{"id":1666,"date":"2007-01-15T11:02:00","date_gmt":"2007-01-15T13:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2007\/01\/15\/revolucao-na-sala-de-aula\/"},"modified":"2007-01-15T11:02:00","modified_gmt":"2007-01-15T13:02:00","slug":"revolucao-na-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/revolucao-na-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o na sala de aula"},"content":{"rendered":"<p>O governo federal vai decidir at\u00e9 abril se ir\u00e1 comprar 1 milh\u00e3o de computadores port\u00e1teis educacionais da empresa taiwanesa Quantas, uma das maiores produtoras mundiais de notebooks, ao custo total de cerca de R$ 325 milh\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o laptops convencionais, mas os modelos idealizados pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental One Laptop Per Child (OLPC \u2013 Um laptop por crian\u00e7a), criada pelo pesquisador Nicholas Negroponte, co-fundador do Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). A entidade concebeu essas m\u00e1quinas como uma revolucion\u00e1ria ferramenta de aprendizagem talhada para iniciar no mundo digital as crian\u00e7as de escolas p\u00fablicas de pa\u00edses pobres. Numa estrat\u00e9gia de marketing para atrair parceiros \u2013 empresas como AMD, Brighstar, Google, Marvell, News Corp. e Nortel investiram, cada uma, US$ 2 milh\u00f5es no programa \u2013 Negroponte batizou os prot\u00f3tipos de laptops de US$ 100. \u00c9 certo que o custo ainda \u00e9 mais alto do que o esperado \u2013 est\u00e1 em torno de US$ 150 cada computador \u2013, mas Negroponte acredita que o patamar poder\u00e1 ser alcan\u00e7ado em 2008. A entidade encomendou uma primeira leva de 5 milh\u00f5es de laptops \u00e0 Quantas, para ser entregue neste ano. O quinh\u00e3o destinado ao Brasil, conforme conversas com o governo federal, seria de 1 milh\u00e3o de m\u00e1quinas. Os outros 4 milh\u00f5es destinam-se a outros pa\u00edses simp\u00e1ticos ao programa, como a Argentina, a L\u00edbia, a Nig\u00e9ria e a Tail\u00e2ndia.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No dia 24 de novembro, Negroponte esteve no Brasil e entregou pessoalmente ao presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva um prot\u00f3tipo do laptop. \u201cN\u00e3o assinamos nenhum contrato, mas, no meu ponto de vista, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma possibilidade de o Brasil ficar fora desta iniciativa\u201d, afirmou Negroponte ao portal de not\u00edcias G1. \u201cPelos nossos planos, o pa\u00eds deve receber cerca de 1 milh\u00e3o de m\u00e1quinas em 12 meses, a partir da chegada dos primeiros laptops.\u201d Nos pr\u00f3ximos meses, t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o v\u00e3o se dedicar \u00e0 tarefa de testar os computadores em escolas p\u00fablicas selecionadas para avaliar as possibilidades de uso pedag\u00f3gico da tecnologia. Em breve, cerca de 1,8 mil laptops devem chegar ao Brasil. \u201cEles ser\u00e3o distribu\u00eddos para escolas de v\u00e1rias cidades, que expressem a variedade da realidade educacional do pa\u00eds\u201d, diz Cezar Alvarez, assessor especial da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica respons\u00e1vel pelo projeto. Numa situa\u00e7\u00e3o ideal, cada estudante ganhar\u00e1 seu laptop, que estar\u00e1 conectado a uma rede de banda larga de baixo custo, podendo us\u00e1-lo em casa ou na escola como uma esp\u00e9cie de caderno digital capaz de auxiliar no aprendizado. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para se ter uma id\u00e9ia do impacto dessa estrat\u00e9gia, hoje apenas 4% dos brasileiros da classe D e 10% da classe C t\u00eam acesso \u00e0 internet, diante de 70% na classe A e 35% na classe B, de acordo com dados da Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel). As possibilidades no campo da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o imensas. \u201cV\u00e3o desde o acesso aos conte\u00fados de bibliotecas digitais do mundo inteiro at\u00e9 a possibilidade de fazer atividades em grupo por meio do computador. E isso sem falar na chance de levar o computador para casa e incluir as fam\u00edlias no processo\u201d, disse Negroponte. \u00c9 previs\u00edvel o surgimento de softwares pedag\u00f3gicos talhados para esta nova plataforma. