{"id":2031,"date":"2007-12-05T11:44:00","date_gmt":"2007-12-05T13:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2007\/12\/05\/brasil-e-reprovado-de-novo-em-matematica-e-leitura\/"},"modified":"2007-12-05T11:44:00","modified_gmt":"2007-12-05T13:44:00","slug":"brasil-e-reprovado-de-novo-em-matematica-e-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/brasil-e-reprovado-de-novo-em-matematica-e-leitura\/","title":{"rendered":"Brasil \u00e9 reprovado, de novo, em matem\u00e1tica e leitura"},"content":{"rendered":"<p>A p\u00e9ssima posi\u00e7\u00e3o do Brasil no ranking de aprendizado em ci\u00eancias se repetiu nas provas de matem\u00e1tica e leitura.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os resultados do Pisa (sigla, em ingl\u00eas, para Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos), divulgados ontem pela OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico), mostram que os alunos brasileiros obtiveram em 2006 m\u00e9dias que os colocam na 53\u00aa posi\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica (entre 57 pa\u00edses) e na 48\u00aa em leitura (entre 56).\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O objetivo do Pisa \u00e9 comparar o desempenho dos pa\u00edses na educa\u00e7\u00e3o. Para isso, s\u00e3o aplicados de tr\u00eas em tr\u00eas anos testes a alunos de 15 anos em na\u00e7\u00f5es que participam do programa. O ranking de ci\u00eancias, divulgado na semana passada, colocava o Brasil na 52\u00aa posi\u00e7\u00e3o.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Al\u00e9m de estarem entre os piores nas tr\u00eas provas nessa lista de pa\u00edses, a maioria dos estudantes brasileiros atinge, no m\u00e1ximo, o menor n\u00edvel de aprendizado nas disciplinas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O pior resultado aparece em matem\u00e1tica. Numa escala que vai at\u00e9 seis, 73% dos brasileiros est\u00e3o situados no n\u00edvel um ou abaixo disso. Significa, por exemplo, que s\u00f3 conseguem responder quest\u00f5es com contextos familiares e perguntas definidas de forma clara.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em leitura, 56% dos jovens est\u00e3o apenas no n\u00edvel um ou abaixo dele. Na escala, que vai at\u00e9 cinco nessa prova, significa que s\u00e3o capazes apenas de localizar informa\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas no texto e fazer conex\u00f5es simples.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em ci\u00eancias, 61% tiveram desempenho que os colocam abaixo ou somente no n\u00edvel um de uma escala que vai at\u00e9 seis. Isso significa que seu conhecimento cient\u00edfico \u00e9 limitado e aplicado somente a poucas situa\u00e7\u00f5es familiares.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Nos tr\u00eas casos, a propor\u00e7\u00e3o de alunos nos n\u00edveis mais baixos \u00e9 muito maior do que a m\u00e9dia da OCDE, que congrega, em sua maioria, pa\u00edses ricos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Comparando o desempenho do Brasil no exame 2003 (que j\u00e1 era ruim) com o de 2006, as notas pioraram em leitura, ficaram est\u00e1veis em ci\u00eancias e melhoraram em matem\u00e1tica.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Uma melhoria insuficiente, por\u00e9m, para tirar o pa\u00eds das \u00faltimas posi\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que foi em matem\u00e1tica que o pa\u00eds se saiu pior em 2006, com m\u00e9dias superiores apenas \u00e0s de Quirguist\u00e3o, Qatar e Tun\u00edsia e semelhantes \u00e0s da Col\u00f4mbia.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Como h\u00e1 uma margem de erro para cada pa\u00eds, a coloca\u00e7\u00e3o brasileira pode variar da 53\u00aa, no melhor cen\u00e1rio, para a 55\u00aa, no pior. O mesmo ocorre para as provas de leitura e ci\u00eancias. No de leitura, varia da 46\u00aa \u00e0 51\u00aa. Em ci\u00eancia, da 50\u00aa \u00e0 54\u00aa.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o do governo Jos\u00e9 Serra (PSDB-SP), Maria Helena de Castro, diz que o resultado em leitura \u00e9 lament\u00e1vel. \u201cEssa \u00e9 uma macrocompet\u00eancia, b\u00e1sica para que os alunos desenvolvam as outras, como matem\u00e1tica, racioc\u00ednio cr\u00edtico.\u201c Nos exames, S\u00e3o Paulo ficou abaixo da m\u00e9dia nacional nas tr\u00eas \u00e1reas avaliadas.