{"id":20857,"date":"2024-11-28T16:08:02","date_gmt":"2024-11-28T19:08:02","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=20857"},"modified":"2024-11-28T16:08:02","modified_gmt":"2024-11-28T19:08:02","slug":"as-mudancas-e-os-desafios-para-o-ensino-medio-de-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/as-mudancas-e-os-desafios-para-o-ensino-medio-de-2025\/","title":{"rendered":"As mudan\u00e7as e os desafios para o ensino m\u00e9dio de 2025"},"content":{"rendered":"<p>Para 2025, prev\u00ea-se para o ensino m\u00e9dio um cen\u00e1rio de muitos desafios, acertos e desacertos, ainda que meu posicionamento, aqui explicitado, evidentemente n\u00e3o seja consensual, at\u00e9 porque h\u00e1 poucos consensos em educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 imperativo que as autoridades educacionais do pa\u00eds promovam normas complementares \u00e0 lei sancionada no final de julho deste ano, que favore\u00e7am uma boa viabilidade pr\u00e1tica, em busca de uma evolu\u00e7\u00e3o nos indicadores de nosso ensino m\u00e9dio p\u00fablico.<!--more--><\/p>\n<p>Elevado \u00e9 o esfor\u00e7o de uma boa parte dos educadores na busca de uma maior efic\u00e1cia nesta etapa da educa\u00e7\u00e3o, pois, se ela fosse um aluno, teria reprovado no percurso de todos os anos de avalia\u00e7\u00e3o do Ideb, uma vez que nunca obteve nota superior a 5 (4,8 em 2023, numa escala que vai at\u00e9 10). O Ideb (\u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica) \u00e9 o mais importante indicador da qualidade educacional da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, implementado h\u00e1 19 anos.<\/p>\n<p>A responsabilidade pela oferta de ensino m\u00e9dio recai preponderantemente sobre os estados e seus sistemas de ensino, que devem receber os necess\u00e1rios suportes t\u00e9cnico, financeiro e normativos do MEC, al\u00e9m de avalia\u00e7\u00f5es comparativas, pois, como William Deming ensina, \u201cn\u00e3o se gerencia o que n\u00e3o se mede\u201d. Julgo que temos, sim, consistentes sistemas de avalia\u00e7\u00e3o de nossa combalida educa\u00e7\u00e3o, como o Ideb, o Enem, o Pisa, as Provas Estaduais (como a Prova Paran\u00e1) etc. Somos eficientes em bem avaliar, razo\u00e1veis em teorizar melhorias de qualidade na educa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m medianos, quando n\u00e3o ruins, em implementar a\u00e7\u00f5es eficazes e medidas pragm\u00e1ticas de gest\u00e3o e did\u00e1tica, com poucas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ensino m\u00e9dio iniciar\u00e1 2025 j\u00e1 com as mudan\u00e7as promovidas pela Lei Federal 14.945, sancionada em 31\/07\/2024, conquanto ainda haja muito trabalho a ser feito pelas secretarias e conselhos estaduais de educa\u00e7\u00e3o, bem como pelos gestores escolares, e os desafios para o in\u00edcio do ano letivo n\u00e3o s\u00e3o poucos. Nesse \u00ednterim, desde final de julho at\u00e9 hoje, navegamos em noite escura, sem GPS e apenas uma carta n\u00e1utica com incompletudes, destacando-se que as matr\u00edculas das escolas privadas tiveram in\u00edcio em setembro e das p\u00fablicas, em novembro.<\/p>\n<p>Imbu\u00eddos de otimismo e positividade, vamos sim com intensa disposi\u00e7\u00e3o para o trabalho \u00e1rduo na implanta\u00e7\u00e3o da nova lei do ensino m\u00e9dio em 2025, em busca de uma boa efic\u00e1cia, pois, apesar dos desafios e at\u00e9 das discord\u00e2ncias, bem ensina a sabedoria popular: segure o choro e bola pra frente<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, que se tecer enc\u00f4mios ao MEC e ao CNE (Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o) pela presteza, racionalidade e concess\u00f5es \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o, pois a Resolu\u00e7\u00e3o 2\/2024, que atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino m\u00e9dio, foi homologada pelo ministro Camilo Santana, h\u00e1 poucos