{"id":19764,"date":"2024-05-17T13:59:54","date_gmt":"2024-05-17T16:59:54","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=19764"},"modified":"2024-05-17T13:59:54","modified_gmt":"2024-05-17T16:59:54","slug":"analfabetismo-recua-e-atinge-114-mi-taxa-e-maior-entre-indigenas-e-pretos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/analfabetismo-recua-e-atinge-114-mi-taxa-e-maior-entre-indigenas-e-pretos\/","title":{"rendered":"Analfabetismo recua e atinge 11,4 mi; taxa \u00e9 maior entre ind\u00edgenas e pretos"},"content":{"rendered":"<p>O \u00edndice de analfabetismo recuou, mas h\u00e1 ainda 11,4 milh\u00f5es de pessoas com 15 anos ou mais no Brasil que n\u00e3o sabem ler ou escrever um bilhete simples. Idosos, ind\u00edgenas e pretos e moradores do Nordeste s\u00e3o os mais afetados, diz o IBGE.<!--more--><\/p>\n<p>O que aconteceu<br \/>\nA taxa de analfabetismo no pa\u00eds caiu de 9,6% em 2010 para 7% em 2022. Isso significa que, nesse per\u00edodo, cerca de 2,5 milh\u00f5es de pessoas de 15 anos ou mais deixaram de ser analfabetas \u2014 eram 13,9 milh\u00f5es 12 anos antes. As informa\u00e7\u00f5es integram o Censo 2022 e foram divulgadas pelo IBGE nesta sexta-feira (17).<\/p>\n<p>\u00c9 o menor \u00edndice registrado desde 1940, quando mais da metade da popula\u00e7\u00e3o (56%) n\u00e3o era alfabetizada. Ap\u00f3s quatro d\u00e9cadas, em 1980, houve aumento de 30,5 pontos percentuais na taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o, passando para 74,5%. Finalmente, depois de mais 42 anos, o pa\u00eds atingiu um percentual de 93% em 2022 \u2014 um aumento de 18,5 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a 1980.<\/p>\n<p>Em 2022, havia 163 milh\u00f5es de pessoas de 15 anos ou mais no Brasil, das quais 151,5 milh\u00f5es sabiam ler e escrever. O IBGE informou que, neste momento, optou por divulgar as informa\u00e7\u00f5es referentes a esse recorte et\u00e1rio por ser o mais utilizado, internacionalmente, para a aferi\u00e7\u00e3o da taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A merendeira Sidlene dos Santos Farias, 42, faz parte da popula\u00e7\u00e3o que se alfabetizou desde o \u00faltimo Censo. Mesmo com tr\u00eas filhos pequenos, ela se matriculou no EJA (Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos) e concluiu o ensino fundamental em 2017.<\/p>\n<p>Leninha, como \u00e9 conhecida, teve que enfrentar tripla jornada para estudar. Trabalhava como empregada dom\u00e9stica de dia e como merendeira \u00e0 noite. Nos finais de semana, ainda constru\u00eda sua casa, com a ajuda de um amigo pedreiro, em Mutu\u00edpe (BA), cidade de 20 mil habitantes.<\/p>\n<p>Tive o apoio dos meninos, eles faziam o b\u00e1sico e sempre foram muito bons. Mas cozinhar e lavar roupa, cuidar de uma casa depois de uma dupla jornada de trabalho, me cansava tanto que eu n\u00e3o aguentava.<\/p>\n<p>A dura rotina a levou a interromper os estudos ao fim do fundamental, que ainda coincidiu com a morte do seu marido. Leninha comemora, por\u00e9m, os estudos dos filhos.<\/p>\n<p>Minha filha foi a que mais estudou, est\u00e1 terminando a faculdade. Meu filho mais velho, que est\u00e1 com 25 anos, fez o ensino m\u00e9dio, e o mais novo foi s\u00f3 at\u00e9 a s\u00e9tima s\u00e9rie, eu ainda estudei mais do que ele. Mas n\u00e3o julgo, estudar d\u00e1 muito trabalho. Moramos numa cidade de vale com muitas ladeiras, voltar andando depois de um dia cansativo n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Taxa de analfabetismo entre pretos e pardos \u00e9 mais que o dobro da registrada entre brancos. O problema afeta 10,1% dos pretos, 8,8% dos pardos e 4,3% dos brancos. Para cor ou ra\u00e7a ind\u00edgena (16,1%), quase quatro vezes maior que a de brancos.