{"id":18197,"date":"2023-02-28T12:54:59","date_gmt":"2023-02-28T15:54:59","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=18197"},"modified":"2023-02-28T12:54:59","modified_gmt":"2023-02-28T15:54:59","slug":"dia-nacional-do-livro-didatico-momento-de-celebracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/dia-nacional-do-livro-didatico-momento-de-celebracao\/","title":{"rendered":"Dia Nacional do Livro Did\u00e1tico, momento de celebra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em 27 de fevereiro \u00e9 a data que celebramos o Dia Nacional do Livro Did\u00e1tico. No Brasil, um instrumento imprescind\u00edvel para o est\u00edmulo \u00e0 aprendizagem, desenvolvimento da leitura e da escrita e, por extens\u00e3o, para a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. T\u00e3o importante que n\u00e3o podemos deixar de abordar aqui sua trajet\u00f3ria e os desafios superados ao longo de v\u00e1rias d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Segundo \u201cA hist\u00f3ria do livro did\u00e1tico brasileiro\u201d, elaborado para a Abrelivros por Circe Fernandes Bittencourt, doutora em Hist\u00f3ria Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo, os primeiros livros did\u00e1ticos come\u00e7aram a ser produzidos no Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Destinavam-se a col\u00e9gios de n\u00edvel secund\u00e1rio, em algumas capitais das prov\u00edncias do ent\u00e3o Imp\u00e9rio, e \u201cem pequenas e esparsas escolas para ler, escrever e contar\u201d. J\u00e1 no in\u00edcio da Rep\u00fablica via-se a nacionaliza\u00e7\u00e3o dessas obras.<\/p>\n<p>Essa jornada do livro did\u00e1tico teve importantes mudan\u00e7as. Alguns desses marcos foram as reformas realizadas nos curr\u00edculos escolares, pelo governo de D. Pedro II. Disciplinas como Hist\u00f3ria do Brasil e Geografia exigiam conte\u00fado diferenciado. Foi a\u00ed que autores locais passaram a ter destaque na produ\u00e7\u00e3o de obras nacionais. As t\u00e9cnicas de impress\u00e3o e as ilustra\u00e7\u00f5es se tornavam mais cuidadosas. Editoras passaram a se especializar em livros que seriam produzidos para o ensino. A atua\u00e7\u00e3o de autores e editores, na pesquisa, curadoria de conte\u00fado e cria\u00e7\u00e3o de textos passa a ser de extrema import\u00e2ncia no desenvolvimento das obras did\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Dando um salto na Hist\u00f3ria, vamos para outro marco, o Programa Nacional do Livro Did\u00e1tico (PNLD), criado em 1985. O Programa ampliou o atendimento \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens e fortaleceu o papel do professor na escolha dos livros. Com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, instituindo o conceito de Educa\u00e7\u00e3o para todos, houve um forte impulsionamento do uso do livro did\u00e1tico. Ele passou a ser um material fundamental na vida do aluno, que o usava na escola e podia levar para casa, e tamb\u00e9m para os professores, que tinham um conte\u00fado elaborado para nortear as atividades em sala de aula.<\/p>\n<p>O conte\u00fado do livro did\u00e1tico no Brasil mostra uma evolu\u00e7\u00e3o not\u00e1vel. Isto \u00e9 acompanhado de uma importante curadoria por parte de autores e de editores, al\u00e9m de tratamento iconogr\u00e1fico muito cuidadoso, para atender rigorosamente \u00e0 fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica das obras.<\/p>\n<p>Cada livro passa por um processo que leva de dois a tr\u00eas anos para ser conclu\u00eddo e chegar \u00e0s m\u00e3os e \u00e0s telas dos alunos. \u00c9 um longo trabalho de an\u00e1lise e desenvolvimento.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a no projeto editorial, em que autores e editores definem metodologia, conte\u00fado, estrutura e organiza\u00e7\u00e3o da obra. O segundo passo \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o dos originais, que depois s\u00e3o lidos e avaliados por especialistas, geralmente professores e acad\u00eamicos. Nesta fase tamb\u00e9m \u00e9 feita a pesquisa e o licenciamento dos textos que ser\u00e3o utilizados na obra.