{"id":15092,"date":"2021-10-13T14:36:24","date_gmt":"2021-10-13T17:36:24","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=15092"},"modified":"2021-10-13T14:36:24","modified_gmt":"2021-10-13T17:36:24","slug":"novo-ensino-medio-comeca-em-2022-de-forma-desigual-pelo-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/novo-ensino-medio-comeca-em-2022-de-forma-desigual-pelo-pais\/","title":{"rendered":"Novo ensino m\u00e9dio come\u00e7a em 2022 de forma desigual pelo pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p>Com a entrada em vigor do novo ensino m\u00e9dio a partir de 2022, escolas p\u00fablicas e privadas dever\u00e3o implementar mudan\u00e7as no 1\u00ba ano dessa etapa do ensino. A come\u00e7ar pela carga hor\u00e1ria, que sobe de 4 para 5 horas di\u00e1rias. Mas essa revolu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 sentida de maneira desigual a depender de onde o estudante vive.<!--more--><\/p>\n<p>Veja os principais pontos do novo ensino m\u00e9dio:<\/p>\n<p>Sabe aquele modelo tradicional de aprender s\u00f3 sobre matem\u00e1tica na aula de matem\u00e1tica, s\u00f3 sobre portugu\u00eas na aula de portugu\u00eas? N\u00e3o ser\u00e1 mais assim: as disciplinas precisar\u00e3o \u201cse conversar\u201d, em vez de ficarem separadas em \u201cgavetinhas\u201d distintas.<\/p>\n<p>O tempo de perman\u00eancia na escola aumentar\u00e1 de 4 para 5 horas di\u00e1rias. O objetivo \u00e9 que a carga hor\u00e1ria cres\u00e7a progressivamente para haver mais col\u00e9gios em tempo integral (com 7 horas di\u00e1rias).<\/p>\n<p>Cada estudante poder\u00e1 montar seu pr\u00f3prio ensino m\u00e9dio, escolhendo as \u00e1reas nas quais se aprofundar\u00e1. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que sejam tr\u00eas anos de estudo com: conhecimentos b\u00e1sicos de cada disciplina + conte\u00fados focados nos objetivos pessoais e profissionais dos alunos.<\/p>\n<p>Foi criado o chamado \u201cprojeto de vida\u201d: um componente transversal que ser\u00e1 oferecido nas escolas para ajudar os jovens a entender suas aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o: nenhuma disciplina vai sumir do curr\u00edculo. Pelo contr\u00e1rio: todas elas dever\u00e3o ser oferecidas seguindo as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) &#8211; um documento que estabelece as habilidades e mat\u00e9rias que precisam ser ensinadas a todos.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as acima s\u00e3o regulamentadas por uma lei aprovada em 2017 \u2013 ou seja, as redes de ensino tiveram 4 anos para se preparar at\u00e9 a estreia, marcada para o in\u00edcio do ano que vem.<\/p>\n<p>O in\u00edcio, entretanto, vai variar de um estado para outro.<\/p>\n<p>Em Alagoas, por exemplo, uma parte dos alunos do 1\u00ba ano do ensino m\u00e9dio j\u00e1 poder\u00e1 escolher em quais \u00e1reas vai se aprofundar. No Rio de Janeiro, por outro lado, as disciplinas eletivas s\u00f3 come\u00e7ar\u00e3o a ser implementadas em 2023.<\/p>\n<p>Outra diferen\u00e7a est\u00e1 no n\u00famero de profissionais: o governo de S\u00e3o Paulo vai contratar 10 mil novos professores para dar conta das mudan\u00e7as, enquanto Goi\u00e1s n\u00e3o tem a inten\u00e7\u00e3o de aumentar o corpo docente.<\/p>\n<p>Especialistas alertam tamb\u00e9m para as disparidades no investimento feito pelo estados para preparar os professores para o novo ensino m\u00e9dio. E lembram que a qualidade do ensino \u00e0 dist\u00e2ncia durante a pandemia varia muito de um estado para o outro, o que faz com que ela tenha tido impacto diferente no conhecimento adquirido pelos alunos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 algo preocupante em termos de desigualdade\u201d, afirma Lucas Fernandes Hoogerbrugge, l\u00edder de rela\u00e7\u00f5es governamentais do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando a reforma foi aprovada, havia um projeto do governo federal para apoiar a implementa\u00e7\u00e3o dessas mudan\u00e7as. Mas o que a gente vive hoje \u00e9 a total falta de coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Com isso, os estados que estavam mais \u2018prontos\u2019 avan\u00e7aram, e os que n\u00e3o tinham debate t\u00e3o amadurecido ficaram para tr\u00e1s\u201d.<\/p>\n<p>Apenas em setembro deste ano, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o lan\u00e7ou o programa Itiner\u00e1rios Formativos, para dar apoio financeiro \u00e0s escolas. \u201cDepois de 2 anos de aus\u00eancia, agora o MEC est\u00e1 se colocando mais na pauta do ensino m\u00e9dio\u201d, diz Carlos Lordelo, coordenador de ensino m\u00e9dio do Movimento pela Base (MPB).