{"id":13804,"date":"2021-04-23T14:37:56","date_gmt":"2021-04-23T17:37:56","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=13804"},"modified":"2021-04-23T14:37:56","modified_gmt":"2021-04-23T17:37:56","slug":"a-polemica-sobre-a-lei-que-torna-escolas-essenciais-para-abrirem-mesmo-no-auge-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/a-polemica-sobre-a-lei-que-torna-escolas-essenciais-para-abrirem-mesmo-no-auge-da-pandemia\/","title":{"rendered":"A pol\u00eamica sobre a lei que torna escolas &#8216;essenciais&#8217; para abrirem mesmo no auge da pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Escolas devem ficar abertas para o ensino presencial mesmo nos piores momentos da pandemia? Esse \u00e9 o cerne de um debate em torno de um projeto de lei que classifica escolas como &#8220;atividades essenciais&#8221; e foi aprovado na noite de ter\u00e7a (20\/4) na C\u00e2mara dos Deputados.<!--more--> O texto, que pro\u00edbe a suspens\u00e3o de aulas presenciais durante pandemias e calamidades p\u00fablicas, segue agora para o Senado.<\/p>\n<p>Embora sejam enormes os preju\u00edzos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento infantil depois de um ano de escolas fechadas, o projeto de lei enfrenta resist\u00eancia entre muitos especialistas em educa\u00e7\u00e3o, inclusive entre os defensores da volta \u00e0s aulas presenciais, por n\u00e3o levar em considera\u00e7\u00e3o par\u00e2metros epidemiol\u00f3gicos ao definir a reabertura das escolas &#8211; o que poderia, em tese, piorar a situa\u00e7\u00e3o pand\u00eamica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre 1,5 bilh\u00e3o de crian\u00e7as do mundo que tiveram seu ensino presencial de alguma forma interrompido pela pandemia, as brasileiras est\u00e3o entre as que enfrentam mais tempo de escolas, em sua maioria, fechadas.<\/p>\n<p>Uma proje\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o do Banco Mundial apontou que pode aumentar de 50% para 70% a propor\u00e7\u00e3o de alunos brasileiros no ensino fundamental que n\u00e3o conseguem ler ou compreender textos simples.<\/p>\n<p>O Unicef, bra\u00e7o da ONU para a inf\u00e2ncia, calcula que mais de 5,5 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes brasileiros tiveram seu direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o negado em 2020, pelas dificuldades de implementa\u00e7\u00e3o do ensino remoto.<\/p>\n<p>&#8220;Devemos ter a educa\u00e7\u00e3o como servi\u00e7o e atividade essenciais, n\u00e3o podendo ser renegada em face de problemas moment\u00e2neos que a sociedade esteja enfrentando&#8221;, afirmaram as deputadas Paula Belmonte (Cidadania-DF) e Adriana Ventura (Novo-SP), duas das autoras do projeto de lei 5595\/2020.<\/p>\n<p>&#8220;Absurdo \u00e9 quando presenciamos diariamente governantes locais &#8211; governadores e prefeitos &#8211; elencando as mais diversas e variadas atividades como essenciais, mas n\u00e3o a educa\u00e7\u00e3o&#8221;, declararam, segundo a Ag\u00eancia C\u00e2mara.<\/p>\n<p>O projeto aprovado s\u00f3 prev\u00ea a suspens\u00e3o de aulas &#8220;se houver crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e cient\u00edficos justificados pelo Poder Executivo quanto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias do Estado ou munic\u00edpio&#8221;, embora esses crit\u00e9rios n\u00e3o estejam detalhados.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Reabertura n\u00e3o pode ser a qualquer custo&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, essa reabertura &#8220;a qualquer custo&#8221;, no momento em que o Brasil vivencia os n\u00fameros mais altos de mortes por covid-19 e colapso nos sistemas de sa\u00fade, tamb\u00e9m \u00e9 vista como um risco para a comunidade escolar e para a sociedade como um todo.