{"id":1408,"date":"2006-03-02T14:20:00","date_gmt":"2006-03-02T17:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/03\/02\/o-paraiso-distinto-de-editores-autores-e-leitores\/"},"modified":"2006-03-02T14:20:00","modified_gmt":"2006-03-02T17:20:00","slug":"o-paraiso-distinto-de-editores-autores-e-leitores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/o-paraiso-distinto-de-editores-autores-e-leitores\/","title":{"rendered":"O para\u00edso distinto de editores, autores e leitores"},"content":{"rendered":"<p>Editores e autores, cada tribo tem sua vers\u00e3o particular de para\u00edso. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O dos editores \u00e9 um para\u00edso de livros que se escrevem por si, sem o inc\u00f4modo de autores que escrevem menos ou mais do que o esperado, reivindicam maior percentagem de direitos autorais e questionam a efici\u00eancia da distribui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que raramente encontram seus livros nas livrarias que freq\u00fcentam. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> No para\u00edso dos escritores os livros chegam \u00e0s m\u00e3os dos leitores sem intermedi\u00e1rios, impressos em gr\u00e1ficas que da noite para o dia transformam grossos originais em livros bonitos e baratos. As tiragens dos livros sempre coincidem com as registradas em contrato e os livros chegam a livrarias, onde ficam em destaque at\u00e9 que os leitores descubram a maravilha que se oculta entre as capas que os contemplam das estantes. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Para\u00edso de editores, inferno de escritores. E vice-versa. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mas um n\u00e3o vive sem o outro. Melhor dizendo, um n\u00e3o vivia sem o outro. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O casamento parecia eterno e indissol\u00favel em tempos pr\u00e9-internet. Mas a partir dos tr\u00eas d\u00e1blius da World Wide Web, novos pactos nupciais continuam surgindo no horizonte. Por\u00e9m, enquanto o tempo de bits e nets democr\u00e1ticas e gratuitas n\u00e3o vem, alguns aspectos da parceria entre escritores (fornecedores de mat\u00e9ria-prima) e editores (fabricantes do produto) merecem reflex\u00e3o. Particularmente por parte de produtores de textos entendidos como liter\u00e1rios. <br \/> \u00a0<br \/> O mercado brasileiro n\u00e3o consome literatura nas mesmas quantidades em que consome, por exemplo, obras did\u00e1ticas. Talvez seja assim no mundo todo, mas talvez seja mais assim no Brasil. Em conseq\u00fc\u00eancia, sobram acusa\u00e7\u00f5es de todos os lados. Os livros s\u00e3o caros, dizem os autores. Os livros s\u00e3o caros porque vendem pouco, retrucam os editores. No bate-boca, os livros permanecem in\u00e9ditos ou fechados. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Letrados n\u00e3o se d\u00e3o muito bem com n\u00fameros, mas \u00e9 na frieza dos algarismos que precisa fundar-se um diagn\u00f3stico menos impressionista de como anda a quest\u00e3o da leitura no Brasil. Do tema faz parte a rela\u00e7\u00e3o entre escritores e editores: s\u00e3o ambos interessados em livros, pap\u00e9is pintados com tinta sobre os quais se desenvolvem as pr\u00e1ticas de leitura, as quais gozam de publicidade gratuita j\u00e1 que todos \u2014 da Unesco a qualquer secretaria de Educa\u00e7\u00e3o \u2014 fazem parte do coro que defende, divulga e quer implementar a leitura. <br \/> \u00a0<br \/> Os n\u00fameros dispon\u00edveis s\u00e3o poucos. Os mais recentes e consolidados v\u00eam de pesquisa de junho de 2005 encomendada pela C\u00e2mara Brasileira do Livro. Mas mesmo estes n\u00fameros est\u00e3o longe de serem suficientemente abrangentes: refletem respostas de apenas 151 editoras dentre as 513 consultadas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mas como s\u00e3o estes os n\u00fameros de que dispomos, vamos a eles. