{"id":20923,"date":"2024-12-11T15:31:20","date_gmt":"2024-12-11T18:31:20","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=20923"},"modified":"2024-12-11T15:31:20","modified_gmt":"2024-12-11T18:31:20","slug":"retratos-da-leitura-2024-leitores-comentam-os-resultados-da-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/retratos-da-leitura-2024-leitores-comentam-os-resultados-da-pesquisa\/","title":{"rendered":"Retratos da Leitura 2024: Leitores comentam os resultados da pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>O PublishNews pediu aos seus leitores \u2013 especialistas no assunto ou n\u00e3o \u2013 a comentarem os resultados recentes da Pesquisa Retratos da Leitura, divulgados no dia 19 de novembro. A mais completa e aprofundada pesquisa sobre os h\u00e1bitos de leitura do brasileiro trouxe a informa\u00e7\u00e3o de que, nos \u00faltimos quatro anos, houve uma redu\u00e7\u00e3o de 6,7 milh\u00f5es de leitores no pa\u00eds.<!--more--><\/p>\n<p>Quais s\u00e3o os motivos dos n\u00fameros ruins? O que pode ser feito para aprimor\u00e1-los? Que tipos de pol\u00edticas p\u00fablicas (em n\u00edvel federal, estadual e municipal) podem ser usadas para transformar essa realidade? Qual o papel de organiza\u00e7\u00f5es sociais, institutos e outros entes particulares na discuss\u00e3o? Como atrair mais pessoas para as bibliotecas e para os livros?<\/p>\n<p>S\u00e3o perguntas que v\u00eam \u00e0 mente quando se analisa os n\u00fameros. Entre raz\u00f5es levantadas pelos leitores, est\u00e3o quest\u00f5es super contempor\u00e2neas \u2013 como a escala de trabalho extensa que impede a realiza\u00e7\u00e3o de atividades de lazer \u2013 bem como diferentes percep\u00e7\u00f5es sobre a \u201cfun\u00e7\u00e3o do livro\u201d, dificuldades no gerenciamento do or\u00e7amento dom\u00e9stico e pre\u00e7o do livro, bem como o contexto sociocultural de desvaloriza\u00e7\u00e3o da leitura e de ataques \u00e0 ci\u00eancia e \u00e0 cultura que marcou essa faixa da hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Leia abaixo algumas das cartas enviadas \u00e0 reda\u00e7\u00e3o (com m\u00ednimas altera\u00e7\u00f5es e revis\u00f5es, para clareza):<\/strong><\/p>\n<p>Primeiramente, quero parabenizar pela abertura para essa discuss\u00e3o, que nos impacta diretamente enquanto profissionais do livro, da leitura e da literatura. Como bibliotec\u00e1rio, fico muito satisfeito por termos um resultado atualizado da pesquisa Retratos da Leitura, que considero essencial para compreender o processo de forma\u00e7\u00e3o leitora no Brasil. Ao mesmo tempo, confesso que fiquei impressionado e inquieto com um dado espec\u00edfico: a aus\u00eancia de influ\u00eancia de profissionais da \u00e1rea na decis\u00e3o de leitura de grande parte dos respondentes. Esse dado, que comentei no meu LinkedIn, me levou a questionar: como estamos atuando enquanto classe profissional? A quem estamos realmente servindo?<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que as bibliotecas p\u00fablicas e escolares enfrentam d\u00e9ficits em diversas regi\u00f5es do pa\u00eds e, ainda assim, frequentemente s\u00e3o espa\u00e7os excludentes, em parte devido a uma cultura que coloca o livro em um pedestal. Esse cen\u00e1rio reflete tamb\u00e9m uma postura, infelizmente comum, entre os profissionais da \u00e1rea, que muitas vezes se mostram protecionistas ou distantes, o que desestimula a comunidade a frequentar bibliotecas. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s \u2013 e ainda hoje, em algumas realidades \u2013 a biblioteca escolar era vista apenas como um dep\u00f3sito de livros, ou at\u00e9 como o espa\u00e7o onde alunos eram mandados para cumprir castigos.