso de intelig\u00eancia artificial passou de 1 em cada 4 professores, em 2023, para 4 em cada 5 atualmente, e que a percep\u00e7\u00e3o sobre a tecnologia migrou da economia de tempo para a gera\u00e7\u00e3o de ideias mais criativas e a qualifica\u00e7\u00e3o do planejamento pedag\u00f3gico. Na entrevista, Ana L\u00edgia aborda o que os dados revelam sobre a ado\u00e7\u00e3o da IA nas escolas, os desafios de forma\u00e7\u00e3o diante das novas diretrizes do CNE e do MEC, como preservar a autonomia e a autoria docente, o desenvolvimento de compet\u00eancias como escrita e resolu\u00e7\u00e3o de problemas e o futuro da rela\u00e7\u00e3o entre professor, aluno, livro e recursos digitais.<\/p>\n<p><strong>O levantamento de Nova Escola mostra que o uso de IA pelos professores passou de 1 em cada 4, em 2023, para 4 em cada 5 atualmente. O que essa r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o revela sobre a transforma\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica docente e quais s\u00e3o os principais desafios que as escolas precisam enfrentar neste momento?<\/strong><\/p>\n<p><em>Essa evolu\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e significativa revela que os educadores est\u00e3o abertos a inova\u00e7\u00f5es e j\u00e1 incorporaram a tecnologia ao cotidiano profissional. Um dado que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 qualitativo: a percep\u00e7\u00e3o deles sobre a intelig\u00eancia artificial migrou da busca por &#8220;economia de tempo&#8221; para a &#8220;gera\u00e7\u00e3o de ideias mais criativas&#8221; e a qualifica\u00e7\u00e3o do planejamento pedag\u00f3gico. Hoje, a intelig\u00eancia artificial (IA) j\u00e1 apoia tomadas de decis\u00e3o, ajuda a diversificar estrat\u00e9gias e a adaptar as aulas para trabalhar com turmas heterog\u00eaneas.<\/em><\/p>\n<p><em>Ao mesmo tempo, o uso da IA pelos educadores acompanha o uso dos estudantes: 82% dos professores acreditam que os alunos tamb\u00e9m usam IA em suas produ\u00e7\u00f5es. Ou seja, estamos diante de uma transforma\u00e7\u00e3o que inclui o ensino e a aprendizagem. O grande desafio das escolas \u00e9 colaborar para que todos consigam ir al\u00e9m de delegar tarefas \u00e0 IA e refletir sobre as oportunidades que ela oferece, ajustando as ferramentas \u00e0 realidade da sala de aula, \u00e0 idade dos alunos e aos curr\u00edculos locais.<\/em><\/p>\n<p><strong>Como garantir que essas ferramentas sejam utilizadas como apoio ao trabalho pedag\u00f3gico, e n\u00e3o como substitutas da curadoria e da experi\u00eancia do professor?<\/strong><\/p>\n<p><em>Autonomia, autoria e centralidade docente s\u00e3o pilares inegoci\u00e1veis. Nenhum assistente digital pode substituir a humanidade, a sensibilidade e o conhecimento do educador. Para assegurar que a IA atue como apoio ao planejamento, temos de fortalecer o docente como mediador, curador e cr\u00edtico. \u00c9 ele quem deve formular os comandos, orientar a ferramenta, delimitar o que se busca e, sobretudo, avaliar a consist\u00eancia das propostas, checar as fontes e ajustar as atividades \u00e0 realidade da turma.<\/em><\/p>\n<p><em>A Associa\u00e7\u00e3o Nova Escola demonstra na pr\u00e1tica que solu\u00e7\u00f5es respons\u00e1veis exigem avalia\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica humana cont\u00ednua sobre os conte\u00fados gerados e alinhamento rigoroso \u00e0 Base Nacional Comum Curricular (BNCC), garantindo que a tecnologia sirva para potencializar o repert\u00f3rio docente sem jamais comprometer sua autoria. Temos uma ferramenta gratuita de IA para educadores feita de professores e est\u00e1 ancorada na experi\u00eancia e na hist\u00f3ria da marca, que j\u00e1 elaborou mais de 6 mil planos de aula assinados por professores de escolas p\u00fablicas.<\/em><\/p>\n<p><em>Continuamente, os planos de aula gerados pela ferramenta s\u00e3o submetidos \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de especialistas humanos nos componentes curriculares, a fim de analisar se as rubricas est\u00e3o consistentes, encontrar fragilidades e diverg\u00eancias e, \u00e9 claro, melhorar os prompts. Cerca de 97% dos usu\u00e1rios dizem ter economizado tempo com o uso da ferramenta, e 94% afirmam que o plano gerado atendeu \u00e0s expectativas para aplica\u00e7\u00e3o em sala de aula. Tamb\u00e9m avisamos os professores de que o conte\u00fado est\u00e1 sendo gerado por IA, garantindo transpar\u00eancia e lembrando que a decis\u00e3o final \u00e9 deles.