{"id":17901,"date":"2022-11-30T13:51:00","date_gmt":"2022-11-30T16:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=17901"},"modified":"2022-11-30T13:51:00","modified_gmt":"2022-11-30T16:51:00","slug":"vou-trabalhar-para-termos-mais-dados-sobre-nosso-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/vou-trabalhar-para-termos-mais-dados-sobre-nosso-mercado\/","title":{"rendered":"&#8220;Vou trabalhar para termos mais dados sobre nosso mercado&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Eleita para presidir a International Publishers Association (IPA) pelos pr\u00f3ximos dois anos, a editora brasileira Karine Pansa assume o cargo em janeiro. Ex-presidente da C\u00e2mara Brasileira do Livro (CBL), ela hoje integra a diretoria desta entidade que, ao lado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), representa o Brasil na associa\u00e7\u00e3o internacional. \u00c9 a primeira vez que o Brasil ocupa a presid\u00eancia da IPA, que tem 125 anos de atua\u00e7\u00e3o, e Karine Pansa \u00e9 a segunda mulher latino-americana a ocupar o cargo.<\/p>\n<p>Em entrevista ao <strong>Abrelivros em Pauta<\/strong> ela destacou os pilares da atua\u00e7\u00e3o da IPA: liberdade de express\u00e3o e direito autoral, norteadores da entidade. Sobre sua gest\u00e3o, Karine quer fortalecer o levantamento de dados do setor livreiro. Ela tamb\u00e9m abordou quest\u00f5es como a imunidade tribut\u00e1ria do livro<\/p>\n<p><strong>Quais devem ser as prioridades da sua gest\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><em>Antes eu gostaria de deixar claro qual \u00e9 o papel da IPA, que n\u00e3o tem editores entre seus associados, mas entidades que representam editores. Os representantes do Brasil, por exemplo, s\u00e3o a CBL e o SNEL.<\/em><\/p>\n<p><em>A IPA tem dois pilares muito bem definidos, com os quais ela trabalha: liberdade de express\u00e3o e defesa de copyright. Sobre liberdade de express\u00e3o, entendemos que todos os editores precisam ter liberdade de edi\u00e7\u00e3o, sem sofrer censura. Na Tail\u00e2ndia, por exemplo, \u00e9 um crime civil falar contra o governo. O autor pode ser preso, punido por isso. A IPA trabalha para garantir o direito de manifesta\u00e7\u00e3o do autor e de quem edita. Isso \u00e9 o que forma todo o conhecimento de uma sociedade.<\/em><\/p>\n<p><em>Sobre copyright defendemos que o autor \u00e9 a base do conte\u00fado editorial e ele precisa ser remunerado por isso.<\/em><\/p>\n<p><strong>Diante do volume e da facilidade de difundir conte\u00fado e conhecimento via internet, qual \u00e9 o maior desafio na quest\u00e3o do copyright?<\/strong><\/p>\n<p><em>As leis de direito autoral n\u00e3o s\u00e3o leis modernas. Elas ainda s\u00e3o muito baseadas no mundo f\u00edsico, no mundo offline. Fazer a moderniza\u00e7\u00e3o dessas leis, de modo que elas sejam adequadas aos autores, \u00e0s editoras, \u00e9 um grande desafio.<\/em><\/p>\n<p><em>A internet tem fama de ser terra de ningu\u00e9m, onde se consegue compartilhar todo tipo de conte\u00fado, sem pagar por ele. Esse \u00e9 o nosso grande desafio, onde a lei de direito autoral n\u00e3o \u00e9 moderna. H\u00e1 quest\u00f5es que est\u00e3o tornando esse quadro ainda mais complexo, como a intelig\u00eancia artificial. O conhecimento adquirido pela internet foi pensado, produzido por um autor, que precisa ser remunerado por esse trabalho.<\/em><\/p>\n<p><strong>Em que n\u00edvel o Brasil est\u00e1 nessa quest\u00e3o do direito autoral?<\/strong><\/p>\n<p><em>O Brasil n\u00e3o est\u00e1 discutindo isso, o assunto est\u00e1 parado, mas o Marco Legal da Internet de alguma forma norteia as quest\u00f5es relacionadas ao direito autoral.