{"id":1623,"date":"2006-08-30T15:16:00","date_gmt":"2006-08-30T18:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/08\/30\/todas-as-leituras\/"},"modified":"2006-08-30T15:16:00","modified_gmt":"2006-08-30T18:16:00","slug":"todas-as-leituras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/todas-as-leituras\/","title":{"rendered":"Todas as leituras"},"content":{"rendered":"<p>Todos os dias, Lucila Braga Ribeiro prepara uma grande mala. Pensando em seus companheiros de \u201cviagem\u201c, escolhe os melhores \u201cpassaportes\u201c: livros de a\u00e7\u00e3o, de terror, romances, contos de fadas, revistas, jornais, fasc\u00edculos, dicion\u00e1rios&#8230; Mal chega \u00e0 biblioteca da EE Professor Batista Santiago, em Belo Horizonte, ela \u00e9 logo cercada pelas crian\u00e7as, euf\u00f3ricas para conhecer os novos \u201cdestinos\u201c. Todos se oferecem para ajudar a carregar a preciosa carga, j\u00e1 desgastada ap\u00f3s tantas aventuras. \u201cQuando olhamos o material, \u00e9 aquele alvoro\u00e7o\u201c, festeja a bibliotec\u00e1ria. Muitas vezes, o percurso come\u00e7a com uma leitura em voz alta. Em seguida, quem quiser pode pegar outros livros de literatura e dar seq\u00fc\u00eancia ao \u201cpasseio\u201c em grupo ou sozinho. Mas h\u00e1 outras paradas previstas. Lucila tamb\u00e9m estuda com os \u201cviajantes\u201c e, nessa situa\u00e7\u00e3o, todos navegam em sil\u00eancio e fazem anota\u00e7\u00f5es e esquemas para compreender trechos de enciclop\u00e9dias e fasc\u00edculos.<br \/> \u00a0<br \/> Com sua mala, Lucila proporciona \u00e0 turma exatamente o que os especialistas recomendam: trabalhar n\u00e3o apenas \u201cleitura\u201c, mas todas as leituras que se apresentam no nosso dia-a-dia. Que leituras? Textos para buscar informa\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas, satisfazer curiosidades, informar-se sobre o que acontece no mundo, divertir-se, aprender, relacionar-se com as pessoas, fazer amigos. Com um detalhe muito importante: ela utiliza estrat\u00e9gias e comportamentos diferentes para cada uma dessas atividades. Afinal, ningu\u00e9m l\u00ea uma not\u00edcia de jornal da mesma maneira que mergulha num romance.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Ler, todo mundo sabe, est\u00e1 longe de ser uma tarefa f\u00e1cil. D\u00e1 muito mais trabalho do que ver televis\u00e3o, ouvir m\u00fasica ou pensar na vida. Qualquer leitura exige o dom\u00ednio da l\u00edngua e suas nuances, al\u00e9m de tempo e concentra\u00e7\u00e3o, determina\u00e7\u00e3o e conhecimento sobre o tema (ou vontade para aprender e descobrir). Mas ler \u00e9 o \u00fanico jeito de se comunicar de igual para igual com o restante da humanidade, seja no tempo por meio de textos escritos por gente que j\u00e1 morreu, como Jean Piaget ou William Shakespeare , seja no espa\u00e7o ao ver, em jornais, livros e revistas, o que japoneses ou alem\u00e3es acham de eventos que est\u00e3o ocorrendo neste exato momento. \u00c9 nos escritos que desvendamos outras culturas, que h\u00e1bitos e hist\u00f3rias diferentes se revelam para n\u00f3s, que compreendemos, de fato, o sentido da express\u00e3o diversidade (de id\u00e9ias, viv\u00eancias, sonhos, experi\u00eancias).<br \/> \u00a0<br \/> \u00c9 por isso que ler \u00e9 talvez a coisa mais importante que a escola tem a ensinar e n\u00e3o s\u00f3 aos alunos. Infelizmente, por\u00e9m, muitos professores brasileiros n\u00e3o sabem como \u201cembarcar\u201c nessa expedi\u00e7\u00e3o (leia o quadro ao lado). \u201cA maior parte das escolas s\u00f3 trabalha com textos did\u00e1ticos e liter\u00e1rios e muitas vezes de maneira burocr\u00e1tica, sem sentido para os alunos\u201c, afirma a pedagoga argentina Delia Lerner, uma das maiores autoridades no tema.