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Eles dizem que em 2004, entre lan\u00e7amentos e relan\u00e7amentos de literatura, houve 4.875 t\u00edtulos que venderam 24.220.487 exemplares. \u00c9 pouco? \u00c9 muito? E que sentido podemos atribuir \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que houve mais t\u00edtulos reeditados (2.487) do que t\u00edtulos novos (2.388)? Que interpreta\u00e7\u00e3o damos \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de que os lan\u00e7amentos venderam mais exemplares (14.712.750) do que os relan\u00e7amentos (9.507.737)?<br \/> \u00a0<br \/> Outras cifras permitem cruzar a situa\u00e7\u00e3o de autores brasileiros com a de autores estrangeiros. Infelizmente, por\u00e9m, os dados dispon\u00edveis n\u00e3o discriminam autores de literatura. Limitam-se os indicadores \u00e0s chamadas obras gerais, categoria que abrange a literatura. Segundo eles, os autores nacionais levam vantagem: 6.823 t\u00edtulos brasileiros contra 3.220 estrangeiros e 48.313.790 exemplares nacionais contra os 12.511.661 traduzidos.<br \/> \u00a0<br \/> Repete-se o impasse de interpreta\u00e7\u00e3o: com pouco mais do dobro de t\u00edtulos, os patr\u00edcios vendem quase quatro vezes mais exemplares. O p\u00fablico prefere o produto made in Brazil . Ser\u00e1? Ou ser\u00e1 preocupante que num pa\u00eds de 170 milh\u00f5es de almas apenas menos da metade tenha comprado, em um ano, um livro n\u00e3o did\u00e1tico, nacional ou estrangeiro? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> E se acrescentarmos a informa\u00e7\u00e3o de que nos \u00faltimos anos a publica\u00e7\u00e3o de autores traduzidos vem avan\u00e7ando tanto em t\u00edtulos quanto em exemplares: 1.670 t\u00edtulos em 2002, 2.430 em 2003 e 3.220 em 2004. No mesmo per\u00edodo, a publica\u00e7\u00e3o nacional encolhe: 9.080 t\u00edtulos em 2002, 7.220 em 2003 e 6.826 em 2004. E se lembrarmos que \u00e9 tamb\u00e9m crescente o capital editorial estrangeiro no pa\u00eds? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Encomendadas pelo setor empresarial, estas pesquisas espantam pelo que n\u00e3o pesquisam. N\u00e3o ajudam um cidad\u00e3o \u2014 inclusive o cidad\u00e3o-editor que as paga \u2014 que queira basear-se nelas para decidir em que linha editorial investir. Excluindo-se o setor de did\u00e1ticos que tem consumidor cativo na figura do MEC, os demais setores s\u00e3o uma esp\u00e9cie de buraco negro onde as decis\u00f5es talvez se pautem pelo mesmo amadorismo de Monteiro Lobato nos anos 20 do s\u00e9culo passado, para ficarmos com um amador altamente competente e bem-sucedido.<br \/> \u00a0<br \/> Mas no buraco negro do que n\u00e3o se sabe tamb\u00e9m naufraga um aspecto muito importante de nossa hist\u00f3ria cultural. Sem um melhor conhecimento de pr\u00e1ticas da cultura letrada brasileira, campanhas em prol da leitura podem muito pouco. \u00c9 verdade que uma hist\u00f3ria da leitura n\u00e3o se faz apenas de n\u00fameros. Mas se faz tamb\u00e9m deles. E para que as estat\u00edsticas e algarismos cumpram o papel que precisam cumprir, as pesquisas precisam ser planejadas de forma a contribu\u00edrem para um diagn\u00f3stico mais eficiente das condi\u00e7\u00f5es de leitura no Brasil. Por onde, como j\u00e1 se disse, passa o jogo de bra\u00e7o entre escritores e editores.