{"id":2101,"date":"2007-10-01T15:26:00","date_gmt":"2007-10-01T18:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2007\/10\/01\/carta-capital-dedica-capa-e-oito-paginas-ao-pnld\/"},"modified":"2007-10-01T15:26:00","modified_gmt":"2007-10-01T18:26:00","slug":"carta-capital-dedica-capa-e-oito-paginas-ao-pnld","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/carta-capital-dedica-capa-e-oito-paginas-ao-pnld\/","title":{"rendered":"Carta Capital dedica capa e oito p\u00e1ginas ao PNLD"},"content":{"rendered":"<p><B>A hist\u00f3ria, como ela \u00e9<br \/><\/B> Carta Capital &#8211; Ana Paula Sousa <\/p>\n<p> M\u00e1rio Schmidt \u00e9 uma esp\u00e9cie de Paulo Coelho dos livros did\u00e1ticos. A proximidade com o mago, antes que se diga que o autor \u00e9, al\u00e9m de \u201ccomunista\u201c, esot\u00e9rico, d\u00e1-se no campo dos n\u00fameros. Schmidt, autor da cole\u00e7\u00e3o Nova Hist\u00f3ria Cr\u00edtica, vendeu cerca de 10 milh\u00f5es de exemplares rio Pa\u00eds e estima-seque tenha chegado \u00e0s m\u00e3os de 28 milh\u00f5es de alunos. <\/p>\n<p> Schmidt ficou enfim famoso. Nas \u00faltimas semanas, protagonizou uma s\u00e9rie de reportagens que o acusam de disseminar a ideologia comunista pelas escolas brasileiras. No jornal O Globo, a obra foi definida como \u201cum livro did\u00e1tico bisonho, encharcado de ideologia\u2019; que fez Ali Kamel sentir-se do mesmo jeito que, um dia, se sentiu a atriz Regina Duarte. \u201c\u00c9 de dar medo\u201c, escreveu, no jornal, na ter\u00e7a-feira 18, o diretor de jornalismo da Rede Globo. Estava dada a largada para uma s\u00e9rie de artigos e editoriais un\u00edssonos. <\/p>\n<p> Nova Hist\u00f3ria Cr\u00edtica \u00e9 uma das 53 cole\u00e7\u00f5es exclu\u00eddas na \u00faltima avalia\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), que analisou 144 t\u00edtulos submetidos ao Plano Nacional do Livro Did\u00e1tico (PNLD). Schmidt, publicado pela Nova Gera\u00e7\u00e3o, uma das \u00faltimas editoras pesospenas num ringue de pesos pesados, tornou-se best seller no mais rent\u00e1vel segmento do mercado editorial brasileiro. Basta dizer que, num Pa\u00eds que consome, em m\u00e9dia, 2,5 livros por ano, o governo adquiriu, em 2007, 121 milh\u00f5es de exemplares. Trata-se do maior programa de aquisi\u00e7\u00e3o de livros do mundo. E o cliente \u00e9 o Estado. <\/p>\n<p> N\u00e3o \u00e9 preciso ter faro especialmente apurado para intuir que por tr\u00e1s do barulho capaz de jogar na fogueira a obra de Schmidt esconde-se uma disputa a um s\u00f3 tempo ideol\u00f3gica e econ\u00f4mica. No meio do caminho que um livro percorre antes de chegar aos alunos, h\u00e1 mais que uma pedra. H\u00e1 disputas pol\u00edticas, h\u00e1 uma compra de 560 milh\u00f5es de reais em 2007 e h\u00e1 interesses financeiros ati\u00e7ados pelo desempenho do grupo espanhol Santillana, cliente da consultoria do ex-ministro Paulo Renato Souza que ultrapassou o Grupo Abril no ranking do PNLD. <\/p>\n<p> A professora de hist\u00f3ria Margarida de Oliveira, membro da comiss\u00e3o t\u00e9cnica para o PNLD, est\u00e1 longe de integrar o coro de defensores do livro de Schmidt, at\u00e9 porque foi sob a sua gest\u00e3o que a obra saiu da lista de compras. Ainda assim, ela espantou-se com a saraivada de acusa\u00e7\u00f5es contra a cole\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p> \u201cO que me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o fato de os jornalistas, geralmente t\u00e3o atarefados, se ocuparem de um livro que n\u00e3o ser\u00e1 mais comprado pelo governo\u201c, diz a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.  <\/p>\n<p> \u201cAl\u00e9m disso, n\u00e3o entendi o esfor\u00e7o para vincular o livro ao governo Lula, uma vez que, ao contr\u00e1rio do que tentou se mostrar, ele foi aprovado no governo FHC e descartado na atual administra\u00e7\u00e3o.\u201c <\/p>\n<p> Tal detalhe parece ter escapado ao pr\u00f3prio ex-ministro Paulo Renato Souza, hoje deputado federal. \u201cQuando est\u00e1vamos no governo, evit\u00e1vamos vi\u00e9s ideol\u00f3gico na escolha dos livros did\u00e1ticos. Essas diferen\u00e7as devem ser respeitadas, mas, infelizmente, estamos vendo que a pr\u00e1tica se perdeu com o tempo\u201c, declarou, no site do PSDB. <\/p>\n<p> Nova Hist\u00f3ria Cr\u00edtica entrou na sele\u00e7\u00e3o do MEC em 2002, ano de Paulo Renato \u00e0 frente da pasta. Desde 1995, a lista \u00e9 elaborada por 31 pareceristas, recrutados em universidades e divididos por especialidade. O tr\u00e2mite come\u00e7a no Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT), da USP, apto a verificar gramatura do papel, tamanho da fonte e outras especificidades t\u00e9cnicas, e termina na elabora\u00e7\u00e3o de um guia. \u201cUm livro aprovado n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de livro perfeito, \u00e9 apenas a garantia de que n\u00e3o tem erros ou estere\u00f3tipos.\u201c <\/p>\n<p> \u201cApresentamos uma lista e o professor escolhe a obra que mais o agrada, at\u00e9 de acordo com sua ideologia\u201c; observa Margarida. No programa deste ano, por exemplo, o professor tinha 19 livros de hist\u00f3ria \u00e0 escolha. O campe\u00e3o de solicita\u00e7\u00f5es foi o de Schmidt. <\/p>\n<p> Duplamente indignado &#8211; com a elimina\u00e7\u00e3o do livro do programa e com a cobertura da imprensa -, Arnaldo Saraiva dono da Nova Gera\u00e7\u00e3o, diz tratar-se do livro did\u00e1tico \u201cmais vilipendiado c, ao mesmo menos lido pelos detratores\u201c. \u201cO senhor Ali Kamel tem o direito de n\u00e3o gostar de certos livros did\u00e1ticos. Mas por que ele julga que sua capacidade de escolha deveria prevalecer sobre a de dezenas de milhares de professores?\u201c; pergunta. Chama a aten\u00e7\u00e3o, nas reportagens sobre o livro, a omiss\u00e3o de trechos complementares \u00e0s frases \u201ctendenciosas\u201c citadas e a reprodu\u00e7\u00e3o &#8211; dos mesmos trechos em todos os jornais. <\/p>\n<p> Saraiva, que seguiu trilha pr\u00f3pria depois de trabalhar na editora da fam\u00edlia, atrela a ofensiva, sobretudo, \u00e0 entrada do capital internacional no setor. \u201cExiste hoje um ataque direto \u00e0 \u00fanica editora did\u00e1tica que n\u00e3o se vendeu ao capital externo, especialmente ao espanhol.\u201c A frase, que pode soar conspirat\u00f3ria, encontra eco entre estudiosos do setor. <\/p>\n<p> C\u00e9lia Cassiano, na tese de doutorado em Educa\u00e7\u00e3o, recentemente defendida na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC), de S\u00e3o Paulo, debru\u00e7a-se sobre o mercado editorial e procura entender de que modo o movimento empresarial, e a forte presen\u00e7a espanhola no setor, tem afetado o conhecimento que chega \u00e0s escolas. Ela diz que, no mundo todo, empresas como Hachette, Hatier, Nathan, MacMillan, Longman, Anaya e Santillana investem em livros did\u00e1ticos. No Brasil, at\u00e9 os anos 90, o mercado estava concentrado em grupos familiares. A partir da\u00ed, as editoras come\u00e7am a ser abra\u00e7adas por grupos empresariais e