dias, em 13\/11\/24. Com essa normativa, em reda\u00e7\u00e3o primorosa e bom encadeamento l\u00f3gico, estabeleceu-se o farol de que necessit\u00e1vamos para indicar uma dire\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, a partir desse documento legal, ainda decorrer\u00e3o normas complementares do CNE a serem customizadas e aprovadas nos conselhos estaduais de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 de se compreender, tamb\u00e9m, que at\u00e9 as pedras da Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes de Bras\u00edlia sabem que uma mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 \u00e1rdua e morosa, ainda mais em se tratando de um tema complexo como o do ensino m\u00e9dio. E o bom senso prevaleceu quando a Resolu\u00e7\u00e3o de 2\/2024 permitiu que os sistemas de ensino (p\u00fablico ou privado) iniciem as mudan\u00e7as no ensino m\u00e9dio em 2025 (preferencialmente) ou em 2026, podendo faz\u00ea-lo de maneira gradativa ou simult\u00e2nea, atendendo os anseios de autoridades educacionais e dos gestores, com vistas a um melhor planejamento das matrizes escolares, regimento escolar, admiss\u00e3o ou realoca\u00e7\u00e3o de professores. Para estes, como tamb\u00e9m para os diretores de escolas, \u00e9 necess\u00e1ria uma capacita\u00e7\u00e3o eficaz, al\u00e9m do fato de v\u00e1rios pr\u00e9dios escolares precisarem de uma reconfigura\u00e7\u00e3o f\u00edsica, sem esquecer tamb\u00e9m a significativa reformula\u00e7\u00e3o do material did\u00e1tico.<\/p>\n<p>Seguramente, em 2022, quando da implanta\u00e7\u00e3o do primeiro ano do ent\u00e3o novo ensino m\u00e9dio (aprovado pela Lei Federal 13.415\/17), houve falhas em diversas institui\u00e7\u00f5es de ensino, especialmente em rela\u00e7\u00e3o aos itiner\u00e1rios formativos, que ficaram demasiado dispersos e, em alguns casos, extravagantes. Sabedores desses problemas, o MEC \u00e0 \u00e9poca foi negligente, pois deveria delinear o caminho, definir melhor um regramento para conter e evitar essa desbragada abertura de excessivos componentes curriculares. Merecidamente, virou motivo de cr\u00edticas ardorosas de educadores e de motejos da oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por outro lado, o mais inconteste m\u00e9rito de ambas as leis foi a amplia\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria do Ensino m\u00e9dio para 3.000h, ou seja, 25% a mais do que as 2.400h do modelo anterior (o antigo ensino m\u00e9dio), que reinou soberano por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, alvo de cr\u00edticas severas da maioria dos educadores, cujo legado foram os baixos e permanentes resultados no Ideb e as altas taxas de evas\u00e3o escolar, agravando desigualdades sociais e econ\u00f4micas. Ademais, houve aprendizado insuficiente e p\u00e9ssimo desempenho em todos os comparativos internacionais.<\/p>\n<p>Passaremos em 2025 a ter um ensino m\u00e9dio com uma carga hor\u00e1ria da Forma\u00e7\u00e3o Geral B\u00e1sica (FGB) de 2.400h (bom salto, pois a lei anterior determinava 1.800h), a serem aplicadas em sala nos componentes curriculares obrigat\u00f3rios e cl\u00e1ssicos: L\u00edngua Portuguesa, Matem\u00e1tica, F\u00edsica, Qu\u00edmica, Biologia, Filosofia, Sociologia, Hist\u00f3ria, Geografia, Arte, Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e Ingl\u00eas. A FGB, portanto, \u00e9 mandat\u00f3ria, independentemente do percurso a ser trilhado. As 600h restantes ser\u00e3o dedicadas aos Itiner\u00e1rios Formativos de Aprofundamento (IFA), em que os estudantes podem optar por uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional ou uma \u00eanfase para o ingresso no ensino superior, priorizando-se os componentes curriculares de maior interesse para o curso de gradua\u00e7\u00e3o escolhido em uma das quatro \u00e1reas: Linguagens, Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias da Natureza e Ci\u00eancias Humanas e Sociais. Os Itiner\u00e1rios Formativos de Aprofundamento (IFA) seguir\u00e3o diretrizes a serem ainda elaboradas pelo CNE, e a unidade escolar que ofertar o Ensino m\u00e9dio deve dispor de pelos menos dois IFA, que poder\u00e3o ocorrer de maneira integrada. A FGB e os IFA (estes de livre escolha dos educandos) n\u00e3o podem se constituir em blocos distintos e segregados.