<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de crit\u00e9rios espec\u00edficos para as &#8220;situa\u00e7\u00f5es excepcionais&#8221; de fechamento das escolas, &#8220;pese a boa inten\u00e7\u00e3o, nosso entendimento \u00e9 de que (o projeto), sendo apresentado no pior momento da pandemia, est\u00e1 descompassado do contexto maior do Brasil&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil Olavo Nogueira, diretor-executivo da organiza\u00e7\u00e3o Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nogueira argumenta que o Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o tem sido &#8220;vocal em favor da reabertura das escolas&#8221; &#8211; por conta do impacto brutal que a situa\u00e7\u00e3o atual tem tido sobre as crian\u00e7as -, mas s\u00f3 se houver crit\u00e9rios e condi\u00e7\u00f5es adequados.<\/p>\n<p>&#8220;O risco \u00e9 for\u00e7ar uma reabertura em locais onde os indicadores de sa\u00fade n\u00e3o permitem&#8221;, prossegue Nogueira. &#8220;Os pa\u00edses que conseguiram reabrir suas escolas com seguran\u00e7a o fizeram em um cen\u00e1rio de razo\u00e1vel controle (da situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica).&#8221;<\/p>\n<p>Um fator complicador, diz Nogueira, \u00e9 a aus\u00eancia de par\u00e2metros e coordena\u00e7\u00e3o nacionais por parte do governo federal, que ajudassem a balizar estrat\u00e9gias de abertura e fechamento de escolas a depender das circunst\u00e2ncias em cada local.<\/p>\n<p>&#8220;Os EUA, por exemplo, usam os CDCs (centros de controle de doen\u00e7as), que definem as etapas e marcadores para avaliar quando \u00e9 muito arriscado reabrir as escolas. Aqui, alguns Estados tentam por si pr\u00f3prios (&#8230;), mas mesmo neles existe uma aus\u00eancia de indicadores e de comunica\u00e7\u00e3o transparente de quando (a reabertura) passa a ser perigosa ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O pa\u00eds errou muito no \u00faltimo ano&#8221;, opina Nogueira. &#8220;Quando houve espa\u00e7o para reabrir as escolas (no ano passado), priorizou-se reabrir com\u00e9rcios e servi\u00e7os n\u00e3o essenciais. Poderia ter havido a reabertura, e isso n\u00e3o foi feito. Agora, tenta-se recuperar o atraso no pior momento da pandemia. \u00c9 um descompasso entre o que as evid\u00eancias mostram e o poder p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Escolas com protocolos costumam ser ambientes seguros<\/strong><\/p>\n<p>O debate \u00e9, de fato, um dos mais relevantes e urgentes a serem feitos pelo pa\u00eds. Muitos pediatras, por exemplo, se mobilizaram em defesa da reabertura das escolas, ressaltando os impactos sofridos pelas crian\u00e7as em seu desenvolvimento cognitivo e socializa\u00e7\u00e3o &#8211; e apontando, tamb\u00e9m, a falta que tem feito a escola em prover seguran\u00e7a f\u00edsica e alimentar no caso dos estudantes mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>Estudos feitos em ambientes escolares ao redor do mundo apontam que escolas que seguem protocolos sanit\u00e1rios r\u00edgidos &#8211; com ampla ventila\u00e7\u00e3o natural dos ambientes, uso de m\u00e1scaras, distanciamento social e restri\u00e7\u00f5es \u00e0 capacidade m\u00e1xima de cada espa\u00e7o &#8211; s\u00e3o ambientes de relativa seguran\u00e7a contra a propaga\u00e7\u00e3o de v\u00edrus entre crian\u00e7as e professores.<\/p>\n<p>Um estudo feito na Fran\u00e7a, por exemplo, identificou que infec\u00e7\u00f5es diversas entre crian\u00e7as se mantiveram em n\u00edveis muito mais baixos do que o normal durante o fechamento das escolas, mas se mantiveram baixos quando essas reabriram ao mesmo tempo em que o restante da sociedade se manteve sob r\u00edgidas normas de <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/faq\/lockdown-como-funciona-o-que-e-significado-e-regras-em-sp-e-mais-cidades.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">lockdown<\/a> promovidas pelo governo.<\/p>\n<p>Isso levanta ao menos tr\u00eas quest\u00f5es importantes: primeiro, que a seguran\u00e7a dentro da escola depende tamb\u00e9m da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus fora dela &#8211; e, portanto, oscila conforme os \u00edndices de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria e o comportamento dos adultos na sociedade como um todo.<\/p>\n<p>Segundo levantamento de outubro de 2020 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), os estudos feitos at\u00e9 ent\u00e3o apontavam que, nos surtos de identificados dentro de escolas, &#8220;na maioria dos casos de covid-19 em crian\u00e7as a infec\u00e7\u00e3o foi adquirida dentro de casa&#8221;, e n\u00e3o na escola em si.