\u00a0<\/p>\n<p> Suely Druck, da Sociedade Brasileira de Matem\u00e1tica, diz que, em geral, os alunos de outros pa\u00edses, assim como os do Brasil, tiveram desempenho pior em matem\u00e1tica na compara\u00e7\u00e3o com as outras disciplinas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cA matem\u00e1tica se distingue das outras porque desde cedo a crian\u00e7a j\u00e1 tem que ter conhecimento te\u00f3rico e \u00e9 um aprendizado seq\u00fcencial, ou seja, antes de aprender a multiplicar, tem que saber somar.\u201c Por isso, defende que se exija um conte\u00fado m\u00ednimo em matem\u00e1tica para o professor dos primeiros anos do ensino fundamental, quando todas as mat\u00e9rias s\u00e3o ainda ensinadas pela mesma pessoa.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O Pisa permite tamb\u00e9m comparar meninos e meninas. Em matem\u00e1tica e ci\u00eancias, no Brasil, eles se sa\u00edram melhor. Em leitura, elas foram melhor.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Abaixo da m\u00e9dia, S\u00e3o Paulo perde de Rond\u00f4nia e Sergipe\u00a0<br \/><\/B> Folha de S\u00e3o Paulo &#8211; Eduardo Scolese <\/p>\n<p><em> O Estado n\u00e3o conseguiu ultrapassar a m\u00e9dia nacional em nenhuma das tr\u00eas \u00e1reas avaliadas pelos exames do programa. Sindicato das escolas particulares diz desconhecer quem participou; Inep informa que n\u00e3o pode divulgar as institui\u00e7\u00f5es.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/em> Os resultados do Pisa, sigla em ingl\u00eas do Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos, divulgados ontem pela OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico), revelam que o Estado de S\u00e3o Paulo n\u00e3o conseguiu ultrapassar a m\u00e9dia nacional em nenhuma das tr\u00eas \u00e1reas avaliadas -ci\u00eancias, leitura e matem\u00e1tica. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Na \u00e1rea de ci\u00eancias, a m\u00e9dia paulista (385 pontos) \u00e9 compar\u00e1vel \u00e0 da Tun\u00edsia (\u00c1frica). No caso da leitura (392 pontos), eq\u00fcivale-se a Montenegro (Balc\u00e3s). J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a matem\u00e1tica, com 370 pontos, os paulistas est\u00e3o no mesmo n\u00edvel dos vizinhos colombianos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para o ministro Fernando Haddad (Educa\u00e7\u00e3o), o resultado de S\u00e3o Paulo requer \u201caten\u00e7\u00e3o\u201c do governo federal. \u201cCom exce\u00e7\u00e3o do Distrito Federal, S\u00e3o Paulo \u00e9 a maior renda per capita do pa\u00eds. Era de se supor que pudesse trazer as m\u00e9dias nacionais para cima. \u00c9 um resultado que surpreende, exige alguma aten\u00e7\u00e3o e algum diagn\u00f3stico do que se passa.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O petista Haddad falou com cautela sobre o Estado governado pelo tucano Jos\u00e9 Serra, que sucedeu os tamb\u00e9m tucanos M\u00e1rio Covas (morto em 2001) e Geraldo Alckmin. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cNo geral, os Estados mais ricos se saem melhor do que os mais pobres. Essa \u00e9 a regra geral. H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es \u00e0 regra\u201c, completou o ministro. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para a secret\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro, o tamanho do Estado explica o quadro. \u201cAo mesmo tempo em que temos uma economia forte, temos todos os problemas existentes no Brasil. O fato de termos avan\u00e7ado enormemente na oferta de escolas nos d\u00e1 agora condi\u00e7\u00f5es para melhorar a qualidade de ensino\u201c, disse. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Na tr\u00eas \u00e1reas, S\u00e3o Paulo registrou m\u00e9dia abaixo do Sudeste. Em ci\u00eancias, a m\u00e9dia da regi\u00e3o ficou em 396 pontos, contra 385 do Estado. Em leitura, o Sudeste teve 404 pontos, ante 392 de S\u00e3o Paulo. Em matem\u00e1tica, a diferen\u00e7a ficou em 378 contra 370. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O Distrito Federal lidera os rankings de ci\u00eancias e de matem\u00e1tica, seguido por Santa Catarina, que lidera a tabela de leitura. No outro extremo ficou o Maranh\u00e3o, com os piores resultados nas tr\u00eas \u00e1reas. Al\u00e9m do Distrito Federal, apenas oito Estados ficaram acima da m\u00e9dia nas tr\u00eas disciplinas: Esp\u00edrito Santo, Minas Gerais, Paran\u00e1, Rio de Janeiro, Rond\u00f4nia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Entre esses Estados, o ministro Haddad destacou Rond\u00f4nia e Sergipe, que, apesar das baixas m\u00e9dias de suas regi\u00f5es (Norte e Nordeste), conseguiram manter seus alunos acima da m\u00e9dia nacional nas tr\u00eas \u00e1reas avaliadas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Cr\u00edtica\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> O presidente do Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de S\u00e3o Paulo), Jos\u00e9 Augusto de Mattos Louren\u00e7o, questionou a validade do exame. \u201cNenhuma escola associada ao sindicato respondeu \u00e0 pesquisa. Ent\u00e3o quem \u00e9 que respondeu?\u201c. Ele diz que tentou obter a resposta em e-mail endere\u00e7ado ao Inep h\u00e1 duas semanas, mas teve retorno. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cAcho a compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses v\u00e1lida e importante, mas eu s\u00f3 poderia falar sobre os resultados se soubesse quais escolas foram consultadas. Da\u00ed, poderia at\u00e9 dizer se foram usados bons exemplos ou n\u00e3o.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O Inep informou que escolas privadas de S\u00e3o Paulo fizeram parte do Pisa. Por meio de sua assessoria, o instituto disse que \u00e9 usado um crit\u00e9rio \u201ccient\u00edfico\u201c para definir a amostra das escolas e que, por conta disso, n\u00e3o divulga a lista com os nomes das institui\u00e7\u00f5es participantes.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Maranh\u00e3o tem o pior resultado entre os Estados\u00a0<br \/><\/B> Ag\u00eancia Folha &#8211; S\u00edlvia Freire \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A falta de qualifica\u00e7\u00e3o dos professores da rede p\u00fablica foi apontada por especialistas em educa\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o -dominado por d\u00e9cadas pelo cl\u00e3 Sarney e agora nas m\u00e3os de opositores do ex-presidente- como a principal causa do fraco desempenho do Estado no Pisa.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O programa avalia o n\u00edvel educacional de adolescentes de 15 anos por meio de provas de ci\u00eancias, matem\u00e1tica e leitura. A m\u00e9dia obtida pelos estudantes do Maranh\u00e3o nas tr\u00eas provas do programa foi a mais baixa de todo o pa\u00eds.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para a professora Concei\u00e7\u00e3o Raposo, do curso de mestrado em educa\u00e7\u00e3o da UFMA (Universidade Federal do Maranh\u00e3o), al\u00e9m da falta de professores qualificados, o Estado padece de problemas sociais que afetam a qualidade do ensino.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cO resultado [do programa] tem coer\u00eancia com os demais indicadores do Estado. Grande parte dos munic\u00edpios do pa\u00eds com o menor IDH [\u00cdndice de Desenvolvimento Humano] est\u00e1 no Maranh\u00e3o, a distribui\u00e7\u00e3o de renda \u00e9 ruim, a mortalidade infantil \u00e9 alta. H\u00e1 uma s\u00e9rie de fatores sociais que a educa\u00e7\u00e3o sozinha n\u00e3o explica [o mau desempenho dos alunos]\u201c, disse Raposo.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Segundo ela, o Estado expandiu o ensino m\u00e9dio de forma muito r\u00e1pida, sem ter professores qualificados para suprir a demanda. Em 2002, apenas 58 dos 217 munic\u00edpios do Maranh\u00e3o tinham ensino m\u00e9dio na rede p\u00fablica. Desde 2005, o ensino m\u00e9dio p\u00fablico \u00e9 ofertado em todo o Estado.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Desqualifica\u00e7\u00e3o\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> Um exemplo da falta de docentes foi o concurso feito no final de 2005 para contrata\u00e7\u00e3o de professores para a rede p\u00fablica, que ficou com cerca de 300 vagas sem preenchimento.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cTeve localidade que ningu\u00e9m se inscreveu porque n\u00e3o tinha professor habilitado. Em outros munic\u00edpios, os candidatos se inscreveram, mas n\u00e3o passaram\u201c, disse Odair Jos\u00e9 Santos, presidente do Sindicato dos Professores da Rede P\u00fablica do Maranh\u00e3o.