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Paradigmas<\/B> &#8211; Na pr\u00e1tica, h\u00e1 uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que precisam ser testadas. \u201cN\u00e3o sabemos ainda, por exemplo, se os laptops poder\u00e3o mesmo ser levados para casa aqui no Brasil. \u00c9 preciso resolver quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas e avaliar se \u00e9 seguro o estudante andar com essa m\u00e1quina na rua\u201d, diz Cezar Alvarez. \u201cO computador rompe v\u00e1rios paradigmas e \u00e9 essencial que n\u00e3o seja visto como um corpo estranho na sala de aula. Mas n\u00e3o \u00e9 inten\u00e7\u00e3o do governo federal determinar como os computadores ser\u00e3o usados. Estados e munic\u00edpios ter\u00e3o autonomia para apresentar seus projetos.\u201d\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A decis\u00e3o do governo n\u00e3o depender\u00e1 apenas das avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e pedag\u00f3gicas. O Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio est\u00e1 sondando empresas brasileiras do setor de inform\u00e1tica sobre a possibilidade de produzir os computadores no Brasil. \u201cO projeto \u00e9 pedag\u00f3gico, e n\u00e3o de pol\u00edtica industrial. Mas, se tivermos compet\u00eancia e escala para fabricar os laptops no Brasil a pre\u00e7os competitivos, n\u00e3o haveria raz\u00e3o para encomend\u00e1-los no exterior\u201d, diz Alvarez. Com isso, o governo dever\u00e1 escolher uma entre tr\u00eas op\u00e7\u00f5es: a compra dos computadores da Quantas, a abertura de uma licita\u00e7\u00e3o internacional ou a encomenda a fabricantes nacionais. A gigante dos semicondutores Intel anunciou no m\u00eas passado que duas empresas brasileiras \u2013 a Positivo Inform\u00e1tica e a CCE \u2013 ir\u00e3o fabricar o Classmate PC, laptop criado para concorrer com o de Negroponte. Ao se associar a fabricantes nacionais, a Intel torna o programa de Negroponte mais vulner\u00e1vel \u00e0 cr\u00edtica de que ele seria prejudicial \u00e0 ind\u00fastria local. O problema \u00e9 que o computador da Intel \u00e9 bem mais caro. Custa cerca de US$ 400.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para definir qual o modelo de notebook \u00e9 tecnicamente mais adequado, o governo est\u00e1 testando tr\u00eas modelos diferentes: o laptop de US$ 150 de Negroponte, o Classmate PC, da Intel, e tamb\u00e9m o computador port\u00e1til Mobilis, do grupo indiano Encore Software. Para fazer a avalia\u00e7\u00e3o, foi criado, em julho de 2005, um grupo formado por profissionais de tr\u00eas centros nacionais de pesquisa: o Laborat\u00f3rio de Sistemas Integr\u00e1veis da Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA), ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia (MCT), e a Funda\u00e7\u00e3o Centro de Refer\u00eancia em Tecnologias Inovadoras (Certi), um \u00f3rg\u00e3o independente e sem fins lucrativos de pesquisa e desenvolvimento tecnol\u00f3gico de Santa Catarina.