<\/p>\n<p>&#8220;Nos surtos escolares, a probabilidade maior era de que o v\u00edrus tivesse sido introduzido por adultos&#8221;, prossegue o documento.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o exemplo de pa\u00edses que conseguiram manter suas escolas reabertas indica que \u00e9 necess\u00e1rio haver um programa constante de testagem e rastreamento de casos ativos de covid-19, para evitar que eles se convertam em surtos, al\u00e9m de condi\u00e7\u00f5es adequadas para a implementa\u00e7\u00e3o de medidas sanit\u00e1rias nas escolas.<\/p>\n<p>S\u00e3o pontos em que o Brasil patina, apontam tr\u00eas pesquisadores do Departamento de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da USP, Lorena Barberia, Luiz Cantarelli e Pedro Schmalz, que est\u00e3o monitorando as pol\u00edticas de educa\u00e7\u00e3o implementadas pelas redes p\u00fablicas estaduais e municipais durante a pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;A volta \u00e0s aulas presenciais foi vendida como tendo sido cercada de protocolos e cuidados, mas olhando para as pol\u00edticas de distanciamento nas capitais e nos Estados, a gente percebeu que a fiscaliza\u00e7\u00e3o sempre foi muito ruim, e decis\u00f5es nem sempre foram pautadas por quest\u00f5es cient\u00edficas e pelo melhores protocolos, e sim por interesses econ\u00f4micos&#8221;, diz Cantarelli \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;A ret\u00f3rica de que os retornos (na rede p\u00fablica) est\u00e3o cercados pelos melhores protocolos n\u00e3o se sustenta.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre a testagem, uma quest\u00e3o que preocupa Lorena Barberia \u00e9 que, em locais como a cidade de S\u00e3o Paulo, o teste sorol\u00f3gico \u00e9 o que tem sido mais usado nos inqu\u00e9ritos de situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica escolar.<\/p>\n<p>Esse teste &#8211; ao medir a presen\u00e7a de anticorpos no sangue &#8211; avalia se as pessoas tiveram ou n\u00e3o contato com a covid-19 e produziram resposta imunol\u00f3gica, mas n\u00e3o necessariamente identifica casos ativos de covid-19, como faria o exame PCR.<\/p>\n<p>&#8220;Com (tantos casos de) reinfec\u00e7\u00e3o, variantes e vacinas sendo aplicadas, cada vez mais esses testes sorol\u00f3gicos n\u00e3o s\u00e3o passaporte para a tranquilidade&#8221;, argumenta Barberia \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Um terceiro ponto ressaltado por muitos especialistas \u00e9 que, mesmo que o ambiente escolar esteja seguro, a reabertura das escolas provoca um maior deslocamento de pessoas pelas ruas e dentro do transporte p\u00fablico, o que tamb\u00e9m aumenta as chances de cont\u00e1gio em momentos de descontrole sobre o v\u00edrus.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda que seja fundamental reconhecer as atividades escolares como servi\u00e7os essenciais \u00e0 sociedade, no atual momento os indicadores da transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria expressam a necessidade urgente de tomar medidas mais efetivas de lockdown ou restri\u00e7\u00f5es. Isso permitir\u00e1 que o distanciamento f\u00edsico seja capaz de &#8216;achatar a curva&#8217;, com redu\u00e7\u00e3o de casos e mortes e garantia de leitos hospitalares para todos, ou seja, reduzir a transmiss\u00e3o o m\u00e1ximo poss\u00edvel para garantir que os hospitais n\u00e3o sejam sobrecarregados&#8221;, afirmou a Fiocruz em nota t\u00e9cnica divulgada em mar\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Como reabrir escolas<\/strong><\/p>\n<p>Isso nos leva a outra parte do debate: os crit\u00e9rios t\u00e9cnicos para a reabertura de escolas.