{"id":1548,"date":"2006-11-07T11:48:00","date_gmt":"2006-11-07T13:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/11\/07\/outro-triste-retrato-do-ensino\/"},"modified":"2006-11-07T11:48:00","modified_gmt":"2006-11-07T13:48:00","slug":"outro-triste-retrato-do-ensino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/outro-triste-retrato-do-ensino\/","title":{"rendered":"Outro triste retrato do ensino"},"content":{"rendered":"<p>O Pa\u00eds voltou a sair mal em mais um estudo comparativo em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o. Desta vez foi o relat\u00f3rio da Unesco sobre educa\u00e7\u00e3o infantil. Lan\u00e7ado recentemente em Nova York, ele incluiu o Brasil no ranking de maiores taxas de repet\u00eancia no ensino fundamental. Apenas o Nepal, na \u00c1sia, a col\u00f4nia brit\u00e2nica de Anguila, no Caribe, e 12 pa\u00edses da \u00c1frica subsaariana, a regi\u00e3o mais pobre do mundo, registraram uma situa\u00e7\u00e3o pior do que a brasileira.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> O pior classificado no estudo foi a Guin\u00e9 Equatorial, com uma taxa de 40,5% de reprova\u00e7\u00e3o entre os estudantes de 1\u00aa \u00e0 4\u00aa s\u00e9rie. O \u00edndice brasileiro foi de 20,6%. O melhor classificado foi a Cor\u00e9ia do Sul, pa\u00eds que se destaca desde 1970 pelos investimentos maci\u00e7os no setor educacional. Sua taxa de reprova\u00e7\u00e3o foi de 0,01%. Segundo a Unesco, embora o Brasil tenha universalizado o ensino fundamental, ele \u00e9 de m\u00e1 qualidade e n\u00e3o consegue impedir muitos alunos de interromper os estudos para trabalhar em atividades de baixa qualifica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Al\u00e9m do ensino fundamental, o levantamento da Unesco enfatiza a import\u00e2ncia do ensino infantil. O relat\u00f3rio sugere ao Pa\u00eds ampliar os investimentos em creches e pr\u00e9-escolas, como a principal estrat\u00e9gia para elevar o aproveitamento dos alunos no ensino fundamental, especialmente os de fam\u00edlias de baixa renda. \u2019O c\u00e9rebro se desenvolve nos primeiros anos de vida. \u00c9 na faixa et\u00e1ria de 0 a 3 anos que se formam 90% das conex\u00f5es cerebrais\u2019, afirma a educadora ga\u00facha Alessandra Schneider, coordenadora do escrit\u00f3rio da Unesco no Rio Grande do Sul.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> De fato, as pesquisas cient\u00edficas h\u00e1 muito tempo destacam a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o infantil no desenvolvimento f\u00edsico, cognitivo, afetivo e social das crian\u00e7as. Algumas dessas pesquisas, comprovando que quanto mais cedo a crian\u00e7a ingressa no sistema educacional maior \u00e9 seu aproveitamento escolar e melhor sua conduta social, renderam o Pr\u00eamio Nobel de 2000 ao economista americano James Heckman, da Universidade de Chicago. Seus estudos tamb\u00e9m revelam que as crian\u00e7as que estiveram em creches e cursaram a pr\u00e9-escola tendem a obter maior sucesso profissional em compara\u00e7\u00e3o com os que foram matriculados no ensino fundamental sem passar pelo ensino infantil.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Embora a Unesco mostre que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 atualmente uma das regi\u00f5es do mundo em desenvolvimento com maior cobertura de matr\u00edcula na pr\u00e9-escola, o Brasil ainda tem muito a avan\u00e7ar nesse ciclo educacional. Segundo o IBGE, dos 11,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as com idade de at\u00e9 3 anos, somente 14% freq\u00fcentam creches. Al\u00e9m disso, das crian\u00e7as entre 4 e 6 anos, cerca de 30% n\u00e3o s\u00e3o atendidas pela rede de educa\u00e7\u00e3o infantil. \u00c9 um n\u00famero preocupante.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Em nota divulgada ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do levantamento da Unesco, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) afirmou que o atendimento em creches subiu de 10,6% para 13,45% das crian\u00e7as com at\u00e9 3 anos, entre 2001 e 2004. Na pr\u00e9-escola, diz a nota, o aumento foi de 65,6% para 70,5% da popula\u00e7\u00e3o de 4 a 6 anos, no mesmo per\u00edodo. \u00c9 um avan\u00e7o importante, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida. Mas ele poderia ser mais expressivo se o atual governo, em vez de desperdi\u00e7ar recursos escassos com projetos de reforma universit\u00e1ria, pol\u00edticas de cotas raciais e outras iniciativas demag\u00f3gicas no \u00e2mbito do ensino superior, tivesse dado prioridade \u00e0 educa\u00e7\u00e3o infantil e fundamental, a exemplo do que faz a Cor\u00e9ia do Sul.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Nos debates que travou com seu advers\u00e1rio, durante a campanha do 2\u00ba turno, o presidente Lula por diversas vezes enfatizou a import\u00e2ncia do Fundo para a Manuten\u00e7\u00e3o do Ensino B\u00e1sico (Fundeb) para a expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o infantil. Mas, em sua vers\u00e3o original, o projeto n\u00e3o a abarcava. A creche e a pr\u00e9-escola s\u00f3 acabaram sendo inclu\u00eddas nesse Fundo, que at\u00e9 agora n\u00e3o foi aprovado pelo Congresso, por press\u00e3o de movimentos sociais.&nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Atualmente, o Brasil destina para a educa\u00e7\u00e3o 4% do Produto Interno Bruto, um porcentual significativo em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses. Mas, como o relat\u00f3rio da Unesco deixa claro, n\u00e3o tem sabido valorizar a educa\u00e7\u00e3o infantil e o ensino b\u00e1sico, os dois ciclos da educa\u00e7\u00e3o que s\u00e3o decisivos para preparar as novas gera\u00e7\u00f5es para enfrentar o ambiente competitivo do mercado de trabalho, melhorar a distribui\u00e7\u00e3o de renda e reduzir a pobreza.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pa\u00eds voltou a sair mal em mais um estudo comparativo em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o. Desta vez foi o relat\u00f3rio da Unesco sobre educa\u00e7\u00e3o infantil. 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