{"id":14197,"date":"2021-06-14T13:32:25","date_gmt":"2021-06-14T16:32:25","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=14197"},"modified":"2021-06-14T13:32:25","modified_gmt":"2021-06-14T16:32:25","slug":"primeira-infancia-familia-de-classe-d-sofre-mais-impacto-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/primeira-infancia-familia-de-classe-d-sofre-mais-impacto-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Primeira inf\u00e2ncia: fam\u00edlia de classe D sofre mais impacto na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias da classe D \u2013 com renda familiar m\u00e9dia mensal de R$ 720 \u2013 foram as mais negativamente impactadas pela pandemia de covid-19 no que diz respeito aos cuidados com as crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos.<!--more--><\/p>\n<p>Esse grupo (fam\u00edlias da classe D) se sente mais triste, ansioso, sobrecarregado, exausto, impaciente e assustado que os demais. As fam\u00edlias destacam que o fator financeiro \u00e9 um ponto de aten\u00e7\u00e3o na forma como cuidadores t\u00eam lidado com a pandemia.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es fazem parte da pesquisa Primeir\u00edssima Inf\u00e2ncia \u2013 Intera\u00e7\u00f5es na Pandemia: Comportamentos de pais e cuidadores de crian\u00e7as de 0 a 3 anos em tempos de covid-19, que ser\u00e1 divulgada na \u00edntegra nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada pela Kantar Ibope Media, a pedido da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal, e contou com a participa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias das classes sociais A, B, C e D, que convivem e s\u00e3o respons\u00e1veis por crian\u00e7as de 0 a 3 anos. Ao todo, 1.036 pessoas participaram das entrevistas, feitas, em sua maioria, de forma online com o aux\u00edlio de uma plataforma, em mar\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p>\u201cUma primeira inf\u00e2ncia de qualidade, de est\u00edmulos adequados propicia oportunidades para a crian\u00e7a. Ao mesmo tempo, h\u00e1 um efeito negativo quando n\u00e3o h\u00e1 oportunidade de disponibilizar o ambiente adequado\u201d, diz a CEO da Funda\u00e7\u00e3o Maria Cecilia Souto Vidigal, Mariana Luz.<\/p>\n<p>\u201cCom o isolamento social e uma natural crise socioecon\u00f4mica, a gente percebe, pela pesquisa, o agravamento dessas oportunidades, os efeitos perversos da desigualdade e como esses ambientes e est\u00edmulos conseguem fazer o desenvolvimento [da crian\u00e7a] avan\u00e7ar ou retroceder.\u201d<\/p>\n<p>Mariana explica que os primeiros anos de vida das crian\u00e7as representam uma oportunidade \u00fanica e decisiva para o desenvolvimento de todo ser humano. Nessa etapa, s\u00e3o feitas conex\u00f5es que formam a base das estruturas cerebrais e contribuem para a aprendizagem, al\u00e9m de criar condi\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade e a felicidade delas no presente e no futuro. Por isso, tanto a primeir\u00edssima inf\u00e2ncia, at\u00e9 os 3 anos, e a primeira inf\u00e2ncia, at\u00e9 os 6 anos, precisam de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A especialista enfatiza ainda a necessidade de cuidar de quem cuida. \u201cOs cuidadores e pais precisam estar bem para conseguir oferecer e estar dispon\u00edveis para que a intera\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a. O desenvolvimento acontece por meio da intera\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>No Brasil, cabe aos munic\u00edpios fornecer a educa\u00e7\u00e3o de base, que inclui as creches para crian\u00e7as at\u00e9 3 anos de idade.<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>As situa\u00e7\u00f5es vividas pelas fam\u00edlias na pandemia s\u00e3o distintas, e a percep\u00e7\u00e3o em torno do trabalho de cuidar de crian\u00e7as pequenas tamb\u00e9m muda, de acordo com a classe social de quem respondeu ao estudo.