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mas nem todos s\u00e3o assim. Ao contr\u00e1rio, ensinam corretamente. Nesta reportagem, voc\u00ea vai conhecer experi\u00eancias reais de professores que desenvolveram (e utilizam) estrat\u00e9gias e procedimentos de leitura eficientes para ensinar a seus alunos tr\u00eas comportamentos distintos: ler por prazer, para estudar e para se informar.<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Ler por prazer\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> Existe coisa mais divertida do que ler para crian\u00e7as? Magia, fantasia e imagina\u00e7\u00e3o s\u00e3o apenas alguns dos elementos presentes nesses momentos, muitas vezes inesquec\u00edveis. Por que, ent\u00e3o, as escolas formam t\u00e3o poucos leitores e o gosto pelos livros ainda \u00e9 (quase) uma raridade em nosso pa\u00eds? Todos os estudos apontam que o vil\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e9 sempre o mesmo: misturar a literatura com atividades did\u00e1ticas. \u201cCom raz\u00e3o, os estudantes n\u00e3o gostam quando precisam fazer resumos ou preencher fichas ap\u00f3s a leitura de um romance ou um conto\u201c, diz o professor William Cereja, autor de uma pesquisa sobre o tema. Afinal, se o neg\u00f3cio \u00e9 ler por prazer, n\u00e3o h\u00e1 sentido em exigir tarefas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma rela\u00e7\u00e3o com isso. O correto \u00e9 apenas trocar id\u00e9ias e privilegiar a constru\u00e7\u00e3o de sentido dos textos, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es com a realidade dos alunos e com diversas artes. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em outras palavras, nas aulas de Literatura s\u00f3 deveria haver espa\u00e7o para textos liter\u00e1rios. Pode parecer \u00f3bvio, mas n\u00e3o \u00e9 o que se v\u00ea por a\u00ed. Muitos professores organizam o curr\u00edculo com base na ordem cronol\u00f3gica e hist\u00f3rica dos movimentos liter\u00e1rios. \u201cDiscutem os problemas e conflitos sociais presentes em determinadas obras. Debatem a biografia dos autores, mas l\u00eaem muito pouco\u201c, afirma Maria Jos\u00e9 N\u00f3brega, consultora e professora da Universidade de S\u00e3o Paulo.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Com os pequenos, fantasia\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> Eduardo de Campos, regente de turmas de 2\u00aa s\u00e9rie da EE Paulo Tapaj\u00f3s, em Mogi das Cruzes, na Grande S\u00e3o Paulo, investe em brincadeiras com leitura em voz alta. Quando entrou na sala com A Bruxinha Que Era Boa, de Maria Clara Machado, levou uma vaia. \u201cO qu\u00ea? Olha o tamanho desse livro, professor&#8230;\u201c Mas ele sabia o que estava fazendo. A id\u00e9ia \u00e9 justamente mostrar que um livro grosso n\u00e3o \u00e9 necessariamente chato e que todos s\u00e3o capazes de ler e, principalmente, de gostar. \u201cQue desafio\u201c, lembra. \u201cJ\u00e1 imaginou se n\u00e3o consigo? Nunca mais essa garotada chegaria perto de uma obra grande.\u201c\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para dar conta do recado, foi preciso muito planejamento (como na maioria das situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas). Eduardo leu o texto v\u00e1rias vezes em casa, elegendo os trechos em que faria paradas para promover suas interven\u00e7\u00f5es. Para cada etapa, programou diferentes situa\u00e7\u00f5es: leitura em voz alta pelos alunos e pelo professor e leitura individual silenciosa. Antes de iniciar a atividade, ele cumpriu o passo mais importante: levantar as refer\u00eancias que os alunos j\u00e1 tinham sobre o assunto (no caso, bruxas). Nos dias seguintes, novas situa\u00e7\u00f5es exigiram que os estudantes relacionassem as pr\u00f3prias experi\u00eancias com a obra (entre outras coisas, todos prepararam \u201cpo\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas\u201c com as ervas arom\u00e1ticas que cultivam em casa, exatamente como ocorre com as bruxas no livro). Cada cap\u00edtulo foi explorado em clima de brincadeira, enquanto o professor verificava continuamente se as crian\u00e7as estavam entendendo o esp\u00edrito da hist\u00f3ria. Assim, quase sem perceber, o livro grande chegou ao fim. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Com os maiores, curiosidade\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> H\u00e1 cerca de 20 anos, vem se difundindo o ensino da Literatura pelo estudo dos diferentes g\u00eaneros. Hoje, outros caminhos s\u00e3o mais explorados, como criar seq\u00fc\u00eancias de leitura para conhecer o universo de um autor, diferentes vers\u00f5es de uma mesma obra ou explorar uma tem\u00e1tica liter\u00e1ria. \u00c9 isso que \u00c9rica Meyer faz com os estudantes da 8\u00aa s\u00e9rie na EE Jos\u00e9 Lobo, em Goi\u00e2nia. O tema brinquedo foi a estrat\u00e9gia que ela criou para fazer a turma ler um romance. E n\u00e3o era um romance qualquer, mas Sagarana, de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa. Para alcan\u00e7ar essa meta ambiciosa, \u00c9rica preparou muito bem o terreno. A \u201cbrincadeira\u201c come\u00e7ou com os textos e as m\u00fasicas de Vinicius de Moraes para A Arca de No\u00e9. O poema Ou Isto ou Aquilo, de Cec\u00edlia Meireles, foi a segunda obra lida. Ent\u00e3o, \u00c9rica apresentou o poeta Jorge de Lima e seu O Mundo do Menino Imposs\u00edvel.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Quando chegou a Guimar\u00e3es Rosa, os adolescentes j\u00e1 estavam tinindo e queriam dar continuidade \u00e0 discuss\u00e3o sobre as imagens presentes em obras liter\u00e1rias. As 60 p\u00e1ginas do conto S\u00e3o Marcos (que \u00e9 parte do romance) foram lidas pela professora em cinco aulas. \u201cN\u00e3o s\u00f3 consegui manter o interesse de todos como o melhor presente foi encontr\u00e1-los lendo Rosa fora da sala de aula\u201c, conta. Ponto para ela. O principal objetivo de qualquer atividade ou projeto de leitura por prazer \u00e9 justamente desenvolver esse comportamento leitor: fazer com que os estudantes se tornem leitores aut\u00f4nomos e busquem novos livros, s\u00f3 pela curti\u00e7\u00e3o de viajar em suas p\u00e1ginas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Ler para estudar\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> De todos os comportamentos leitores, o de ler para estudar \u00e9 certamente o mais cobrado pelos professores desde os primeiros anos do Ensino Fundamental ainda que muitos n\u00e3o saibam como ensin\u00e1-lo a seus alunos. Sem d\u00favida, aprender a ler textos informativos, artigos cient\u00edficos, ensaios e livros did\u00e1ticos (e paradid\u00e1ticos) \u00e9 uma habilidade fundamental para toda a vida, dentro e fora da escola. O jovem que, ao final da 8\u00aa s\u00e9rie, n\u00e3o consegue compreender corretamente essas informa\u00e7\u00f5es acaba se convencendo de que \u201c\u00e9 ruim da cabe\u00e7a mesmo\u201c e, muitas vezes, desiste definitivamente dos estudos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Orientar a leitura desses textos \u00e9 mais dif\u00edcil, entre outras coisas, porque o pr\u00f3prio material de estudo \u00e9 pouco atraente: muitas letras, poucas ilustra\u00e7\u00f5es, um conjunto de id\u00e9ias que precisam fazer sentido (e elas quase sempre s\u00e3o novas para o leitor). O ritmo de trabalho \u00e9, necessariamente, mais lento, para alcan\u00e7ar o objetivo de localizar informa\u00e7\u00f5es sobre um assunto espec\u00edfico e reler trechos dif\u00edceis. Entender isso \u00e9 essencial para criar situa\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas coerentes com a realidade. Aqui, sim, faz todo sentido pedir resumos, esquemas e s\u00ednteses para facilitar o entendimento. O foco n\u00e3o deve ser apenas a avalia\u00e7\u00e3o, mas principalmente o registro, pois, ao escrever e esquematizar, a gente precisa reelaborar o que foi lido. E isso \u00e9 estudar.