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Como conseq\u00fc\u00eancia do problema, disse Santos, h\u00e1, por exemplo, professores de pedagogia dando aula de matem\u00e1tica e docentes de hist\u00f3ria ministrando f\u00edsica. Para o professor, os baixos sal\u00e1rios tamb\u00e9m n\u00e3o incentivam a forma\u00e7\u00e3o de novos professores.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A supervisora de avalia\u00e7\u00e3o da Secretaria da Educa\u00e7\u00e3o do Estado, Silvana Machado, informou, por meio da assessoria de imprensa, que o atual governo tem a educa\u00e7\u00e3o como uma de suas prioridades e que \u00e9 dif\u00edcil romper com o descaso com que a \u00e1rea foi tratada durante os \u00faltimos 40 anos, em refer\u00eancia aos governos anteriores.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> De acordo com ela, muitos dos alunos avaliados cursavam ainda o ensino fundamental, e n\u00e3o o ensino m\u00e9dio, por causa da grande defasagem idade\/s\u00e9rie que existe entre alunos do Estado. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Inclus\u00e3o explica mau resultado, diz secret\u00e1ria\u00a0<br \/><\/B> Folha de S\u00e3o Paulo &#8211; F\u00e1bio Takahashi\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A secret\u00e1ria estadual de Educa\u00e7\u00e3o, Maria Helena Guimar\u00e3es de Castro, admitiu que S\u00e3o Paulo tem problemas na qualidade de ensino, mas citou como uma das explica\u00e7\u00f5es a maior inclus\u00e3o de estudantes na rede em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia nacional. Pesquisas mostram que essa maior inser\u00e7\u00e3o se d\u00e1, principalmente, por alunos com mais dificuldades socioecon\u00f4micas -com menos acesso \u00e0 cultura e pais com baixa escolariza\u00e7\u00e3o. Segundo a Pnad 2006, 86,3% dos jovens entre 15 e 17 anos est\u00e3o na escola em S\u00e3o Paulo, ante uma m\u00e9dia de 82,2% no pa\u00eds. Leia abaixo trechos da entrevista com a secret\u00e1ria. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA <\/B>&#8211; Como a sra. avalia o resultado no Pisa, no qual o pa\u00eds caiu dez pontos em leitura? \u00a0<br \/><B> MARIA HELENA GUIMAR\u00c3ES DE CASTRO &#8211;<\/B> Lament\u00e1vel. Significa que n\u00f3s, Estados, munic\u00edpios, governo federal e a sociedade, n\u00e3o estamos desenvolvendo as pol\u00edticas certas, principalmente na alfabetiza\u00e7\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>Quais foram os erros? \u00a0<br \/><B> MARIA HELENA &#8211; <\/B>As nossas universidades n\u00e3o est\u00e3o formando bem os nossos professores. Em S\u00e3o Paulo, foram investidos R$ 1,8 bilh\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o continuada dos professores nos \u00faltimos anos. \u00c9 bastante, porque \u00e9 necess\u00e1rio. Mas, apesar de todo o esfor\u00e7o, S\u00e3o Paulo est\u00e1 abaixo da m\u00e9dia em ci\u00eancias. Precisamos rever nossos programas de forma\u00e7\u00e3o continuada e os crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o de professores. Talvez implementar algo como uma resid\u00eancia m\u00e9dica para os professores. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>Os professores reclamam de problemas como sal\u00e1rios baixos, salas superlotadas&#8230; \u00a0<br \/><B> MARIA HELENA &#8211;<\/B> Sala cheia n\u00e3o \u00e9 fator explicativo de baixo desempenho em nenhum lugar do mundo. Na quest\u00e3o dos sal\u00e1rios, reconhe\u00e7o que o ideal seria melhorar ainda mais. Mas o governo est\u00e1 fazendo dentro do que \u00e9 poss\u00edvel fazer. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>Considerando a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de S\u00e3o Paulo, o Estado n\u00e3o deveria estar melhor no Pisa? <B>MARIA HELENA &#8211; <\/B>O Estado melhorou em cobertura. Todos os dados da Pnad 2006 colocam S\u00e3o Paulo melhor do que o Brasil. O Estado fez um grande esfor\u00e7o para colocar todos na escola. Agora, o desafio \u00e9 a qualidade, que vem a m\u00e9dio prazo. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>Mas a inclus\u00e3o ocorreu no pa\u00eds todo e mesmo assim S\u00e3o Paulo fica abaixo da m\u00e9dia. <br \/><B> MARIA HELENA &#8211;<\/B> S\u00e3o Paulo \u00e9 grande demais. Ao mesmo tempo em que temos uma economia forte, temos todos os problemas existentes no Brasil. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>O que o governo pretende fazer para melhorar a qualidade? \u00a0<br \/><B> MARIA HELENA &#8211; <\/B>Recupera\u00e7\u00e3o intensiva de l\u00edngua portuguesa nos primeiros 42 dias de aula, material de apoio ao professor, orienta\u00e7\u00e3o curricular. E estamos adotando um sistema de b\u00f4nus vinculado \u00e0 melhoria dos resultados e \u00e0 assiduidade.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Abismo separa redes p\u00fablica e privada\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B><em> Dos 35 pa\u00edses participantes do Pisa, Brasil foi o que apresentou a maior diferen\u00e7a entre os ensinos na prova de ci\u00eancias\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Resultados mostram ainda que elite brasileira tem desempenho fraco, cuja m\u00e9dia ocupa apenas a 24\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking mundial\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/em> \u00a0<br \/> Entre 35 pa\u00edses onde foi poss\u00edvel fazer essa compara\u00e7\u00e3o, o Brasil foi o que apresentou a maior dist\u00e2ncia, em n\u00famero de pontos, entre os alunos da rede p\u00fablica e da rede privada na prova de ci\u00eancias.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O resultado mostra que a elite brasileira, quando confrontada com a de outros pa\u00edses no Pisa, tamb\u00e9m tem desempenho abaixo da m\u00e9dia. Mesmo estando muito melhores do que os jovens das p\u00fablicas, os estudantes de particulares ocupariam somente a 24\u00aa posi\u00e7\u00e3o e estariam abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Como nem todos os pa\u00edses possuem rede privada em tamanho significativo, essa compara\u00e7\u00e3o se resume apenas a um grupo de 35 na\u00e7\u00f5es. Em alguns casos, como em Hong Kong, a rede p\u00fablica \u00e9 melhor do que a particular, mas \u00e9 preciso levar em conta que l\u00e1, diferentemente do Brasil, a maioria das escolas particulares -onde est\u00e3o 91% dos alunos- depende de financiamento estatal.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Extremos\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> Outra maneira de fazer essa mesma constata\u00e7\u00e3o \u00e9 comparar apenas os alunos que est\u00e3o nos extremos de melhores e piores notas. Nesse caso, a compara\u00e7\u00e3o \u00e9 pode ser feita entre todos os pa\u00edses que participaram do Pisa.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Se as m\u00e9dias fossem comparada apenas pelo desempenho de estudantes que est\u00e3o entre os 5% melhores, a posi\u00e7\u00e3o do Brasil seria a 51\u00aa em ci\u00eancias, a 45\u00aa em leitura e a 53\u00aa em matem\u00e1tica. A posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 muito melhor do que em uma mesma compara\u00e7\u00e3o considerando somente os 5% piores alunos. As posi\u00e7\u00f5es, nesse caso, seriam a 55\u00aa em ci\u00eancias, a 51\u00aa em leitura e a 55\u00aa em matem\u00e1tica.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O p\u00edfio desempenho da elite brasileira j\u00e1 havia aparecido em outras edi\u00e7\u00f5es do Pisa. Um estudo feito pelo pesquisador Creso Franco, da PUC do Rio de Janeiro, mostra que, em 2000, os estudantes brasileiros de maior n\u00edvel s\u00f3cio-ec\u00f4nomico ficavam muito atr\u00e1s dos de na\u00e7\u00f5es como Fran\u00e7a, Cor\u00e9ia, Estados Unidos ou Espanha.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Outra an\u00e1lise que o Pisa permite fazer \u00e9 o quanto as m\u00e9dias s\u00e3o explicadas pelo n\u00edvel socioecon\u00f4mico dos alunos, j\u00e1 que o fator determinante para o desempenho do estudante \u00e9 sua situa\u00e7\u00e3o familiar, ou seja, filhos de pais escolarizados e de maior renda tendem a ter melhor desempenho do que os pobres e de fam\u00edlias menos escolarizadas, ainda que ambas estejam na mesma escola.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para isso, a OCDE estima qual seria a m\u00e9dia de todos os pa\u00edses caso todos os alunos tivessem n\u00edvel socioecon\u00f4mico igual. No Brasil, a m\u00e9dia em ci\u00eancias passaria de 390 -que \u00e9 a m\u00e9dia simples- para 424.