<\/em><\/p>\n<p><em>No Brasil, mas n\u00e3o somente aqui, h\u00e1 um desafio que \u00e9 o aumento dos pedidos de exce\u00e7\u00e3o. Existem solicita\u00e7\u00f5es para uso de conte\u00fado para uso educacional. Isso pode ser muito perigoso se continuar trilhando o caminho que vem sendo tra\u00e7ado. Por exemplo, pedidos para uso de conte\u00fado com finalidade educativa, com uso indiscriminado de um trabalho. A consequ\u00eancia disso \u00e9 um pesquisador, um estudioso que sabe que n\u00e3o ser\u00e1 remunerado pelo que est\u00e1 produzindo por que ele vai continuar produzindo? Isso desencoraja a produ\u00e7\u00e3o intelectual.<\/em><\/p>\n<p><em>Um exemplo claro disso \u00e9 o Canad\u00e1. O pa\u00eds tem uma legisla\u00e7\u00e3o, aprovada h\u00e1 mais de dez anos, que desmantelou a ind\u00fastria editorial e a produ\u00e7\u00e3o de livros educativos. Quem produzia l\u00e1, deixou o pa\u00eds. Esse \u00e9 um exemplo que nos faz repensar os modelos de permiss\u00f5es e exce\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><em>Existe um pleito para que pequenos trechos utilizados n\u00e3o exijam remunera\u00e7\u00e3o. Esse pequeno trecho, no entanto, n\u00e3o tem uma delimita\u00e7\u00e3o sobre quanto seria. O Brasil \u00e9 um grande influenciador na Am\u00e9rica Latina. Muito do que \u00e9 feito aqui vira modelo para outros pa\u00edses.<\/em><\/p>\n<p><em>Imagine n\u00e3o ter uma ind\u00fastria que produza conte\u00fado com base na realidade local e ter que comprar de fora? Voc\u00ea descaracteriza a cultura de quem consome, porque ter\u00e1 que comprar de outros pa\u00edses, que t\u00eam outras influ\u00eancias, outras realidades.<\/em><\/p>\n<p><em>Qual a import\u00e2ncia da imunidade tribut\u00e1ria para o livro e do fortalecimento de pol\u00edticas p\u00fablicas que ampliem o acesso \u00e0 leitura?<\/em><\/p>\n<p><em>Quando ficou institu\u00edda a n\u00e3o tributa\u00e7\u00e3o do papel para impress\u00e3o dos livros fica muito claro, para mim, que a ideia \u00e9 n\u00e3o dificultar ou inviabilizar o acesso ao livro. Por isso, n\u00e3o haver\u00e1 tributa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0s livrarias f\u00edsicas, como a IPA pode colaborar para estimular esse com\u00e9rcio?<\/strong><\/p>\n<p><em>Quando voc\u00ea coloca a obra em contato com a popula\u00e7\u00e3o, e a livraria f\u00edsica faz isso muito bem, h\u00e1 muito mais possibilidade de vendas do livro, ao mesmo tempo em que se amplia a oferta. A pessoa pode ver de perto e tocar o livro. A capilaridade \u00e9 muito grande, sem falar que ter uma livraria no bairro, que atende a um determinado p\u00fablico, \u00e9 garantir que uma determinada cultura ou h\u00e1bito seja mantido. No Nordeste, por exemplo, h\u00e1 lugares que vendem s\u00f3 cordel. A livraria de rua tamb\u00e9m \u00e9 uma garantidora da manuten\u00e7\u00e3o da identidade local. Se n\u00f3s falarmos de grandes centros, podemos citar livrarias para nichos muito espec\u00edfico, como um estabelecimento que trabalhe somente com t\u00edtulos de autoras, uma livraria voltada para as mulheres.<\/em><\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 perto de assumir a presid\u00eancia da IPA. Tem algum recado para os associados?<\/strong><\/p>\n<p><em>Um dos trabalhos que eu vou desenvolver na IPA ser\u00e1 relacionado a informa\u00e7\u00e3o e a estat\u00edsticas desse mercado. Quero trazer essa reflex\u00e3o sobre obter n\u00fameros para termos melhor tomada de decis\u00f5es, ajudando o setor e tamb\u00e9m o poder p\u00fablico. Atualmente, a gente ainda n\u00e3o consegue falar qual o tamanho da ind\u00fastria editorial no mundo. Precisamos investir em metadados.<\/em><\/p>\n<p><em>Aqui no Brasil eu parabenizo a CBL e o SNEL por investirem tempo e recursos para a obten\u00e7\u00e3o de dados do nosso segmento. Em termos mundiais, ainda h\u00e1 lugares que n\u00e3o tem dados sobre o mercado interno.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eleita para presidir a International Publishers Association (IPA) pelos pr\u00f3ximos dois anos, a editora brasileira Karine Pansa assume o cargo em janeiro. 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