<\/p>\n<p>O g1 procurou o MEC, mas a pasta n\u00e3o se manifestou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>Veja, abaixo, mais detalhes sobre como vai funcionar o novo ensino m\u00e9dio e a situa\u00e7\u00e3o pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Curr\u00edculos: nem todos os estados decidiram o que oferecer aos alunos<\/strong><\/p>\n<p>Cada estado \u00e9 respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o do seu curr\u00edculo: precisa definir como vai colocar em pr\u00e1tica a BNCC (aquela parte obrigat\u00f3ria, com os conte\u00fados de todas as disciplinas) e que tipo de conhecimento vai oferecer na parte flex\u00edvel das aulas (quando os jovens escolhem que trilha ou itiner\u00e1rio a seguir).<\/p>\n<p>As redes teriam de fazer consultas p\u00fablicas, formular uma proposta e entreg\u00e1-la ao Conselho Estadual de Educa\u00e7\u00e3o, que, ap\u00f3s debates, chegaria \u00e0 vers\u00e3o final e homologaria o documento.<\/p>\n<p>Em outubro de 2021, a dois meses do fim do ano letivo, essas etapas foram conclu\u00eddas em 16 estados, segundo o Observat\u00f3rio da Implementa\u00e7\u00e3o, do Movimento Pela Base. Bahia, Maranh\u00e3o e Rio Grande do Norte sequer entregaram a proposta aos conselhos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um ponto de aten\u00e7\u00e3o importante, porque o curr\u00edculo \u00e9 a espinha dorsal do ensino m\u00e9dio. Ele vai conversar com a forma\u00e7\u00e3o dos professores, com os materiais did\u00e1ticos e com as avalia\u00e7\u00f5es, em um sistema coerente\u201d, diz Lordelo.<\/p>\n<p>Segundo ele, os docentes precisam saber com anteced\u00eancia como o estado vai trabalhar determinada aprendizagem prevista na BNCC.<\/p>\n<p>\u201cResta um tempo curto para definir isso e formar professores nessa nova perspectiva\u201d, completa.<\/p>\n<p>O g1 entrou em contato com as secretarias de educa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas estados acima para saber o motivo do atraso, mas n\u00e3o recebeu resposta at\u00e9 a \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria.<\/p>\n<p>Acre, Alagoas, Cear\u00e1, Goi\u00e1s, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins enviaram a proposta aos conselhos e aguardam resposta.<\/p>\n<p><strong>Nem todos os estados ter\u00e3o itiner\u00e1rio formativo em 2021<\/strong><\/p>\n<p>Aquela parte espec\u00edfica do curr\u00edculo, que pode ser escolhida pelo jovem, \u00e9 chamada de itiner\u00e1rio formativo.<\/p>\n<p>Cada estado deve definir um leque de op\u00e7\u00f5es dentro de cinco &#8220;guarda-chuvas&#8221; principais: linguagens, matem\u00e1tica, ci\u00eancias humanas, ci\u00eancias da natureza e ensino t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>E cada estado vai definir como administrar isso: no Rio de Janeiro, por exemplo, os alunos, com exce\u00e7\u00e3o das escolas integrais, v\u00e3o ter apenas conte\u00fados da BNCC em 2022. As escolhas de itiner\u00e1rios formativos s\u00f3 v\u00e3o valer a partir de 2023.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Goi\u00e1s, os estudantes poder\u00e3o escolher os itiner\u00e1rios formativos j\u00e1 em 2022, e ter\u00e3o \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o 17 op\u00e7\u00f5es (veja no gr\u00e1fico abaixo). Um aluno do estado poder\u00e1, portanto, escolher uma trilha integrada, como \u201cviagem ao redor de mama Gaia\u201d, e usar nela 1.200 horas de aula das 3.000 que ter\u00e1 ao longo dos 3 anos de ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Pernambuco oferecer\u00e1 16 trilhas formativas nas \u00e1reas de conhecimento, al\u00e9m das de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica profissional (veja no infogr\u00e1fico abaixo).<\/p>\n<p>Uma delas \u00e9 \u201cdesenvolvimento social e sustentabilidade\u201d, na qual o estudante ser\u00e1 estimulado a compreender e propor alternativas inovadoras para problemas locais relacionados a meio ambiente e sociedade.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 pr\u00f3s e contras de colocar o itiner\u00e1rio no come\u00e7o do ensino m\u00e9dio: a vantagem \u00e9 j\u00e1 mostrar para o aluno que ser\u00e1 tudo diferente, que ele vai poder escolher o que estudar. A desvantagem \u00e9 que, se obrigar que o jovem fa\u00e7a sua op\u00e7\u00e3o logo de cara, ele pode se frustrar por n\u00e3o saber ainda o que quer\u201d, explica Lordelo.