{"id":2074,"date":"2007-10-18T15:31:00","date_gmt":"2007-10-18T17:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2007\/10\/18\/longe-dos-dogmas\/"},"modified":"2007-10-18T15:31:00","modified_gmt":"2007-10-18T17:31:00","slug":"longe-dos-dogmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/longe-dos-dogmas\/","title":{"rendered":"Longe dos dogmas"},"content":{"rendered":"<p>Do gabinete do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, 44 anos, saiu um projeto para o Brasil que, de sa\u00edda, conseguiu o feito raro de agradar a especialistas de diversos matizes ideol\u00f3gicos. O m\u00e9rito do plano foi criar um indicador que permite comparar o desempenho das escolas brasileiras de modo que as piores possam ser cobradas com base em metas e as melhores sejam premiadas. O princ\u00edpio, portanto, \u00e9 o da meritocracia, o mesmo que em outros pa\u00edses ajudou o sistema educacional a atingir altos n\u00edveis de qualidade. Diz Haddad: \u201cA obriga\u00e7\u00e3o de toda pessoa de bom senso \u00e9 se inspirar no que funciona bem em outros lugares\u201c. Por essas e outras, o ministro, que \u00e9 filiado ao PT desde 1983, mereceu cr\u00edticas de militantes. Formado em direito e com mestrado em economia, ambos pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Haddad chegou a Bras\u00edlia em 2003, como assessor no Minist\u00e9rio do Planejamento, e h\u00e1 dois anos comanda a Pasta da Educa\u00e7\u00e3o. Casado e pai de dois filhos, ele diz que os grandes problemas da educa\u00e7\u00e3o brasileira podem ser definitivamente erradicados no prazo de duas d\u00e9cadas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013<\/B> O senhor concorda com os educadores segundo os quais as escolas no Brasil est\u00e3o passando uma vis\u00e3o retr\u00f3grada do mundo a seus alunos? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad <\/B>\u2013 Isso acontece, sim. Um problema evidente \u00e9 o dogmatismo que chega a algumas salas de aula do pa\u00eds. Ele exclui da escola a diversidade de id\u00e9ias na qual ela deveria estar apoiada, por princ\u00edpio, e ainda restringe a vis\u00e3o de mundo \u00e0 de uma velha esquerda. N\u00e3o \u00e9 para esse lado, afinal, que o mundo caminha. Sempre digo que em uma igreja ou em um partido pol\u00edtico as pessoas t\u00eam o direito de promover a ideologia que bem entenderem, mas nunca em uma sala de aula. A obriga\u00e7\u00e3o da escola \u00e9 formar pessoas aut\u00f4nomas \u2013 capazes, enfim, de compreender de modo abrangente o mundo em que vivem. Todo procedimento que mutila isso \u00e9 incompat\u00edvel com um bom processo de aprendizado. Em suma, educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o combina com preconceito. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013<\/B> Por que, ent\u00e3o, o MEC aprova livros did\u00e1ticos com esse vi\u00e9s? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad <\/B>\u2013 Temos um sistema de escolha dos livros did\u00e1ticos com o qual, em tese, especialistas de diferentes matizes ideol\u00f3gicos concordam. \u00c9 simples. Mandamos os livros para as melhores universidades p\u00fablicas do pa\u00eds, e s\u00e3o os professores escolhidos por elas que opinam. Depois, as escolas escolhem os livros da lista que consideram mais apropriados. Nesse sistema, portanto, o MEC n\u00e3o atua como um censor com superpoderes, mas, sim, delega a tarefa a um conjunto de pessoas qualificadas para execut\u00e1-la. N\u00e3o inventamos essa f\u00f3rmula. A avalia\u00e7\u00e3o de trabalhos acad\u00eamicos feita por pares funciona em v\u00e1rios pa\u00edses desenvolvidos \u2013 e ali\u00e1s muito bem. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013 <\/B>O fato de livros de conte\u00fado dogm\u00e1tico passarem por essa peneira n\u00e3o \u00e9 um sinal, ent\u00e3o, de que o sistema n\u00e3o funciona? