{"id":1357,"date":"2006-04-20T10:07:00","date_gmt":"2006-04-20T13:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2006\/04\/20\/e-tao-dificil-copiar\/"},"modified":"2006-04-20T10:07:00","modified_gmt":"2006-04-20T13:07:00","slug":"e-tao-dificil-copiar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/","title":{"rendered":"\u00c9 t\u00e3o dif\u00edcil copiar?"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil levou mais de 300 anos para editar seu primeiro livro. Ele foi publicado em 1808, para marcar a funda\u00e7\u00e3o da imprensa r\u00e9gia no pa\u00eds. A primeira universidade brasileira a funcionar de fato, a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), surgiu em 1934, mais de um s\u00e9culo depois da declara\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia &#8211; e 300 anos ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da primeira institui\u00e7\u00e3o de ensino superior da Am\u00e9rica Latina, no Peru. At\u00e9 ent\u00e3o, universidade s\u00f3 existia no papel &#8211; como a Universidade do Brasil, criada no Rio de Janeiro em 1922 para a concess\u00e3o de um t\u00edtulo de doutor honoris causa ao rei Leopoldo II, da B\u00e9lgica.  <\/p>\n<p> Esse descaso hist\u00f3rico com a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o impediu que o Brasil, com uma popula\u00e7\u00e3o de mais de 30% de analfabetos, colecionasse ao longo do s\u00e9culo XX alguns dos mais altos \u00edndices de crescimento econ\u00f4mico do mundo. O reverenciado Programa de Metas, de Juscelino Kubitschek, destinava recursos para estradas, hidrel\u00e9tricas, siderurgia, mas desprezava a educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o d\u00e1 mais. No mundo contempor\u00e2neo, dominado pela globaliza\u00e7\u00e3o, pela tecnologia e pela competi\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses, o conhecimento \u00e9 fundamental para a sobreviv\u00eancia dos cidad\u00e3os &#8211; e tamb\u00e9m das na\u00e7\u00f5es.  <\/p>\n<p> \u201cQuanto mais inclusivo for o alcance da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e dos servi\u00e7os de sa\u00fade, maior a probabilidade de que os pobres tenham uma chance de superar a pen\u00faria\u201c, diz o economista indiano Amartya Sen, pr\u00eamio Nobel de Economia em 1998, especialista em pobreza e desenvolvimento. \u201cSem investimentos em educa\u00e7\u00e3o, fica praticamente imposs\u00edvel assimilar novas tecnologias\u201d, diz o economista Joseph Stiglitz, Nobel de Economia de 2001, ao analisar as diferen\u00e7as econ\u00f4micas entre a Am\u00e9rica Latina e o Sudeste da \u00c1sia.  <\/p>\n<p> O indiv\u00edduo com boa forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica costuma conseguir melhores empregos, criar neg\u00f3cios, aperfei\u00e7oar tecnologias e ajudar a melhorar a produtividade das empresas. Cada ano a mais de estudo significa, na pr\u00e1tica, um aumento m\u00e9dio de 14% no sal\u00e1rio do trabalhador brasileiro, segundo uma pesquisa do Ibmec S\u00e3o Paulo. Mas o pa\u00eds, como um todo, parece ainda n\u00e3o ter percebido isso. \u201cNenhum brasileiro individualmente tem d\u00favidas da import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o\u201c, afirma o argentino Jorge Werthein, doutor em  Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Stanford, nos  Estados Unidos, ex-representante da Unesco no Brasil. \u201cMesmo assim, o pa\u00eds ainda n\u00e3o fez do tema prioridade\u201c.  <\/p>\n<p> O avan\u00e7o na educa\u00e7\u00e3o deveria ser um item obrigat\u00f3rio na agenda eleitoral deste ano. Deveria ser tratado como prioridade m\u00e1xima. Pa\u00edses que, no passado recente, estavam parados no tempo, como Espanha, Cor\u00e9ia do Sul ou Irlanda, deixaram para tr\u00e1s a periferia do planeta gra\u00e7as a investimentos pesados no ensino e no conhecimento. No caso brasileiro, por\u00e9m, falta senso de urg\u00eancia. A tr\u00eas meses do in\u00edcio da campanha presidencial, PT e PSDB, favoritos na disputa, ainda n\u00e3o colocaram a educa\u00e7\u00e3o como tema priorit\u00e1rio da agenda. Todas as discuss\u00f5es, at\u00e9 agora, parecem superficiais.  <\/p>\n<p> O tucano Geraldo Alckmin, que at\u00e9 mar\u00e7o governava S\u00e3o Paulo, defende genericamente a concentra\u00e7\u00e3o de investimentos no ensino b\u00e1sico. \u201cO foco deve ser a melhoria da qualidade da escola b\u00e1sica p\u00fablica, com \u00eanfase na forma\u00e7\u00e3o e no treinamento do professor, nos programas de leituras em sala de aula, na amplia\u00e7\u00e3o da jornada e gest\u00e3o voltada para o sucesso do aluno\u201d, diz o ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o Paulo Renato Souza, que tem assessorado Alckmin.  <\/p>\n<p> O partido do presidente Lula, candidato n\u00e3o-declarado \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m parece defender planos vagos. \u201cA id\u00e9ia deve ser continuar investindo em universidades p\u00fablicas, estudar propostas como escola integral e aumentar o investimento em ensino b\u00e1sico\u201d, diz a deputada federal Iara Bernardi, autora do programa de governo do PT para educa\u00e7\u00e3o na elei\u00e7\u00e3o de 2002.  <\/p>\n<p> Em 1960, o PIB per capita da Cor\u00e9ia do Sul era metade do registrado no Brasil. Os coreanos investiram maci\u00e7amente na educa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e hoje seu PIB per capita \u00e9 o dobro do brasileiro. \u201c\u00c9 uma verdade absoluta que o investimento em educa\u00e7\u00e3o gera crescimento econ\u00f4mico\u201d, diz o economista Na\u00e9rcio Menezes, professor do Ibmec S\u00e3o Paulo. O que deve o pa\u00eds fazer, ent\u00e3o, para educar seu povo? Que exemplos internacionais deve seguir? Quanto dinheiro deve gastar? Onde deve gastar? Sem responder a essas quest\u00f5es de forma objetiva, ser\u00e1 imposs\u00edvel colocar o pa\u00eds em uma rota de crescimento sustentado.  <\/p>\n<p> Dois anos atr\u00e1s, o Minist\u00e9rio da  Educa\u00e7\u00e3o reuniu especialistas de todo o Brasil para calcular quanto o pa\u00eds precisaria investir para proporcionar a seus estudantes um ensino de qualidade mundial. Resultado: seria necess\u00e1rio aplicar R$ 608 bilh\u00f5es, durante os pr\u00f3ximos cinco anos, para capacitar professores, comprar computadores, construir escolas melhores e oferecer merenda e ber\u00e7os para creches. Isso d\u00e1 uma m\u00e9dia de R$ 120 bilh\u00f5es por ano, mais que o dobro dos R$ 50 bilh\u00f5es que governo federal, Estados e munic\u00edpios investem hoje. Como o Estado est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o financeira cr\u00edtica, fica dif\u00edcil resolver a quest\u00e3o sem envolver a iniciativa privada.  <\/p>\n<p> Essa ainda \u00e9, por\u00e9m, uma quest\u00e3o que suscita controv\u00e9rsia pol\u00edtica, pois muita gente &#8211; que, em geral, p\u00f5e os filhos em escolas particulares &#8211; julga que o ensino fundamental \u00e9 um dever exclusivo do Estado. \u201cNuma sociedade que considera a educa\u00e7\u00e3o muito importante, a tarefa de ensinar come\u00e7a na fam\u00edlia\u201d, diz o finland\u00eas Jouni V\u00e4lij\u00e4rvi, diretor do Instituto de Pesquisas da Universidade de Jyv\u00e4skyl\u00e4. Na Finl\u00e2ndia, as crian\u00e7as entram na escola aos 7 anos completamente alfabetizadas. No passado, aprendiam a ler em casa para acompanhar o que est\u00e1 escrito na B\u00edblia, e isso acabou se enraizando na cultura do pa\u00eds. No Chile, todas as escolas, inclusive as particulares, recebem verbas p\u00fablicas e contribui\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias dos estudantes.  <\/p>\n<p> Durante a d\u00e9cada de 90, o Brasil deu um primeiro passo para tentar recuperar o atraso na educa\u00e7\u00e3o. O governo Fernando Henrique Cardoso estipulou a meta de colocar todas as crian\u00e7as na escola e ampliar o acesso ao ensino fundamental. Com esse objetivo, foi criado o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), um mecanismo para garantir um gasto m\u00ednimo com a educa\u00e7\u00e3o em todos os Estados e munic\u00edpios. Na virada do s\u00e9culo, 97% da popula\u00e7\u00e3o entre 7 e 14 anos j\u00e1 estava nos bancos escolares &#8211; no come\u00e7o dos anos 90, eram 87%. Mas o salto nas matr\u00edculas escolares n\u00e3o foi acompanhado por um esfor\u00e7o para melhorar a qualidade da escola p\u00fablica. \u201cHoje, h\u00e1 escola para quase todo mundo dos 7 aos 14 anos, mas os professores s\u00e3o mal remunerados e as escolas mal equipadas\u201d, diz o economista S\u00e9rgio Haddad, da ONG A\u00e7\u00e3o Educativa.  <\/p>\n<p> \u00c9 evidente que \u00e9 muito melhor para o pa\u00eds ter mais crian\u00e7as na escola que expostas ao risco das ruas. Com a amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 sala de aula, por\u00e9m, ficou clara a defici\u00eancia de infra-estrutura. Das escolas p\u00fablicas que acolheram as crian\u00e7as, 40% n\u00e3o t\u00eam energia el\u00e9trica. Isso impede desde o uso de computadores at\u00e9 confortos prosaicos, como ligar um ventilador nos dias de calor ou acender a luz para as aulas noturnas. Em parte por causa dessa precariedade, a evas\u00e3o escolar persiste em n\u00edveis elevados. De cada cem crian\u00e7as matriculadas na 1\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental, apenas 54 concluem a 8\u00aa s\u00e9rie. A repet\u00eancia \u00e9 a principal causa de abandono da escola. Entre os jovens de 15 e 17 anos, apenas 44% cursam o ensino m\u00e9dio, o antigo segundo grau. Na zona rural, esse \u00edndice cai para 22%.  <\/p>\n<p> Boa parte das escolas brasileiras acaba produzindo analfabetos funcionais, gente que apenas assina o nome e l\u00ea o suficiente para reconhecer o letreiro do \u00f4nibus. Na Regi\u00e3o Nordeste, somente 2% dos estudantes da 4\u00aa s\u00e9rie tiveram um desempenho adequado em L\u00edngua Portuguesa, segundo dados do Sistema de Avalia\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb) de 2003. Em Matem\u00e1tica, n\u00e3o mais que 5% dos estudantes da 8\u00aa s\u00e9rie da Regi\u00e3o Sudeste tiveram desempenho adequado &#8211; e esse foi o melhor resultado do pa\u00eds. Regularmente, o Brasil passa vexame nas listas internacionais de desempenho escolar. Num grupo de 40 pa\u00edses, ficou em \u00faltimo lugar em Matem\u00e1tica, segundo uma avalia\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) realizada em 2003. Em Ci\u00eancias, ficou em pen\u00faltimo. \u00c9 dif\u00edcil melhorar esse quadro com professores desvalorizados e desmotivados. O professor de escola p\u00fablica recebe em m\u00e9dia R$ 550 por m\u00eas, menos do que ganha um cobrador de \u00f4nibus em S\u00e3o Paulo. Com sal\u00e1rios assim, fica dif\u00edcil investir no aprimoramento profissional. A grande maioria n\u00e3o tem computador em casa, e 60% deles n\u00e3o usam a internet.  <\/p>\n<p> Em 2003, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o fez uma pesquisa com um resultado revelador: os alunos da 4\u00aa s\u00e9rie com piores resultados nos testes de avalia\u00e7\u00e3o tinham professores com renda m\u00e9dia de R$ 730, enquanto os estudantes mais bem avaliados tinham aulas com professores com m\u00e9dia salarial de R$ 1.300. O caminho natural para superar esse desastre, como mostram os exemplos de todos os pa\u00edses que deram o salto qualitativo em educa\u00e7\u00e3o, \u00e9 investir na qualidade do ensino fundamental, com o treinamento de professores e aparelhamento das escolas. Mas hoje, de acordo com um dos maiores estudiosos do sistema educacional brasileiro, o pesquisador colombiano Alberto Rodriguez, da Universidade de Michigan, o gasto p\u00fablico com um aluno do ensino superior \u00e9 12 vezes maior que o gasto com um aluno do ensino fundamental. Investem-se R$800 por ano com um aluno do ensino fundamental e R$9.600 com um estudante universit\u00e1rio. Na Cor\u00e9ia do Sul, o aluno de ensino fundamental recebe at\u00e9 duas vezes mais investimento que um universit\u00e1rio. A l\u00f3gica, portanto, \u00e9 que haja transfer\u00eancia de recursos do ensino superior para o b\u00e1sico. Mas essa \u00e9 outra quest\u00e3o politicamente explosiva, pois os professores e funcion\u00e1rios das universidades p\u00fablicas s\u00e3o um grupo de interesse fortemente articulado e organizado.  <\/p>\n<p> Isso n\u00e3o significa que as universidades devam ser deixadas de lado. Ao contr\u00e1rio, o investimento em centros de excel\u00eancia, produtores de conhecimento e tecnologia, \u00e9 um fator fundamental para o desenvolvimento das na\u00e7\u00f5es. Prova disso s\u00e3o os exemplos recentes da \u00cdndia, que forma 250 mil engenheiros por ano, ou da China, que forma 450 mil. O problema \u00e9 estabelecer prioridades consistentes e crit\u00e9rios de gest\u00e3o. \u201cAntes de elevar o gasto, que pode e deve ser aumentado, \u00e9 preciso introduzir nas redes de ensino profundas mudan\u00e7as em conte\u00fado, m\u00e9todo e gest\u00e3o\u201d, diz Ant\u00f4nio Carlos Gomes da Costa, consultor em Educa\u00e7\u00e3o da Unesco, do Unicef e da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Trabalho (OIT).  <\/p>\n<p> \u201cSe isso n\u00e3o for feito, injetar mais recursos ser\u00e1 como soprar um trombone furado. Estou falando \u00e9 de efici\u00eancia, efic\u00e1cia e efetividade.\u201d O  governo Lula at\u00e9 mirou no alvo certo ao propor a cria\u00e7\u00e3o do Fundeb, um fundo que amplia o Fundef de FHC e prev\u00ea um aumento de R$ 4,5 bilh\u00f5es nos recursos para financiamento da educa\u00e7\u00e3o infantil, fundamental e m\u00e9dia. Mas os crit\u00e9rios de medi\u00e7\u00e3o de efici\u00eancia e efic\u00e1cia inexistem. At\u00e9 enviar a proposta de emenda constitucional ao Congresso, em junho do ano passado, o governo tamb\u00e9m seguia uma trajet\u00f3ria err\u00e1tica. Quando Lula assumiu, com Crist\u00f3vam Buarque como titular do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, a prioridade do governo era a alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos. Substitu\u00eddo Crist\u00f3vam por Tarso Genro, a bandeira passou a ser reforma universit\u00e1ria. S\u00f3 com o terceiro ministro, Fernando Haddad, a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica subiu ao pante\u00e3o das prioridades.  <\/p>\n<p> \u201cH\u00e1 um ponto em comum entre as na\u00e7\u00f5es que apresentaram melhora educacional: a continuidade das pol\u00edticas\u201d, diz o economista colombiano Carlos Herran, especialista em educa\u00e7\u00e3o do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). \u201cMas, em geral, na Am\u00e9rica Latina temos mania de querer reinventar a roda.\u201d  <\/p>\n<p> Como acontecia na economia brasileira, no per\u00edodo da hiperinfla\u00e7\u00e3o, as estrat\u00e9gias educacionais mudam a cada governo. Um exemplo acabado de descontinuidade se deu com os projetos de educa\u00e7\u00e3o em tempo integral. Hoje, h\u00e1 consenso entre os educadores de que o aumento da jornada escolar e a utiliza\u00e7\u00e3o da escola como espa\u00e7o p\u00fablico para atividades extracurriculares \u00e9 um caminho para tentar elevar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica.  <\/p>\n<p> Os Cieps, criados por Leonel Brizola no Rio de Janeiro na d\u00e9cada de 80, foram uma tentativa malsucedida de p\u00f4r essa id\u00e9ia em pr\u00e1tica, abandonada por seus sucessores. Retomados por Fernando Collor no governo federal, em seguida tamb\u00e9m foram esquecidos. Agora, Alckmin volta a falar em ensino em tempo integral. Ningu\u00e9m espera que governos diferentes fa\u00e7am tudo igual. Mas n\u00e3o conv\u00e9m mudar o rumo a cada quatro anos. Na educa\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia de outros pa\u00edses mostra que, para dar certo, \u00e9 preciso ter um projeto nacional que n\u00e3o acabe a cada mandato e envolva toda a sociedade. <\/p>\n<p><B> O problema n\u00e3o \u00e9 o acesso  <br \/><\/B><em> O Brasil tem \u00edndices razo\u00e1veis quando o assunto \u00e9 crian\u00e7as na escola  <br \/><\/em>  <br \/><B> Taxa de matr\u00edcula no ensino funtamental &#8211; em % <\/p>\n<p> Ano 2000\/01         2000\/02          2002\/03  <br \/><\/B>   Brasil &#8211; 95         Brasil &#8211; 97       Brasil &#8211; 97  <br \/> Fran\u00e7a &#8211; 100      Fran\u00e7a &#8211; 100    Fran\u00e7a &#8211; 99  <br \/>  Irlanda &#8211; 94       Irlanda &#8211; 95    Irlanda &#8211; 96  <br \/>    EUA &#8211; 94           EUA &#8211; 93         EUA &#8211; 92  <\/p>\n<p><B> Taxa de matr\u00edcula no ensino m\u00e9dio &#8211; em %  <\/p>\n<p> Ano 2000\/01          2000\/02          2002\/03  <br \/><\/B>   Brasil &#8211; 96          Brasil &#8211; 72        Brasil &#8211; 75  <br \/>  Fran\u00e7a &#8211; 92         Fran\u00e7a &#8211; 93      Fran\u00e7a &#8211; 94  <br \/>  Irlanda &#8211; 82        Irlanda &#8211; 82     Irlanda &#8211; 83  <br \/>    EUA &#8211; 87             EUA &#8211; 85         EUA &#8211; 88  <\/p>\n<p><B> O desafio  <\/B><br \/> O principal obst\u00e1culo da educa\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 no ensino b\u00e1sico.  <br \/> Quase todas as crian\u00e7as est\u00e3o na escola, mas a qualidade do ensino \u00e9 prec\u00e1ria&#8230;  <br \/> Segundo o Enem, a nota das escolas foi, numa escala de 0 a 100, 57 na rede privada e 42 na rede p\u00fablica.  <br \/> &#8230;e os alunos repetem de ano at\u00e9 desistir da escola.  <br \/> De 100 alunos que entram na 1\u00aa s\u00e9rie do ensino fundamental, 59 concluem essa etapa 25 terminam o ensino m\u00e9dio. <\/p>\n<p><B> O caminho seguido por outros pa\u00edses  <br \/><\/B> Pa\u00edses que fizeram a li\u00e7\u00e3o de casa  <br \/> Investir em educa\u00e7\u00e3o foi a chave do sucesso econ\u00f4mico de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es  <\/p>\n<p><B> Chile <\/B>&#8211; A reforma educacional come\u00e7ou nos anos 70, na ditadura Pinochet, com a descentraliza\u00e7\u00e3o e privatiza\u00e7\u00e3o do ensino. Nessa etapa, garantiu-se a presen\u00e7a de 100% das crian\u00e7as entre 6 e 13 anos na escola. Em 1990, ap\u00f3s a democratiza\u00e7\u00e3o, come\u00e7aram a ser implementadas a\u00e7\u00f5es para melhorar a qualidade do ensino: bolsas de especializa\u00e7\u00e3o para professores no exterior, informatiza\u00e7\u00e3o das escolas, mudan\u00e7a no sistema de avalia\u00e7\u00e3o dos alunos. No Chile, todas as escolas, inclusive as particulares, recebem verba p\u00fablica e contribui\u00e7\u00e3o de alunos  <\/p>\n<p><B> Espanha <\/B>&#8211; Finalizada em 2002, a reforma educacional dividiu a vida escolar em tr\u00eas ciclos obrigat\u00f3rios: infantil, prim\u00e1rio e secund\u00e1rio. Nos dois \u00faltimos ciclos, os alunos podem optar pelo ensino t\u00e9cnico