<\/p>\n<p>Aqueles que puderam trabalhar em casa, por exemplo, relataram mais tempo de conviv\u00eancia das m\u00e3es, pais e respons\u00e1veis com as crian\u00e7as durante a pandemia. Isso ocorreu, sobretudo, nos segmentos de classe e educa\u00e7\u00e3o mais elevados: 51% da classe AB1 &#8211; com renda familiar m\u00e9dia mensal acima de R$ 11,3 mil &#8211; relataram que tiveram boas oportunidades de conviv\u00eancia com as crian\u00e7as na pandemia. Essa porcentagem cai para 33% entre as fam\u00edlias da classe D. Nesse grupo, a maioria, 52%, relatou que n\u00e3o houve altera\u00e7\u00e3o no tempo de conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>A pesquisa alerta que, apesar do tempo de conviv\u00eancia dos pais com os filhos n\u00e3o ter sido alterado para classe D, ele pode estar mais prec\u00e1rio devido \u00e0 sobrecarga e ao ac\u00famulo de fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as na rotina tiveram efeitos tamb\u00e9m nas crian\u00e7as. Cerca de uma em cada quatro (27%), de todas as classes, apresentou regress\u00e3o neste um ano de pandemia. Isso significa que voltaram a ter comportamentos de quando eram mais novos, como chorar muito, fazer xixi na roupa sem pedir para ir ao banheiro e falar menos. O <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2021-05\/pesquisadores-alertam-para-riscos-de-criancas-expostas-telas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uso mais frequente de equipamentos eletr\u00f4nicos<\/a> tamb\u00e9m pode ter impactado no desenvolvimento.<\/p>\n<p>O acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e a pol\u00edticas p\u00fablicas e a sensa\u00e7\u00e3o de amparo tamb\u00e9m foram sentidas de forma diferente a depender da classe social da fam\u00edlia. A maior parte (64%) da classe B2C B\u00e1sica &#8211; que corresponde \u00e0s fam\u00edlias com renda m\u00e9dia mensal entre R$ 1,7 mil e R$ 5,6 mil que cursaram at\u00e9 o ensino m\u00e9dio &#8211; e da classe D (70%) tiveram acesso \u00e0 renda emergencial. O \u00edndice de visita domiciliar por programas sociais, como o Sa\u00fade da Fam\u00edlia, ficou em cerca de 20% em todos os grupos.<\/p>\n<p>Os benef\u00edcios recebidos d\u00e3o, no entanto, sensa\u00e7\u00e3o de amparo principalmente para os grupos de educa\u00e7\u00e3o elevada. Na classe AB1, 58% sentiram-se amparados. A menor porcentagem, 32%, \u00e9 de fam\u00edlias da classe D. J\u00e1 com rela\u00e7\u00e3o a informa\u00e7\u00f5es recebidas durante esse per\u00edodo, a classe AB1 se destaca como a que mais recebeu enquanto a D foi a com menor percentual registrado, respectivamente 22% e 10%.<\/p>\n<p><strong>Acolhimento<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Mariana, os impactos negativos da pandemia podem ser revertidos e amenizados com acolhimento e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as, o que exigir\u00e1 a a\u00e7\u00e3o de toda uma rede que envolve familiares e escola. \u201cEssa rede precisa estar pronta, de forma segura, para acolher as nossas crian\u00e7as, para acolher tamb\u00e9m os desafios e retrocessos com naturalidade, como parte de um processo de desenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>Ainda em meio \u00e0 pandemia, dentro do poss\u00edvel, dedicar tempo e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as pode ajud\u00e1-las a passar por esse momento de estresse e medo.<\/p>\n<p>\u201cEm casa, a gente precisa continuar oferecendo esses est\u00edmulos, de brincadeiras, de ouvir, de identificar sentimentos, de entender, de explicar, de ajud\u00e1-los a identificar o que est\u00e3o sentindo, de se expressar. Fazer isso por meio de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, da leitura de livros, da conversa, da m\u00fasica\u201d, defende Mariana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fam\u00edlias da classe D \u2013 com renda familiar m\u00e9dia mensal de R$ 720 \u2013 foram as mais negativamente impactadas pela pandemia de covid-19 no que diz respeito aos cuidados com as crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-14197","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Primeira inf\u00e2ncia: fam\u00edlia de classe D sofre mais impacto na pandemia &raquo; 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