<\/p>\n<p>Em guia de dezembro sobre o assunto, a OMS reconhece que &#8220;o timing e a abordagem da reabertura s\u00e3o t\u00e3o complexos quanto sens\u00edveis; devem ser movidos por dados e pelas medidas de seguran\u00e7a em curso, bem como pelas preocupa\u00e7\u00f5es de estudantes, pais, cuidadores e professores&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, &#8220;todos os planos e medidas de reabertura segura devem almejar a redu\u00e7\u00e3o de desigualdades e a melhora das condi\u00e7\u00f5es educacionais e de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel e marginalizada&#8221;. No guia, a entidade lista mais de 30 medidas a serem adotadas por pa\u00edses que estejam reabrindo suas escolas, desde as tradicionais precau\u00e7\u00f5es de higiene e mudan\u00e7as na configura\u00e7\u00e3o das salas de aula, at\u00e9, por exemplo:<\/p>\n<p>&#8211; Ado\u00e7\u00e3o de diretrizes nacionais constantemente atualizadas com os dados epidemiol\u00f3gicos mais recentes do pa\u00eds;<\/p>\n<p>&#8211; Avalia\u00e7\u00e3o da capacidade das escolas de operarem em seguran\u00e7a;<\/p>\n<p>&#8211; Cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea de monitoramento da situa\u00e7\u00e3o escolar;<\/p>\n<p>&#8211; Manuten\u00e7\u00e3o de planos de educa\u00e7\u00e3o remota, para serem acionados caso haja casos de covid-19 no ambiente escolar;<\/p>\n<p>&#8211; Distribui\u00e7\u00e3o de comida aos alunos vulner\u00e1veis caso as escolas tenham de fechar novamente.<\/p>\n<p>A Fiocruz tamb\u00e9m elaborou crit\u00e9rios espec\u00edficos para as circunst\u00e2ncias brasileiras, sugerindo a volta \u00e0s aulas em contexto de baixo n\u00famero de novos casos por 100 mil habitantes e redu\u00e7\u00e3o na taxa de cont\u00e1gio, disponibilidade de leitos cl\u00ednicos e de UTI e aumento na capacidade de testagem e rastreamento de casos, entre outras medidas.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil n\u00e3o tem feito sequer o m\u00ednimo para aferir e implementar cada um (desses crit\u00e9rios), como testagem, rastreamento, distribui\u00e7\u00e3o de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual (EPIs) eficazes e reorganiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e do cotidiano escolar com adapta\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas para melhorar a circula\u00e7\u00e3o de ar nas escolas, o distanciamento nos ambientes escolares e a higiene respirat\u00f3ria&#8221;, diz <a href=\"https:\/\/campanha.org.br\/noticias\/2021\/04\/12\/nota-tecnica-brasil-nao-e-hora-de-retomar-aulas-presenciais-nas-escolas-e-e-preciso-garantir-condicoes-adequadas-para-oferta-do-ensino-remoto-emergencial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nota t\u00e9cnica<\/a> assinada por tr\u00eas grupos de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade: a Campanha Nacional Pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, a Rede An\u00e1lise Covid e o Observat\u00f3rio Covid-19 BR.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Direito constitucional \u00e0 educa\u00e7\u00e3o&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>De volta ao projeto de lei 5595 aprovado na C\u00e2mara, a relatora Joice Hasselmann (PSL-SP) incorporou emendas para criar protocolos do retorno escolar e argumentou que as crian\u00e7as mais carentes n\u00e3o vivem em boas condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>&#8220;Algu\u00e9m realmente acha que a escola \u00e9 um local menos adequado que essas comunidades, onde as crian\u00e7as, muitas vezes, passam os dias empilhadas, ou em creches e escolinhas clandestinas? Porque os pais t\u00eam que trabalhar de alguma forma. Ent\u00e3o, se n\u00f3s queremos cuidar das nossas crian\u00e7as, elas t\u00eam que estar na escola&#8221;, afirmou, segundo a Ag\u00eancia C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Foi rebatida pela presidente da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara, a deputada Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), que lembrou que crian\u00e7as mais velhas podem transmitir v\u00edrus em quantidades parecidas \u00e0s de adultos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 indiscut\u00edvel o preju\u00edzo para a educa\u00e7\u00e3o com a pandemia, mas 49% das escolas n\u00e3o t\u00eam saneamento b\u00e1sico, n\u00e3o t\u00eam \u00e1gua, n\u00e3o t\u00eam ventila\u00e7\u00e3o&#8221;, declarou. &#8220;A nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a educa\u00e7\u00e3o seja prioridade de investimento, de pol\u00edtica, de forma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 este projeto, no formato em que ele est\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>O projeto de lei ganhou a defesa da Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, que desde dezembro considera a educa\u00e7\u00e3o servi\u00e7o essencial nos Estado, podendo reabrir mesmo na fase vermelha da pandemia &#8211; embora com restri\u00e7\u00f5es durante a chamada fase emergencial.