<\/p>\n<p>Uma poss\u00edvel solu\u00e7\u00e3o para mudar essa realidade e melhorar os \u00edndices apresentados na pesquisa \u00e9 tornar a leitura algo comum e acess\u00edvel, tanto quanto aprender portugu\u00eas ou matem\u00e1tica. Devemos quebrar o estigma que separa a &#8220;alta literatura&#8221; de outros tipos de leitura e acolher o que as pessoas j\u00e1 gostam de ler, seja a B\u00edblia, livros de autoajuda, ou quadrinhos. \u00c9 preciso desmistificar o medo do &#8220;livro inacess\u00edvel&#8221; e valorizar o gosto pessoal de cada leitor como porta de entrada para o universo da leitura.<\/p>\n<p>Claro, uma transforma\u00e7\u00e3o dessa magnitude n\u00e3o acontece sem pol\u00edticas p\u00fablicas eficazes e investimento cont\u00ednuo. Infelizmente, em muitos munic\u00edpios, o apoio \u00e0 biblioteca p\u00fablica \u00e9 limitado a doa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas, enquanto a aquisi\u00e7\u00e3o de livros \u00e9 vista como um gasto sup\u00e9rfluo, e n\u00e3o como um investimento essencial para a melhoria dos \u00edndices educacionais. Essa vis\u00e3o precisa ser urgentemente revertida.<\/p>\n<p>As bibliotecas comunit\u00e1rias s\u00e3o exemplos inspiradores de promo\u00e7\u00e3o genu\u00edna da leitura, mesmo com recursos limitados. S\u00e3o iniciativas que mostram como \u00e9 poss\u00edvel criar conex\u00f5es reais com a comunidade, ainda que dependam, muitas vezes, do trabalho de pessoas sem forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na \u00e1rea. Enquanto profissionais, precisamos nos abrir para aprender com essas experi\u00eancias e refletir sobre nossos pr\u00f3prios preconceitos liter\u00e1rios, que podem restringir o acesso e desvalorizar g\u00eaneros populares.<\/p>\n<p>O caminho para melhorar os resultados da Retratos da Leitura passa por tornar o livro acess\u00edvel e pr\u00f3ximo, algo presente no cotidiano, sem perder seu valor. \u00c9 preciso tirar o livro do pedestal e deix\u00e1-lo ao alcance de todos, transformando a biblioteca em um espa\u00e7o acolhedor e democr\u00e1tico. Afinal, a leitura s\u00f3 se expande quando ultrapassa barreiras \u2013 f\u00edsicas, simb\u00f3licas ou institucionais.<\/p>\n<p>Thiago Wyse, bibliotec\u00e1rio e produtor cultural no Rio Grande do Sul<\/p>\n<p>***********<\/p>\n<p>Estou cada vez mais convencido de que ao menos duas das ra\u00edzes (se n\u00e3o as principais delas) para o baixo \u00edndice geral de leitura s\u00e3o a nossa extensa jornada de trabalho, sobretudo na escala 6&#215;1, e o aumento do custo de vida. A principal raz\u00e3o entre leitores e n\u00e3o leitores para n\u00e3o ter lido \u00e9 falta de tempo, mas \u00e9 preciso destacar, tendo em vista que o h\u00e1bito de leitura requer descanso e foco, que n\u00e3o ter paci\u00eancia para ler e se sentir muito cansado para ler s\u00e3o respostas relativamente expressivas e podem ser relacionadas ao esgotamento f\u00edsico e mental pelo qual o trabalhador brasileiro passa ap\u00f3s o dia de trabalho. Acredito que isso tamb\u00e9m se deve \u00e0 constante exposi\u00e7\u00e3o a redes sociais que minam nossa capacidade de concentra\u00e7\u00e3o, pois s\u00e3o op\u00e7\u00f5es de entretenimento que geralmente demandam pouco esfor\u00e7o mental. Al\u00e9m disso, segundo n\u00fameros do Dieese de outubro de 2024, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para sustentar uma fam\u00edlia de quatro pessoas deveria ser R$ 6.769,87, e n\u00e3o R$ 1.412,00. Hoje, 90% da popula\u00e7\u00e3o brasileira recebe menos de R$ 3.500 por m\u00eas e 78% das fam\u00edlias est\u00e3o endividadas. Com o aumento do custo de vida, muitos trabalhadores nessa condi\u00e7\u00e3o s\u00e3o impedidos de acessar certos bens de consumo (livros, por exemplo) e muitas vezes obrigados a complementar renda com trabalhos secund\u00e1rios, o que significa ainda menos tempo livre para atividades de lazer.