desenha-se o \u201coligop\u00f3lio\u201c esmiu\u00e7ado por C\u00e9lia. <\/p>\n<p> De 1985 a 1991, houve a participa\u00e7\u00e3o de 64 editoras do PNLD, a despeito de 84% do fornecimento de livros ter ficado nas m\u00e3os de apenas sete grupos (\u00c1tica, Brasil, FTD, Ibep, Nacional, Saraiva e Scipione). Em 1998, o n\u00famero caiu para 25. Em 2006, apenas 12 editoras fizeram parte do programa. \u201cSempre houve concentra\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a, agora, \u00e9 que .is editoras pequenas desapareceram\u201c, pontua C\u00e9lia. <\/p>\n<p> Nos anos 2000, movimentos importantes aconteceram. Em 2001, a Santillana, bra\u00e7o editorial do maior grupo de m\u00eddia espanhol, o Prisa, que faturou 4 bilh\u00f5es de euros em 2005, adquiriu a Moderna, criada pelo professor de qu\u00edmica Ricardo Feltre. E, se a algu\u00e9m causou estranheza que o El Pa\u00eds tenha escrito, a prop\u00f3sito de Schmidt, que \u201cel libro de texto ensalza el comunismo y Ia revoluci\u00f3n cultural china\u201c, cabe lembrar que o jornal pertence ao Grupo Prisa. <\/p>\n<p> O capital estrangeiro chegou tamb\u00e9m por meio do grupo franc\u00eas Vivendi, que se associou \u00e0 Abril na compra da Scipione e da \u00c1tica, l\u00edder do segmento did\u00e1tico e infanto-juvenil por v\u00e1rios anos. Em 2004, o Vivendi se foi e o Grupo Abril assumiu o controle acion\u00e1rio total das editoras. <\/p>\n<p> \u201c\u00c9 verdade que o mercado evolui de forma concentrada. Mas, para voc\u00ea ter uma id\u00e9ia da complexidade, basta dizer que um livro que ser\u00e1 comprado em 2009, est\u00e1 ficando pronto agora\u201c, diz Jo\u00e3o Arinos, presidente da Abrelivros, a associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane os editores de livros did\u00e1ticos, e diretor do Grupo Abril. \u201c\u00c9 um investimento enorme que corre o risco de ser todo jogado fora, caso o livro n\u00e3o seja aprovado. E, se voc\u00ea olhar, no resto do mundo a concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior.\u201c <\/p>\n<p> M\u00f4nica Messenberg, diretora de rela\u00e7\u00f5es institucionais do Grupo Santillana, diz que a pr\u00f3pria caracter\u00edstica das compras governamentais favorece os grandes grupos. \u201cO governo paga, em geral, 20% do valor cobrado pelas livrarias. Temos uma margem de lucro pequena, que s\u00f3 compensa se voc\u00ea trabalhar em escala. H\u00e1, inclusive, muita editora pequena que procura as grandes para publicar seus livros.\u201c <\/p>\n<p> M\u00f4nica sabe do que fala. Antes de se tornar executiva do grupo espanhol, era presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o (FNDE), no minist\u00e9rio de Paulo Renato. O expressivo crescimento da editora no segmento deixa os concorrentes com a pulga atr\u00e1s da orelha, at\u00e9 porque a liga\u00e7\u00e3o com o governo anterior n\u00e3o se restringe \u00e0 presen\u00e7a de M\u00f4nica. <\/p>\n<p> No site da Paulo Renato Souza Consultores, que promete \u201cacesso direto a organismos, fundos e empresas internacionais com interesse em desenvolver parcerias e\/ou investimentos no setor educacional brasileiro\u201c e \u201cdesenvolvimento de estrat\u00e9gia de entrada no mercado educacional brasileiro\u201c, Santillana e Moderna figuram como clientes. <\/p>\n<p> \u201cO crescimento foi grande porque passamos a investir no mercado p\u00fablico. Antes, o PNLD n\u00e3o era encarado como significativo para a editora\u201c, justifica M\u00f4nica. Sobre o poss\u00edvel conflito de interesses e as informa\u00e7\u00f5es privilegiadas, rebate: \u201cEu estava havia seis meses fora do MEC quando aceitei o posto. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se configura conflito de interesses porque eu n\u00e3o negocio pre\u00e7os com o governo. E como a Moderna nem era focada nesse mercado, n\u00e3o d\u00e1 sequer para dizer que eu os tivesse beneficiado antes\u201c. <\/p>\n<p> O deputado Paulo Renato n\u00e3o atendeu \u00e0 reportagem de CartaCapital. Disse apenas, por meio do assessor, n\u00e3o ver conflito de interesses. N\u00e3o parece absurdo, no entanto, questionar sua legitimidade para, no Parlamento, arvorar-se em defensor das causas educacionais e apresentar projetos que versem sobre os crit\u00e9rios do PNLD, como apregoou por estes dias. <\/p>\n<p> Quanto mais se puxam os fios desse novelo bilion\u00e1rio, mais interesses difusos aparecem. \u201cAo se falar de livro did\u00e1tico, nada pode ser desprezado.\u201c <\/p>\n<p> Temos sempre de lembrar que esse mercado depende, de maneira radical, das compras do governo e que a rela\u00e7\u00e3o entre editoras e Estado \u00e9 antiga\u201c, anota o professor Kazumi Munakata, coordenador da disciplina Hist\u00f3ria do Livro Did\u00e1tico, na PUC-SP. Formado em Filosofia, doutor em Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o e com passagens pela Abril Cultural e pelo Telecurso, da Globo, ele arrisca algumas hip\u00f3teses para a ofensiva contra o livro de hist\u00f3ria. <\/p>\n<p> \u201cPrimeiro, temos de lembrar que vivemos uma onda de conservadorismo. Ao mesmo tempo, existe alguma coisa em jogo que pouca gente sabe o que \u00e9. Pode ser tanto uma tentativa de desestabilizar o governo quanto uma reorganiza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no mercado ou uma tentativa de furar um esquema cheio de barreiras\u201c, analisa Munakata. <\/p>\n<p> Ao falar de barreiras, chega-se a dois pontos. Um deles, diz respeito \u00e0 restri\u00e7\u00e3o aos divulgadores que atuavam nas escolas. Em 2006, o MEC criou regras que limitam a propaganda das editoras, para evitar que os professoras sejam influenciados indevidamente. As novas regras quebraram as pernas da \u00c1tica e da Scipione, pertencentes \u00e0 Abril. <\/p>\n<p> A outra barreira imposta pelo PNLD atinge uma ponta menos vis\u00edvel do mundo do material did\u00e1tico, que s\u00e3o os chamados sistemas de ensino. Nascidos nos cursinhos pr\u00e9-vestibulares, os sistemas de grupos como COC e Positivo expandiram-se e, hoje, s\u00e3o publicados tamb\u00e9m por editoras como a Moderna e a Abril. <\/p>\n<p> \u201cAliada \u00e0 forte concentra\u00e7\u00e3o dos grandes grupos chama a aten\u00e7\u00e3o que, gradativamente, a maior parte dessas empresas come\u00e7ou a comercializar sistemas de ensino, inclusive para a rede p\u00fablica, nem sempre de forma transparente\u201c, diz C\u00e9lia Cassiano. A revista Veja, da Abril, curiosamente, fez uma mat\u00e9ria que dizia ser o sistema COC a s\u00e9tima maravilha do mundo e, alguns meses depois, desancou o m\u00e9todo. Correndo \u00e0 margem do PNLD, os sistemas de ensino s\u00e3o vistos, por especialistas em educa\u00e7\u00e3o, como uma op\u00e7\u00e3o arriscada. <\/p>\n<p> \u201c\u00c9 um pouco a id\u00e9ia do livro resumido, com objetivos pr\u00e1ticos, que deixam a forma\u00e7\u00e3o humana de lado\u201c, opina Munakata. \u201cMas, nos pr\u00f3prios livros did\u00e1ticos, nota-se uma tend\u00eancia a enlatados, a livros que v\u00eam de fora, padronizados. Me parece que se instala a cren\u00e7a de que o livro pode substituir o professor e tamb\u00e9m de que escola s\u00f3 serve para preparar para o vestibular.