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Todo sistema dessa natureza tem falhas, e o do MEC n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. A meu ver, no entanto, o problema n\u00e3o \u00e9 propriamente com o modelo que implantamos, mas justamente com a vis\u00e3o dogm\u00e1tica que ainda circula em parte do meio acad\u00eamico. O tipo de material did\u00e1tico que chega \u00e0 sala de aula \u00e9, afinal, reflexo de um modo de pensar pr\u00f3prio de uma parcela da intelectualidade brasileira, em todos os n\u00edveis. Reafirmo minha opini\u00e3o sobre o assunto. Eu acho que cada um deve ter suas convic\u00e7\u00f5es e cren\u00e7as, mas, de novo, quando se fala de educa\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso ser mais pluralista, ir de A a Z no espectro ideol\u00f3gico \u2013 sen\u00e3o, simplesmente n\u00e3o d\u00e1 certo. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013 <\/B>O Brasil historicamente se sai mal em rela\u00e7\u00e3o aos outros pa\u00edses nos rankings que medem a qualidade de ensino. Qual a explica\u00e7\u00e3o para isso?\u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Tenho visitado escolas p\u00fablicas no pa\u00eds inteiro nesses \u00faltimos meses. Observo, por exemplo, que assuntos capitais do s\u00e9culo XX, como as duas grandes guerras mundiais ou a queda do Muro de Berlim, passam ao largo de uma discuss\u00e3o mais atual \u2013 n\u00e3o s\u00f3 nos livros mas tamb\u00e9m nas aulas. Parece-me que ningu\u00e9m at\u00e9 este momento parou para estudar alguns dos cap\u00edtulos cruciais da hist\u00f3ria recente da humanidade sob uma perspectiva contempor\u00e2nea. \u00c9 claro que isso faz cair o n\u00edvel das aulas. \u00c9 preciso ressaltar, no entanto, que a educa\u00e7\u00e3o no Brasil pena com algo ainda mais b\u00e1sico, que \u00e9 o preparo dos professores. Temos um claro d\u00e9ficit de pessoal realmente capacitado para ensinar as crian\u00e7as. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013 <\/B>Qual a real dimens\u00e3o desse problema? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Fizemos um levantamento cuja conclus\u00e3o \u00e9 desastrosa para o pa\u00eds. Ele mostra, por exemplo, que o n\u00famero de f\u00edsicos formados no Brasil nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas n\u00e3o \u00e9 suficiente para atender a um ter\u00e7o da demanda atual das escolas. \u00c9 isso mesmo: sete de cada dez pessoas que entram em sala de aula no Brasil para ensinar a mat\u00e9ria n\u00e3o fizeram o curso de f\u00edsica na universidade. Essa \u00e9 a realidade de muitas das crian\u00e7as brasileiras, sobretudo nas escolas p\u00fablicas. Em outras mat\u00e9rias na \u00e1rea de ci\u00eancias, como qu\u00edmica e matem\u00e1tica, o mesmo e desanimador cen\u00e1rio se repete. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013<\/B> O que fazer para mudar isso? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Acho que \u00e9 necess\u00e1rio criar incentivos para que as pessoas se interessem por essas carreiras. A primeira das medidas nas quais aposto nesse sentido \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de novas bolsas de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A outra \u00e9 mais do que dobrar o n\u00famero de escolas t\u00e9cnicas de n\u00edvel superior do pa\u00eds, o que j\u00e1 est\u00e1 previsto. Com cursos de dura\u00e7\u00e3o mais curta e direcionados para o mercado de trabalho, essas escolas conseguiram em outros pa\u00edses massificar o n\u00famero de pessoas com n\u00edvel superior em todas as \u00e1reas. Tudo isso \u00e9 urgente para n\u00f3s. No m\u00eas passado, a OCDE (organiza\u00e7\u00e3o que re\u00fane pa\u00edses da Europa e os Estados Unidos) divulgou um trabalho que revela que os pa\u00edses do Primeiro Mundo formam todo ano duas vezes mais jovens em \u00e1reas de ci\u00eancias do que o Brasil. Isso mostra que nos distanciamos ainda mais do Primeiro Mundo. Mesmo assim, \u00e9 preciso que se fa\u00e7a a ressalva, o Brasil tem excel\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Digo isso com base nos melhores indicadores internacionais dispon\u00edveis. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013<\/B> Por que, ent\u00e3o, o Brasil ainda est\u00e1 t\u00e3o atr\u00e1s dos outros nos rankings de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Temos um problema s\u00e9rio a\u00ed. A universidade brasileira produz tradicionalmente conhecimento que n\u00e3o interessa ao mundo real. Por isso, muitas id\u00e9ias ficam confinadas ao universo acad\u00eamico, sem que de fato impulsionem o pa\u00eds na competi\u00e7\u00e3o global, como deveriam. Sempre tive a convic\u00e7\u00e3o de que para mudar o cen\u00e1rio o governo precisava dar um empurr\u00e3o \u2013 e \u00e9 esse resultado que espero com a nova lei que vai aliviar a carga tribut\u00e1ria das empresas que investirem em pesquisa, nos moldes do que faz a Lei Rouanet na cultura. Dessas empresas, evidentemente, h\u00e1 mais chances de vir a pesquisa aplicada de que o Brasil tanto precisa. De novo, n\u00e3o estou inventando nada. Basta observar o que funciona l\u00e1 fora. H\u00e1 um s\u00e9culo \u00e9 assim nos Estados Unidos. Na Cor\u00e9ia do Sul, 80% da pesquisa do pa\u00eds \u00e9 financiada por empresas privadas, n\u00e3o pelo governo \u2013 e os coreanos est\u00e3o no topo do ranking da inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013 <\/B>\u00c9 por essas e outras id\u00e9ias que o criticam por ser \u201cpetista de menos\u201c nas a\u00e7\u00f5es?\u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Embora nunca tenham me dito nada parecido, sei de ouvir dos outros que esse \u00e9 um de meus r\u00f3tulos. Provavelmente \u00e9 porque cultivo interlocutores de todos os matizes ideol\u00f3gicos. No governo, muitas vezes os debates se d\u00e3o na base do \u201cn\u00f3s, governo\u201c e \u201celes, oposi\u00e7\u00e3o\u201c. Eu fujo dessa vis\u00e3o sect\u00e1ria. Acho que com isso as pol\u00edticas p\u00fablicas melhoram. O que ainda pesa em meu favor \u00e9 o fato de estar em uma rar\u00edssima \u00e1rea em que h\u00e1 basicamente consenso sobre o diagn\u00f3stico dos problemas e as estrat\u00e9gias para super\u00e1-los. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013<\/B> O senhor tem cr\u00edticas ao PT? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> O PT n\u00e3o \u00e9 monol\u00edtico. Acho que a cultura assemble\u00edsta que ainda \u00e9 cultivada por gente do partido atrapalha, especialmente quando serve de pretexto para que n\u00e3o se tomem decis\u00f5es. Isso \u00e9 contraproducente, paralisante. No governo n\u00e3o se tem o tempo dos anjos para definir rumos. Se esperasse por um consenso geral, talvez fosse mais popular, mas certamente n\u00e3o sairia do lugar. Outra li\u00e7\u00e3o que depreendi desses tempos em Bras\u00edlia \u00e9 que \u00e0s vezes a melhor estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia \u00e9 manter o sil\u00eancio e a discri\u00e7\u00e3o. Foi assim que permaneci no minist\u00e9rio. Numa analogia com o mundo da moda, meu esfor\u00e7o \u00e9 para ser mais pr\u00eat\u2013porter \u2013 e n\u00e3o t\u00e3o alta-costura, como alguns de meus colegas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013 <\/B>O senhor n\u00e3o acha que o abuso de greves nas universidades atrapalha? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Acho que houve uma vulgariza\u00e7\u00e3o da greve, e isso evidentemente n\u00e3o nos ajuda. Precisamos de mais pragmatismo para vencer nossas evidentes fraquezas na educa\u00e7\u00e3o e alcan\u00e7ar os pa\u00edses de que ainda estamos distantes. Come\u00e7amos a corrida estabelecendo uma meta de m\u00e9dio prazo. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013<\/B> \u00c9 realista esperar que o Brasil ofere\u00e7a ensino compar\u00e1vel ao do Primeiro Mundo em quinze anos, como prev\u00ea o MEC, tendo sa\u00eddo de um patamar t\u00e3o baixo? \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Sei que estamos diante de uma meta ousada. O projeto do governo prev\u00ea dar um salto na qualidade de ensino de modo a alcan\u00e7ar os melhores pa\u00edses do mundo em educa\u00e7\u00e3o num tempo muito menor do que o que eles pr\u00f3prios levaram para chegar l\u00e1. Irlanda e Cor\u00e9ia, por exemplo, precisaram cada qual de tr\u00eas d\u00e9cadas para executar uma revolu\u00e7\u00e3o em sala de aula. \u00c9 isso mesmo: n\u00f3s estamos tentando obter resultados semelhantes com a metade do tempo. Esses c\u00e1lculos ajudam a dimensionar o tamanho de nossa ambi\u00e7\u00e3o \u2013 e das dificuldades \u00e0 vista. Tendo feito a pondera\u00e7\u00e3o, ainda acho que estamos no terreno do poss\u00edvel, porque, com as v\u00e1rias avalia\u00e7\u00f5es do ensino dispon\u00edveis no Brasil, o pa\u00eds est\u00e1 conseguindo jogar luz sobre as boas escolas e chamar aten\u00e7\u00e3o para aquelas nas quais se pratica o p\u00e9ssimo ensino. De um lado, os pais ganham um term\u00f4metro para saber se seus filhos est\u00e3o num bom col\u00e9gio. De outro, o governo tem na m\u00e3o uma ferramenta para identificar as pr\u00e1ticas que levam ao sucesso acad\u00eamico, que devem ser reproduzidas em todas as escolas \u2013 e para cobrar resultados. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013 <\/B>O que afinal tem dado mais certo nas escolas brasileiras?\u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> A radiografia por escola reafirma com dados contundentes aquilo que j\u00e1 \u00e9 senso comum: as melhores da lista s\u00e3o aquelas que t\u00eam no comando um diretor que est\u00e1 l\u00e1 pelo m\u00e9rito \u2013 e n\u00e3o por raz\u00f5es pol\u00edticas. \u00c9 b\u00e1sico, mas ainda raro no Brasil. Uma pesquisa do MEC aponta para um sistema de escolha de diretores que tem dado certo. De acordo com esse sistema, os candidatos ao posto de diretor fazem uma prova e s\u00f3 os que t\u00eam bom desempenho no teste podem pleitear a vaga. O corte \u00e9, portanto, baseado no m\u00e9rito. O segundo ponto que considero relevante sobre os col\u00e9gios nota 10 \u00e9 que eles t\u00eam variadas formas de incentivar as fam\u00edlias a participar mais da rotina escolar dos filhos. Esse \u00e9 mais um dos fatores que t\u00eam contribu\u00eddo para a excel\u00eancia em outros pa\u00edses, mas, em geral, n\u00e3o no Brasil. Tamb\u00e9m est\u00e1 bastante claro que as boas escolas, de algum modo, conseguem dar aos professores certos horizontes na carreira \u2013 e \u00e9 interessante notar que nem sempre eles s\u00e3o financeiros. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013<\/B> O governo estabeleceu um piso salarial para os professores, mas pesquisas internacionais mostram que o aumento de sal\u00e1rio tem muitas vezes efeito zero sobre a qualidade de ensino&#8230; \u00a0<br \/> <B><br \/> Haddad \u2013<\/B> Reunimos evid\u00eancias para afirmar que em alguns dos lugares mais pobres do Brasil a falta de recursos, entre outras coisas, para pagar melhor aos professores ajuda a explicar, sim, a baixa qualidade do ensino. Por isso voltamos \u00e0 quest\u00e3o financeira. No entanto, estou ciente de que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar se, de algum modo, conseguirmos premiar quem for capaz de formar os melhores estudantes. No novo sistema do MEC, as escolas que aparecerem no topo do ranking nacional ganhar\u00e3o em autonomia financeira. Hoje as escolas mal t\u00eam dinheiro em caixa para comprar uma borracha. Com um bom resultado, elas conquistar\u00e3o o direito de gerenciar suas finan\u00e7as. Ficar\u00e3o, enfim, mais independentes do estado \u2013 e acredito que assim podem funcionar melhor. Mas precisam fazer por merecer o pr\u00eamio. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Veja \u2013 <\/B>O senhor v\u00ea obst\u00e1culos \u00e0 execu\u00e7\u00e3o desse plano? \u00a0<\/p>\n<p><B> Haddad \u2013<\/B> Algumas pragas brasileiras sempre podem atrapalhar. O corporativismo \u00e9 certamente uma delas, embora, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o tenha recebido nenhuma mo\u00e7\u00e3o de protesto contra essas medidas. A outra praga da qual precisamos fugir \u00e9 a tradicional descontinuidade das pol\u00edticas p\u00fablicas no pa\u00eds. A cada novo governante, tudo muda de rumo e l\u00e1 se v\u00e3o anos de trabalho pelo ralo. Com tanto que o pa\u00eds ainda precisa avan\u00e7ar, n\u00e3o d\u00e1 mais para recome\u00e7ar do zero. Por fim, n\u00e3o resta d\u00favida de que o Brasil ter\u00e1 mais chance de sucesso n\u00e3o s\u00f3 quando as aulas tiverem um n\u00edvel mais elevado, mas tamb\u00e9m quando o dogmatismo deixar de vez as salas de aula. Em Cuba, os estudantes v\u00e3o bem nas provas, mas em compensa\u00e7\u00e3o saem da escola despreparados para atuar como indiv\u00edduos aut\u00f4nomos no mundo moderno. O Brasil deve ambicionar muito mais do que isso. \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do gabinete do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Fernando Haddad, 44 anos, saiu um projeto para o Brasil que, de sa\u00edda, conseguiu o feito raro de agradar a especialistas de diversos matizes ideol\u00f3gicos. 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