{"id":18717,"date":"2023-06-06T15:00:22","date_gmt":"2023-06-06T18:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=18717"},"modified":"2023-06-06T15:01:23","modified_gmt":"2023-06-06T18:01:23","slug":"as-3-licoes-que-devem-guiar-o-mercado-editorial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/as-3-licoes-que-devem-guiar-o-mercado-editorial\/","title":{"rendered":"As 3 li\u00e7\u00f5es que devem guiar o mercado editorial"},"content":{"rendered":"<p>Em qualquer que seja o mercado, qualquer grande disrup\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tende a gerar tsunamis de suco g\u00e1strico nos organismos dos seus protagonistas tradicionais. N\u00e3o foi diferente no mercado editorial quando o ChatGPT dominou a pauta e trouxe consigo os medos de desemprego em massa, obsolesc\u00eancia e apocalipse.<!--more--><\/p>\n<p>&#8220;O que fazer para sobreviver a esse novo inimigo?&#8221;, perguntam-se uns. &#8220;H\u00e1 que se passar leis e regulamenta\u00e7\u00f5es para proibir que a humanidade fique ref\u00e9m das m\u00e1quinas!&#8221;, bradam outros. &#8220;Ser\u00e1 o fim da literatura e do mercado editorial como um todo!&#8221;, garantem ainda os mais radicais.<br \/>\nAo que parece, a \u00fanica li\u00e7\u00e3o que a Hist\u00f3ria nos ensinou \u00e9 que nunca aprendemos com as li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O ChatGPT est\u00e1 longe de ser a primeira disrup\u00e7\u00e3o pela qual o mercado editorial passou. Do passado recente at\u00e9 aqui, tivemos, apenas para listar tr\u00eas grandes inova\u00e7\u00f5es: a populariza\u00e7\u00e3o dos smartphones, que revolucionou o consumo de conte\u00fado; o e-book e, em seguida, o audiobook, abrindo novas op\u00e7\u00f5es de formatos de leitura; e a possibilidade de todo autor poder publicar seu livro gratuitamente em plataformas como o Clube de Autores, multiplicando a oferta de livros na medida exata do crescimento da demanda.<\/p>\n<p>Cada vez que alguma dessas novidades popularizou-se \u2013 da mesma forma que tem acontecido com o ChatGPT \u2013 profetas do apocalipse entraram em cena prevendo o fim dos tempos. Esse fim, claro, nunca chegou. Ao contr\u00e1rio: na primeira pesquisa de Produ\u00e7\u00e3o e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, divulgada em 2012 pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), o faturamento do setor estava em R$ 4,9 bilh\u00f5es. 10 anos depois, a pesquisa j\u00e1 aponta faturamento de R$ 5,5 bilh\u00f5es \u2013 um crescimento de mais de 12%.<\/p>\n<p>O que isso significa? Que, na pr\u00e1tica, as grandes disrup\u00e7\u00f5es do mercado sempre trouxeram crescimento \u2013 principalmente para quem evitou nadar contra a corrente e preferiu aproveit\u00e1-las.<\/p>\n<p>H\u00e1 (pelo menos) tr\u00eas li\u00e7\u00f5es de imensa import\u00e2ncia em tudo o que aconteceu e est\u00e1 acontecendo em nosso mercado \u2013 li\u00e7\u00f5es que, se bem compreendidas, podem n\u00e3o apenas evitar desastres como tamb\u00e9m permitir que empresas aproveitem o que h\u00e1 de melhor em novos ciclos mercadol\u00f3gicos.<br \/>\nS\u00e3o elas:<\/p>\n<p><strong>1) O foco nunca deve estar na tecnologia, mas no que ela representa.<\/strong><\/p>\n<p>E-books, quando chegaram, fizeram boa parte do mercado acreditar que teria seu faturamento encolhido e sua participa\u00e7\u00e3o engolida pelos gigantes da tecnologia. Foram poucos os que pensaram o \u00f3bvio: uma nova forma de consumo de livros poderia acordar uma parcela gigantesca de novos leitores em potencial. E foi isso o que aconteceu: um novo formato trouxe um novo leitor. Um novo leitor que, na medida em que foi se tornando \u00edntimo da palavra escrita, foi tamb\u00e9m enveredando por outros formatos al\u00e9m do eletr\u00f4nico \u2013 incluindo o bom e velho papel. Ganhou quem apostou na diversifica\u00e7\u00e3o e que permitiu, o quanto antes, que todo o seu cat\u00e1logo ficasse dispon\u00edvel em todos os formatos.<\/p>\n<p>Da mesma forma, ganhar\u00e1 agora quem buscar mais diversifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos audiolivros. Da mesma forma, ganhar\u00e1 tamb\u00e9m quem conseguir entender e trabalhar com o ChatGPT \u2013 ao inv\u00e9s de clamar pela sua destrui\u00e7\u00e3o por meio de leis e regulamenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>2) Livrarias f\u00edsicas dependem de curadoria; livrarias online dependem de quantidade.