<\/p>\n<p>A vantagem da popula\u00e7\u00e3o branca \u00e9 registrada em todos os grupos et\u00e1rios, mas a dist\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais caiu em compara\u00e7\u00e3o a 2010. Naquele ano a diferen\u00e7a era de 8,5 pontos percentuais para pretos, 7,1 para pardos e 17,4 para ind\u00edgenas. Em 2022, ela caiu, respectivamente, para 5,8, 4,5 e 11,8 pontos percentuais.<\/p>\n<p>O analfabetismo tamb\u00e9m atinge mais a camada mais velha da popula\u00e7\u00e3o. Em 2022, o grupo de 15 a 19 anos atingiu a menor taxa de analfabetismo (1,5%) e o grupo de 65 anos ou mais permaneceu com a maior taxa: 20,3%. De acordo com o IBGE, isso indica que as gera\u00e7\u00f5es mais novas est\u00e3o tendo maior acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo tendo registrado a maior taxa, o grupo de 65 anos teve a maior queda ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas censos em pontos percentuais. Passou de 38% em 2000 para 29,4% em 2010 e 20,3% em 2022, uma redu\u00e7\u00e3o de 17,7 pontos percentuais no per\u00edodo.<\/p>\n<p>S\u00f3 h\u00e1 mais mulheres analfabetas entre idosos. Em 2022, o percentual de mulheres que sabiam ler e escrever era 93,5%, enquanto o de homens era 92,5%. Entre pessoas de 65 anos ou mais, no entanto, eles t\u00eam vantagem ligeiramente superior (79,9% contra 79,6%).<\/p>\n<p>Taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o das pessoas ind\u00edgenas foi 85% em 2022. Houve alta em todas as grandes regi\u00f5es e faixas et\u00e1rias, mas ainda abaixo da m\u00e9dia nacional. Em 2010, o indicador registrado foi de 76,6%. Essa categoria inclui aqueles que se consideram ind\u00edgenas pelo crit\u00e9rio de pertencimento.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, <a href=\"http:\/\/o IBGE divulgou que o analfabetismo atingia 9,3 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds\">o IBGE divulgou que o analfabetismo atingia 9,3 milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds<\/a>, segundo dados da Pnad Cont\u00ednua 2023 (Pesquisa Nacional de Amostra de Domic\u00edlios). A diferen\u00e7a para os dados divulgados hoje \u00e9 explicada pela metodologia aplicada \u2014 a Pnad \u00e9 uma pesquisa amostral, na qual sao visitados somente domic\u00edlios selecionados, j\u00e1 no Censo todos os domic\u00edlios s\u00e3o visitados.<\/p>\n<p><strong>Taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o do Nordeste permanece a mais baixa<\/strong><br \/>\nA taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o do Censo para as pessoas de 15 anos ou mais tamb\u00e9m reflete desigualdades regionais. Apesar do aumento de 80,9% em 2010 para 85,8% em 2022, a taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o Nordeste permaneceu a mais baixa. Sul e Sudeste t\u00eam taxas de alfabetiza\u00e7\u00e3o acima de 96%. Centro-Oeste tem 94,9% e Norte 91,8% de suas popula\u00e7\u00f5es capazes de ler e escrever.<\/p>\n<p>Por unidade da federa\u00e7\u00e3o, as maiores taxas de alfabetiza\u00e7\u00e3o foram registradas em Santa Catarina (97,3%) e no Distrito Federal (97,2%). J\u00e1 as menores, em Alagoas (82,3%) e no Piau\u00ed (com 82,8%).<\/p>\n<p>Munic\u00edpios entre 10.001 e 20 mil habitantes t\u00eam a maior taxa m\u00e9dia de analfabetismo: 13,6%. O dado \u00e9 mais de quatro vezes a taxa dos munic\u00edpios acima de 500 mil habitantes (3,2%).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00edndice de analfabetismo recuou, mas h\u00e1 ainda 11,4 milh\u00f5es de pessoas com 15 anos ou mais no Brasil que n\u00e3o sabem ler ou escrever um bilhete simples. 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