{"id":14976,"date":"2021-09-23T14:30:57","date_gmt":"2021-09-23T17:30:57","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=14976"},"modified":"2021-09-23T14:30:57","modified_gmt":"2021-09-23T17:30:57","slug":"vida-leitora-comeca-na-primeira-infancia-diz-neurocientista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/vida-leitora-comeca-na-primeira-infancia-diz-neurocientista\/","title":{"rendered":"Vida leitora come\u00e7a na primeira inf\u00e2ncia, diz neurocientista"},"content":{"rendered":"<p>Pediatras deveriam incluir uma indica\u00e7\u00e3o de livro em cada consulta de rotina de seus pequenos pacientes. Para a neurocientista e educadora da UCLA (Universidade da Calif\u00f3rnia, Estados Unidos) Maryanne Wolf, a prescri\u00e7\u00e3o seria uma maneira de comover os pais e respons\u00e1veis a aderir ao h\u00e1bito da leitura para seus filhos desde o come\u00e7o da vida. \u201cPodemos fazer muito quando lemos para uma crian\u00e7a\u201d, diz. E ela explica o porqu\u00ea.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as n\u00e3o aprendem a ler naturalmente\u201d, ressalta. \u201cDo ano zero aos 5 anos de idade, antes de o c\u00e9rebro se tornar leitor, ele est\u00e1 em pleno desenvolvimento. Tudo o que acontece nessa fase \u00e9 importante para o que vem depois. Todas as hist\u00f3rias que contamos e os livros que mostramos, portanto, fomentam esse progresso. O c\u00e9rebro da crian\u00e7a absorve melhor a linguagem quando h\u00e1 a leitura por parte de um adulto\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do ato de ler desde a mais tenra idade foi um dos pontos trazidos por Maryanne no webin\u00e1rio \u201cA leitura no mundo digital\u201d, promovido pelo Ita\u00fa Social na quarta-feira, 21 de setembro. Ela compara um circuito de energia de uma casa com um c\u00e9rebro que amplia os circuitos neurais a partir da leitura, conectando vis\u00e3o, linguagem e conhecimento. \u201cA leitura \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o, uma descoberta. O que o c\u00e9rebro faz com inven\u00e7\u00f5es \u00e9 criar novos circuitos.\u201d<\/p>\n<p>Autora do livro \u201cO c\u00e9rebro no mundo digital \u2013 os desafios da leitura na nossa era\u201d, Maryanne v\u00ea na leitura a base da forma\u00e7\u00e3o socioemocional. \u201cNa escola, aprendemos o processo de leitura profunda. Tudo o que trazemos da primeira inf\u00e2ncia, o que j\u00e1 sabemos, se conecta aos novos aspectos da linguagem\u201d, explica. O incentivo \u00e0 leitura aprofundada ajuda a expandir conceitos importantes: o pensamento cr\u00edtico, a empatia e a reflex\u00e3o, compet\u00eancias fundamentais do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>\u201cQueremos que nossos filhos aprendam a inferir, a entender, para ajudar a sociedade a respeitar o sentimento alheio e n\u00e3o aceitar tudo o que \u00e9 dito. \u00c9 uma combina\u00e7\u00e3o importante para uma sociedade democr\u00e1tica, para que se saiba votar com sabedoria, sem aceitar o que qualquer pol\u00edtico demagogo diga\u201d, exemplifica a educadora. \u201cPor isso, \u00e9 preciso entender, em primeiro lugar, a qualidade da aten\u00e7\u00e3o que estamos disponibilizando \u00e0s crian\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p><strong>Menos telas, mais aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A exposi\u00e7\u00e3o aos meios eletr\u00f4nicos cedo demais, e por muito tempo, \u00e9 prejudicial, aponta Maryanne. Nos primeiros anos de vida, n\u00e3o se recomenda nenhuma tela. \u201c\u00c9 preciso que essa etapa seja marcada pela intera\u00e7\u00e3o com a linguagem nos livros impressos. Os beb\u00eas escutam a fala e constroem o pensamento a partir dos fonemas, dos sons, da l\u00edngua materna\u201d, ensina. \u201cA partir dos 4 anos, podem aprender compet\u00eancias digitais, mas elas devem come\u00e7ar com o material impresso. Assim, no futuro, quando fizerem uma leitura profunda no papel, podem ter a capacidade de fazer uma leitura profunda na tela\u201d, sugere.<\/p>\n<p><strong>Impresso x digital?<\/strong><\/p>\n<p>A educadora refor\u00e7a que a leitura \u00e9 um ato de resist\u00eancia em um mundo t\u00e3o cheio de distra\u00e7\u00f5es. Ela diz ainda que a cultura digital est\u00e1 mudando o nosso c\u00e9rebro, mas nem sempre de maneira positiva. Se passamos de dez a doze horas di\u00e1rias em frente a uma tela, absorvendo uma enorme quantidade de informa\u00e7\u00f5es, como ter tempo para imergir na leitura? \u201cFazemos muitas coisas ao mesmo tempo, e isso pode ser bom ou amea\u00e7ador. Lemos superficialmente, nossos olhos fazem o movimento da letra \u2018z\u2019, damos ao c\u00e9rebro menos tempo para entender a complexidade de um texto\u201d, explica.<\/p>\n<p>Mas ela n\u00e3o defende s\u00f3 o meio impresso, tampouco demoniza o meio digital. \u201cN\u00e3o \u00e9 algo bin\u00e1rio, preto ou branco, bom ou ruim. Precisamos entender como cada meio nos afeta. Ambos t\u00eam custos e pontos fracos\u201d, afirma, exemplificando com um trabalho que implementou na Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>\u201cRealizo uma pesquisa em uma aldeia. Ali, os estudantes ainda n\u00e3o haviam aprendido a ler e pudemos levar alguns dispositivos digitais como suporte para apoiar a aquisi\u00e7\u00e3o do letramento. A grande vantagem do meio digital \u00e9 a dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento, o apoio para uma sala de aula com muitos alunos\u201d, comenta a neurocientista. \u201cA tecnologia digital pode ser boa, mas acesso e quest\u00f5es de equidade permeiam tudo o que eu digo. Parte do que eu quero \u00e9 justi\u00e7a social.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAmpliemos o c\u00e9rebro leitor de nossas crian\u00e7as\u201d, sugere Maryanne. Para tanto, \u00e9 preciso considerar o que \u00e9 necess\u00e1rio para desenvolver um \u201cc\u00e9rebro biletrado\u201d, como ela mesmo define, adaptado tanto \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o digital quanto \u00e0 impressa, \u201cque possa ler em profundidade em qualquer meio e impulsione a empatia e a an\u00e1lise cr\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>Quer saber mais sobre a primeira inf\u00e2ncia? Confira nosso podcast!<\/p>\n<p>\u201cDe 0 a 5\u201d \u00e9 um podcast sobre a primeira inf\u00e2ncia que discute como atravessar essa fase em uma pandemia. Produzido pelo Porvir em parceria com a Rede Nacional Primeira Inf\u00e2ncia, o podcast \u00e9 apresentado por Marta Avancini e Ruam Oliveira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pediatras deveriam incluir uma indica\u00e7\u00e3o de livro em cada consulta de rotina de seus pequenos pacientes. Para a neurocientista e educadora da UCLA (Universidade da Calif\u00f3rnia, Estados Unidos) Maryanne Wolf, a prescri\u00e7\u00e3o seria uma maneira de comover os pais e respons\u00e1veis a aderir ao h\u00e1bito da leitura para seus filhos desde o come\u00e7o da vida. 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