<\/p>\n<p>O setor editorial brasileiro n\u00e3o se sustenta com venda de livros, se sustenta com h\u00e1bito de leitura. \u00c9 claro que h\u00e1 muitas medidas que podem contribuir para a melhora dos \u00edndices, mas n\u00e3o vejo como cultivarmos esse h\u00e1bito sem avan\u00e7ar em pautas como redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, fim da escala 6&#215;1, regula\u00e7\u00e3o das redes sociais, pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o real do sal\u00e1rio m\u00ednimo e investimento p\u00fablico pesado em educa\u00e7\u00e3o e cultura (sem restri\u00e7\u00e3o por teto de gastos).<\/p>\n<p>Iuri Pavan Dias, editor de livros no Rio de Janeiro (RJ)<\/p>\n<p>***********<\/p>\n<p>Cinquenta e quatro por cento dos brasileiros n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed para os livros. O preocupante dado foi publicado na edi\u00e7\u00e3o de 2024 da \u201cPesquisa Retratos da Leitura\u201d, o mais completo e esclarecedor documento sobre os h\u00e1bitos de leitura do ex-pa\u00eds do Carnaval, da cacha\u00e7a e do futebol, tornado para\u00edso das bets, da cerveja gringa, dos festivais de m\u00fasica de gosto duvidoso, das tretas das redes sociais. Em 2015, \u00e9ramos 104,7 milh\u00f5es de leitores. Em 2019, 101,1 milh\u00f5es, e, neste ano, 93,4 milh\u00f5es de her\u00f3is da resist\u00eancia. A informa\u00e7\u00e3o de que mais da metade da popula\u00e7\u00e3o sequer olha para a capa de um livro serve (ou deveria servir) de alerta: o Brasil nada de bra\u00e7adas na dire\u00e7\u00e3o do p\u00e2ntano da ignor\u00e2ncia liter\u00e1ria. Se \u00e9 fato que \u201cum pa\u00eds se faz com homens e livros\u201d, estamos ferrados. Se \u00e9 fato que \u201cbendito o que semeia livros, livros a mancheias e manda o povo pensar\u201d, estamos pra l\u00e1 de Marrakesh, manietados pelas armadilhas das \u201ctelas\u201d. O Capital e seus representantes nas tr\u00eas esferas do Estado (Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio) desde muito est\u00e3o empenhados em evitar a liberta\u00e7\u00e3o do povo por meio do conhecimento.<\/p>\n<p>Ler livros faz pensar e transforma escravos em pessoas libertos \u2013 homens e mulheres. Mais prudente \u2013 concordam testas de ferro do poder \u2013 \u00e9 mant\u00ea-los na cegueira: \u2013 V\u00e1 que tomem gosto pela literatura e comecem a raciocinar e, a partir da\u00ed, descobrem o quanto s\u00e3o manipulados, enganados, explorados! O Governo Lula deveria tomar para si a miss\u00e3o inadi\u00e1vel e necess\u00e1ria de criar mecanismos p\u00fablicos de fomento \u00e0 leitura de livros \u2013 se \u00e9 que pretende se empenhar ativamente na forma\u00e7\u00e3o de novas gera\u00e7\u00f5es de brasileiros pensantes e, portanto, livres. A atual administra\u00e7\u00e3o federal poderia tomar iniciativa semelhante \u00e0 do governo portugu\u00eas: l\u00e1, desde o in\u00edcio de novembro, os jovens nascidos em 2005 e 2006 recebem 20 euros (cerca de 120 reais) para investirem no \u201cpoder transformador da leitura\u201d. A a\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio da propaga\u00e7\u00e3o da literatura j\u00e1 resultou, por exemplo, na ades\u00e3o de 200 livrarias espalhadas por Portugal. Diante dos lament\u00e1veis \u00edndices de \u201canalfabetos liter\u00e1rios\u201d \u00e9 hora de o poder p\u00fablico agir e incentivar o gosto pelo livro e a leitura. Se n\u00e3o, o Brasil nunca passar\u00e1 de um projeto de na\u00e7\u00e3o, formado por gente obtusa e manipul\u00e1vel. Mas n\u00e3o \u00e9 exatamente esse o plano, h\u00e1 s\u00e9culos? Que o futuro me desminta!