<br \/> \u00a0<br \/> Que n\u00e3o venha o para\u00edso destes senhores \u00e9 pena, mas&#8230; e n\u00f3s leitores, e nosso para\u00edso de livros, livros a mancheias, como queria o poeta? \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n<p><B> Marisa Lajolo <\/B><em>\u00e9 professora titular de teoria liter\u00e1ria na Unicamp e autora, entre outros t\u00edtulos, de \u201cA forma\u00e7\u00e3o da leitura no Brasil\u201d, \u201cO pre\u00e7o da leitura\u201d, \u201cMonteiro Lobato, um brasileiro sob medida\u201d\u00a0<br \/><\/em> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> As editoras publicam mais estrangeiros que brasileiros\u00a0<br \/><\/B><em> O Globo &#8211; Douglas McMillan\u00a0<br \/><\/em> \u00a0<br \/> Quando o escritor Ryoki Inoue terminou o original de seu primeiro livro, em 1986, achou que a fase de cria\u00e7\u00e3o j\u00e1 estava terminada. Foi ent\u00e3o que ouviu o pedido:\u2014 \u201cBrasileiro s\u00f3 l\u00ea livro de americano. Inventa um nome de americano\u201d, foi o que me disseram. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> E foi assim que \u201cOs colts de McLee\u201d, um pocket book de bangue-bangue, chegou \u00e0s bancas assinado por James Monroe. Gra\u00e7as a Inoue \u2014 que j\u00e1 tem livros publicados com seu pr\u00f3prio nome por algumas editoras, incluindo a Globo, que lan\u00e7a em breve dois novos t\u00edtulos dele \u2014 os brasileiros tamb\u00e9m puderam conhecer a verve de Bill Purse, William Sweetstick, Stepham McSucker e outras crias desse descendente de japoneses. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 O diabo \u00e9 que acabei usando 39 pseud\u00f4nimos, pois quando um deles come\u00e7ava a ficar conhecido do p\u00fablico, o editor mandava trocar. Assim o leitor se fixava na cole\u00e7\u00e3o e n\u00e3o no autor. Se eu mudasse de editora, n\u00e3o arrastaria fregueses \u2014 conta ele, que entrou para o Guinness como o escritor mais produtivo do mundo e dominou, segundo suas contas, 95% do mercado de pockets . \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Mas a quest\u00e3o que o homem de 1.072 livros levanta \u00e9 mais profunda que a anedota e por isso tornou-se o tema desta \u00faltima reportagem da s\u00e9rie Mitos e Verdades do Mercado Editorial: as editoras brasileiras gostam mais do que vem de fora? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 \u00c9 mais complexo que isso, e depende de que setor voc\u00ea est\u00e1 falando: o segmento infanto-juvenil \u00e9 90% brasileiro, por exemplo. Mas no geral, na hora de tomar decis\u00f5es, os editores querem muita informa\u00e7\u00e3o sobre os autores. E quando um livro j\u00e1 foi publicado l\u00e1 fora h\u00e1 toneladas de informa\u00e7\u00e3o. Podemos ver se o livro foi bem, se a cr\u00edtica bate em pontos importantes, d\u00e1 para ter uma id\u00e9ia da performance da obra \u2014 explica Carlos Augusto Lacerda, da Nova Fronteira. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> At\u00e9 pouco tempo, a editora de Lacerda tinha um cat\u00e1logo nacional para l\u00e1 de cl\u00e1ssico e pencas de autores estrangeiros na crista da onda. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 Claro que nem sempre o que funciona l\u00e1 fora se repete aqui. Mas quando voc\u00ea avalia um fen\u00f4meno mundial como \u201cO ca\u00e7ador de pipas\u201d, de Khaled Hosseini (h\u00e1 mais de 20 semanas na lista de mais vendidos) , v\u00ea que \u00e9 muito dif\u00edcil que n\u00e3o fa\u00e7a sucesso. Todo editor adoraria publicar s\u00f3 livros de novos autores brasileiros, mas isso nunca fecharia as contas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Num sinal de que o acesso dos autores brasileiros contempor\u00e2neos \u00e0s grandes se solidifica, a Nova Fronteira anunciou h\u00e1 duas semanas a contrata\u00e7\u00e3o do moderno-menino-mau Santiago Nazarian, 27 anos, surpreendendo o mercado. Era algo que n\u00e3o se fazia h\u00e1 muito na