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Investiga\u00e7\u00e3o em grupo\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> O desafio tem in\u00edcio na 2\u00aa s\u00e9rie, quando as crian\u00e7as estabelecem os primeiros contatos com livros de Matem\u00e1tica, Ci\u00eancias, L\u00edngua Portuguesa&#8230; \u201cO que voc\u00ea entendeu desse texto?\u201c Essa \u00e9 a pergunta que Adriana Correia Lima mais faz em suas aulas de Hist\u00f3ria na Unidade Integrada Professor Carlos Saads, em S\u00e3o Lu\u00eds. O tom nunca \u00e9 inquisit\u00f3rio, mas investigativo. A descoberta do significado das palavras se d\u00e1 o tempo todo na forma de d\u00favidas e respostas, que v\u00e3o muito al\u00e9m do caderno. Todos aprendem mais quando dividem id\u00e9ias e constroem o conhecimento em grupo. Foi assim que as turmas de 4\u00aa s\u00e9rie trabalharam o tema descobrimento do Brasil. Confira aqui, passo a passo, como Adriana conduziu esse processo, sob orienta\u00e7\u00e3o do programa Escola que Vale, da Funda\u00e7\u00e3o Vale do Rio Doce.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O primeiro passo foi uma boa pesquisa. A professora gastou tempo na biblioteca selecionando diferentes textos sobre o assunto e organizou uma lista com diversos t\u00edtulos, entre enciclop\u00e9dias e livros did\u00e1ticos e paradid\u00e1ticos sobre as grandes navega\u00e7\u00f5es e outros temas correlatos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O segundo foi fazer o diagn\u00f3stico dos conhecimentos pr\u00e9vios da garotada: \u201cAlgu\u00e9m faz id\u00e9ia de quem foi Pedro \u00c1lvares Cabral? Quem conhece o ponto de vista dos povos ind\u00edgenas sobre o descobrimento?\u201c Na mesma aula, todos leram o primeiro texto com a professora. O ideal \u00e9 que ele tenha poucas informa\u00e7\u00f5es, para permitir que a garotada se familiarize com o assunto. Uma dica \u00e9 apresent\u00e1-lo numa cartolina, no retroprojetor ou no power point. Assim, todos acompanham juntos e descobrem o comportamento leitor previsto para essa situa\u00e7\u00e3o. A leitura compartilhada \u00e9 um importante momento. Adriana conduzia o ritmo e convidava os estudantes a lerem em voz alta instigando o aprofundamento do estudo com perguntas. Aqui \u00e9 poss\u00edvel relacionar o assunto com outras linguagens, como a exibi\u00e7\u00e3o de um filme ou a an\u00e1lise de uma pintura. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A terceira etapa \u00e9 quando voc\u00ea, professor, deve sair de cena. Se o objetivo \u00e9 formar leitores aut\u00f4nomos, capazes de estudar sozinhos, \u00e9 fundamental que os alunos compartilhem a leitura e se ajudem nas tarefas de grifar trechos e elaborar esquemas e resumos. \u00c9 a hora de apresentar v\u00e1rios textos e pedir compara\u00e7\u00f5es entre eles. Inicialmente, o trabalho \u00e9 em duplas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> At\u00e9 que, na quarta etapa, a leitura passa a ser individual. Novas quest\u00f5es garantem o interesse pelas hist\u00f3rias e conceitos que envolvem o descobrimento do Brasil. \u00c9 o que a argentina Delia Lerner chama de assumir a responsabilidade pelo conhecimento.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Ler para se informar\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> A semana dos alunos de 1\u00aa a 4\u00aa s\u00e9rie do Col\u00e9gio Pent\u00e1gono, em S\u00e3o Paulo, come\u00e7a com um bate-papo sobre as not\u00edcias que foram publicadas nos jornais de s\u00e1bado e domingo. Em casa, cada crian\u00e7a seleciona uma reportagem. Em sala de aula, todos conversam e trocam id\u00e9ias, discutem o que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds e no mundo sem nenhuma formalidade. \u201c\u00c9 uma maravilha quando os assuntos se repetem. Aproveito o gancho para confrontar diferentes pontos de vista\u201c, diz a professora Janette Garcez Kruger Crivelari, da 3\u00aa s\u00e9rie. A leitura descontra\u00edda e din\u00e2mica repete o que ocorre do lado de fora da escola (em que as pessoas comentam o que l\u00eaem). E \u00e9 assim que deveria ser sempre (em vez de apenas apresentar o ve\u00edculo e suas caracter\u00edsticas, como t\u00edtulo, legenda etc., para depois solicitar a confec\u00e7\u00e3o de um jornalzinho em classe). S\u00f3 lendo o jornal de verdade, o estudante ser\u00e1 capaz de entender a linguagem r\u00e1pida e concisa acompanhada de s\u00edmbolos, gr\u00e1ficos, fotografias e ilustra\u00e7\u00f5es do texto da imprensa. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Essa pr\u00e1tica aproxima os pequenos do mundo cotidiano distante das met\u00e1foras e \u201cviagens\u201c da literatura e ajuda a formar leitores ass\u00edduos e interessados pelos fatos reais. \u201cJornais e revistas cumprem a fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de produtores de conhecimento. Como a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mat\u00e9ria-prima do trabalho escolar, n\u00e3o h\u00e1 como falar em educa\u00e7\u00e3o sem ler essas publica\u00e7\u00f5es todo dia\u201c, explica Fl\u00e1via Aidar, educadora e historiadora. Nenhuma leitura d\u00e1 tanta oportunidade de desenvolver o senso cr\u00edtico. \u201cH\u00e1 uma dist\u00e2ncia enorme entre o que acontece dentro e fora da escola. A explora\u00e7\u00e3o do texto jornal\u00edstico contribui para aproximar essas realidades\u201c, diz Maria Jos\u00e9 N\u00f3brega. E voc\u00ea ainda ajuda a formar jovens mais cr\u00edticos e com opini\u00f5es pr\u00f3prias, capazes de brigar por seus direitos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Interesse pela realidade\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> A professora Janette \u00e9 uma leitora ass\u00eddua de jornais. Assim como os alunos, ela tamb\u00e9m seleciona uma not\u00edcia para comentar toda segunda-feira. Segundo ela, os focos de interesse das crian\u00e7as precisam ser orientados. \u201cOs meninos costumam ir direto na se\u00e7\u00e3o de esportes. Se eu n\u00e3o conduzir a leitura, eles n\u00e3o passam para outras p\u00e1ginas.\u201c Pol\u00edtica e economia s\u00f3 entram nas discuss\u00f5es se ela levantar o tema. E engana-se quem acha que essas quest\u00f5es mais densas devem ficar de fora da pauta. Nesse processo de aprendizagem, cabe ao professor provocar, instigar a curiosidade, fazer rela\u00e7\u00f5es com outros textos e utilizar as reportagens para a constru\u00e7\u00e3o do saber. Informa\u00e7\u00e3o, sozinha, n\u00e3o \u00e9 nada. Informa\u00e7\u00e3o aliada ao trabalho docente \u00e9 conhecimento. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Se voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 a par dos recentes acontecimentos pol\u00edticos do pa\u00eds, como explicar para os alunos as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o ou as coliga\u00e7\u00f5es para a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o? H\u00e1 sempre um jeito de fazer os pequenos se interessarem. O caso dos d\u00f3lares escondidos na cueca do assessor de um parlamentar arrancou muitas gargalhas da turma de Janette. Depois disso, ela aprofundou a discuss\u00e3o, dirigindo a leitura e apontando outras not\u00edcias e charges que explicavam melhor o assunto. O mesmo vale no caso do ensino de Ci\u00eancias toda vez que s\u00e3o publicados artigos sobre um novo software, promessas de cura de algum tipo de c\u00e2ncer ou de tratamentos contra a aids. Nessas condi\u00e7\u00f5es, o ensino deixa de ser abstrato e tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o entre diferentes disciplinas fica facilitada. O texto jornal\u00edstico \u00e9 assunto para todo dia e para toda conversa. E que tal comentar esta reportagem com seus colegas?\u00a0<br \/> <Br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os dias, Lucila Braga Ribeiro prepara uma grande mala. 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