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Isso, no entanto, pouco alteraria a posi\u00e7\u00e3o brasileira no ranking em ci\u00eancias. O pa\u00eds passaria da 51\u00aa posi\u00e7\u00e3o para a 49\u00aa. Nessa compara\u00e7\u00e3o, em vez dos 57 pa\u00edses listados nas m\u00e9dias simples de ci\u00eancias, entrariam apenas 56, j\u00e1 que as m\u00e9dias do Qatar n\u00e3o foram ajustadas de acordo com o n\u00edvel socioecon\u00f4mico dos alunos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Apesar de o Brasil apresentar uma das maiores desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o das notas dos alunos, de 2003 para 2006, os dados do Pisa revelam que essa diferen\u00e7a diminuiu.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Nesse per\u00edodo, a m\u00e9dia dos estudantes que estavam entre os 5% piores teve ganho de 23 pontos em matem\u00e1tica e de 11 pontos em leitura. Entre os que estavam entre os 5% melhores, a m\u00e9dia variou apenas dois pontos em matem\u00e1tica e teve queda de 19 em leitura.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O mesmo acontece quando, s\u00e3o selecionados os 25% melhores e os 25% piores. Entre os piores, as m\u00e9dias avan\u00e7am 22 pontos em matem\u00e1tica e caem dois em leitura. Entre os melhores, o avan\u00e7o em matem\u00e1tica \u00e9 de oito pontos e a queda em leitura, de 19.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Os alunos n\u00e3o querem pensar, diz campe\u00e3o de olimp\u00edada de matem\u00e1tica \u00a0<br \/><\/B> Folha de S\u00e3o Paulo &#8211; Julliane Silveira\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Diferentemente da maioria de seus colegas, R\u00e9gis Prado Barbosa, 17, sempre adorou matem\u00e1tica. \u201cFoi inevit\u00e1vel, pois meus pais s\u00e3o professores e passavam exerc\u00edcios extras em casa para me estimular.\u201c\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A dedica\u00e7\u00e3o compensou: neste ano, ganhou medalha de ouro na Olimp\u00edada Ibero-Americana de Matem\u00e1tica e de prata na Olimp\u00edada Mundial e na do Cone Sul.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> R\u00e9gis, que est\u00e1 no terceiro ano do ensino m\u00e9dio, freq\u00fcentou desde a quinta s\u00e9rie um curso especial para olimp\u00edadas de matem\u00e1tica, no col\u00e9gio particular onde estuda, em Fortaleza. No per\u00edodo, estudava seis horas por dia.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ele conta que j\u00e1 tirou uma nota vermelha na mat\u00e9ria, mas que esse n\u00e3o foi o motivo para buscar o curso. \u201cFoi um deslize, depois s\u00f3 tirei dez. Comecei a fazer o curso por causa do meu irm\u00e3o.\u201c\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Seu objetivo agora \u00e9 o vestibular do ITA -quer fazer engenharia da computa\u00e7\u00e3o, como o irm\u00e3o mais velho-, mas tem dificuldades para se dedicar a outras disciplinas. \u201cSinto falta da matem\u00e1tica, n\u00e3o tenho interesse de estudar outras mat\u00e9rias.\u201c Para ele, a pior \u00e9 biologia, \u201cpois \u00e9 basicamente decoreba\u201c.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ele acredita que os colegas n\u00e3o s\u00e3o bem preparados porque n\u00e3o t\u00eam interesse. \u201cEles n\u00e3o querem desafios nem entender o porqu\u00ea de uma f\u00f3rmula, querem tudo pronto, sem pensar.\u201c\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> \u00a0<br \/> Para diretora da Educa\u00e7\u00e3o da USP, exame revela \u201ccalamidade\u201c em escolas p\u00fablicas\u00a0<br \/><\/B> Folha de S\u00e3o Paulo &#8211; Cinthia Rodrigues\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A diretora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, Sonia Penin, afirma que o Pisa revela que a educa\u00e7\u00e3o brasileira chegou \u00e0 \u201ccalamidade\u201c. Leia trechos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>O que o Pisa mostra? \u00a0<br \/><B> SONIA PENIN &#8211; <\/B>A calamidade da escola p\u00fablica brasileira. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211;<\/B> A educa\u00e7\u00e3o tem piorado? \u00a0<br \/><B> PENIN &#8211; <\/B>N\u00e3o d\u00e1 para comparar a educa\u00e7\u00e3o de hoje com a de antigamente. A escola p\u00fablica brasileira dos anos 50 era s\u00f3 de uma camada muito restrita da elite brasileira. Depois, iniciou um movimento para atender todas as camadas socioecon\u00f4micas e culturais. Ainda n\u00e3o completou esse movimento, sobretudo no ensino m\u00e9dio, mas, de qualquer forma, houve um acolhimento significativo. O que se percebe \u00e9 que a escola est\u00e1 com problemas para atender esta diversidade maior. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>Quais s\u00e3o os problemas mais comuns e graves? \u00a0<br \/><B> PENIN &#8211; <\/B>Tem um problema que \u00e9 objetivo: tempo de estudo, tempo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 aprendizagem. Apesar da diferencia\u00e7\u00e3o muito grande de escola para escola, o tempo letivo de 4 horas, 5 horas nas melhores escolas, \u00e9 muito pouco para a gente fazer p\u00e1reo para esses pa\u00edses que est\u00e3o \u00e0 frente. Al\u00e9m disso, ainda ocorre que, nessas quatro horas, eles n\u00e3o t\u00eam aula. Por aus\u00eancia do pr\u00f3prio aluno, por aus\u00eancia do professor ou at\u00e9 por n\u00e3o existir professor. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>\u00c9 o maior problema? \u00a0<br \/><B> PENIN &#8211;<\/B> Esse \u00e9 o fator mais claro. Depois, falta valoriza\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o dos professores. A quest\u00e3o salarial \u00e9 fundamental, mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Hoje precisa de capacita\u00e7\u00e3o dentro da escola para professores, diretores e todos os envolvidos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211;<\/B> E a infra-estrutura? \u00a0<br \/><B> PENIN &#8211; <\/B>Os equipamentos s\u00e3o importantes, mas hoje muitas escolas est\u00e3o equipadas e n\u00e3o vemos os reflexos. H\u00e1 muitos laborat\u00f3rios de ci\u00eancias que n\u00e3o s\u00e3o usados. O que falta \u00e9 o uso dos recursos, ou seja, professores preparados. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>Qual a responsabilidade dos pais?<br \/><B> PENIN &#8211; <\/B>Muito grande. Pesquisas mostram que escolas com participa\u00e7\u00e3o dos pais t\u00eam melhores resultados. Nos anos 50, quando s\u00f3 a elite estudava, os pais eram alfabetizados, tinham livros em casa. Se um filho n\u00e3o ia bem, recebia refor\u00e7o escolar no tempo livre. Hoje muitos pais n\u00e3o t\u00eam conhecimento para ajudar os filhos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>Qual a liga\u00e7\u00e3o dos resultados com a transfer\u00eancia de estudantes de classes elevadas para institui\u00e7\u00f5es particulares e a conseq\u00fcente redu\u00e7\u00e3o na cobran\u00e7a por escolas p\u00fablicas de qualidade? \u00a0<br \/><B> PENIN &#8211; <\/B>N\u00e3o d\u00e1 para culpar as pessoas por colocarem os filhos em uma escola ou outra. Isto \u00e9 um pa\u00eds democr\u00e1tico. Temos que pensar nas quest\u00f5es que podem ser trabalhadas. \u00c9 o aumento do tempo na escola e o investimento em professor. Disso que temos de falar. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> FOLHA &#8211; <\/B>A sra. tem ressalvas em rela\u00e7\u00e3o ao Pisa? \u00a0<br \/><B> PENIN &#8211; <\/B>Sempre cabe uma an\u00e1lise da avalia\u00e7\u00e3o. Pode ser que as quest\u00f5es pedidas, por exemplo, tenham mais afinidade com as preocupa\u00e7\u00f5es de um determinado pa\u00eds. Uma outra quest\u00e3o \u00e9 que esse exame pega alunos por idade. Muitas vezes, nossos alunos de 15 anos est\u00e3o abaixo da s\u00e9rie em que deviam estar, por conta de repet\u00eancia. Essa seria uma quest\u00e3o pela qual poder\u00edamos dar um desconto a nosso favor. Ou melhor, por nosso preju\u00edzo.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Exame ocorre a cada 3 anos em 57 pa\u00edses \u00a0<br \/><\/B> Folha de S\u00e3o Paulo\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O Pisa (sigla em ingl\u00eas para Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos) \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o internacional aplicada a cada tr\u00eas anos pela OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico) a alunos de 15 anos de idade.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Participam dela os 30 pa\u00edses da OCDE, al\u00e9m de 27 na\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A cada edi\u00e7\u00e3o, a \u00eanfase \u00e9 em uma das tr\u00eas \u00e1reas avaliadas. Em 2000, foi leitura, em 2003, matem\u00e1tica e, em 2006, ci\u00eancia.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No Brasil, fizeram o teste 9.295 alunos de 7\u00aa ou 8\u00aa s\u00e9rie ou ensino m\u00e9dio de 625 escolas, p\u00fablicas e privadas, de 390 cidades.