ou pela universidade. Com o sucesso da reforma, 70% dos alunos que concluem o ensino m\u00e9dio matriculam-se numa universidade  <\/p>\n<p><B> Cor\u00e9ia do Sul<\/B> &#8211; Em 1945, ao final da Segunda Guerra Mundial, o governo investiu pesadamente no treinamento de professores, na distribui\u00e7\u00e3o de livros na escola prim\u00e1ria e na alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos, na expans\u00e3o das vagas no ensino m\u00e9dio e superior e na cria\u00e7\u00e3o de faculdades de Pedagogia para formar professores. Em 1950, o pa\u00eds tinha 19 universidades. Em 2001, chegou a 1.261. O n\u00famero de alunos no ensino superior saltou de 7.819 para 3,5 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo  <\/p>\n<p><B> Mal\u00e1sia <\/B>&#8211; A primeira medida foi a unifica\u00e7\u00e3o do idioma, no final dos anos 50. O governo padronizou o curr\u00edculo, investiu na forma\u00e7\u00e3o de professores e ampliou as vagas no ensino m\u00e9dio. Instituiu-se o conceito de educa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, que vai  al\u00e9m do per\u00edodo escolar formal  <br \/> <B><br \/> Irlanda <\/B>&#8211; A Irlanda decidiu investir em educa\u00e7\u00e3o nos anos 60. Estava muito atr\u00e1s de outros pa\u00edses europeus. O n\u00famero de vagas do ensino m\u00e9dio e superior foi ampliado. Em 1960, o pa\u00eds tinha menos de 20 mil universit\u00e1rios. Em 2003, eram 128 mil. Al\u00e9m do investimento na universidade tradicional, o governo criou faculdades t\u00e9cnicas e abriu vagas de ensino em tempo integral. Em 1985, 40% dos jovens com 18 anos passavam o dia na escola. No ano 2000, j\u00e1 eram 62%  <\/p>\n<p><B> \u00cdndia <\/B>&#8211; O pa\u00eds apresenta alta taxa de analfabetismo, 39%, mas o governo investiu maci\u00e7amente em escolas t\u00e9cnicas e universidades para formar profissionais de tecnologia. Com isso, conseguiu ganhar mais da metade do mercado mundial de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o.  <\/p>\n<p><B> Os n\u00fameros do problema  <br \/><\/B> Resultado ruim  <br \/> Apesar de todo o dinheiro gasto, a educa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 deficiente no pa\u00eds  <br \/> 72% das crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos n\u00e3o freq\u00fcentam creche ou pr\u00e9-escola  <br \/> 47 milh\u00f5es de pessoas acima de 15 anos n\u00e3o conseguem ler e escrever satisfatoriamente  <br \/> 59 de cada 100 alunos que entram na escola v\u00e3o at\u00e9 o fim  <br \/> 4 em cada 10 estudantes terminam o ensino m\u00e9dio  <br \/> 45% dos alunos do ensino fundamental n\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 biblioteca  <br \/> 62% n\u00e3o t\u00eam acesso a quadras de esporte  <br \/> Fonte: Unesco\/2004  <\/p>\n<p><B> Desvalorizados<\/B>  <br \/> Professores ganham mal e t\u00eam baixa capacita\u00e7\u00e3o  <br \/> 68% fizeram faculdade  <br \/> 32% pararam no ensino m\u00e9dio  <br \/> 60% dos professores nunca usam internet  <br \/> 65% t\u00eam renda familiar entre R$ 600 e R$ 3 mil  <br \/> 36% n\u00e3o l\u00eaem jornal regularmente  <br \/> Fonte: Unesco\/2004  <\/p>\n<p><B> Tem solu\u00e7\u00e3o<\/B>  <br \/><em> Com pouco dinheiro, daria para resolver uma das principais causas da evas\u00e3o escolar: a repet\u00eancia  <\/p>\n<p><\/em><B> O desafio<\/B> &#8211; S\u00f3 44% dos jovens entre 15 e 17 anos est\u00e3o na s\u00e9rie correta. O resto est\u00e1 atrasado ou largou a escola. <\/p>\n<p><B> Solu\u00e7\u00f5es <\/B>&#8211; Existem programas, como o Acelera do Instituto Ayrton Senna, que  ajudam estudantes com dificuldades na escola. Estudos mostram que eles conseguem ajudar 97,7% dos alunos. <\/p>\n<p><B> Investimento <\/B>&#8211; Seria necess\u00e1rio aplicar R$ 780 milh\u00f5es em programas de refor\u00e7o  escolar em todo o pa\u00eds. A verba \u00e9 apenas 6% do que o governo federal gasta com as universidades. A medida beneficiaria 5,3 milh\u00f5es de alunos que est\u00e3o defasados entre a 1\u00aa e a 4\u00aa s\u00e9rie.  <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil levou mais de 300 anos para editar seu primeiro livro. Ele foi publicado em 1808, para marcar a funda\u00e7\u00e3o da imprensa r\u00e9gia no pa\u00eds. A primeira universidade brasileira a funcionar de fato, a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), surgiu em 1934, mais de um s\u00e9culo depois da declara\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia &#8211; e 300 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1357","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u00c9 t\u00e3o dif\u00edcil copiar? &raquo; Abrelivros<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u00c9 t\u00e3o dif\u00edcil copiar? &raquo; Abrelivros\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O Brasil levou mais de 300 anos para editar seu primeiro livro. Ele foi publicado em 1808, para marcar a funda\u00e7\u00e3o da imprensa r\u00e9gia no pa\u00eds. A primeira universidade brasileira a funcionar de fato, a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), surgiu em 1934, mais de um s\u00e9culo depois da declara\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia &#8211; e 300 [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Abrelivros\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2006-04-20T13:07:00+00:00\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#website\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/\",\"name\":\"Abrelivros\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?s={search_term_string}\",\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/#webpage\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/\",\"name\":\"\\u00c9 t\\u00e3o dif\\u00edcil copiar? &raquo; Abrelivros\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#website\"},\"datePublished\":\"2006-04-20T13:07:00+00:00\",\"dateModified\":\"2006-04-20T13:07:00+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#\/schema\/person\/2b867f13a717bb230f1a3555505f5593\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/\",\"name\":\"In\\u00edcio\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/\",\"name\":\"Not\\u00edcias\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/noticias-da-imprensa\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/category\/noticias\/noticias-da-imprensa\/\",\"name\":\"Not\\u00edcias da imprensa\"}},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":4,\"item\":{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/\",\"url\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/e-tao-dificil-copiar\/\",\"name\":\"\\u00c9 t\\u00e3o dif\\u00edcil copiar?\"}}]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#\/schema\/person\/2b867f13a717bb230f1a3555505f5593\",\"name\":\"\\u00a0\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"@id\":\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/#personlogo\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e80b7f5231be2fff5040a8023da424898002831c5439420df182ae62676d2a6f?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"\\u00a0\"}}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1357","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1357"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1357\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1357"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1357"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1357"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}