{"id":1496,"date":"2006-06-23T17:53:00","date_gmt":"2006-06-23T20:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/06\/23\/o-jegue-livro\/"},"modified":"2006-06-23T17:53:00","modified_gmt":"2006-06-23T20:53:00","slug":"o-jegue-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-jegue-livro\/","title":{"rendered":"O Jegue-livro"},"content":{"rendered":"<p>Era uma vez numa terra distante um jegue. Um jegue comum, como estes tantos que existem Brasil afora. Um jegue que durante a semana \u00e9 ainda, nestes tempos t\u00e3o modernos, um instrumento de trabalho de pequenos lavradores. Um jegue que trabalha de sol a sol, no calor do sert\u00e3o maranhense, para auxiliar o seu Narciso na ro\u00e7a. Mas este bicho tem uma miss\u00e3o um pouco diferente daquela destinada aos outros de sua esp\u00e9cie. Uma vez por m\u00eas, ele se transforma numa estrela, seguido pelas ruas como um astro de futebol em tempos de Copa do Mundo. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Neste dia, ele se enfeita, veste cestos carregados de livros e incorpora seu personagem her\u00f3i: o Jegue-livro. Devidamente paramentado, o simp\u00e1tico jumento est\u00e1 pronto para sair pelas ruas da pequena comunidade de Auzil\u00e2ndia, no interior do Maranh\u00e3o, atraindo uma pequena multid\u00e3o de crian\u00e7as e adultos que sabem: \u00e9 hora de ler. O jegue, na verdade s\u00e3o alguns jegues &#8211; seguem seu caminho, chamando a aten\u00e7\u00e3o da comunidade, puxados por adolescentes da regi\u00e3o que fazem parte do projeto Jovens Leitores. Tudo come\u00e7ou h\u00e1 um ano e dois meses, quando ele se envolveu com o projeto Jovens Leitores. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A Funda\u00e7\u00e3o Vale do Rio Doce, bra\u00e7o social da Companhia Vale do Rio Doce, promove na regi\u00e3o o programa \u201cEscola que Vale\u201c, que tem por objetivo a capacita\u00e7\u00e3o de professores. O projeto foi t\u00e3o bem-sucedido que surgiu a id\u00e9ia de expandir esse plano de incentivo \u00e0 leitura para fora dos muros da escola. A proposta era formar uma biblioteca ambulante e foi ent\u00e3o que surgiu a inesperada id\u00e9ia: por que n\u00e3o usar o jegue? A empatia foi imediata, e o sucesso tamanho que at\u00e9 cartas o Jegue-livro j\u00e1 recebeu.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <a href=\"http:\/\/www.gazetamercantil.com.br\/pt\/default.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia mais&#8230;<\/a> <br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Pelas \u00e1guas claras da lagoa \u00a0<br \/><\/B> Gazeta Mercantil &#8211; Alexandre Staut \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No fim dos anos 80, o Brasil conheceu o \u00f4nibus-biblioteca como uma alternativa para incentivo ao h\u00e1bito da leitura entre comunidades carentes e sem servi\u00e7o de biblioteca. A iniciativa criada na Fran\u00e7a no in\u00edcio do s\u00e9culo XX para atender a aldeias e \u00e1reas rurais de baixa densidade populacional acabou se tornando um sucesso no Brasil. J\u00e1 que a cria\u00e7\u00e3o de bibliotecas p\u00fablicas nos quatro cantos do Brasil \u00e9 uma id\u00e9ia remota &#8211; o bairro do Morumbi, um dos mais ricos de S\u00e3o Paulo, para citar um exemplo, tem apenas uma, instalada por iniciativa pessoal de Claudemir Cabral h\u00e1 dez anos -, hoje, bibliotecas itinerantes multiplicaram-se, organizando-se como podem, e utilizando-se dos mais inusitados meios de transporte. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Projetos curiosos t\u00eam despertado o interesse pela leitura Brasil afora. Um deles, chamado de \u201cBarca dos Livros\u201c, em fase de implanta\u00e7\u00e3o, em Florian\u00f3polis, Santa Catarina, quer estimular o h\u00e1bito ao redor da Lagoa da Concei\u00e7\u00e3o, onde vivem 24 mil pessoas em comunidades ribeirinhas espalhadas em pequenos n\u00facleos.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <a href=\"http:\/\/www.gazetamercantil.com.br\/pt\/default.