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A escala das notas \u00e9 padronizada para que a m\u00e9dia dos 30 pa\u00edses membros da OCDE fique em 500 pontos. Uma m\u00e9dia de 390, como a do Brasil, significa que o pa\u00eds est\u00e1 110 pontos distante da m\u00e9dia das demais na\u00e7\u00f5es.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> AN\u00c1LISE\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Perdemos em qualidade\u00a0<br \/><\/B> Folha de S\u00e3o Paulo &#8211; Ant\u00f4nio Gois\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Sempre que uma avalia\u00e7\u00e3o do ensino escancara o nosso atraso, os saudosistas lamentam o fato lembrando que, no passado, a escola p\u00fablica era de qualidade.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ainda que o Brasil s\u00f3 tenha come\u00e7ado a comparar o desempenho de seus estudantes em 1995, essa afirma\u00e7\u00e3o, muito provavelmente, \u00e9 verdadeira.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O que nem sempre \u00e9 levado em conta \u00e9 que aquela escola p\u00fablica era para poucos. Em 1940, apenas 31% das crian\u00e7as de 7 a 14 anos estavam na escola. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil imaginar o perfil de quem estava fora dela.\u00a0<br \/> Em 2000, essa propor\u00e7\u00e3o chegou a 95%. Ganhamos em quantidade, perdemos em qualidade.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A chegada dos mais pobres \u00e0 escola p\u00fablica foi acompanhada da migra\u00e7\u00e3o gradativa da elite para o ensino privado. Para um pa\u00eds que se esmerou como poucos na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade desigual, a conviv\u00eancia dessas duas classes num mesmo espa\u00e7o -no caso, a escola- n\u00e3o fazia sentido.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Esse modelo funcionou bem para aquele projeto de pa\u00eds. Os mais ricos eram educados em escolas privadas e, com isso, asseguravam seu futuro profissional, j\u00e1 que os melhores postos de trabalho n\u00e3o estavam ao alcance de quem tinha como \u00fanica op\u00e7\u00e3o a escola p\u00fablica.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os resultados do Pisa evidenciam que esse projeto n\u00e3o serve mais nem mesmo para quem sempre se beneficiou dele. Numa economia cada vez mais globalizada, ganham mais empregos e investimentos os pa\u00edses que t\u00eam sua m\u00e3o-de-obra mais qualificada.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> As na\u00e7\u00f5es que conseguiram as melhores posi\u00e7\u00f5es foram justamente aquelas onde a desigualdade de notas entre seus melhores e piores alunos foi a menor: Finl\u00e2ndia e Hong Kong.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Na Finl\u00e2ndia, sequer existe ensino particular (98% est\u00e3o em escolas p\u00fablicas). Em Hong Kong, a maioria (91%) est\u00e1 no ensino privado, mas em escolas que dependem de financiamento p\u00fablico.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> N\u00e3o por acaso, os Estados do Brasil que se sa\u00edram melhor no Pisa foram os da regi\u00e3o Sul. \u00c9 l\u00e1 que, como mostra o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio, a dist\u00e2ncia entre a rede p\u00fablica e a privada \u00e9 menor no Brasil.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O que Finl\u00e2ndia e Hong Kong fizeram foi equalizar as oportunidades. Por isso, ficam entre os primeiros mesmo quando se compara apenas os mais pobres ou somente os mais ricos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Com uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade e para todos, os melhores, para se sobressair, t\u00eam de ser ainda melhores.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A p\u00e9ssima posi\u00e7\u00e3o do Brasil no ranking de aprendizado em ci\u00eancias se repetiu nas provas de matem\u00e1tica e leitura.\u00a0 \u00a0 Os resultados do Pisa (sigla, em ingl\u00eas, para Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos), divulgados ontem pela OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico), mostram que os alunos brasileiros obtiveram em 2006 m\u00e9dias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-2031","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Brasil \u00e9 reprovado, de novo, em matem\u00e1tica e leitura &raquo; 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