<\/p>\n<p>Luiz Carlos Freitas, escritor e jornalista, de Pelotas (RS)<\/p>\n<p>***********<\/p>\n<p>Inicialmente, ao contr\u00e1rio do que muitos t\u00eam dito, discordo de que a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas explique em completo o resultado da pesquisa. Se estudarmos os resultados do relat\u00f3rio, h\u00e1 evid\u00eancias de que o problema consiste numa disparidade entre a percep\u00e7\u00e3o sobre a literatura por parte do povo leitor (que, repetidas vezes, responde na pesquisa que l\u00ea por &#8220;gosto&#8221;, &#8220;distra\u00e7\u00e3o&#8221;, entretenimento) e aquela bombardeada pela m\u00eddia, isto \u00e9, que leitura tem a &#8220;fun\u00e7\u00e3o&#8221; de aculturar o leitor. Repare-se que, ao serem perguntados o que &#8220;significa&#8221; a leitura (pg. 78), 41% dos entrevistados repetiram o que a m\u00eddia propagandeia (&#8220;A leitura traz conhecimento&#8221;). No entanto, esses mesmos entrevistados se contradizem em outros momentos (por exemplo, pg. 40), respondendo, em maioria, que leem porque gostam ou para se distrair, ignorando as demais op\u00e7\u00f5es, que incluem aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p>A disparidade &#8220;povo versus m\u00eddia&#8221; quanto ao entendimento da leitura se reflete em outros momentos. Por exemplo, quando o povo leitor, surpreendentemente, revela que l\u00ea ou compra livros sem sofrer qualquer influ\u00eancia de resenhas, cr\u00edticas, influenciadores digitais, redes sociais, blogs (pg. 115). E na p\u00e1gina 66, os entrevistados revelam que a influ\u00eancia de influenciador digital para desenvolverem o gosto pela leitura foi de 0%. A prop\u00f3sito disso, \u00e9 interessante analisar a &#8220;falta de tempo&#8221;, alegada como motivo para n\u00e3o ler (pg. 53). Ao contrapormos essa resposta com a da p\u00e1gina 55 (O que gosta de fazer no tempo livre), encontramos, primeiramente, o uso da internet e, em segundo, o uso de WhatsApp e Telegram. Por\u00e9m, o consumo de aparatos de m\u00eddia (redes sociais, jornal, revista, Podcast etc) fica muito abaixo disso. Notem a completa dist\u00e2ncia entre o povo e a m\u00eddia tamb\u00e9m no tema leitura x tempo livre.<\/p>\n<p>Diante disso, no meu ver, o resultado da pesquisa deixa nas entrelinhas um recado para nossos escritores. Se temos um povo leitor que l\u00ea e quer ler por entretenimento, mas, simultaneamente, temos autores que, mal guiados pela m\u00eddia, creem que sua fun\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 fornecer conhecimento e cultura, \u00e9 claro que haver\u00e1 um desencontro. E isso nenhuma pol\u00edtica p\u00fablica \u00e9 capaz de mudar. Os escritores \u00e9 que precisam abrir os olhos e dar ao povo leitor o que ele quer.<\/p>\n<p>M\u00e1rio Filipe Souto, bacharel em Letras, de Nova Igua\u00e7u (RJ)<\/p>\n<p>***********<\/p>\n<p>A respeito de \u201cRetratos da Leitura no Brasil 2024\u201d, n\u00f3s lemos a pesquisa, que revela dados muito interessantes. Para n\u00f3s, em linhas gerais, a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de leitores no Brasil se deve, nos dias de hoje, a v\u00e1rios fatores, tais como:<\/p>\n<p>\u2013 O alto pre\u00e7o dos livros impressos no Brasil, que n\u00e3o \u00e9 uma &#8220;justificativa f\u00e1cil&#8221; e sim um fato, uma vez que, associado a outros, torna-se uma causa ainda mais pertinente. A impress\u00e3o aqui \u00e9 t\u00e3o cara, comparada a outros pa\u00edses, que a pr\u00f3pria Amazon BR n\u00e3o imprime livros no nosso pa\u00eds. A op\u00e7\u00e3o de livros impressos que aparece no site da Amazon BR para v\u00e1rios t\u00edtulos refere-se, na verdade, a plataformas brasileiras parceiras da Amazon que imprimem sob demanda. Os leitores n\u00e3o sabem disso, at\u00e9 porque para eles esse detalhe n\u00e3o faz diferen\u00e7a quando efetuam a compra de um livro impresso, mas as editoras e autores independentes sabem.