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 20 anos, poucos conseguiriam prever um mercado de livros sem as gigantes Saraiva e Cultura. O fato \u00e9 que seus modelos envelheceram na medida em que elas buscavam abra\u00e7ar o mundo.<\/p>\n<p>Ao tentarem ser um pouco de tudo, as grandes livrarias brasileiras acabaram n\u00e3o conseguindo ser nada. Foi na tentativa de ter todos os t\u00edtulos para todos os gostos \u2013 uma miss\u00e3o imposs\u00edvel dada a finitude de qualquer estoque f\u00edsico \u2013 que as megastores nasceram, apostando na quantidade e abrindo m\u00e3o da qualidade (de curadoria, com vendedores especializados nos gostos dos leitores que tradicionalmente frequentavam suas lojas).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que, quando se trata de quantidade, nenhuma loja f\u00edsica consegue competir com a Internet \u2013 onde uma infinidade de lojas e editoras consegue vender uma infinidade de t\u00edtulos por meio de marketplaces. Aos poucos, os consumidores que nunca encontravam os livros que buscavam nas megastores foram migrando para a Amazon, para o Mercado Livre e para tantos outros sites onde nada nunca est\u00e1 em falta. A variedade absoluta \u00e9 um argumento que s\u00f3 pode ser usado dentro da Internet.<\/p>\n<p>Isso significa que uma livraria f\u00edsica n\u00e3o tem chance de sobreviv\u00eancia? De forma alguma: basta que ela use outro argumento. No final de 2018, a Barnes &amp; Noble registrava preju\u00edzo pelo s\u00e9timo trimestre consecutivo e j\u00e1 era considerada uma carta fora do baralho por muitos analistas. Um novo CEO \u2013 o quinto em quatro anos, depois da rede ter fechado 98 lojas \u2013 assumiu com uma estrat\u00e9gia diferente: dar autonomia completa para que os gerentes de cada loja promovessem uma curadoria radical de acordo com as caracter\u00edsticas de cada regi\u00e3o em que operam. Resultado?<\/p>\n<p>A rede inverteu o curso e, considerando os anos de 2022 e 2023, deve abrir 53 novas lojas. Livrarias f\u00edsicas s\u00e3o locais de descoberta e, portanto, dependem de uma rica curadoria local.<\/p>\n<p><strong>3) O futuro \u00e9 independente.<\/strong><\/p>\n<p>Todo dia, no Clube de Autores, 80 novos livros s\u00e3o publicados. O motivo? A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita, a venda \u00e9 feita em formato impresso ou digital, a distribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorre em todo o mundo e o autor sabe precisamente o que vai ganhar por venda \u2013 que supera a margem tradicional proposta por qualquer editora.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um por\u00e9m aqui: por ser autopublica\u00e7\u00e3o, o autor tamb\u00e9m precisa garantir que seu livro esteja perfeito, da capa \u00e0 diagrama\u00e7\u00e3o, e precisa se responsabilizar pela sua divulga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 esse por\u00e9m que garante a exist\u00eancia de um mercado para todos. Quer um exemplo? H\u00e1 cerca de 600 editoras cadastradas no Clube de Autores, aproveitando a rede de distribui\u00e7\u00e3o e a falta de necessidade de investimento em tiragens, para ampliar seus ganhos. Suas propostas s\u00e3o simples: elas garantem aos autores um trabalho profissional sobre suas obras, pautado na experi\u00eancia de mercado, cuidam da divulga\u00e7\u00e3o, e dividem os resultados.<\/p>\n<p>E mais: grande parte delas busca os escritores a partir da pr\u00f3pria base do Clube de Autores, usando filtros dispon\u00edveis na plataforma para chegar aos talentos que julgam ter maior afinidade com suas marcas.<\/p>\n<p>Alguns aceitam, outros n\u00e3o. \u00c9 a lei do livre mercado. Mas o fato \u00e9 que todos ganham: o autor independente, que n\u00e3o depende mais de nenhuma editora para publicar e vender seu livro, e a editora, que passa a contar com um aqu\u00e1rio riqu\u00edssimo para pescar talentos e fazer apostas mais seguras no mercado.<\/p>\n<p>Publicado por RICARDO ALMEIDA &#8211; PUBLISHNEWS em 06\/06\/2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em qualquer que seja o mercado, qualquer grande disrup\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica tende a gerar tsunamis de suco g\u00e1strico nos organismos dos seus protagonistas tradicionais. 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