{"id":1502,"date":"2006-06-19T16:06:00","date_gmt":"2006-06-19T19:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/06\/19\/contas-magicas\/"},"modified":"2006-06-19T16:06:00","modified_gmt":"2006-06-19T19:06:00","slug":"contas-magicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/contas-magicas\/","title":{"rendered":"Contas m\u00e1gicas"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea possivelmente sabe que os magos Paulo Coelho e Harry Potter est\u00e3o entre os campe\u00f5es de venda de livros no Brasil, ao lado de nomes como Lya Luft e Augusto Cury. Mas, se voc\u00ea quiser saber com precis\u00e3o quantos exemplares de livros s\u00e3o comercializados no mercado brasileiro, \u00e9 melhor munir-se de cautela. Sem auditoria p\u00fablica ou privada que comprove as tiragens e vendas, os n\u00fameros divulgados \u00e0s vezes parecem extra\u00eddos de uma obra de fic\u00e7\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Os principais editores brasileiros afirmam que n\u00e3o maquiam seus resultados, mas dizem ver \u201cexageros\u201c em n\u00fameros que saem na imprensa. \u201cH\u00e1 quem diga que no mercado editorial n\u00e3o h\u00e1 tiragem, h\u00e1 mentiragem, mas isso \u00e9 piada\u201c, comenta Carlos Augusto Lacerda, da Nova Fronteira. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cEsses n\u00fameros n\u00e3o afetam a lista de mais vendidos, afetam o esp\u00edrito do livreiro e do leitor, que enxergam na tiragem divulgada uma certid\u00e3o do tamanho da aposta editorial, do potencial de vendas e de leitura.\u201c \u00a0<br \/> A falta de credibilidade das cifras do mercado editorial brasileiro tem ra\u00edzes no passado. A Folha apurou que, em 1992, os n\u00fameros de vendagem da obra de Graciliano Ramos, como divulgados pela Record, batiam a marca de 5 milh\u00f5es de exemplares. Hoje, a editora divulga que esse n\u00famero n\u00e3o passa de 3,5 milh\u00f5es. \u00a0<br \/> O que explica a queda, em vez do esperado aumento em 14 anos? A resposta pode ser o \u201cfator 2\u201c, segundo a diretora editorial Luciana Villas-Boas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cQuando comecei a trabalhar na Record, em 1995, via que apareciam na imprensa n\u00fameros de venda de nossos livros muito diferentes daqueles que eu conhecia internamente. Fui indagar, e me disseram: \u201cVoc\u00ea n\u00e3o sabe do fator 2? \u00c9 usado por toda a ind\u00fastria editorial\u201c. E isso significava duplicar todos os n\u00fameros para efeito de divulga\u00e7\u00e3o. Naquela \u00e9poca, particularmente, os n\u00fameros da ind\u00fastria editorial eram melanc\u00f3licos\u201c, conta Villas-Boas. \u201cPedi que isso n\u00e3o fosse mais feito, o que aconteceu.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Exageros\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> Embora afirmem que nunca ouviram falar do \u201cfator 2\u201c, outros grandes editores do pa\u00eds reconhecem o hist\u00f3rico ca\u00f3tico dos n\u00fameros no Brasil. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, diz que \u201cno passado, a gente via que o mercado praticava n\u00fameros que n\u00e3o correspondiam \u00e0 realidade\u201c. Hoje ele cr\u00ea que o quadro seja diferente. Marcos Pereira, da Sextante, acha que os exageros \u201cs\u00e3o cada vez menores\u201c.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> J\u00e1 Paulo Rocco, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livro e dono da editora que leva seu nome, coloca o verbo no presente para falar do expediente: \u201cN\u00e3o conhecia o termo, mas sempre ou\u00e7o falar. E, com minha experi\u00eancia de editor, vejo alguns n\u00fameros exagerados. Como dizia o Leonel Brizola, isso \u201cj\u00e1 vem de longe\u201c. De qualquer maneira, \u00e9 conden\u00e1vel. N\u00e3o sei se seria o caso de uma a\u00e7\u00e3o policialesca, mas de conscientiza\u00e7\u00e3o\u201c. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Villas-Boas diz que pode \u201cabrir os arquivos\u201c da editora Record quando fala que a escritora Lya Luft (\u201cPerdas e Ganhos\u201c), best-seller da casa, vendeu mais de 550 mil exemplares. Sem \u201cfator 2\u201c. Ela tamb\u00e9m defende que atualmente a maioria dos editores j\u00e1 n\u00e3o exagera, pois \u201cfica muito bobo\u201c. Mas faz uma ressalva: \u201c\u00c0s vezes ainda me surpreendo com rep\u00f3rteres que reproduzem cifras estapaf\u00fardias\u201c. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Lacerda diz que, se o \u201cfator 2\u201c \u00e9 fato ou fic\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o tem como apurar. Mas o editor lan\u00e7a uma nova d\u00favida no ar: \u201cO que me deixa com a pulga atr\u00e1s da orelha s\u00e3o livros que j\u00e1 saem anunciados com tiragem de 20 mil a 50 mil esgotada em poucos dias. Quando de fato acontece, esses livros \u00e9 que s\u00e3o o motor do mercado, que mant\u00e9m as editoras e livrarias com as contas em dia. Em outras palavras, isso acontece, \u00e9 muito desej\u00e1vel que aconte\u00e7a, mas \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o aconte\u00e7a tanto quanto divulgam.\u201c \u00a0<br \/> Existe ainda o expediente de alterar o n\u00famero da edi\u00e7\u00e3o que aparece no livro sem que uma nova tiragem tenha sido feita. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para se diferenciar dessa pr\u00e1tica, a Companhia das Letras, por exemplo, adota um procedimento diferente: n\u00e3o fala que fez uma nova edi\u00e7\u00e3o de um livro, a n\u00e3o ser que fa\u00e7a mudan\u00e7as no conte\u00fado. Em vez disso, indica que aquele livro \u00e9 uma \u201creimpress\u00e3o\u201c. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Outro aspecto que dificulta chegar a n\u00fameros consolidados \u00e9 o fato de, nos \u00faltimos anos, editoras e livreiros adotarem um sistema de consigna\u00e7\u00e3o, em que as livrarias s\u00f3 pagam pelo que vendem, devolvendo sobras. Quando um t\u00edtulo vende bem, as editoras divulgam o n\u00fameros de distribui\u00e7\u00e3o como sendo de venda, porque d\u00e3o como certo o retorno. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Avalia\u00e7\u00f5es do mercado t\u00eam discrep\u00e2ncias\u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> O caos dos n\u00fameros n\u00e3o se limita \u00e0s vendagens. Aparece tamb\u00e9m nas avalia\u00e7\u00f5es do mercado. A \u00faltima pesquisa divulgada pela C\u00e2mara Brasileira do Livro e SNEL aponta que o faturamento das editoras subiu de cerca de R$ 902 milh\u00f5es em 1991 para quase 2,5 bilh\u00f5es em 2004. J\u00e1 um estudo do BNDES diz que entre 1995 e 2003 o faturamento diminuiu 48%.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cEles usam reais correntes, inflacionados, e eu deflaciono, operando com o valor real do real\u201c, explica o economista F\u00e1bio S\u00e1 Earp, da UFRJ, que assina a pesquisa do BNDES. \u201cTrabalhar com valores correntes em uma s\u00e9rie hist\u00f3rica \u00e9 um equ\u00edvoco que nossos alunos de ciclo b\u00e1sico aprendem a n\u00e3o cometer. Fica dif\u00edcil entender por que eles ainda n\u00e3o aprenderam isto. J\u00e1 lhes advertimos h\u00e1 dois anos.\u201c\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A CBL diz que a pesquisa sempre utilizou valores nominais como crit\u00e9rio e que a infla\u00e7\u00e3o registrada no per\u00edodo \u00e9 informada na apresenta\u00e7\u00e3o da pesquisa.\u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea possivelmente sabe que os magos Paulo Coelho e Harry Potter est\u00e3o entre os campe\u00f5es de venda de livros no Brasil, ao lado de nomes como Lya Luft e Augusto Cury. Mas, se voc\u00ea quiser saber com precis\u00e3o quantos exemplares de livros s\u00e3o comercializados no mercado brasileiro, \u00e9 melhor munir-se de cautela. 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