{"id":18852,"date":"2023-07-05T15:22:20","date_gmt":"2023-07-05T18:22:20","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=18852"},"modified":"2023-07-05T15:22:20","modified_gmt":"2023-07-05T18:22:20","slug":"ensino-medio-urgente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/ensino-medio-urgente\/","title":{"rendered":"Ensino m\u00e9dio urgente"},"content":{"rendered":"<p>A reforma do ensino m\u00e9dio foi sancionada em 2017 e, quatro anos depois, definiu-se o cronograma de implementa\u00e7\u00e3o que previa a conclus\u00e3o em 2024. No entanto, devido a cr\u00edticas de professores, alunos e gestores, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o suspendeu a continuidade do programa em abril deste ano. Com resultados da consulta p\u00fablica, MEC precisa dar continuidade ao novo modelo.<!--more--><\/p>\n<p>Abriu-se consulta p\u00fablica, que se encerra nesta quinta-feira (6). Na segunda (3), o Conselho Nacional dos Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o entregou sugest\u00f5es ao MEC. No geral, os gestores apoiam o novo modelo, o que \u00e9 bem-vindo, e as proposi\u00e7\u00f5es obedecem ao bom senso.<\/p>\n<p>A principal altera\u00e7\u00e3o seria na grade curricular. Antes da reforma, os tr\u00eas anos do ensino m\u00e9dio tinham 2.400 horas de disciplinas tradicionais obrigat\u00f3rias, como matem\u00e1tica e portugu\u00eas, para todos os alunos.<\/p>\n<p>No novo modelo, s\u00e3o 3.000 horas, sendo 1.800 para as tradicionais e 1.200 para os chamados itiner\u00e1rios formativos, com mat\u00e9rias de escolha dos estudantes.<\/p>\n<p>O Consed pede que 300 horas dos itiner\u00e1rios sejam flex\u00edveis e possam ser usadas, a partir das necessidades de cada estado, para incremento das disciplinas obrigat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Os itiner\u00e1rios foram o principal alvo das cr\u00edticas que levaram \u00e0 suspens\u00e3o do programa. A inova\u00e7\u00e3o, afirmam especialistas, \u00e9 necess\u00e1ria para enfrentar o flagelo da evas\u00e3o escolar \u2014ao direcionar o ensino para a vida profissional a partir de interesses dos alunos. A teoria, por\u00e9m, esbarrou na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>As redes de ensino ainda n\u00e3o contam com estrutura (salas, laborat\u00f3rios, equipamentos) nem professores suficientes, com forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, para uma extens\u00e3o curricular ampla e de qualidade.<\/p>\n<p>Ademais, o aumento da carga hor\u00e1ria n\u00e3o considerou a situa\u00e7\u00e3o de estudantes que precisam trabalhar, o que pode contribuir para a evas\u00e3o \u2014um dos problemas que o novo modelo pretende combater.<\/p>\n<p>Os secret\u00e1rios tamb\u00e9m sugerem uma base comum de itiner\u00e1rios formativos, para orientar a oferta de disciplinas optativas.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 mitigar desigualdades. Ao diminuir o escopo das disciplinas obrigat\u00f3rias, sem haver estrutura para as optativas, alunos da rede p\u00fablica e de regi\u00f5es mais carentes podem ser prejudicados.<\/p>\n<p>Muito j\u00e1 foi investido na reforma e, como os pr\u00f3prios gestores estaduais afirmam, n\u00e3o faz sentido jogar esse trabalho fora.<\/p>\n<p>Com sugest\u00f5es da consulta p\u00fablica e estudos baseados em evid\u00eancias, \u00e9 poss\u00edvel aparar arestas para a implanta\u00e7\u00e3o consistente do modelo, pelo bem dos 7,9 milh\u00f5es de jovens que atualmente cursam o ensino m\u00e9dio no pa\u00eds. Isso precisa ser feito com urg\u00eancia.<\/p>\n<p>editoriais@grupofolha.com.br<\/p>\n<p>Publicado por Folha de S. Paulo em 05\/07\/2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma do ensino m\u00e9dio foi sancionada em 2017 e, quatro anos depois, definiu-se o cronograma de implementa\u00e7\u00e3o que previa a conclus\u00e3o em 2024. 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