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cAs tr\u00eas equipes est\u00e3o encarregadas de fazer a avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e econ\u00f4mica dos equipamentos, bem como uma an\u00e1lise dos aspectos de aplicabilidade pedag\u00f3gica de cada um deles\u201d, explica a engenheira eletr\u00f4nica Roseli de Deus Lopes, do Laborat\u00f3rio de Sistemas Integr\u00e1veis (LSI) da USP. Nos pr\u00f3ximos tr\u00eas meses, os equipamentos, que j\u00e1 passaram por avalia\u00e7\u00f5es preliminares, ser\u00e3o submetidos a uma s\u00e9rie de testes de engenharia de produto. Para Roseli Lopes, algumas caracter\u00edsticas tecnol\u00f3gicas s\u00e3o essenciais para que um ou outro modelo venha a ser adotado pelo governo. A mais importante delas talvez seja o baixo consumo energ\u00e9tico. Nicholas Negroponte costuma dizer que, mais dif\u00edcil do que chegar ao custo de US$ 100, \u00e9 alcan\u00e7ar o patamar de consumo de 2 watts. Para atingir esse objetivo, al\u00e9m do aperfei\u00e7oamento do display (um dos componentes do computador que mais gasta energia), o modelo deve dispor de um sistema operacional adaptado para gastar menos eletricidade. Ao mesmo tempo, a vida \u00fatil das baterias deve ser ampliada, evitando problemas ambientais com o descarte delas, j\u00e1 que o programa governamental prev\u00ea a aquisi\u00e7\u00e3o de milhares (ou milh\u00f5es) de laptops. \u201cO baixo consumo energ\u00e9tico tamb\u00e9m \u00e9 importante para permitir a inclus\u00e3o digital de pessoas de baixa renda que nem sempre t\u00eam acesso \u00e0 rede el\u00e9trica\u201d, destaca a pesquisadora do LSI.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Outro aspecto relevante do port\u00e1til est\u00e1 relacionado \u00e0 conectividade. \u00c9 importante que os laptops sejam dotados de sistema de conex\u00e3o sem fio e possam se comunicar entre si, por meio de uma tecnologia conhecida como rede mesh. Nela, cada m\u00e1quina ligada \u00e0 conex\u00e3o torna-se tamb\u00e9m uma transmissora, cujo sinal \u00e9 recebido pela m\u00e1quina mais pr\u00f3xima, e assim por diante, criando uma malha de computadores sem fio. Pressupondo que os alunos levem o laptop para casa (o que ainda n\u00e3o foi definido pelo governo), em comunidades isoladas, onde s\u00f3 exista uma antena, os pr\u00f3prios notebooks formariam uma rede de comunica\u00e7\u00e3o sem fio independentemente da dist\u00e2ncia do computador para a antena ou o servidor central. Para isso, os aparelhos precisariam permanecer continuamente ligados no modo stand-by, o que refor\u00e7a a necessidade de o laptop ter um baixo consumo de energia. \u201cNaturalmente, o ideal \u00e9 que existam mais pontos para dar sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 rede. Mas, caso seja imposs\u00edvel, o mais importante \u00e9 ter algum tipo de conex\u00e3o, embora lenta, do que nenhuma\u201d, afirma Roseli Lopes. \u201cEm alguns dos prot\u00f3tipos existentes hoje n\u00e3o vemos essa preocupa\u00e7\u00e3o de redu\u00e7\u00e3o de consumo, embora seja perfeitamente poss\u00edvel de ser incorporada.\u201d\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Resistente e robusto <\/B>&#8211; Para a pesquisadora, o laptop popular tamb\u00e9m dever\u00e1 ser um equipamento robusto e dur\u00e1vel. \u201cImaginando que ele ser\u00e1 manuseado por crian\u00e7as, \u00e9 razo\u00e1vel supor que o dispositivo deva ser resistente a quedas, por exemplo. Esta quest\u00e3o ainda est\u00e1 sendo desenvolvida e n\u00e3o est\u00e1 presente nas solu\u00e7\u00f5es que temos hoje em m\u00e3os. Talvez eles precisem ter um revestimento emborrachado ou com outro material para proteg\u00ea-los contra choques\u201d, afirma. Esse \u00e9 um dos motivos que faz o aparelho ter uma tela reduzida, em torno de 7 polegadas, e n\u00e3o ser equipado com disco r\u00edgido, que \u00e9 o componente mais fr\u00e1gil do sistema. No lugar dele, os modelos em avalia\u00e7\u00e3o disp\u00f5em de mem\u00f3ria flash, um dispositivo semelhante, em forma de cart\u00e3o r\u00edgido, ao que est\u00e1 nos pen-drives e nas m\u00e1quinas fotogr\u00e1ficas digitais. Ela \u00e9 embutida no pr\u00f3prio computador, tornando-o bem mais resistente. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O fato de n\u00e3o ter uma capacidade de armazenamento t\u00e3o grande n\u00e3o \u00e9 problema, j\u00e1 que as informa\u00e7\u00f5es de cada computador dever\u00e3o ficar guardadas no servidor da escola, da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o ou do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Mas, para compensar essa limita\u00e7\u00e3o, \u00e9 essencial a conex\u00e3o de banda larga. \u201cSem banda larga o projeto n\u00e3o se sustentaria\u201d, diz Cezar Alvarez, assessor da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Quanto \u00e0 tela, o ideal \u00e9 que permita ao aluno operar o notebook n\u00e3o apenas na sala de aula, mas tamb\u00e9m em ambientes externos, sob a luz do sol, durante os trabalhos de campo. Para os pesquisadores que avaliam os laptops populares, esse tamb\u00e9m \u00e9 um aspecto fundamental num equipamento destinado a atividades educacionais.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os modelos atualmente em teste possuem algumas caracter\u00edsticas em comum. Os tr\u00eas s\u00e3o leves, compactos e equipados com o sistema operacional Linux \u2013 embora uma vers\u00e3o do Classmate PC tamb\u00e9m seja produzido com o Windows XP. Medem cerca de 23 x 20 x 3 cent\u00edmetros (cm), tamanho de um caderno escolar mais grosso. Essas caracter\u00edsticas permitem que sejam facilmente transportados e caibam na mesa do aluno, deixando espa\u00e7o para livros e material escolar. O aparelho da One Laptop Per Child, batizado de XO, \u00e9 o \u00fanico que vem com c\u00e2mera colorida para fotos e filmes. Ele utiliza processador AMD Geode de 366 MHz e tem tela de 7,5 polegadas de 1.200 x 900 pixels, tr\u00eas portas USB para conex\u00e3o de outros equipamentos, mem\u00f3ria de 128 MB e capacidade de armazenamento de 512 MB Flash, que pode ser expandida.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O notebook da Intel ser\u00e1 produzido no pa\u00eds pelas empresas Positivo Inform\u00e1tica, de Curitiba (PR), e CCE, de Manaus (AM). Com pre\u00e7o estimado em US$ 400, ele ter\u00e1 processador de 900 MHz, tela colorida LCD de 7 polegadas, 256 MB de mem\u00f3ria, 1 GB de mem\u00f3ria flash e duas portas USB. O teclado, \u00e0 prova d\u2019\u00e1gua, tem teclas pequenas e \u00e9 compacto, com 6,5 cm de largura por 18 cm de comprimento, mas isso talvez n\u00e3o se torne um problema porque, afinal, ser\u00e1 usado por crian\u00e7as. Um diferencial do equipamento \u00e9 um sistema antifurto, que impede seu funcionamento depois de um n\u00famero predeterminado de dias longe da escola. \u201cVamos ver como funciona esse dispositivo, mas \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o que precisamos levar em conta\u201d, afirma Roseli Lopes. Outra caracter\u00edstica do Classmate PC, antes conhecido como Edu-Wise, \u00e9 uma aplica\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o de aula que permite ao professor acompanhar em sala o que os alunos est\u00e3o fazendo com suas m\u00e1quinas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O computador m\u00f3vel indiano Mobilis tem uma caracter\u00edstica que o distingue dos concorrentes: \u00e9 um tablet PC, um computador port\u00e1til com tela sens\u00edvel ao toque, que pode ser explorada com os dedos ou com uma \u201ccaneta\u201d acoplada. Com isso, o notebook dispensa o uso do teclado, assim como ocorre com os computadores de m\u00e3o, os palmtops. Um dos aspectos positivos do equipamento \u00e9 exatamente sua tela, de 7 polegadas e resolu\u00e7\u00e3o de 800 x 480 pixels. Segundo a fabricante Encore, o Mobilis possui uma bateria de longa dura\u00e7\u00e3o, de cerca de seis horas, e de r\u00e1pido carregamento.