<\/p>\n<p>Se a op\u00e7\u00e3o for pela forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional, deve-se considerar o Cat\u00e1logo Nacional de Cursos T\u00e9cnicos (CNCT), que estabelece carga hor\u00e1ria de 800h, 1.000h ou 1.200h. Devido \u00e0 impossibilidade de ajustar essas cargas nas 600 h dos itiner\u00e1rios formativos, adotou-se o seguinte arranjo: a FGB ser\u00e1 reduzida de 2.400h para 2.200h para os cursos t\u00e9cnicos de 800h; e reduzidas para 2.100 h para os cursos t\u00e9cnicos de 1.000h ou 1.200h. Mesmo assim, para acomodar os cursos de 1.000h ou 1.200h, a nova lei admite que at\u00e9 300h da carga hor\u00e1ria sejam destinadas ao aprofundamento de conte\u00fados relacionados diretamente ao curso escolhido pelo estudante. Em contraponto, cabe salientar que, pela nova lei, ficam autorizados conv\u00eanios ou outras formas de parceria com institui\u00e7\u00f5es credenciadas de educa\u00e7\u00e3o profissional, preferencialmente p\u00fablicas (permitidas, portanto, parcerias com institui\u00e7\u00f5es privadas).<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional que est\u00e1 um dos maiores gargalos da educa\u00e7\u00e3o brasileira, pois diplomamos um contingente de t\u00e9cnicos muito inferior \u00e0s nossas necessidades e em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses desenvolvidos. Durante a vig\u00eancia do antigo ensino m\u00e9dio, apenas cerca de 10% dos discentes estavam matriculados nessa modalidade. Contudo, no governo anterior, a partir de 2022, com o novo ensino m\u00e9dio, houve um bem-vindo despertar, um ecossistema prop\u00edcio para uma oferta mais significativa de matr\u00edculas para os cursos profissionalizantes.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, por exemplo, em 2024, 32% das aproximadamente 115 mil novas matr\u00edculas no 1\u00ba ano do novo ensino m\u00e9dio seguiram a trilha de uma forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica (em 2021, eram apenas 11%). Ademais, os cursos t\u00e9cnicos t\u00eam o m\u00e9rito de reduzir a evas\u00e3o e a reprova\u00e7\u00e3o, especialmente quando as ofertas s\u00e3o articuladas com as demandas regionais, pois s\u00e3o uma mola propulsora que d\u00e1 tra\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica dos conhecimentos te\u00f3ricos ministrados, al\u00e9m de oportunizar a monetiza\u00e7\u00e3o em virtude do ingresso no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O ensino m\u00e9dio a ser implementado a partir de 2025 traz ainda duas outras altera\u00e7\u00f5es significativas: a) permite aos estudantes do ensino m\u00e9dio em tempo integral terem reconhecidas pelos sistemas de ensino aprendizagens, compet\u00eancias e habilidades desenvolvidas em experi\u00eancias extracurriculares, como est\u00e1gios e trabalhos volunt\u00e1rios supervisionados, cursos de qualifica\u00e7\u00e3o profissional com certifica\u00e7\u00e3o, inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ou atividades de lideran\u00e7a em gr\u00eamios estudantis; b) Matem\u00e1tica e L\u00edngua Portuguesa deixaram de ser componentes curriculares obrigat\u00f3rios em cada um dos tr\u00eas anos do ensino m\u00e9dio, desde que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) seja cumprida integralmente no percurso dos tr\u00eas anos. Embora intensamente recomend\u00e1vel que estejam presentes nos tr\u00eas anos do Ensino m\u00e9dio regular, podem, por\u00e9m, facilitar a arquitetura da matriz em realidades espec\u00edficas, como, por exemplo, educa\u00e7\u00e3o especial inclusiva, nas comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, do campo, bil\u00edngue de surdos e na EJA (Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos).<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m estabelecida a obrigatoriedade, quando houver demanda, de que todos os munic\u00edpios do pa\u00eds ofertem turmas para o ensino m\u00e9dio regular noturno, permitindo-se uma matriz bastante flex\u00edvel, conquanto seja essencial uma melhor regulamenta\u00e7\u00e3o pelo respectivo sistema de ensino, considerando 1.257 munic\u00edpios terem menos de 5.000 habitantes. Pode haver press\u00e3o pol\u00edtica para que se abra uma turma de 1\u00ba ano noturno com cinco alunos, o que aumenta a probabilidade de no 3\u00ba ano existirem um ou dois concluintes apenas, representando um custo elevado para os cofres p\u00fablicos.<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, a modalidade EaD pode ser aplicada ao ensino m\u00e9dio com um limite de 20% para o per\u00edodo diurno e 30% para o noturno. A partir de 2025, n\u00e3o mais. A Resolu\u00e7\u00e3o 2\/2024 determina que, em vez da EaD, se incorpore a educa\u00e7\u00e3o mediada por tecnologia, que \u00e9 uma pr\u00e1tica pedag\u00f3gica inovadora, mas j\u00e1 consagrada. Essa modalidade permite a realiza\u00e7\u00e3o de aulas a partir de um local de transmiss\u00e3o para salas localizadas em qualquer lugar do pa\u00eds, com o pressuposto de que um docente ao vivo deva estar mediando a aprendizagem dos educandos no ambiente escolar, de maneira que interajam em tempo real. Tamb\u00e9m admite a educa\u00e7\u00e3o h\u00edbrida, que combina atividades pedag\u00f3gicas presencial e n\u00e3o presencial, mediadas pela a\u00e7\u00e3o de um professor, com suporte nas tecnologias ou mesmo outras ferramentas colaborativas como por exemplo, materiais impressos, \u00e1udios, v\u00eddeos, discuss\u00f5es em grupo (metodologia bastante empregada durante a pandemia da Covid-19).<\/p>\n<p>O presidente vetou a cobran\u00e7a de conte\u00fados dos itiner\u00e1rios formativos no Enem, assim a avalia\u00e7\u00e3o seguir\u00e1 focada na FGB, constituindo-se uma acertada decis\u00e3o, ao menos para esse primeiro momento, porque, se fossem exigidos \u2013 por serem excessivamente pulverizados e diversos \u2013, as condi\u00e7\u00f5es de isonomia ficariam comprometidas, uma vez que o Enem \u00e9 um dos principais balizadores do ensino m\u00e9dio. Isto posto, \u00e9 de bom alvitre que as universidades adotem, nos processos seletivos, o sistema de pesos para os componentes curriculares.<\/p>\n<p>E a fim de que n\u00e3o haja uma desmotiva\u00e7\u00e3o para a matr\u00edcula em cursos t\u00e9cnicos, \u00e9 recomend\u00e1vel que, no futuro pr\u00f3ximo, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais An\u00edsio Teixeira (Inep) desenvolva uma plataforma para avaliar tais\u202fcursos, \u00e0 semelhan\u00e7a do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade),\u202fque avalia os cursos de ensino superior. \u00c9 relevante que desde j\u00e1 se encontre uma maneira de motivar os estudantes a se dedicarem com denodo \u00e0s 600h e, pelo que foi sinalizado, um encaminhamento \u00e9 estabelecer uma boa matriz curricular para os Itiner\u00e1rios Formativos de Aprofundamento (IFA), cujo conte\u00fado poderia vir a ser futuramente cobrado no Enem e nos vestibulares.