<\/p>\n<p>Esse conte\u00fado \u00e9 conferido pela equipe editorial, que analisa a adequa\u00e7\u00e3o de linguagem para a faixa et\u00e1ria que ir\u00e1 receber o livro. Na sequ\u00eancia, profissionais de artes gr\u00e1ficas e de iconografia definem a linguagem visual, tamb\u00e9m adequada ao p\u00fablico consumidor da obra.<\/p>\n<p>Concomitante a esse processo, existe o de cria\u00e7\u00e3o de recursos tecnol\u00f3gicos. Com os novos editais do PNLD, de 2023 e 2024, teremos mais esse marco na trajet\u00f3ria do livro did\u00e1tico no Brasil: as vers\u00f5es digitais das obras. Novamente autores e editores, com especialistas na \u00e1rea digital, definem linguagem e quais recursos ser\u00e3o empregados (audiovisual, anima\u00e7\u00f5es, videoaulas, podcasts, jogos).<\/p>\n<p>Enquanto isso, a vers\u00e3o impressa est\u00e1 na fase de organiza\u00e7\u00e3o dos originais para finalmente ser impresso. \u00c9 o momento da montagem do livro: textos, imagens, fotos, mapas e gr\u00e1ficos s\u00e3o diagramados para a vers\u00e3o definitiva. Os revisores tamb\u00e9m trabalham nessa parte do processo. O livro vai para a impress\u00e3o, e continua sendo supervisionado por profissionais das editoras. A produ\u00e7\u00e3o do conte\u00fado digital tamb\u00e9m segue para a \u00faltima etapa, em que a acessibilidade \u00e9 inclu\u00edda no material. Esse \u00e9 o outro avan\u00e7o do livro did\u00e1tico. Recursos inclusivos foram incorporados ao material, antes mesmo que fossem exigidos por lei. A primeira mudan\u00e7a foi o uso da Grafia em Braile, como recurso de acessibilidade, mas hoje as obras contam tamb\u00e9m com \u00e1udio.<br \/>\nAutores e editores passam por esse extenso processo junto das escolas. \u00c9 uma cadeia de diferentes profissionais debru\u00e7ados sobre o conte\u00fado que ir\u00e1 apoiar o trabalho do professor em sala de aula e a rotina de estudos do aluno.<\/p>\n<p>O PNLD \u00e9 refer\u00eancia no mundo, em distribui\u00e7\u00e3o de material de ensino de qualidade. Todos os munic\u00edpios brasileiros recebem o livro did\u00e1tico. S\u00e3o cerca de 130 mil escolas, municipais e estaduais, em 5.570 localidades e mais de 30 milh\u00f5es de estudantes atendidos, de norte a sul do pa\u00eds, do Ensino Fundamental ao Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m ao longo dos anos foram realizadas as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para as reformas educacionais. Como, por exemplo, a adotada no Ensino M\u00e9dio, a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).<\/p>\n<p>As obras did\u00e1ticas s\u00e3o recursos valiosos para a forma\u00e7\u00e3o dos alunos. Mas s\u00e3o ainda mais importantes para estudantes de escolas p\u00fablicas. Em diversas regi\u00f5es do Brasil, o \u00fanico recurso material para a sala de aula \u00e9 mesmo o livro.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 uma ferramenta inestim\u00e1vel, mas n\u00e3o funciona sozinho. Neste contexto da efetividade da obra did\u00e1tica \u00e9 imprescind\u00edvel, naturalmente, a participa\u00e7\u00e3o do professor.<\/p>\n<p>Por essa extensa e vitoriosa trajet\u00f3ria tenho absoluta convic\u00e7\u00e3o de que esta evolu\u00e7\u00e3o das obras did\u00e1ticas no Brasil continuar\u00e1 sendo motivo de comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00c2ngelo Xavier<\/strong><br \/>\nPresidente da Abrelivros<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 27 de fevereiro \u00e9 a data que celebramos o Dia Nacional do Livro Did\u00e1tico. No Brasil, um instrumento imprescind\u00edvel para o est\u00edmulo \u00e0 aprendizagem, desenvolvimento da leitura e da escrita e, por extens\u00e3o, para a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. 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