{"id":1587,"date":"2006-09-25T15:16:00","date_gmt":"2006-09-25T18:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/09\/25\/matematica-e-ultimo-reduto-masculino\/"},"modified":"2006-09-25T15:16:00","modified_gmt":"2006-09-25T18:16:00","slug":"matematica-e-ultimo-reduto-masculino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/matematica-e-ultimo-reduto-masculino\/","title":{"rendered":"Matem\u00e1tica \u00e9 \u00faltimo reduto masculino"},"content":{"rendered":"<p><em>Dist\u00e2ncia a favor dos meninos no Brasil na \u00e1rea \u00e9 a maior do mundo quando comparada com 41 pa\u00edses em exame internacional. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/em> N\u00e3o h\u00e1 \u00e1rea de ensino no Brasil em que as meninas n\u00e3o estejam dominando -ou muito pr\u00f3ximas disso. Elas s\u00e3o maioria no ensino superior, t\u00eam taxas de evas\u00e3o e reprova\u00e7\u00e3o menores no ensino m\u00e9dio e se saem melhor do que os meninos em quase todos os testes que avaliam aprendizado no ensino fundamental. Mas um setor resiste a essa supremacia: o aprendizado de matem\u00e1tica.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Esse quadro n\u00e3o \u00e9 exclusivo do Brasil. Dos 42 pa\u00edses avaliados no Pisa (exame da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico que analisa o desempenho de alunos), os meninos foram melhor em matem\u00e1tica em 33.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Em alguns casos, a diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 estatisticamente significativa, mas, em 12 deles, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que as meninas est\u00e3o aprendendo menos. J\u00e1 nos oito casos em que a diferen\u00e7a \u00e9 a favor das meninas, em um deles, a Alb\u00e2nia, ela \u00e9 significativa.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O Brasil aparece com destaque na tabela comparativa em matem\u00e1tica porque aqui a diferen\u00e7a a favor dos meninos \u00e9 a maior entre todos os pa\u00edses analisados, ao lado de \u00c1ustria e Cor\u00e9ia do Sul. Esse melhor desempenho masculino, no entanto, n\u00e3o se repete em todas as \u00e1reas. Pelo contr\u00e1rio, em testes de leitura, a situa\u00e7\u00e3o se inverte e a supremacia feminina \u00e9 incontest\u00e1vel em todos os pa\u00edses.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Raz\u00f5es\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> Foi esse quadro que instigou os pesquisadores M\u00e1rcia Andrade, Creso Franco e Jo\u00e3o Pitombeira de Carvalho, da PUC-RJ, a buscar raz\u00f5es que nos levam a ter uma das maiores diferen\u00e7as do mundo em matem\u00e1tica. O trabalho foi apresentado no 15\u00ba Encontro Nacional de Estudos Populacionais, que aconteceu na semana passada em Caxambu (MG).\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Estudos sobre essas diferen\u00e7as t\u00eam gerado debates, principalmente quando se discute se essas diferen\u00e7as s\u00e3o fruto de aspectos culturais ou biol\u00f3gicos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O estudo da PUC quis verificar se vari\u00e1veis socioecon\u00f4micas ou do ambiente escolar explicavam o resultado. Eles trabalharam com dados do Saeb (exame que avalia a qualidade) no \u00faltimo ano do ensino m\u00e9dio. Como o Pisa, ele mostra significativas diferen\u00e7as a favor dos meninos em matem\u00e1tica.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A primeira hip\u00f3tese era se o melhor desempenho n\u00e3o era causado pelo fato de muitos dos meninos mais pobres abandonarem a escola antes de completar o ensino m\u00e9dio, algo menos intenso entre meninas.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Isso se justifica porque o que mais interfere no desempenho escolar \u00e9 o n\u00edvel socioecon\u00f4mico. Se h\u00e1 menos garotos pobres que concluem o ensino m\u00e9dio, espera-se que, quando \u00e9 feito um exame entre os que chegaram l\u00e1, a nota m\u00e9dia aumente por haver menos alunos em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis, que puxariam a m\u00e9dia para baixo.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para evitar que isso influenciasse no resultado, a pesquisa s\u00f3 comparou estudantes de mesmo n\u00edvel socioecon\u00f4mico e que estavam na mesma escola. Os dados mostraram que a dist\u00e2ncia entre eles e elas diminuiu, mas, ainda assim, meninos se sa\u00edam melhor.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Iguais\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> O segundo passo foi separar escolas que atendem crian\u00e7as de baixo poder aquisitivo das onde os alunos t\u00eam n\u00edvel socioecon\u00f4mico mais alto. A partir da\u00ed, constatou-se que, nas escolas onde estudam os mais pobres, a diferen\u00e7a persistia.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No entanto, nas escolas para alunos de renda mais alta, a diferen\u00e7a se torna desprez\u00edvel, com meninos e meninas tendo quase o mesmo desempenho.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Uma hip\u00f3tese \u00e9 que, nesse ambiente, as fam\u00edlias ap\u00f3iem e aceitem mais o interesse de meninas pela matem\u00e1tica. \u201cFreq\u00fcentemente est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es materiais e ideol\u00f3gicas mais favor\u00e1veis para o rompimento de pap\u00e9is tradicionais em rela\u00e7\u00e3o a g\u00eanero\u201c, afirmam.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O estudo aponta tamb\u00e9m que o professor pode ser fundamental para reverter esse quadro. Em escolas onde havia mais cobran\u00e7a de deveres de casa, a diferen\u00e7a diminu\u00eda.\u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dist\u00e2ncia a favor dos meninos no Brasil na \u00e1rea \u00e9 a maior do mundo quando comparada com 41 pa\u00edses em exame internacional. \u00a0 \u00a0 N\u00e3o h\u00e1 \u00e1rea de ensino no Brasil em que as meninas n\u00e3o estejam dominando -ou muito pr\u00f3ximas disso. 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