<\/p>\n<p>\u2013 Facilidade de acesso \u00e0s redes sociais, que provocam muita distra\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida, especialmente em quem n\u00e3o tem o h\u00e1bito de ler, e at\u00e9 mesmo entre aqueles que leem livros com regularidade.<br \/>\n\u2013 Falta de campanhas nacionais que incentivem a leitura.<br \/>\n\u2013 Falta de campanhas nacionais que incentivem a visita a bibliotecas.<br \/>\n\u2013 Falta de campanhas nacionais que incentivem a participa\u00e7\u00e3o em eventos liter\u00e1rios.<br \/>\n\u2013 Falta de campanhas nacionais com celebridades\/influenciadores digitais falando sobre livros e leitura.<br \/>\n\u2013 Falta de h\u00e1bito na pr\u00f3pria fam\u00edlia, por causas diversas. Se os pais n\u00e3o leem livros habitualmente, \u00e9 prov\u00e1vel que seus filhos sigam esse exemplo.<\/p>\n<p>Sabemos que existem diversos outros motivos, inclusive hist\u00f3ricos, que explicam a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de leitores de livros no Brasil, mas os que citamos acima s\u00e3o, para n\u00f3s, os mais impactantes.<\/p>\n<p>Janaina R. Vieira e Isabelle N. Martins, da editora carioca Arte Liter\u00e1ria<\/p>\n<p>***********<\/p>\n<p>N\u00e3o consigo ser sutil diante do atual cen\u00e1rio: me chama muito a aten\u00e7\u00e3o que o n\u00famero de leitores tenha diminu\u00eddo ao mesmo tempo em que vemos muitas pessoas perderem a vergonha de serem ignorantes, preconceituosas e fechadas em seus pr\u00f3prios mundos.<\/p>\n<p>Mesmo que haja booktubers, booktokers e bookgrammers, isso n\u00e3o tem sido suficiente para incentivar as pessoas que est\u00e3o nas redes sociais a lerem mais. Muito pelo contr\u00e1rio: consome-se cada vez mais conte\u00fado vazio s\u00f3 pelo consumo, s\u00f3 pelo instante de dopamina. E a\u00ed essas mesmas pessoas dizem que n\u00e3o t\u00eam tempo para ler, como mostra a pesquisa; mas ficar matando tempo nas redes sociais com influencers de consumismo e vidas irrealistas elas podem.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o que me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o na pesquisa foi como os n\u00e3o-leitores que afirmam n\u00e3o gostarem de ler aumentaram substancialmente. Eu conheci pessoas que batiam no peito com orgulho para dizer que n\u00e3o gostavam de ler. Isso devia ser motivo de vergonha, mas essas pessoas est\u00e3o cada vez mais se dando ao luxo de serem ignorantes, quando n\u00e3o realmente burras por op\u00e7\u00e3o. O fen\u00f4meno das fake news de massa tamb\u00e9m diz algo sobre essa diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de leitores; afinal, quanto menos se l\u00ea, menos senso cr\u00edtico se tem.<\/p>\n<p>A meu ver, isso tem menos a ver com o trabalho de quem incentiva a ler \u2013 professores, livreiros, contadores de hist\u00f3rias, bibliotec\u00e1rios, editoras \u2013 do que com um problema social associado ao consumo, \u00e0 aliena\u00e7\u00e3o causada pelas redes sociais, \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o como um todo. N\u00e3o \u00e9 um problema isolado, mas sim algo sintom\u00e1tico da nossa atual realidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PublishNews pediu aos seus leitores \u2013 especialistas no assunto ou n\u00e3o \u2013 a comentarem os resultados recentes da Pesquisa Retratos da Leitura, divulgados no dia 19 de novembro. 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