editora carioca, e parece confirmar que as grandes casas est\u00e3o realmente mais abertas aos nacionais. \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n<p> \u00a0<br \/><B> For\u00e7a dos estrangeiros n\u00e3o impede que brasileiros conquistem espa\u00e7o\u00a0<br \/><\/B><em> O Globo &#8211; Douglas McMillan\u00a0<br \/><\/em> \u00a0<br \/> Na outra ponta do espectro, com diversos estreantes brasileiros em seu cat\u00e1logo de editora pequena, Elio Demier, da Bom Texto, n\u00e3o mede as palavras do que ele pr\u00f3prio define como \u201cbronca\u201d com o apartheid editorial: \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 S\u00e3o uns pobres, esquecidos e abandonados, os autores nacionais. N\u00e3o \u00e9 exagero nem choro. \u00c9 uma blague, mas tem verdade. As editoras grandes fazem seu quinh\u00e3o em cima dos estrangeiros, n\u00e3o tenha d\u00favidas. E t\u00eam raz\u00e3o quando dizem que os nacionais n\u00e3o vendem. N\u00e3o vendem mesmo! Mas \u00e9 por isso que se tem de lutar por eles. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A luta passa pela malandragem e pelo peito, receita do n\u00e3o s\u00f3 escritor como agitador Marcelino Freire aprendida na marra. Resultado disso, prefere n\u00e3o reclamar, mas, como diz, \u201cenfiar os p\u00e9s no teclado\u201d. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 N\u00e3o sei se gente como o Marcelo Mirisola, o Luiz Ruffato, ou eu, deixamos de ser publicados porque veio um cara como o Paul Auster l\u00e1 de fora. Sei l\u00e1 se \u00e9 porque o nome \u00e9 mais bonito, \u201cJoe Fitzgerald\u201d, \u201cPaul Vrelows Golopaul\u201d, sei l\u00e1&#8230; \u2014 ironiza ele, inventando nomes de colegas estrangeiros. \u2014 Quando n\u00e3o tinha editora, publicava eu mesmo as coisas, ia ver pre\u00e7o em gr\u00e1fica. N\u00e3o \u00e9 muito da minha \u00edndole ficar sentado na reclama\u00e7\u00e3o. Ouvi muito que ningu\u00e9m publicava essa gera\u00e7\u00e3o. Respondia que t\u00ednhamos que meter os p\u00e9s no teclado, falar alto, fazer as coisas acontecerem. E t\u00eam acontecido, tem muito escritor novo nas grandes (editoras) agora. E me pergunto: ser\u00e1 que s\u00e3o os estrangeiros que seguram nossa onda? S\u00e3o os \u201cC\u00f3digo Da Vinci\u201d que seguram os Mirisolas da vida? A\u00ed estamos lascados! \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Os acertos que sustentam os erros \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> Tudo indica que sim, que s\u00e3o os best-sellers que sustentam os brasileiros, principalmente os novos autores, como atestam v\u00e1rios editores procurados pelo GLOBO. Luciana Villas-Boas, diretora editorial do grupo Record, aceita o nexo sem maiores problemas e garante que isso nem de longe significa que os brasileiros \u201cest\u00e3o lascados\u201d, pelo contr\u00e1rio. Segundo ela, s\u00e3o esses acertos que sustentam os erros. Os muitos erros: \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 Para ter um grande novo autor brasileiro, tenho que investir em cinco. Tr\u00eas deles v\u00e3o ser m\u00e9dios, o \u00faltimo vai ser ruim. Tem muitos que lancei e que n\u00e3o aconteceram. N\u00e3o deram em nada. Faz parte do jogo de lan\u00e7ar autor novo. E acho que essa divis\u00e3o entre brasileiros e estrangeiros \u00e9 meio passada. Quando entrei na Record, dez anos atr\u00e1s, 75% dos lan\u00e7amentos vinham de fora. Agora s\u00e3o apenas pouco mais da metade, e isso porque temos um cat\u00e1logo fort\u00edssimo de estrangeiros, sen\u00e3o essa propor\u00e7\u00e3o penderia para os brasileiros. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Isa Pess\u00f4a, respons\u00e1vel na Objetiva pela escolha dos autores nacionais que v\u00e3o ao prelo, tamb\u00e9m acha a id\u00e9ia de que h\u00e1 prefer\u00eancia pelos estrangeiros equivocada. Garante que na editora os brasileiros contam com uma \u201cfiel, voraz e violenta paix\u00e3o\u201d. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 Autor nacional para mim \u00e9 sangue bom. O desejo de qualquer um que faz o meu trabalho \u00e9 sempre o de encontrar \u201co\u201d original, o novo autor que nos deixa de queixo ca\u00eddo. Mas voc\u00ea tem que ser rigoroso e distribuir \u201cn\u00e3os\u201d, por mais que isso seja desagrad\u00e1vel. Muitos originais aqui chegam num padr\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 o de publica\u00e7\u00e3o. L\u00e1 fora, essa peneira inicial j\u00e1 est\u00e1 feita. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Espa\u00e7o pequeno para muitos autores \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> O mercado \u00e9 disputado. Uma editora de porte recebe cerca de 50 originais de brasileiros por m\u00eas. Tem ainda olheiros no pa\u00eds e em capitais importantes do mundo liter\u00e1rio \u2014 Nova York, Londres e Paris s\u00e3o as principais \u2014 onde tend\u00eancias s\u00e3o farejadas e originais avaliados. Al\u00e9m disso, h\u00e1 as feiras internacionais, hoje em dia mais e mais um lugar para fechar neg\u00f3cios que um evento de promo\u00e7\u00e3o de cultura. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> O que pode parecer conversa de editor grande para evitar cr\u00edticas ganha o apoio tamb\u00e9m de escritores, que andam vendo com mais otimismo o mercado para os autores nacionais. S\u00e9rgio Sant\u2019Anna, por exemplo, acha que hoje em dia n\u00e3o h\u00e1 mais o medo de investir de antes e a m\u00e1 vontade que deixava originais de gente como Inoue (o recordista do in\u00edcio da reportagem) intactos nas gavetas por meses, \u00e0s vezes anos a fio. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 Eu acho que as editoras hoje t\u00eam uma no\u00e7\u00e3o muito mais s\u00f3lida de que devem investir na renova\u00e7\u00e3o de seus cat\u00e1logos. Sempre dei sorte de encontrar editoras dispostas a acreditar, geralmente as menores. Mas hoje acho isso mais difundido, mesmo entre as grandes \u2014 avalia ele. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Luiz Ruffato prefere sair por outro lado, afirmando com franqueza que a discuss\u00e3o sobre o espa\u00e7o entre autores estrangeiros e nacionais \u00e9 \u201cdeslocada\u201d. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 A quest\u00e3o para mim n\u00e3o \u00e9 que eles disputam espa\u00e7o, mas que esse espa\u00e7o \u00e9 pequeno. Quero ser claro: n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para todo mundo no nosso mercado min\u00fasculo \u2014 afirma o escritor, mandando a bola de volta para mitos e verdades passados, alguns deles ruminados aqui no Prosa. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Dif\u00edcil dizer que lhe falte raz\u00e3o.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Temas debatidos dividem o setor\u00a0<br \/><\/B><em> O Globo &#8211; Douglas McMillan\u00a0<br \/><\/em> \u00a0<br \/> Para se ter uma id\u00e9ia, na Fran\u00e7a, o Centro Nacional do Livro, \u00f3rg\u00e3o governamental respons\u00e1vel pela monitora\u00e7\u00e3o da atividade editorial e da leitura no pa\u00eds, sabe at\u00e9 quantos lugares para sentar existem nas bibliotecas do pa\u00eds. Afinal, quem l\u00e1 vai quer espa\u00e7o para ler com tranq\u00fcilidade e sil\u00eancio&#8230; No Brasil, por\u00e9m, como se viu em reportagens das \u00faltimas tr\u00eas semanas, na s\u00e9rie Mitos e Verdades do Mercado Editorial, que termina hoje \u2014 mas que pode voltar a qualquer momento, j\u00e1 que s\u00e3o muitos os temas a serem discutidos \u2014 ainda s\u00e3o escassos os dados sobre os livros, incluindo a\u00ed seus leitores, as livrarias, as editoras. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Devido \u00e0 car\u00eancia de dados, o mercado editorial no Brasil costuma ser envolto em mitos. A partir dos ind\u00edcios dispon\u00edveis para se analisar o setor, n\u00e3o h\u00e1 unanimidade sobre como facilitar o acesso ao livro, como ficou claro na s\u00e9rie e sua repercuss\u00e3o. Os assuntos abordados provocaram pol\u00eamica, como o mito \u201co livro no Brasil \u00e9 caro\u201d, debatido na semana passada. O presidente da Campus\/Elsevier, Claudio Rothmuller, critica a id\u00e9ia de que o livro \u00e9 caro porque as empresas s\u00e3o ineficientes. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> \u2014 Temos uma variedade enorme de t\u00edtulos. Como se pode dizer que as editoras n\u00e3o s\u00e3o eficientes? \u2014 pergunta o editor, sem medo da controv\u00e9rsia que apimenta o setor. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Pre\u00e7o \u00fanico do livro, a maior pol\u00eamica \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><\/B> A proposta que mais polariza entidades do mercado \u00e9 a do pre\u00e7o \u00fanico do livro. Se cada livro tivesse um pre\u00e7o \u00fanico, com descontos regulados (por exemplo, de no m\u00e1ximo 5%), em vez de um pre\u00e7o apenas sugerido, como acontece atualmente, quais seriam as conseq\u00fc\u00eancias? Seria uma forma de frear a concentra\u00e7\u00e3o no setor e, assim, mant\u00ea-lo mais competitivo a longo prazo? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Na primeira semana, no dia 4 de fevereiro, o Prosa &#038; Verso debateu o mito \u201co brasileiro n\u00e3o gosta de ler\u201d. At\u00e9 que ponto ele \u00e9 verdadeiro? De acordo com profissionais que trabalham no incentivo \u00e0 leitura no pa\u00eds, muitos em ONGs como a Leia Brasil ou a Associa\u00e7\u00e3o Vaga-Lume (que atua na Amaz\u00f4nia Legal), \u00e9 verdade que a maior parte dos brasileiros enfrenta dificuldade para ler, em grande parte devido aos problemas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. No entanto, o trabalho que realizam mostra que \u00e9 poss\u00edvel muita gente trocar a novela pelos livros. No Brasil, o \u00edndice mais conhecido sobre a leitura \u00e9 o de 1,8 livro lido por habitante\/ano. Mas este foi calculado h\u00e1 seis anos e tem sido questionado por especialistas, por corresponder \u00e0 simples divis\u00e3o do n\u00famero de livros publicados pelo de pessoas escolarizadas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Na segunda semana, foi a vez de se debater a id\u00e9ia bastante difundida de que \u201cem Buenos Aires h\u00e1 mais livrarias que no Brasil\u201d. Verificou-se que isso n\u00e3o \u00e9 verdade, mas n\u00e3o se sabe ao certo quantas livrarias existem no Brasil. Fala-se de 1.600 a 1.800, mas nem a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Livrarias crava com certeza um n\u00famero. \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Editores e autores, cada tribo tem sua vers\u00e3o particular de para\u00edso. \u00a0 \u00a0 O dos editores \u00e9 um para\u00edso de livros que se escrevem por si, sem o inc\u00f4modo de autores que escrevem menos ou mais do que o esperado, reivindicam maior percentagem de direitos autorais e questionam a efici\u00eancia da distribui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que raramente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1408","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O para\u00edso distinto de editores, autores e leitores &raquo; 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