<\/p>\n<p>Nesse ponto, decorre um grande desafio: os estudantes dos cursos t\u00e9cnicos ficar\u00e3o, de certo modo, prejudicados nesses exames, pois \u00e9 de 800 a 1.200h a carga hor\u00e1ria dedicada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e profissional. \u00c9 preciso pensar em alternativas para n\u00e3o desmotivar os estudantes que queiram se matricular nesta op\u00e7\u00e3o t\u00e3o relevante e necess\u00e1ria para o Brasil, caso tamb\u00e9m anseiem posteriormente ingressar no ensino superior. Uma sugest\u00e3o \u00e9 atribuir um peso adicional aos diplomados em cursos t\u00e9cnicos, nas provas do Enem e nos vestibulares, ou seja, um fator multiplicador de, por exemplo, 1,20 \u00e0s notas desses exames. Estes 20% (ou outro \u00edndice) justificam-se, considerando que as quatro \u00e1reas (Linguagens, Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias da Natureza e Ci\u00eancias Humanas e Sociais) e a Reda\u00e7\u00e3o comp\u00f5em cada uma delas 20% do c\u00f4mputo geral da nota do Enem \u2013 por que n\u00e3o igual peso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica?<\/p>\n<p>Ou outra sugest\u00e3o para debates: a maioria dos vestibulares das universidades adota o sistema de cotas, distribuindo 50% das vagas para cotistas e 50% das vagas de concorr\u00eancia geral. Isto posto, a sugest\u00e3o seria dispor de metade das vagas de cotistas (ou seja, 25% do total) para os alunos com habilita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica profissional. H\u00e1 atualmente um desvirtuamento da distribui\u00e7\u00e3o de vagas, pois parte dos cotistas tem padr\u00e3o de classe m\u00e9dia, estudam em escolas p\u00fablicas e, no contraturno, pagam aulas particulares ou cursos preparat\u00f3rios, desfigurando o prop\u00f3sito das pol\u00edticas afirmativas que visam promover equidade e justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as diretrizes da FGB e dos IFA devem ser norteadoras, no sentido de garantir a presen\u00e7a de temas contempor\u00e2neos e relevantes. Direta ou transversalmente, devem ser ofertados conte\u00fados de Letramento Digital, Educa\u00e7\u00e3o Financeira, Pensamento Computacional e Projeto de Vida. A prop\u00f3sito, a prova do Pisa 2025 vai avaliar as compet\u00eancias tecnol\u00f3gicas para o mundo digital; o Projeto de Vida dever\u00e1 estar presente ao longo de todo o ensino m\u00e9dio, pois incentiva o autoconhecimento e o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, preparando o aluno para as escolhas profissionais e para a vida adulta; e pela sua import\u00e2ncia, os concursos cada vez mais t\u00eam cobrado quest\u00f5es de Matem\u00e1tica Financeira: como exemplo concreto, das 45 quest\u00f5es da prova de Matem\u00e1tica do Enem aplicada em novembro de 2024, oito quest\u00f5es foram relativas ao tema, superando qualquer outro.<\/p>\n<p>Est\u00e1 praticamente definido pelo MEC que o Enem tenha mais abrang\u00eancia j\u00e1 a partir de 2025: a) que volte a ser, assim como na d\u00e9cada passada, uma prova de certifica\u00e7\u00e3o para aqueles que n\u00e3o conclu\u00edram o ensino m\u00e9dio, com 18 anos ou mais, independentemente da escolaridade formal. Apesar de j\u00e1 termos, para este mister, o Encceja, que continuar\u00e1 sendo aplicado em outra data (geralmente em agosto), o Enem tem mais amplitude de locais de prova); b) que, em vez da Prova do Saeb, aplicada aos concluintes do ensino m\u00e9dio, seja considerada a nota do Enem, o que proporcionaria um incremento na m\u00e9dia das notas, pois maior \u00e9 o denodo e a motiva\u00e7\u00e3o no Enem, uma vez que nada ganham e nada perdem com o Saeb. Ademais, nem todos os concluintes do ensino m\u00e9dio se inscrevem na prova do Enem, e os que a prestam t\u00eam em geral um desempenho superior, uma vez que se esfor\u00e7am pelo desejo de concorrer a uma vaga em universidade.<\/p>\n<p>Mas, acima de tudo, \u00e9 preciso empenho para que n\u00e3o seja um d\u00e9j\u00e0-vu do antigo ensino m\u00e9dio com os seus componentes curriculares repletos de penduricalhos desmotivantes e extempor\u00e2neos. De fato, s\u00f3 n\u00e3o vamos ter um arremedo do antigo ensino m\u00e9dio com a conscientiza\u00e7\u00e3o e muito treinamento em todo o ecossistema da escola, al\u00e9m de uma intensa vigil\u00e2ncia por parte do MEC e das secretarias estaduais de educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 promissor o fato de o MEC estar capacitando em gest\u00e3o e pedagogia mais de 200 profissionais de todas as 27 secretarias estaduais de educa\u00e7\u00e3o do Brasil. Ter\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o de orientar as redes, acompanhar a implanta\u00e7\u00e3o e se reportarem ao MEC indicando dificuldades enfrentadas em cada um dos estados relativas ao ensino m\u00e9dio em 2025.