{"id":1518,"date":"2006-06-05T16:24:00","date_gmt":"2006-06-05T19:24:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/06\/05\/os-novos-esquemas-do-fundef\/"},"modified":"2006-06-05T16:24:00","modified_gmt":"2006-06-05T19:24:00","slug":"os-novos-esquemas-do-fundef","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/os-novos-esquemas-do-fundef\/","title":{"rendered":"Os novos esquemas do Fundef"},"content":{"rendered":"<p>Sebasti\u00e3o Sousa, 40 anos, d\u00e1 aula de hist\u00f3ria na escolinha do acanhado munic\u00edpio de Boqueir\u00e3o do Piau\u00ed, no sert\u00e3o piauiense. Por l\u00e1, reclama\u00e7\u00e3o \u00e9 o que n\u00e3o falta. Nem o quadro-negro escapa. \u201cO giz n\u00e3o pega\u201c, diz ele. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3: as carteiras escolares est\u00e3o quebradas e muitas vezes os alunos ficam sem merenda. O dinheiro que falta para resolver os problemas da escola sobra numa portentosa conta, a dos desvios de verba do Fundo de Manuten\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento do Ensino Fundamental, o Fundef. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Boa parte do bilion\u00e1rio montante que o governo federal repassa a Estados e munic\u00edpios \u2013 s\u00f3 no ano passado, foram R$ 32,7 bilh\u00f5es \u2013 acaba indo parar em outros destinos. Muitas vezes, no bolso de pol\u00edticos corruptos. Dez anos ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do fundo, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje n\u00e3o tem nenhum mecanismo destinado a fiscalizar a aplica\u00e7\u00e3o do dinheiro. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Para fiscalizar a destina\u00e7\u00e3o das verbas do Fundef, a Controladoria Geral da Uni\u00e3o sorteia munic\u00edpios todos os meses e manda fiscais conferirem como os prefeitos utilizam os recursos. O resultado tem sido desastroso. Ao longo de 2005, os fiscais percorreram 51 munic\u00edpios. Em mais da metade, encontraram desvio das verbas do Fundef e evid\u00eancias de fraudes. Em 78,4%, havia irregularidades em licita\u00e7\u00f5es. Por lei, o dinheiro do fundo deve ser usado para reforma de escolas, compra de materiais did\u00e1ticos, transporte e merenda escolar, pagamento e forma\u00e7\u00e3o de professores de primeira \u00e0 oitava s\u00e9rie. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Na pr\u00e1tica, a teoria \u00e9 outra. O munic\u00edpio piauiense de Boqueir\u00e3o, aquele no qual o professor Sebasti\u00e3o leciona em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, \u00e9 um dos que figuram no mapa dos desvios. Quando era prefeito, Raimundo Nonato Soares contratou uma empresa que ele mesmo havia fundado, e que levava seu nome, para realizar obras. Tudo com verba do Fundef e sem licita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o satisfeito, usou dinheiro do fundo para pagar o sal\u00e1rio dele e do vice-prefeito. Foi flagrado e acabou processado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal. \u201cO recurso foi para todas as finalidades poss\u00edveis, menos para a educa\u00e7\u00e3o\u201c, acusou o MP. Em Regenera\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m no Piau\u00ed, a prefeitura recebeu R$ 1,7 milh\u00e3o entre 1998 e 2000. Nunca prestou contas. Questionado, o ex-prefeito Eduardo Piauilino apresentou notas de despesas fict\u00edcias. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> No munic\u00edpio baiano de Muqu\u00e9m de S\u00e3o Francisco, os fiscais descobriram que R$ 37,7 mil do Fundef foram para a conta de um posto de gasolina do primo do secret\u00e1rio de Transportes. Cursos de capacita\u00e7\u00e3o para professores constavam das presta\u00e7\u00f5es de contas, mas nunca existiram. E notas fiscais falsificadas foram usadas para justificar saques em esp\u00e9cie da conta em que a prefeitura recebia a verba. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Ainda na Bahia, na pequenina Pirip\u00e1, de 16 mil habitantes, foram descobertas 22 escolas fantasmas. Dos casos conhecidos, alguns se tornaram folcl\u00f3ricos, como o da Prefeitura de S\u00e3o Francisco do Conde, regi\u00e3o metropolitana de Salvador, que pagou R$ 629 mil por um carregamento de material did\u00e1tico que inclu\u00eda 4,3 milh\u00f5es de unidades de el\u00e1stico de amarrar dinheiro. &nbsp;<br \/>  No hist\u00f3rico das roubalheiras tem at\u00e9 trag\u00e9dia. Em 2003, no munic\u00edpio de Satuba, Alagoas, o professor Paulo Henrique Bandeira denunciou desvio de verba do fundo e acabou assassinado. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> Al\u00e9m dos sorteios da CGU, os esc\u00e2ndalos s\u00e3o descobertos a partir de den\u00fancias. Mas, ainda assim, o que se conhece das fraudes \u00e9 infinitamente pequeno em rela\u00e7\u00e3o ao volume de recursos. Hoje, a responsabilidade pela fiscaliza\u00e7\u00e3o esbarra num jogo de empurra. O MEC repete que n\u00e3o tem atribui\u00e7\u00e3o de averiguar como as prefeituras gastam o dinheiro. Sustenta que a tarefa cabe ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU), que diz que a incumb\u00eancia \u00e9 dos tribunais de contas municipais e estaduais. O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal tem cobrado provid\u00eancias do governo federal. Quer um mecanismo eficiente de controle. Quando era controlador-geral da Uni\u00e3o, o ministro Waldir Pires, hoje na Defesa, admitiu em of\u00edcio enviado ao ent\u00e3o procurador-geral da Rep\u00fablica, Claudio Fonteles, que o MEC deveria controlar a farra. &nbsp;<br \/> &nbsp;<br \/> \u201cA gest\u00e3o de qualquer atividade, plano ou programa compreende o exerc\u00edcio do controle e da fiscaliza\u00e7\u00e3o sobre sua execu\u00e7\u00e3o\u201c, escreveu ele, em julho de 2004. Naquele tempo, Pires informou que cobrara provid\u00eancias ao colega da Educa\u00e7\u00e3o, Tarso Genro. Quase dois anos depois, o MP voltou a exortar o MEC. Acabou de receber, em of\u00edcio, a resposta de sempre: que a tarefa de fiscalizar n\u00e3o cabe ao Minist\u00e9rio. O ralo do Fundef continua, assim, engolindo verbas.&nbsp;<br \/>  &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sebasti\u00e3o Sousa, 40 anos, d\u00e1 aula de hist\u00f3ria na escolinha do acanhado munic\u00edpio de Boqueir\u00e3o do Piau\u00ed, no sert\u00e3o piauiense. Por l\u00e1, reclama\u00e7\u00e3o \u00e9 o que n\u00e3o falta. Nem o quadro-negro escapa. \u201cO giz n\u00e3o pega\u201c, diz ele. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3: as carteiras escolares est\u00e3o quebradas e muitas vezes os alunos ficam sem merenda. 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