{"id":15119,"date":"2021-10-15T16:02:36","date_gmt":"2021-10-15T19:02:36","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=15119"},"modified":"2021-10-15T16:02:36","modified_gmt":"2021-10-15T19:02:36","slug":"como-a-tecnologia-pode-ser-parceira-da-leitura-na-hora-de-alfabetizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/como-a-tecnologia-pode-ser-parceira-da-leitura-na-hora-de-alfabetizar\/","title":{"rendered":"Como a tecnologia pode ser parceira da leitura na hora de alfabetizar"},"content":{"rendered":"<p>O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu certa vez um microconto sobre um menino que nunca tinha visto o mar. Ao se deparar com a imensid\u00e3o das ondas pela primeira vez, a crian\u00e7a pediu ao pai: \u201cMe ensina a ver\u201d, tamanho era o espanto.<!--more--><\/p>\n<p>Ler o mundo requer que, por vezes, o educador ou educadora fa\u00e7a esse papel de ajudar os estudantes a ver. No contexto de alfabetiza\u00e7\u00e3o, com cada vez mais possibilidades de leituras \u2013 seja em texto, em v\u00eddeo ou \u00e1udio \u2013 avaliar o progresso passa por compreender os sentidos. Tudo isso sem deixar de observar o papel da tecnologia.<\/p>\n<p>M\u00faltiplas plataformas e ferramentas tecnol\u00f3gicas servem de apoio aos educadores e educadoras, pois permitem que sejam trabalhados diferentes gostos, de maneira mais personalizada \u2013 tamb\u00e9m quando se pensa em leitura. \u201cA tecnologia potencializa, permite que o professor acompanhe com mais clareza os processos. A quest\u00e3o da democratiza\u00e7\u00e3o do acesso tamb\u00e9m \u00e9 fundamental. Quando se democratiza o acesso \u00e0 tecnologia, se permite que o aluno fa\u00e7a escolhas\u201d, diz Kamilla Martins, coordenadora de consultoria pedag\u00f3gica na \u00c1rvore.<\/p>\n<p>Nessa possibilidade de poder escolher e descobrir o que se gosta de ler, por exemplo, Kamilla aponta que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel alfabetizar sem, ao mesmo tempo, dar sentido ao que est\u00e1 sendo lido.<\/p>\n<p>Aprender a ler \u00e9 aprender a ver. \u00c9 sempre importante observar a leitura a partir dessa perspectiva mais ampla, que n\u00e3o se relaciona unicamente \u00e0 leitura de texto, mas \u00e0s diferentes formas de ler a vida, as rela\u00e7\u00f5es e as intera\u00e7\u00f5es. Existem mensagens que s\u00e3o passadas por meio de imagens, de v\u00eddeos e de m\u00fasicas. Uma capa de um livro tamb\u00e9m transmite uma informa\u00e7\u00e3o, e \u00e9 uma leitura poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cToda vez que eu leio algo, n\u00e3o estou lendo somente o que est\u00e1 escrito, eu leio o que est\u00e1 escrito em rela\u00e7\u00e3o a v\u00e1rias outras leituras que foram feitas por aquela pessoa que comp\u00f4s o texto e v\u00e1rias outras leituras que eu tamb\u00e9m fiz ao longo da minha vida\u201d, afirma Kamilla. \u201cA gente l\u00ea aquilo que temos dentro de n\u00f3s mesmos.\u201d<\/p>\n<p>Todo ser humano que nasce em centros urbanos est\u00e1 inserido dentro de uma sociedade letrada e, portanto, n\u00e3o deve ser considerado como algo vazio ou sem conte\u00fado. At\u00e9 mesmo quando se pensa na gama de leituras poss\u00edveis, ler menos texto n\u00e3o significa necessariamente que n\u00e3o existe leitura nenhuma.<\/p>\n<p>O que jovens e adolescentes veem nas redes sociais, por exemplo, tamb\u00e9m \u00e9 um tipo de leitura. Estando nas redes envolve, portanto, tecnologia, o que leva a um outro tipo de alfabetiza\u00e7\u00e3o: a midi\u00e1tica.<\/p>\n<p>O letramento midi\u00e1tico passou a ser cada vez mais importante no cotidiano escolar devido ao aumento da quantidade de informa\u00e7\u00f5es que circulam na internet e ao avan\u00e7o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Compreender, ter uma postura cr\u00edtica e racional a respeito desse material \u00e9 o que a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica prop\u00f5e, al\u00e9m de ser uma forma de educa\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Alfabetiza\u00e7\u00e3o aliada \u00e0 tecnologia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 preciso ensinar a ver. Para usar uma defini\u00e7\u00e3o, Kamilla aponta que alfabetiza\u00e7\u00e3o seria o processo de inser\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo no mundo. N\u00e3o se trata somente de ensinar os c\u00f3digos, ou seja, que esse s\u00edmbolo \u201cA\u201d representa uma letra e que, junto deste \u201cB\u201d forma uma s\u00edlaba. Os c\u00f3digos s\u00e3o extremamente importantes, mas representam apenas uma parcela de todo o processo complexo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. \u201cNessa perspectiva, ela [a alfabetiza\u00e7\u00e3o] assume um car\u00e1ter cr\u00edtico do mundo.