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia mais&#8230;<\/a>\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> No rastro do rio \u00a0<br \/><\/B> Gazeta Mercantil &#8211; Alexandre Staut \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O vaga-lume, inseto gracioso que deixa rastros de luz por onde passa, foi a met\u00e1fora utilizada para um projeto de distribui\u00e7\u00e3o de livros formulado por tr\u00eas jovens mulheres, que decidiram percorrer a maior bacia de \u00e1gua doce do planeta em busca da Amaz\u00f4nia humana, \u201cj\u00e1 que toda vez que se fala da regi\u00e3o invoca-se somente a fauna e a flora\u201c, como diz Maria Teresa Meinberg, uma das fundadoras do programa VagaLume, que implantou bibliotecas no norte do Brasil. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Maria Teresa, La\u00eds Fleury Cunha e Sylvia Albernaz Guimar\u00e3es revelam que tudo come\u00e7ou com uma viagem de aventuras pela Amaz\u00f4nia brasileira. No meio do caminho, resolveram contribuir com o local, pois lhes pareceu inconceb\u00edvel que uma regi\u00e3o t\u00e3o rica recebesse t\u00e3o poucos investimentos em seus habitantes. O programa teve in\u00edcio em 2001 com a realiza\u00e7\u00e3o de um projeto-piloto em dois munic\u00edpios do Par\u00e1. Em 2002, foi executada a primeira etapa do trabalho, envolvendo 20 munic\u00edpios. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u201cDesde 2004, a Expedi\u00e7\u00e3o VagaLume realiza interven\u00e7\u00f5es nos munic\u00edpios envolvidos, buscando a consolida\u00e7\u00e3o das bibliotecas comunit\u00e1rias\u201c, diz Maria Teresa. Hoje, o VagaLume \u00e9 um projeto reverenciado em todo o Pa\u00eds e acumula diversos pr\u00eamios como por exemplo a \u201cMedalha de Honra ao M\u00e9rito do Livro\u201c, da Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional (2006); \u201cObjetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio 2005\u201c, categoria destaque no Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento do Brasil; e Pr\u00eamio Jabuti, categoria Amigo do Livro &#8211; C\u00e2mara Brasileira do Livro (2003), entre outros. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <a href=\"http:\/\/www.gazetamercantil.com.br\/pt\/default.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia mais&#8230;<\/a> <br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Lapidador de intelectos \u00a0<br \/><\/B> Gazeta Mercantil &#8211; Alexandre Staut \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O presidente Lula j\u00e1 chegou a sugerir que livros sejam incorporados \u00e0 cesta b\u00e1sica brasileira. O pedreiro Evando dos Santos rebate que a id\u00e9ia \u00e9 sua. \u201cE j\u00e1 foi at\u00e9 registrada em cart\u00f3rio\u201c, afirma. Santos montou uma das mais conhecidas bibliotecas comunit\u00e1rias brasileiras, que leva o nome do escritor Tobias Barreto de Menezes, localizada na Penha, no Rio de Janeiro. Atualmente, Santos est\u00e1 desempregado. Sua atividade di\u00e1ria \u00e9 organizar os 42 mil volumes espalhados pelos c\u00f4modos de sua casa &#8211; ele guarda livros at\u00e9 na casinha de cachorro. \u201cSe me perguntarem como fa\u00e7o para viver sem dinheiro posso afirmar que vivo atualmente uma aventura livresca\u201c, diz bem-humorado. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Santos conta que grandes sonhos sempre povoaram sua mente. Em todos eles, os livros est\u00e3o presentes. \u201cSempre quis viver no meio de muitos livros at\u00e9 que consegui\u201c. Um outro desejo era de que tais volumes fossem abrigados em uma biblioteca projetada por Oscar Niemeyer. Um dia, ao ver o arquiteto num programa de TV, o pedreiro n\u00e3o teve d\u00favidas. Pegou no telefone e pediu \u00e0 produ\u00e7\u00e3o para falar, ao vivo, com Niemeyer, que deu forma ao seu sonho. O projeto foi apresentado ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), que arcou com os R$ 651 mil necess\u00e1rios para a constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio. A biblioteca ser\u00e1 inaugurada em novembro e ainda abrigar\u00e1, por sugest\u00e3o do pedreiro, uma faculdade comunit\u00e1ria de Letras, com ensino da l\u00edngua bunda (de origem angolana), do tupi-guarani, do latim, do portugu\u00eas, espanhol e do alem\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <a href=\"http:\/\/www.gazetamercantil.com.br\/pt\/default.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leia mais&#8230;<\/a> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez numa terra distante um jegue. Um jegue comum, como estes tantos que existem Brasil afora. 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