<\/p>\n<p><strong>Oferta de itiner\u00e1rios deve ser menor fora dos grandes centros<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 importante entender que as escolas n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a oferecer todos os itiner\u00e1rios do \u201ccard\u00e1pio\u201d do estado &#8211; at\u00e9 porque isso exigiria mais espa\u00e7o e contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Elas podem, por exemplo, escolher apenas duas \u00e1reas para ofertar. E a\u00ed entra mais uma quest\u00e3o de desigualdade: jovens de cidades pequenas, com menos recursos, ter\u00e3o um leque mais reduzido de op\u00e7\u00f5es para escolher.<\/p>\n<p>Segundo o Censo Escolar mais recente, divulgado em 2020, 48% das cidades do Brasil t\u00eam apenas uma escola regular com ensino m\u00e9dio \u2013 s\u00e3o casos em que o jovem ter\u00e1 de se conformar com os poucos itiner\u00e1rios oferecidos no seu pr\u00f3prio col\u00e9gio.<\/p>\n<p>\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o bem diferente da de um adolescente da capital paulista, onde o n\u00famero maior de institui\u00e7\u00f5es de ensino p\u00fablicas com essa etapa (679) possibilita o oferecimento de uma lista mais extensa de itiner\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 mais um risco de agravamento de desigualdades. Uma cidade com apenas uma escola de ensino m\u00e9dio vai ter muito mais dificuldade de ofertar itiner\u00e1rios diversificados. E s\u00e3o justamente regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis, com professores com menos forma\u00e7\u00e3o\u201d, explica Anna Helena Altenfelder, presidente do Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria (Cenpec).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 poss\u00edvel que os alunos da zona rural, por exemplo, n\u00e3o se beneficiem tanto da reforma do ensino m\u00e9dio como os das regi\u00f5es centrais.\u201d<\/p>\n<p><strong>Nem todos os estados refor\u00e7ar\u00e3o corpo docente<\/strong><\/p>\n<p>A oferta de novos itiner\u00e1rios formativos e a reestrutura\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo fizeram com que alguns estados contratassem novos professores. \u00c9 claro que isso depende da disponibilidade or\u00e7ament\u00e1ria e do tamanho da rede.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, por exemplo, contar\u00e1 com 10 mil novos docentes; Alagoas selecionar\u00e1 3 mil. J\u00e1 Goi\u00e1s prev\u00ea \u201ccontinuar a trabalhar com os professores da rede p\u00fablica estadual\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO importante \u00e9 que haja um bom planejamento das capacidades de oferta e demanda de aulas. O trabalho depender\u00e1 dessa organiza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Lordelo.<\/p>\n<p><strong>Forma\u00e7\u00e3o de professores<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo nos estados que n\u00e3o implementar\u00e3o os itiner\u00e1rios formativos ainda em 2022, como o Rio de Janeiro, a mudan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dio ser\u00e1 sentida pelo in\u00edcio da BNCC (s\u00f3 para refrescar a sua mem\u00f3ria: \u00e9 aquele novo documento que coloca uma base de conte\u00fados a serem ensinados).<\/p>\n<p>\u201cOs professores ser\u00e3o mobilizados para trabalhar de maneira interdisciplinar, com projetos que integrem mais disciplinas. Isso \u00e9 uma novidade grande, e eles precisam receber a forma\u00e7\u00e3o adequada\u201d, diz Altenfelder, do Cenpec.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento do Movimento Pela Base, at\u00e9 janeiro de 2021 tr\u00eas estados ainda n\u00e3o haviam iniciado os planos de forma\u00e7\u00e3o docente: Cear\u00e1, Par\u00e1 e Paran\u00e1. J\u00e1 Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, S\u00e3o Paulo e Sergipe declaram que j\u00e1 finalizaram essa etapa. Nos demais, os cursos est\u00e3o em andamento.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s estamos inseguros\u201d, conta Miriam Isabel Pretto, professora da rede estadual ga\u00facha.<\/p>\n<p>\u201cConhe\u00e7o a BNCC na teoria, mas precisaria de mais forma\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma pol\u00edtica imposta de cima para baixo, para tornar o ensino m\u00e9dio atraente, mas tudo est\u00e1 muito distante da nossa realidade.\u201d<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Mara Cristina de Almeida, diretora estadual da Apeoesp, o sindicato dos professores estaduais, tamb\u00e9m sente que n\u00e3o recebeu o preparo adequado.