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Dos tr\u00eas modelos, o port\u00e1til da Encore \u00e9 o mais leve, com 900 gramas, contra 1,3 quilo do Classemate PC e 1,5 quilo do XO. Ele foi projetado com duas portas USB, processador Xscale de 400 MHz, mem\u00f3ria de 128 MB e capacidade de armazenamento flash de 128 MB, expans\u00edvel at\u00e9 2 GB. O aparelho deve chegar ao mercado por um valor pr\u00f3ximo a US$ 230. A Encore \u00e9 a \u00fanica das tr\u00eas fabricantes que ainda n\u00e3o sinalizou quantos laptops ser\u00e3o disponibilizados ao governo para a realiza\u00e7\u00e3o de testes em 2007. A Intel j\u00e1 acertou o envio de 800 Classmate PC para escolas p\u00fablicas no primeiro trimestre deste ano e a OLCP vai doar mil unidades de seu port\u00e1til.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/>  Al\u00e9m dos tr\u00eas concorrentes \u201coficiais\u201d, corre por fora um produto desenvolvido no Brasil pelo Laborat\u00f3rio de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o Aplicada (LTIA) do Departamento de Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. O projeto, iniciado em novembro de 2005, consumiu cerca de R$ 80 mil e contou com o envolvimento das empresas de tecnologia Tecnequip (como fornecedora das placas-m\u00e3e e de assist\u00eancia t\u00e9cnica) e a MSTech (assessoria t\u00e9cnica e doa\u00e7\u00e3o de bolsas para alunos do laborat\u00f3rio), instaladas, respectivamente, em S\u00e3o Paulo e Bauru. A Microsoft entrou com o treinamento no sistema operacional Windows CE, escolhido para equipar o computador. Segundo o pesquisador Eduardo Morgado, coordenador do LTIA, a escolha desse sistema deu-se \u201cporque ele oferece a melhor rela\u00e7\u00e3o entre custo de desenvolvimento e experi\u00eancia do usu\u00e1rio\u201d. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Batizado de Cowboy<\/B> \u2013 \u201c\u00e9 um nome simp\u00e1tico e uma vers\u00e3o livre de \u2018caipira\u2019, que foi o primeiro nome do projeto\u201d, diz Morgado \u2013, o aparelho \u00e9 um meio-termo entre um notebook ou computador pessoal e um PDA (Personal Digital Assistant ou computador de bolso). Segundo Daniel Igarashi, mestrando do LTIA e um dos coordenadores do projeto, ele foi criado com base no conceito de \u201ccomputa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel\u201d, que permite uma navega\u00e7\u00e3o mais simples, organizada e intuitiva. O Cowboy tem um painel LCD que desliza sobre o teclado para que seja usado como um livro eletr\u00f4nico e possui entre seus aplicativos MP3 Player, leitor de e-book e acesso a terminal remoto. O prot\u00f3tipo foi configurado com microprocessador com tecnologia RISC de 400 MHz, 128 MB de mem\u00f3ria RAM, display colorido de alta resolu\u00e7\u00e3o de 7 ou 10 polegadas, 1 GB de capacidade interna e conectividade wireless e por cabo. O custo de produ\u00e7\u00e3o da vers\u00e3o mais simples \u00e9 de US$ 250 a unidade, mas esse pre\u00e7o poder\u00e1 ser reduzido caso o modelo vingue no mercado e o fabricante obtenha ganhos de escala.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Embora n\u00e3o negue o interesse em participar da \u201cconcorr\u00eancia\u201d, Morgado acha dif\u00edcil conseguir cumprir os prazos estipulados pelo governo, que pretende adquirir as primeiras unidades ainda este ano (2007). \u201cTemos um prot\u00f3tipo, mas ainda falta arranjar um parceiro na iniciativa privada que conclua conosco o projeto industrial do Cowboy\u201d, afirma Morgado. A pesquisadora Roseli Lopes, do Laborat\u00f3rio de Sistemas Integr\u00e1veis, v\u00ea com bons olhos o surgimento de novos projetos de baixo custo, como o prot\u00f3tipo da Unesp. \u201cPrecisamos ter alternativas diferentes\u201d, diz ela. \u201cN\u00e3o se trata de escolher apenas um laptop. Temos que dar liberdade para que as escolas escolham as solu\u00e7\u00f5es mais adequadas aos seus projetos pedag\u00f3gicos.\u201d\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo federal vai decidir at\u00e9 abril se ir\u00e1 comprar 1 milh\u00e3o de computadores port\u00e1teis educacionais da empresa taiwanesa Quantas, uma das maiores produtoras mundiais de notebooks, ao custo total de cerca de R$ 325 milh\u00f5es. 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