\u201d<\/p>\n<p>Alfabetizar atualmente n\u00e3o depende apenas de recursos anal\u00f3gicos. As escolas devem estar abertas \u00e0s possibilidades de uso de leitura em plataformas digitais, como o caso da pr\u00f3pria \u00c1rvore de Livros. \u201cA tecnologia tem sido um recurso riqu\u00edssimo, trazendo para a pr\u00e1tica alfabetizadora, materiais coloridos, interativos, divertidos e principalmente do interesse desta gera\u00e7\u00e3o que j\u00e1 nasceu em meio a este mundo tecnol\u00f3gico. Existem muitos sites e aplicativos com jogos que estimulam habilidades ligadas \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da leitura e da escrita\u201d, afirma a professora Sabrina dos Santos Rocha, coordenadora pedag\u00f3gica na Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o de Tramanda\u00ed (RS).<\/p>\n<p>A crian\u00e7a que vive em um meio letrado, tem maior facilidade em desenvolver as habilidades necess\u00e1rias para a leitura e para a escrita.<\/p>\n<p>Para Sabrina, se atualmente \u00e9 poss\u00edvel trabalhar a leitura com o apoio da tecnologia, por que n\u00e3o us\u00e1-la? \u201cAqui no munic\u00edpio temos professores alfabetizadores maravilhosos, que em meio \u00e0 pandemia, se destacaram criando canais no YouTube, produzindo seus pr\u00f3prios v\u00eddeos de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Outros aprenderam a criar seus pr\u00f3prios jogos pedag\u00f3gicos em sites, para poderem jogar de forma online nas aulas s\u00edncronas durante o per\u00edodo de aulas remotas\u201d, conta.<\/p>\n<p>Onde Sabrina leciona, a leitura \u00e9 trabalhada desde o in\u00edcio da alfabetiza\u00e7\u00e3o. Eles utilizam r\u00f3tulos de produtos, nomes de marcas conhecidas, imagens e placas ao redor da escola. S\u00e3o diferentes estrat\u00e9gias de inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 leitura, todas desde o in\u00edcio da escolaridade.<\/p>\n<p>\u201cA crian\u00e7a que vive em um meio letrado, tem maior facilidade em desenvolver as habilidades necess\u00e1rias para a leitura e para a escrita. Al\u00e9m disso, crian\u00e7as pequenas que convivem com adultos que leem para elas, desenvolvem a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e o gosto pela leitura. Hoje, al\u00e9m de aproveitar o deleite de ler um bom livro f\u00edsico, contamos com a facilidade de ter na palma das m\u00e3os diversas obras liter\u00e1rias digitais\u201d, reflete.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o de sentidos<\/strong><\/p>\n<p>O progresso da leitura est\u00e1, de certa forma, na maneira como ela \u00e9 apresentada. Est\u00e1 tamb\u00e9m na intencionalidade da inclus\u00e3o de leitura em sala de aula, mesmo dentro do escopo de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Nesse processo, Kamilla considera que \u00e9 importante trabalhar n\u00e3o s\u00f3 a capacidade de ler e compreender, como tamb\u00e9m de produzir. Isso tamb\u00e9m \u00e9 alfabetizar.<\/p>\n<p>Em outras palavras, fala-se muito sobre a leitura dentro do processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o e menos sobre a escrita, ou seja, na autoria. Isso pode acontecer, por exemplo, pedindo para que a crian\u00e7a fa\u00e7a um reconto ou reflita sobre determinada narrativa e conte de que forma ela pode se conectar com a sua vida.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o estimular essa resposta criativa. Mesmo se a crian\u00e7a n\u00e3o der uma resposta que a gente queira ouvir. A partir dessa resposta criativa, a gente tamb\u00e9m est\u00e1 estimulando a autoria, e acho que isso torna o processo da alfabetiza\u00e7\u00e3o assim, de modo geral, tamb\u00e9m muito rico\u201d, aponta Kamilla.<\/p>\n<p>Assim como a experi\u00eancia de ver o mar fez com que o menino pedisse ajuda ao pai, o processo de tornar-se criativo, compreender o mundo e ter uma leitura mais ampla da vida, requer que educadores e educadoras estejam cientes, ativos e abertos a usar diferentes ferramentas \u2013 tecnol\u00f3gicas, inclusive.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano escreveu certa vez um microconto sobre um menino que nunca tinha visto o mar. 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