{"id":18666,"date":"2023-05-26T15:34:42","date_gmt":"2023-05-26T18:34:42","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=18666"},"modified":"2023-05-26T15:34:42","modified_gmt":"2023-05-26T18:34:42","slug":"pesquisa-mostra-por-que-brasileiros-deixam-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/pesquisa-mostra-por-que-brasileiros-deixam-escola\/","title":{"rendered":"Pesquisa mostra por que brasileiros deixam escola"},"content":{"rendered":"<p>Falta de condi\u00e7\u00f5es e necessidade de trabalho s\u00e3o as principais causas. Quando deixou Araioses, no Maranh\u00e3o, de \u00f4nibus e percorreu mais de 2 mil quil\u00f4metros at\u00e9 Bras\u00edlia, em 2017, Maria de F\u00e1tima Santos, ent\u00e3o com 18 anos de idade, sonhava engatar em uma profiss\u00e3o no com\u00e9rcio e voltar aos estudos. Aos 15 anos, Maria de F\u00e1tima tinha abandonado a escola, no quinto ano fundamental, para ajudar em casa.<!--more--><\/p>\n<p>Ela trabalhava no interior maranhense como diarista. Os livros n\u00e3o tinham espa\u00e7o, nem eram prioridade na rotina da jovem. Hoje, em Bras\u00edlia, a escola \u00e9 s\u00f3 um sonho distante. Atualmente, perto dos 25 anos de idade, ela vive da coleta de objetos no lixo de condom\u00ednios para conseguir algum recurso, pagar o aluguel e mandar ao menos R$ 50 para a m\u00e3e, que ficou em Araioses.<\/p>\n<p>Da escola, Maria de F\u00e1tima diz que sente falta das aulas de matem\u00e1tica. \u201cEu gostava e iria me ajudar na minha vida hoje.\u201d<\/p>\n<p>Deixar a escola em plena juventude n\u00e3o \u00e9 raro no Brasil, conforme aponta uma pesquisa realizada pelo Sesi\/Senai (Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria\/Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial), em parceria com o Instituto FSB Pesquisa. Depois dos 16 anos, apenas 15% est\u00e3o em salas de aula.<\/p>\n<p>\u201dOs dados s\u00e3o fortes. S\u00f3 15% da popula\u00e7\u00e3o atualmente estuda. \u00c9 claro que, na idade escolar, o n\u00famero sobe para 53%\u201d, afirmou o diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Sesi, Rafael Lucchesi.<\/p>\n<p>Das pessoas que n\u00e3o estudam, 57% disseram que abandonaram a sala de aula porque n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es. A necessidade de trabalhar \u00e9 o principal motivo (47%) para interrup\u00e7\u00e3o dos estudos.<\/p>\n<p>\u201cUm n\u00famero muito alto de pessoas deixa de estudar por falta de interesse na escola que, muitas vezes, n\u00e3o tem elementos de atratividade para os jovens e certamente esses n\u00fameros se agravaram durante a pandemia\u201d, afirmou Lucchesi.<\/p>\n<p>O levantamento mostrou que apenas 38% das pessoas com mais de 16 anos de idade que atualmente n\u00e3o estudam alcan\u00e7aram a escolaridade que gostariam.<\/p>\n<p>Para 18% dos jovens de 16 a 24 anos, a raz\u00e3o para deixar de estudar \u00e9 a gravidez ou o nascimento de uma crian\u00e7a. A evas\u00e3o escolar por gravidez ou pela chegada de um filho \u00e9 maior entre mulheres (13%), moradores do Nordeste (14%) e das capitais (14%) \u2013 o dobro da m\u00e9dia nacional, de 7%.<\/p>\n<p><strong>Preparo<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento revela tamb\u00e9m que a maioria dos jovens acima dos 16 anos de idade considera que a maioria dos que t\u00eam ensino m\u00e9dio ou ensino superior considera-se pouco preparada ou despreparada para o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O levantamento foi realizado com uma amostra de 2.007 cidad\u00e3os com idade a partir de 16 anos, nas 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o. As entrevistas foram feitas entre 8 e 12 de dezembro do ano passado.<\/p>\n<p>Entre as pessoas que responderam a pesquisa, 23% disseram que a alfabetiza\u00e7\u00e3o deveria ser prioridade para o governo, seguida pela institui\u00e7\u00e3o de creches (16%) e pela \u00eanfase no ensino m\u00e9dio (15%).<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 vista como boa ou \u00f3tima por 30% da popula\u00e7\u00e3o, \u00edndice que sobe para 50% quando se fala de educa\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n<p>Entre os fatores para aumentar a qualidade, os mais citados s\u00e3o o aumento do sal\u00e1rio dos professores, mais capacita\u00e7\u00e3o deles e melhores condi\u00e7\u00f5es das escolas.<\/p>\n<p><strong>Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Pelo menos 23% das pessoas ouvidas na pesquisa avaliaram a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica como ruim ou p\u00e9ssima e s\u00f3 30% a consideraram \u00f3tima ou boa. A educa\u00e7\u00e3o privada \u00e9 avaliada como boa ou \u00f3tima por 50% dos entrevistados.<\/p>\n<p>Para Rafael, Lucchesi, a pesquisa traz uma dura reflex\u00e3o sobre a necessidade de aumentar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a atratividade da escola e, \u201ccomo resultado geral, melhorar a produtividade das pessoas na sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: N\u00e1dia Franco<\/p>\n<p>Publicado por Luiz Claudio Ferreira \u2013 Ag\u00eancia Brasil em 26\/05\/2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Falta de condi\u00e7\u00f5es e necessidade de trabalho s\u00e3o as principais causas. Quando deixou Araioses, no Maranh\u00e3o, de \u00f4nibus e percorreu mais de 2 mil quil\u00f4metros at\u00e9 Bras\u00edlia, em 2017, Maria de F\u00e1tima Santos, ent\u00e3o com 18 anos de idade, sonhava engatar em uma profiss\u00e3o no com\u00e9rcio e voltar aos estudos. 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