<\/em><\/p>\n<p><strong>Quase metade dos professores ouvidos se sente pouco ou nada informada sobre a legisla\u00e7\u00e3o brasileira de IA. Diante das novas discuss\u00f5es do CNE e das iniciativas do MEC, o que precisa avan\u00e7ar na forma\u00e7\u00e3o e na orienta\u00e7\u00e3o dos docentes para que a regulamenta\u00e7\u00e3o se transforme em seguran\u00e7a e boas pr\u00e1ticas dentro das escolas?<\/strong><\/p>\n<p><em>A dist\u00e2ncia entre a legisla\u00e7\u00e3o sobre o uso da IA na educa\u00e7\u00e3o e a vida real nas escolas, como em outros temas que envolvem ensino e aprendizagem, precisa ser reduzida com investimentos consistentes e perenes em forma\u00e7\u00e3o inicial e continuada. O &#8220;Referencial para Desenvolvimento e Uso Respons\u00e1veis de IA na Educa\u00e7\u00e3o&#8221;, do MEC, \u00e9 um documento que orienta o &#8220;porqu\u00ea e para qu\u00ea&#8221;, e o parecer normativo do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE) estabelece &#8220;o que pode e o que n\u00e3o pode&#8221; nas escolas.<\/em><\/p>\n<p><em>Ainda assim, para que essas diretrizes se convertam em prote\u00e7\u00e3o concreta, as redes de ensino precisam formar os professores sobre seguran\u00e7a, privacidade de dados, uso dos sistemas, preven\u00e7\u00e3o de vieses e prote\u00e7\u00e3o dos direitos autorais. Precisam tamb\u00e9m manter tempos de estudo e troca de pr\u00e1ticas entre eles, ajudando-os a reconhecer erros factuais, prevenir o uso mec\u00e2nico das ferramentas e garantir que qualquer recurso esteja sempre relacionado a objetivos pedag\u00f3gicos expl\u00edcitos e sob supervis\u00e3o humana cont\u00ednua.<\/em><\/p>\n<p><strong>O levantamento aponta uma percep\u00e7\u00e3o ambivalente dos professores: a IA pode contribuir para pesquisa, avalia\u00e7\u00e3o de fontes e criatividade, mas tamb\u00e9m est\u00e1 associada a poss\u00edveis perdas em habilidades como escrita e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Como preservar essas compet\u00eancias fundamentais?<\/strong><\/p>\n<p><em>Produzir textos e resolver problemas s\u00e3o compet\u00eancias essenciais para o desenvolvimento estudantil e precisam estar sempre sob combinados e regras transparentes na comunidade escolar. Proibir o acesso dos alunos \u00e0 IA e \u00e0 internet n\u00e3o \u00e9 um caminho plaus\u00edvel: eles j\u00e1 usam a tecnologia, ainda que s\u00f3 fora da escola. A quest\u00e3o \u00e9 definir o uso pedag\u00f3gico, ou seja, como potencializ\u00e1-lo a servi\u00e7o da aprendizagem.<\/em><\/p>\n<p><em>A chegada do Google transformou a nossa forma de pesquisa, deixando as enciclop\u00e9dias para tr\u00e1s, e a sociedade aprendeu o que \u00e9 o bom uso dessa e de outras ferramentas de busca na escola. Agora temos de aprender a usar a IA de forma inteligente, sem nos limitarmos \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do conte\u00fado gerado, ao &#8220;copiar e colar&#8221; de respostas dos rob\u00f4s. Isso vai levar tempo, mas \u00e9 fato que a sala de aula deve continuar sendo o espa\u00e7o para debater, questionar, argumentar e resolver problemas. A IA pode gerar conte\u00fados, apontar refer\u00eancias e apresentar resolu\u00e7\u00f5es, mas o protagonismo humano n\u00e3o pode ser anulado.<\/em><\/p>\n<p><strong>Considerando que os professores j\u00e1 est\u00e3o incorporando a IA \u00e0s suas pr\u00e1ticas, como voc\u00ea imagina o futuro da rela\u00e7\u00e3o entre professor, aluno, livro e recursos digitais?<\/strong><\/p>\n<p><em>Na Nova Escola, defendemos que o professor tem autonomia e autoria em sala de aula e que isso n\u00e3o pode ser substitu\u00eddo pela tecnologia. Mas o uso dela pode enriquecer, e j\u00e1 est\u00e1 enriquecendo, as experi\u00eancias de ensino e aprendizagem. O livro did\u00e1tico e os outros materiais continuam indispens\u00e1veis como refer\u00eancias curriculares, e a IA e outros recursos digitais podem ser usados para ampliar o repert\u00f3rio de propostas e de atividades acess\u00edveis.<\/em><\/p>\n<p><em>Pensando no futuro, uma das grandes contribui\u00e7\u00f5es da IA pode ser desonerar o professor do tempo excessivo investido na elabora\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica de rotinas e materiais e na busca por conte\u00fados em fontes diversas, liberando-o para olhar para cada estudante, mediar conflitos, dialogar, desenvolver o pensamento cr\u00edtico da turma e formar cidad\u00e3os conscientes.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Abrelivros em Pauta deste m\u00eas conversa com Ana L\u00edgia Scachetti, CEO da Associa\u00e7\u00e3o Nova Escola, organiza\u00e7\u00e3o que produz conte\u00fado e forma\u00e7\u00e3o para educadores da rede p\u00fablica. 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