<\/p>\n<p>J\u00e1 me situando na categoria dos 60+, afirmo ao leitor que muito valorizo o conte\u00fado cl\u00e1ssico, acad\u00eamico, no entanto n\u00e3o se pode deixar de considerar que apenas 36% de nossos alunos de escolas p\u00fablicas ingressam no ensino superior, de acordo com dados do IBGE. Um \u00edndice de per si baixo, especialmente se levarmos em conta o benef\u00edcio das cotas sociais e, ipso facto, reitero a necessidade de serem exclu\u00eddos aqueles conte\u00fados sem serventia para a futura vida acad\u00eamica e profissional.<\/p>\n<p>Conquanto, consideremos que o mundo mudou muito nos \u00faltimos dez anos e, com ele, tamb\u00e9m a escola deve equilibrar as compet\u00eancias e habilidades cognitivas e socioemocionais com os avan\u00e7os das tecnologias educacionais, sendo a intelig\u00eancia artificial (IA) a mais avassaladora delas. Pedro Flexa Ribeiro, com s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, experi\u00eancia como diretor de escola e atua\u00e7\u00e3o como membro do Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, muito bem expressa essa dicotomia e contemporaneidade da escola: &#8220;A nossa tradi\u00e7\u00e3o vem de curr\u00edculos escolares desenvolvidos em \u00e9poca de escassez de informa\u00e7\u00e3o, na qual a escolaridade representava muitas vezes a \u00fanica oportunidade em que os jovens teriam acesso a determinado repert\u00f3rio de conhecimentos. Assim, historicamente, os curr\u00edculos escolares foram constitu\u00eddos em um vi\u00e9s enciclop\u00e9dico. Quando, hoje, pensamos em curr\u00edculo, \u00e9 preciso considerar que as atuais gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 chegam imersas em m\u00eddias e redes sociais. O conhecimento e a informa\u00e7\u00e3o fluem livremente e de forma abundante. Longe da escassez, imp\u00f5e-se hoje um excesso de informa\u00e7\u00e3o. Esse contexto, externo \u00e0 escola, nos convoca a revermos o seu papel e forma de atua\u00e7\u00e3o. O que importa agora \u00e9 ensinar a filtrar e a ter criticidade.&#8221;<\/p>\n<p>Imbu\u00eddos de otimismo e positividade, vamos sim com intensa disposi\u00e7\u00e3o para o trabalho \u00e1rduo na implanta\u00e7\u00e3o da nova lei do ensino m\u00e9dio em 2025, em busca de uma boa efic\u00e1cia, pois, apesar dos desafios e at\u00e9 das discord\u00e2ncias, bem ensina a sabedoria popular: \u201csegure o choro e bola pra frente\u201d. Est\u00e1 posto, \u00e9 lei, vamos cumpri-la. Vamos, sim, desideologizar, despolarizar o ambiente escolar e educacional. Os vieses, os extremos, os corporativismos muito comprometem o futuro do nosso pa\u00eds,\u202fque elevadamente da educa\u00e7\u00e3o de qualidade depende para promover\u202finclus\u00e3o social e formar capital humano para o exerc\u00edcio pleno da cidadania.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para 2025, prev\u00ea-se para o ensino m\u00e9dio um cen\u00e1rio de muitos desafios, acertos e desacertos, ainda que meu posicionamento, aqui explicitado, evidentemente n\u00e3o seja consensual, at\u00e9 porque h\u00e1 poucos consensos em educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 imperativo que as autoridades educacionais do pa\u00eds promovam normas complementares \u00e0 lei sancionada no final de julho deste ano, que favore\u00e7am uma [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-20857","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>As mudan\u00e7as e os desafios para o ensino m\u00e9dio de 2025 &raquo; 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