<\/p>\n<p>Em nota emitida antes da aprova\u00e7\u00e3o do texto, a secretaria paulista exaltou o projeto e discordou que ele promova a reabertura indiscriminada.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata de abrir a escola de qualquer jeito. \u00c9 um caminho constru\u00eddo juntos: governo, ci\u00eancia e, principalmente, profissionais da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o, desde o in\u00edcio da pandemia&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;O pr\u00f3prio artigo 2\u00b0 da Constitui\u00e7\u00e3o refor\u00e7a a ideia de que h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es extremas em que o fechamento de escolas deve ser considerado. (&#8230;) Trata-se de exigir que a postura de Estados e munic\u00edpios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o seja respaldado em crit\u00e9rios cient\u00edficos, e n\u00e3o de impor a abertura a qualquer custo. Isso \u00e9 o m\u00ednimo que qualquer gestor p\u00fablico deveria exigir. Se posicionar contra o projeto de lei \u00e9 escolher o caminho f\u00e1cil.&#8221;<\/p>\n<p>No entanto, para os tr\u00eas grupos que assinam a nota t\u00e9cnica citada mais acima, &#8220;diante dos indicadores da Fiocruz e tendo em vista os dados acima apresentados sobre a situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica e sanit\u00e1ria no pa\u00eds, consideramos que o retorno ao atendimento presencial nas escolas traz um elevad\u00edssimo risco de cont\u00e1gio aos membros da comunidade escolar e seus familiares e colabora para o recrudescimento da pandemia de covid-19 em todo pa\u00eds &#8211; sobretudo em S\u00e3o Paulo, que al\u00e9m de ser a unidade da Federa\u00e7\u00e3o que concentra o maior n\u00famero de estudantes, det\u00e9m tamb\u00e9m o maior n\u00famero de casos de contamina\u00e7\u00e3o e mortes di\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O pa\u00eds precisa compreender o que ainda n\u00e3o foi capaz de assimilar com a urg\u00eancia necess\u00e1ria: a prioridade absoluta \u00e9 salvar vidas&#8221;, prossegue o texto, pedindo que se invista, tamb\u00e9m, nas medidas sanit\u00e1rias e arquitet\u00f4nicas que podem facilitar o retorno seguro.<\/p>\n<p><strong>O peso sobre os pais &#8211; e sobre as crian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de consenso e de crit\u00e9rios claros em torno da reabertura, alguns especialistas lembram que o peso da decis\u00e3o final sobre mandar ou n\u00e3o as crian\u00e7as \u00e0 escola, bem como as consequ\u00eancias disso, acabam recaindo sobre as fam\u00edlias.<\/p>\n<p>&#8220;O descompasso entre as evid\u00eancias e o poder p\u00fablico torna um processo que j\u00e1 \u00e9 complexo em algo ainda mais confuso, e as fam\u00edlias ficam com medo&#8221;, ressalta Olavo Nogueira, do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Lorena Barberia, da USP, o contexto atual vai se refletir tamb\u00e9m na constru\u00e7\u00e3o da cidadania das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;A pandemia que elas vivem vai definir o tipo de confian\u00e7a que elas v\u00e3o ter nas institui\u00e7\u00f5es&#8221;, defende ela. &#8220;Se voc\u00ea promete algo seguro que n\u00e3o tem como garantir, est\u00e1 fechando um v\u00ednculo futuro importante para essas crian\u00e7as participarem da sociedade. O fato de estarmos politizando (a reabertura das escolas) cria um problema muito grande. E as crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o se esquecer do que est\u00e3o vivendo.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escolas devem ficar abertas para o ensino presencial mesmo nos piores momentos da pandemia? 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