<\/p>\n<p>\u201cA forma\u00e7\u00e3o que recebemos foi muito superficial. \u00c9 um cen\u00e1rio de desmotiva\u00e7\u00e3o e inseguran\u00e7a. Eu precisaria de uma redu\u00e7\u00e3o de jornada para conseguir preparar novas aulas de maneira decente\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ao g1, a rede estadual do RS afirmou que foram feitas 299 &#8220;maratonas&#8221; com professores, e que a forma\u00e7\u00e3o deles continuar\u00e1 ap\u00f3s o curr\u00edculo ser homologado. J\u00e1 a secretaria de SP disse que tem proporcionado forma\u00e7\u00f5es mensais, de forma on-line e presencial. Nos pr\u00f3ximos meses, segundo o \u00f3rg\u00e3o, a rede paulista preparar\u00e1 os docentes com materiais did\u00e1ticos e aprofundamento dos itiner\u00e1rios formativos.<\/p>\n<p>Para Hoogerbrugge, do Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso haver uma orienta\u00e7\u00e3o permanente. \u201cA forma\u00e7\u00e3o de professor n\u00e3o se faz em um ano: precisa de um per\u00edodo para que ele se aproprie da BNCC, entenda o que ela traz. As redes devem se programar para planos de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a secretaria de educa\u00e7\u00e3o do Piau\u00ed, por exemplo, a pandemia dificultou a implementa\u00e7\u00e3o de cursos aos docentes.<\/p>\n<p>\u201cAs atividades de forma\u00e7\u00e3o com oficinas e intera\u00e7\u00f5es presenciais ficaram prejudicadas\u201d, afirma a Seduc, em nota.<\/p>\n<p>Leila Perussolo, secret\u00e1ria de educa\u00e7\u00e3o em Roraima e uma das articuladoras do novo ensino m\u00e9dio na rede do Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Educa\u00e7\u00e3o (Consed), ressalta que a experi\u00eancia pr\u00e1tica vai mostrar os desafios das mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cO dia a dia, nesse processo de imers\u00e3o, ajudar\u00e1 o professor a entender como dever\u00e1 romper com o que estava consolidado at\u00e9 ent\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de sentar e estudar. Precisa vivenciar.\u201d<\/p>\n<p><strong>Impactos da pandemia<\/strong><\/p>\n<p>Os alunos que ingressar\u00e3o no 1\u00ba ano do ensino m\u00e9dio em 2022 ficaram sem aulas presenciais durante todo o 8\u00ba ano do ensino fundamental e em boa parte do 9\u00ba. Haver\u00e1 defasagens, evidentemente, que precisar\u00e3o ser compensadas.<\/p>\n<p>\u201cPrecisaremos respeitar o que era previsto para a reforma do ensino m\u00e9dio, mas sem desconsiderar a pandemia. Teremos de formular um curr\u00edculo transit\u00f3rio com base no que foi feito durante os \u00faltimos meses\u201d, diz Perussolo.<\/p>\n<p>E a\u00ed entra mais um componente de desigualdade: o novo projeto escolar vai come\u00e7ar para todos em 2022, mas de pontos de partida totalmente diferentes.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e o Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) criaram o \u00cdndice de Educa\u00e7\u00e3o \u00e0 Dist\u00e2ncia para avaliar a atua\u00e7\u00e3o das redes estaduais no ensino remoto durante a pandemia.<\/p>\n<p>O estudo deixou claro que desigualdades regionais foram agravadas neste per\u00edodo: enquanto houve estados que rapidamente se mobilizaram para desenvolver planos de educa\u00e7\u00e3o remota, outros demoraram meses para apresentar as primeiras iniciativas.<\/p>\n<p>\u201cEstados mais ricos foram, em m\u00e9dia, os que apresentaram os melhores planos\u201d, afirma a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram considerados crit\u00e9rios de:<\/p>\n<p>transmiss\u00e3o dos conte\u00fados (internet, TV e r\u00e1dio);<\/p>\n<p>formas de acesso (se houve iniciativas de conex\u00e3o \u00e0 internet ou de distribui\u00e7\u00e3o de materiais);<\/p>\n<p>supervis\u00e3o dos alunos (se foram ou n\u00e3o acompanhados pelas escolas)<\/p>\n<p>e cobertura das atividades (quais etapas foram atendidas).<\/p>\n<p>De mar\u00e7o a outubro de 2020, o cen\u00e1rio foi insatisfat\u00f3rio: a nota m\u00e9dia dos planos estaduais foi de 2,38 (de 0 a 10). A falta de coordena\u00e7\u00e3o nacional do MEC \u00e9 uma das justificativas apresentadas pelas redes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a entrada em vigor do novo ensino m\u00e9dio a partir de 2022, escolas p\u00fablicas e privadas dever\u00e3o implementar mudan\u00e7as no 1\u00ba ano dessa etapa do ensino. A come\u00e7ar pela carga hor\u00e1ria, que sobe de 4 para 5 horas di\u00e1rias. 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