{"id":1610,"date":"2006-09-11T12:01:00","date_gmt":"2006-09-11T15:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/09\/11\/plano-nacional-de-livro-e-leitura-muitas-paginas-ainda-em-branco\/"},"modified":"2006-09-11T12:01:00","modified_gmt":"2006-09-11T15:01:00","slug":"plano-nacional-de-livro-e-leitura-muitas-paginas-ainda-em-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/plano-nacional-de-livro-e-leitura-muitas-paginas-ainda-em-branco\/","title":{"rendered":"Plano Nacional de Livro e Leitura: muitas p\u00e1ginas ainda em branco"},"content":{"rendered":"<p>Para ele, o mercado editorial brasileiro ainda conserva muitas p\u00e1ginas em branco \u2013 e h\u00e1 uma grande parcela do p\u00fablico a ser conquistada. Pol\u00edticas p\u00fablicas ineficientes, alto pre\u00e7o dos exemplares, pequeno n\u00famero de bibliotecas e forte tradi\u00e7\u00e3o oral dos brasileiros s\u00e3o alguns dos entraves apontados pelo especialista. Circunst\u00e2ncias que s\u00f3 fazem aumentar a responsabilidade das escolas &#8211; e dos professores &#8211; no fomento de uma nova gera\u00e7\u00e3o de leitores. O est\u00edmulo \u00e0 leitura \u00e9 daquelas medidas defendidas de forma un\u00e2nime por todos os segmentos, mas que, tradicionalmente, tem sido relegada a segundo plano &#8211; pelo menos do ponto de vista das pol\u00edticas p\u00fablicas. Afinal, n\u00e3o h\u00e1 outra explica\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser este descaso hist\u00f3rico para o fato de o brasileiro ler, em m\u00e9dia, menos de dois livros por ano. Em pa\u00edses como a Fran\u00e7a este \u00edndice chega a sete obras anuais. Com o objetivo de melhorar estes e outros indicadores, o Plano Nacional de Livro e Leitura busca, por interm\u00e9dio de a\u00e7\u00f5es integradas entre os Minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o e da Cultura, al\u00e9m de institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil, trazer o livro para o dia-a-dia do brasileiro. O novo coordenador-executivo do plano, Jos\u00e9 Castilho Marques Neto, que tomou posse na \u00faltima quarta-feira, dia 30, elencou algumas das metas principais: aumentar o n\u00famero de livrarias, de bibliotecas p\u00fablicas e criar programas de capacita\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o destes espa\u00e7os. Ele s\u00f3 espera que diverg\u00eancias pol\u00edticas n\u00e3o atrapalhem  as parcerias. \u201c\u00c0s vezes, as paix\u00f5es pol\u00edticas passam por cima da racionalidade, mas, at\u00e9 agora, todas as for\u00e7as pol\u00edticas contr\u00e1rias partidariamente ao governo federal com as quais tenho conversado t\u00eam se mostrado extremamente cooperativas\u201c, comentou. <br \/>\u00a0<br \/> Presidente da Editora Unesp, Jos\u00e9 Castilho acredita que o livro ainda \u00e9 caro no Brasil, considerando-se o poder aquisitivo m\u00e9dio da popula\u00e7\u00e3o. Mas espera que o quadro seja revertido com campanhas que ampliem o n\u00famero de leitores. Ele tamb\u00e9m quer que as pol\u00edticas p\u00fablicas cheguem a um novo perfil de leitor, diferente daquele que, em geral, se interessa pela leitura escolar, que \u00e9 o que predomina. \u201cH\u00e1 uma faixa de leitores a conquistar, que t\u00eam entre 20 e 50 anos\u201c, destacou Jos\u00e9 Castilho Neto.\u00a0<br \/>  \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Quais as metas de curto e longo prazo para o Plano Nacional de Livro e Leitura? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 O Plano tem como objetivo integrar os Minist\u00e9rios da Educa\u00e7\u00e3o e da Cultura em torno da promo\u00e7\u00e3o da leitura, que \u00e9 algo que une o poder p\u00fablico, os setores criativo, produtivo e distributivo do livro, al\u00e9m, \u00e9 claro, da sociedade, atrav\u00e9s de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e outras entidades que n\u00e3o t\u00eam objetivos lucrativos. Atualmente, estamos na fase de implanta\u00e7\u00e3o e nossa primeira tarefa \u00e9 reunir informa\u00e7\u00f5es sobre projetos, atividades, programas e eventos na \u00e1rea da leitura e da literatura que foram implantados ou est\u00e3o em gesta\u00e7\u00e3o ou em desenvolvimento. A partir da\u00ed, buscaremos maior sinergia entre os projetos e iniciativas, de forma que tenhamos um quadro das grandes iniciativas realizadas em todo o pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o ao livro e \u00e0 leitura. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Reunir estes projetos \u00e9 uma das metas. H\u00e1 outros objetivos de curto prazo? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 H\u00e1 alguns objetivos gerais. Nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, queremos aumentar o percentual do \u00edndice nacional de leitura. Hoje, este \u00edndice est\u00e1 em 1,8 livros lidos por ano e queremos que chegue a 2,7. Para que se tenha uma id\u00e9ia, este \u00edndice \u00e9 de sete, na Fran\u00e7a; 5,1 nos Estados Unidos e de 4,9 na Inglaterra. Na Col\u00f4mbia, que tem situa\u00e7\u00e3o pior que o Brasil do ponto de vista socioecon\u00f4mico, a m\u00e9dia \u00e9 2,4 livros ao ano. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 E em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de bibliotecas p\u00fablicas? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 Tamb\u00e9m nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos queremos ter bibliotecas p\u00fablicas em todas as cidades. No in\u00edcio do atual governo, havia cerca de 1.300 cidades sem bibliotecas. Hoje, h\u00e1 pouco mais de 600. A id\u00e9ia tamb\u00e9m \u00e9 aumentar o n\u00famero de livrarias em pelo menos 10%. Hoje temos em torno de 1.500. Precisamos tamb\u00e9m fazer um levantamento suficientemente abrangente sobre livro e leitura em todo o pa\u00eds. Temos dados regionais ou pesquisas muito prec\u00e1rias de setores interessados. N\u00e3o existem n\u00fameros confi\u00e1veis pela falta de pesquisas sistem\u00e1ticas para comparar resultados. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Um dos objetivos do plano \u00e9 trabalhar com projetos e programas empreendidos pelos governos nos \u00e2mbitos federal, estadual e municipal. Naturalmente, h\u00e1 diferen\u00e7as pol\u00edticas que, em v\u00e1rios casos, afetam parcerias entre entes da federa\u00e7\u00e3o. Como o senhor pretende superar eventuais resist\u00eancias de ordem pol\u00edtica? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 Isto me preocupa bastante. \u00c0s vezes, as paix\u00f5es pol\u00edticas passam por cima da racionalidade, mas, at\u00e9 agora, todas as for\u00e7as pol\u00edticas contr\u00e1rias partidariamente ao governo federal com que tenho conversado t\u00eam se mostrado extremamente cooperativas. Estou sentindo um clima muito positivo, assim como sinto este mesmo clima do lado empresarial. H\u00e1 uma converg\u00eancia, um momento hist\u00f3rico importante para o pa\u00eds e \u00e9 isto que tem tornado poss\u00edvel a exist\u00eancia do Plano Nacional de Livro e Leitura. \u00c9 um momento de constru\u00e7\u00e3o e temos de pensar a longo prazo, ou seja, em objetivos para daqui a 10 ou 15 anos. E este plano s\u00f3 se sustenta a longo prazo se continuar a existir esta converg\u00eancia que est\u00e1 acontecendo agora. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 O brasileiro l\u00ea menos de dois livros por ano. Isto, naturalmente, \u00e9 fruto da hist\u00f3rica falta de pol\u00edticas voltadas para o est\u00edmulo \u00e0 leitura no pa\u00eds. Al\u00e9m disto, h\u00e1 outras explica\u00e7\u00f5es para um \u00edndice t\u00e3o baixo? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 Uma das teorias que existem a respeito \u00e9 a nossa tradi\u00e7\u00e3o oral. Inclusive, na educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um peso muito grande da oralidade em detrimento da leitura. Temos tamb\u00e9m um \u00edndice de analfabetismo funcional de 38%, percentual que \u00e9 de 14% na Alemanha, de 21% nos Estados Unidos e de 22% na Inglaterra, por exemplo. S\u00e3o pessoas que n\u00e3o conseguem ler uma p\u00e1gina de texto e compreend\u00ea-la. Ou seja, o cidad\u00e3o \u00e9 alfabetizado mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o \u00e9. Tudo isto dificulta o acesso ao livro. Existe ainda a concorr\u00eancia com outras m\u00eddias. Mas esta concorr\u00eancia continuar\u00e1 enquanto tivermos este \u00edndice de analfabetismo funcional ou n\u00e3o valorizarmos como se deve a leitura. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 A leitura tem perdido espa\u00e7o para formas de entretenimento modernas, que trabalham com imagem e som? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 Tem. Este \u00e9 um fen\u00f4meno que ocorre no mundo inteiro. N\u00e3o h\u00e1 ainda absoluta convic\u00e7\u00e3o sobre o que acontecer\u00e1 daqui a 20, 30 anos. At\u00e9 pela velocidade de transforma\u00e7\u00e3o das novas tecnologias. Participo desta discuss\u00e3o como professor universit\u00e1rio e editor h\u00e1 mais de 15 anos e a \u00fanica convic\u00e7\u00e3o que existe \u00e9 que haver\u00e1 uma conviv\u00eancia nem sempre harmoniosa entre estas m\u00eddias. Mas n\u00e3o haver\u00e1 o desaparecimento do livro na forma tradicional. Ele vai concorrer com estas outras m\u00eddias, com outras bases de leitura. Com isso, h\u00e1 espa\u00e7o para crescimento de todos os segmentos. E temos que conviver e saudar isto. Se existe uma pessoa que n\u00e3o gosta de ler livros em papel mas gosta de ler na tela do computador, \u00f3timo. O surgimento da televis\u00e3o n\u00e3o ocasionou o fim do r\u00e1dio e do cinema. Houve redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de salas de exibi\u00e7\u00e3o, mas o cinema ainda existe. O mais importante \u00e9 aumentar o n\u00edvel de leitura, seja qual for sua base f\u00edsica. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Qual a responsabilidade da escola e da fam\u00edlia na forma\u00e7\u00e3o do leitor? Em que idade deve se estimular a crian\u00e7a a ler? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 Estes s\u00e3o os dois pilares da forma\u00e7\u00e3o de um leitor. \u00c9 mais do que comprovada a import\u00e2ncia da fam\u00edlia para despertar o prazer pela leitura. E n\u00e3o h\u00e1 idade para come\u00e7ar. Tenho amigos apaixonados por livros que leram para os filhos enquanto estavam no \u00fatero da esposa. \u00c9 um exemplo radical que mostra que n\u00e3o existe idade para iniciar o est\u00edmulo. H\u00e1 experi\u00eancias incr\u00edveis de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e escolas p\u00fablicas que aproveitam senhoras de idade aposentadas para trabalhar como contadoras de hist\u00f3rias. Al\u00e9m de promoverem uma \u00f3tima intera\u00e7\u00e3o geracional, fomentam o gosto pela leitura de forma muito interessante. O outro lado \u00e9 a escola. O professor que gosta de ler, que entende a import\u00e2ncia da leitura, ao transmitir isto para o aluno faz com que ele n\u00e3o s\u00f3 tenha prazer, mas que compreenda o que l\u00ea. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 A escola tem desempenhado o papel que poderia na forma\u00e7\u00e3o de leitores? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 N\u00e3o. Ainda h\u00e1 muito o que conquistar. Apesar do esfor\u00e7o conhecido e reconhecido dos professores de todo o Brasil, temos que centrar melhor as a\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da forma\u00e7\u00e3o destes recursos humanos. Existem movimentos em n\u00edvel nacional, como o Proler, onde se faz um trabalho volunt\u00e1rio extremamente importante. H\u00e1 v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es neste sentido e espero que esta uni\u00e3o entre o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e o Minist\u00e9rio da Cultura crie um est\u00edmulo ainda maior. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Al\u00e9m da fam\u00edlia e da escola, haveria um outro vetor importante para o est\u00edmulo \u00e0 leitura? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 Temos tamb\u00e9m de aumentar a acessibilidade, via bibliotecas p\u00fablicas. Afinal, \u00e9 nestes locais que as fam\u00edlias de menor poder aquisitivo podem buscar os livros para seus filhos. E estas bibliotecas, por sinal, precisam ser bem aparelhadas, abertas e com recursos humanos treinados para receber as pessoas e orientar sobre que tipo de livros retirar. Se consegu\u00edssemos, nos pr\u00f3ximos quatro ou cinco anos, implantar isto no Brasil de forma priorit\u00e1ria, como parte de nossa meta de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, ter\u00edamos boas chances de ter um n\u00famero bem maior de leitores. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Outro obst\u00e1culo associado ao reduzido n\u00famero de leitores \u00e9 o pre\u00e7o das publica\u00e7\u00f5es. Em geral, o livro no Brasil \u00e9 caro? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 O livro \u00e9 caro para o poder aquisitivo m\u00e9dio do brasileiro. Mas, se compararmos o pre\u00e7o do livro produzido Brasil com o de outros pa\u00edses, inclusive da pr\u00f3pria Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o caro assim. Existe um c\u00edrculo vicioso que s\u00f3 se resolver\u00e1 quando tivermos possibilidade de produzir tiragens mais altas, pois quanto maior a tiragem, menor \u00e9 o pre\u00e7o unit\u00e1rio. A partir do momento em que tivermos compras regulares para bibliotecas e uma circula\u00e7\u00e3o maior de livros como resultado de campanhas de incentivo \u00e0 leitura, haver\u00e1 um est\u00edmulo ao aumento das tiragens, o que far\u00e1 com que o pre\u00e7o do livro caia. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 O problema est\u00e1 s\u00f3 no baixo poder aquisitivo m\u00e9dio do brasileiro ou h\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o cultural? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 O problema econ\u00f4mico \u00e9 semelhante ao que apresentei. Mas \u00e9 claro que h\u00e1 uma parte da popula\u00e7\u00e3o que gostaria de ter maior acesso ao livro e que compra poucas obras. Temos uma faixa em torno de 10 milh\u00f5es de pessoas que compram livros mas sabemos que a quantidade de pessoas que t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de comprar pelo menos um livro por m\u00eas \u00e9 muito maior que esta. H\u00e1 uma quest\u00e3o cultural, al\u00e9m, naturalmente, do predom\u00ednio da oralidade e da falta do prazer de ler. Da\u00ed a id\u00e9ia do Plano Nacional de Livro e Leitura de incentivar campanhas de leitura em todas as m\u00eddias, realizar semin\u00e1rios, congressos e outras iniciativas. Quando ocorrem bienais do Rio de S\u00e3o Paulo, no m\u00eas seguinte, crescem as vendas. At\u00e9 porque este tipo de evento provoca a lembran\u00e7a e o interesse de quem pode comprar livros. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Qual o perfil do leitor brasileiro? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 \u00c9 um perfil mais ligado \u00e0 leitura escolar, de pessoas que se situam da classe m\u00e9dia alta para cima. Mas, ao mesmo tempo, \u00e9 um leitor muito oscilante, que n\u00e3o mant\u00e9m o h\u00e1bito de compra de livros. E este h\u00e1bito est\u00e1 geralmente vinculado a necessidades profissionais, embora este seja um desenho muito opaco, at\u00e9 porque, como disse, faltam pesquisas regulares e abrangentes em rela\u00e7\u00e3o a isto. Agora, existe perfil de consumo inexplorado e do qual ainda n\u00e3o temos um retrato que \u00e9 o dos freq\u00fcentadores das bibliotecas p\u00fablicas e comunit\u00e1rias, ou seja, a massa da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Em conversas que tive nos \u00faltimos anos com profissionais que trabalham nestas bibliotecas, soube que tratam-se de pessoas em forma\u00e7\u00e3o escolar e ou com faixa et\u00e1ria mais avan\u00e7ada, que est\u00e3o fora do mercado de trabalho e buscam na leitura uma forma de apoio social, econ\u00f4mico e afetivo. H\u00e1 uma faixa de leitores a conquistar, que t\u00eam entre 20 e 50 anos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> FOLHA DIRIGIDA \u2014 Quais contribui\u00e7\u00f5es a leitura pode trazer para a forma\u00e7\u00e3o de um indiv\u00edduo? Por que ler \u00e9 considerado t\u00e3o importante por especialistas? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Jos\u00e9 Castilho \u2014 A leitura traz alguns aspectos que outras formas de acessibilidade ao mundo culto e do lazer a partir de outras m\u00eddias dificilmente podem permitir. Primeiramente, a id\u00e9ia de introspec\u00e7\u00e3o. Ao ler, o sujeito estimula o c\u00e9rebro, os sentimentos, a sensibilidade; ele cria imagens e dialoga com sua pr\u00f3pria consci\u00eancia. Os autores escrevem de si pr\u00f3prios para o outro. E \u00e9 sempre para o indiv\u00edduo. N\u00e3o h\u00e1 leitura de massa. Esta no\u00e7\u00e3o de individualidade \u00e9 o aspecto mais rico da leitura. Se eu e uma outra pessoa lemos o mesmo texto, teremos leituras diferentes. E cada um extrair\u00e1 do texto, a partir de suas experi\u00eancias de vida, li\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m distintas. E isto \u00e9 enriquecedor do ponto de vista intelectual, afetivo, psicol\u00f3gico e da sensibilidade humana.\u00a0<br \/>  \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para ele, o mercado editorial brasileiro ainda conserva muitas p\u00e1ginas em branco \u2013 e h\u00e1 uma grande parcela do p\u00fablico a ser conquistada. Pol\u00edticas p\u00fablicas ineficientes, alto pre\u00e7o dos exemplares, pequeno n\u00famero de bibliotecas e forte tradi\u00e7\u00e3o oral dos brasileiros s\u00e3o alguns dos entraves apontados pelo especialista. 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