\u201c <\/p>\n<p> C\u00e9lia Cassiano lembra que, em qualquer tempo, o livro did\u00e1tico fica no centro de uma disputa real e simb\u00f3lica. \u201cEm todos os pa\u00edses, o livro did\u00e1tico \u00e9 visto como um instrumento de poder\u201c, diz. No caso brasileiro, a rela\u00e7\u00e3o direta entre Estado e editoras de livros did\u00e1ticos remonta ao Estado Novo, de Get\u00falio Vargas, quando foi criado o primeiro programa de leitura.  <\/p>\n<p> Entre 1964 e 1984, houve a interven\u00e7\u00e3o estatal que criou livros at\u00e9 hoje famosos pelas distor\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p> O PNLD foi implantado em 1985, no governo Sarney, e come\u00e7ou a valer em 1986. At\u00e9 ent\u00e3o, a aquisi\u00e7\u00e3o restringia-se a bibliotecas e alunos carentes. Para ter uma id\u00e9ia, em 1971, o governo comprou 7,2 milh\u00f5es de livros. Em 1986, com a implanta\u00e7\u00e3o do programa, houve um salto, para 45 milh\u00f5es, mas a m\u00e9dia logo caiu para cerca de 12 milh\u00f5es. <\/p>\n<p> \u201cAt\u00e9 1996, o volume era menor e o professor \u00e9 que indicava os t\u00edtulos a serem comprados. A quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m era problem\u00e1tica. Houve den\u00fancias de irregularidades entre distribuidoras e, em lugares distantes, havia livros que chegavam em setembro, quando o ano letivo estava se encerrando\u201c, relata Munakata. <\/p>\n<p> O problema de distribui\u00e7\u00e3o foi minimizado com a entrada dos Correios no processo \u00e9 a lista, at\u00e9 o petardo lan\u00e7ado por Ali Kamel, recebera muito mais elogios que cr\u00edticas. \u201cO que causa um grande desconforto ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas vozes que, talvez sem perceber, estavam quase propondo a volta da censura\u201c, diz o ministro Fernando Haddad. \u201cNa minha opini\u00e3o, h\u00e1, subjacente a essas posturas autorit\u00e1rias, uma desconfian\u00e7a da capacidade do professor. Ent\u00e3o se desconfia de todos: da fam\u00edlia, que tamb\u00e9m n\u00e3o participa do ato educativo, do professor, dos avaliadores das universidades.\u201c <\/p>\n<p> Munakata, por sua vez, v\u00ea nos ataques ferozes ao livro de maior sucesso nas escolas brasileiras a reedi\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria antiga. \u201cQuando o Montoro foi eleito (governador de S\u00e3o Paulo, em 1982), houve reforma curricular. O curr\u00edculo de hist\u00f3ria levou dez anos para ser aprovado porque os jornais diziam que a reforma tinha tend\u00eancia comunista\u2019, recorda. \u201cVira e mexe, a imprensa cria essa falsa pol\u00eamica. Curiosamente, depois dos esc\u00e2ndalos dos livros da ditadura, que inventavam a hist\u00f3ria, houve uma rea\u00e7\u00e3o dos autores e o tom dos livros passou a ser, basicamente, progressista. At\u00e9 um autor como Joaquim Silva, super conservador, virou progressista, depois de morto, nas reedi\u00e7\u00f5es da FTD.\u201c A imprensa parece seguir na m\u00e3o contr\u00e1ria. <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria, como ela \u00e9 Carta Capital &#8211; Ana Paula Sousa M\u00e1rio Schmidt \u00e9 uma esp\u00e9cie de Paulo Coelho dos livros did\u00e1ticos. A proximidade com o mago, antes que se diga que o autor \u00e9, al\u00e9m de \u201ccomunista\u201c, esot\u00e9rico, d\u00e1-se no campo dos n\u00fameros. 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