{"id":18919,"date":"2023-07-31T10:00:16","date_gmt":"2023-07-31T13:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=18919"},"modified":"2023-07-31T11:35:28","modified_gmt":"2023-07-31T14:35:28","slug":"educacao-e-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/educacao-e-diversidade\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o e diversidade"},"content":{"rendered":"<p>O racismo no sistema de ensino brasileiro est\u00e1 em n\u00fameros. Segundo dados da Pnad Cont\u00ednua de 2022, realizada pelo IBGE, 3,3% das pessoas brancas com mais de 15 anos de idade s\u00e3o analfabetas; entre negras e pardas, o \u00edndice sobe para 8,2%. Se 61% dos brancos com menos de 25 anos se formaram no ensino m\u00e9dio, menos da metade (47%) dos negros e pardos conclu\u00edram essa etapa do aprendizado.<!--more--><\/p>\n<p>A desigualdade econ\u00f4mica ajuda a explicar os dados. Muitos jovens negros e pardos precisam largar a escola para trabalhar e complementar a renda da fam\u00edlia. Mas o racismo tamb\u00e9m \u00e9 um fator que contribui para o baixo desempenho e a evas\u00e3o escolar.<\/p>\n<p>Especialistas apontam que o estresse psicol\u00f3gico causado por agress\u00f5es e ofensas no ambiente escolar perturba a aprendizagem, gera notas baixas, desinteresse e, por fim, o abandono dos estudos.<\/p>\n<p>Por isso, a\u00e7\u00f5es de combate ao racismo \u2014e outras formas de preconceito, como homofobia e machismo\u2014 nas escolas ajudam a melhorar a qualidade do ensino e a formar uma sociedade refrat\u00e1ria \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o. H\u00e1 anos escolas implementam programas com esse objetivo. Contudo, houve retrocessos sob Jair Bolsonaro (PL).<\/p>\n<p>Segundo levantamento da ONG Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, a partir de dados oficiais, havia uma tend\u00eancia de alta: em 2011, 66,7% das escolas tinham projetos de combate ao racismo; em 2015, j\u00e1 eram 75,6% \u2014com leve queda em 2017 (72,5%). No entanto, j\u00e1 no primeiro ano do governo anterior, em 2019, o \u00edndice caiu para 52,2% e, com a pandemia, chegou a 50,1% em 2021.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o a a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 homofobia e ao machismo, verifica-se a mesma din\u00e2mica, com 34,7% das escolas em 2011 e 43,7% em 2017. Por\u00e9m, em 2019, o \u00edndice caiu para 30,5%, e mais ainda em 2021, ao atingir apenas 25,5%.<\/p>\n<p>Bolsonaro se elegeu e construiu seu governo a partir da ideologiza\u00e7\u00e3o de temas comportamentais. Entretanto, racismo, homofobia e machismo s\u00e3o pr\u00e1ticas culturais nefastas que produzem impacto em \u00e1reas diversas como educa\u00e7\u00e3o, economia e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o se faz com ideologia, mas com t\u00e9cnica e raz\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 papel do governo basear-se em evid\u00eancias para alocar recursos escassos nos setores que mais precisam. Espera-se que a nova gest\u00e3o federal incentive programas de combate ao preconceito nas escolas, problema que afeta sobretudo estratos sociais mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Publicado por Folha de S. Paulo em 29\/07\/2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O racismo no sistema de ensino brasileiro est\u00e1 em n\u00fameros. Segundo dados da Pnad Cont\u00ednua de 2022, realizada pelo IBGE, 3,3% das pessoas brancas com mais de 15 anos de idade s\u00e3o analfabetas; entre negras e pardas, o \u00edndice sobe para 8,2%. 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