{"id":13200,"date":"2021-02-15T13:52:12","date_gmt":"2021-02-15T16:52:12","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=13200"},"modified":"2021-02-15T13:52:12","modified_gmt":"2021-02-15T16:52:12","slug":"brasil-finalmente-chegou-ao-que-ha-de-mais-avancado-em-alfabetizacao-o-que-falta-para-aplicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/brasil-finalmente-chegou-ao-que-ha-de-mais-avancado-em-alfabetizacao-o-que-falta-para-aplicar\/","title":{"rendered":"Brasil finalmente chegou ao que h\u00e1 de mais avan\u00e7ado em alfabetiza\u00e7\u00e3o. O que falta para aplicar?"},"content":{"rendered":"<p>Composto por evid\u00eancias cient\u00edficas no \u00e2mbito da alfabetiza\u00e7\u00e3o, um dos documentos mais aguardados pelos educadores brasileiros deve ser lan\u00e7ado em breve. Trata-se do Relat\u00f3rio Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o Baseada em Evid\u00eancia (Renabe), cuja elabora\u00e7\u00e3o foi possibilitada pela 1.\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o Baseada em Ci\u00eancia (Conabe), iniciativa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<!--more--><\/p>\n<p>Para Renan Sargiani, pesquisador, doutor em Psicologia pela USP e presidente-cient\u00edfico da Conabe, uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es que o relat\u00f3rio pode dar \u00e0 sociedade \u00e9 &#8220;apontar o que j\u00e1 se sabe, o que temos a fazer, e mostrar que ningu\u00e9m est\u00e1 guerreando, temos todos o mesmo objetivo, isso \u00e9, que crian\u00e7as melhorem no acesso, na qualidade e na equidade da alfabetiza\u00e7\u00e3o&#8221;. <a href=\"https:\/\/www.gazetadopovo.com.br\/educacao\/uso-ciencia-marca-governo-bolsonaro-antes-pandemia-secretario-mec\/?ref=link-interno-materia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Segundo o MEC<\/a>, o Renabe ser\u00e1 utilizado como ferramenta de compara\u00e7\u00e3o com as a\u00e7\u00f5es j\u00e1 lan\u00e7adas, para efeito de ajustes, e como subs\u00eddio durante as discuss\u00f5es sobre a revis\u00e3o da BNCC anos iniciais, por exemplo.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Gazeta do Povo, Sargiani comentou sobre os bastidores da produ\u00e7\u00e3o do documento, e falou sobre temas como a credibilidade das pesquisas brasileiras em alfabetiza\u00e7\u00e3o, o clima de animosidade e seus reflexos na educa\u00e7\u00e3o, crit\u00e9rios que orientaram a elabora\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio e achados muito recentes trazidos por ele, a exemplo da chamada &#8220;autorregula\u00e7\u00e3o da literacia&#8221;.<\/p>\n<p>Trata-se do primeiro documento brasileiro para o qual diferentes especialistas contribu\u00edram, sintetizando evid\u00eancias cient\u00edficas robustas e atualizadas sobre o tema alfabetiza\u00e7\u00e3o. No cen\u00e1rio internacional, o relat\u00f3rio cuja abordagem mais se aproxima do Renabe \u00e9 o National Reading Panel (NRP), produzido nos Estados Unidos (EUA), em 2000, documento tido na \u00e9poca como o &#8220;estado da arte&#8221; das pesquisas em alfabetiza\u00e7\u00e3o. Mas, desde ent\u00e3o, o n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas sobre o tema mais que dobrou, \u00e0 medida em que as descobertas foram avan\u00e7ando.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, embora o MEC tenha encomendado o relat\u00f3rio, a pasta se eximiu de condicionar sua elabora\u00e7\u00e3o a crit\u00e9rios pol\u00edticos ou ideol\u00f3gicos. &#8220;O que precisamos \u00e9 manter o que a ci\u00eancia est\u00e1 dizendo e, assim, isolar o fator ideol\u00f3gico&#8221;, defende Sargiani. &#8220;O governo Bolsonaro, por exemplo, tem posicionamento ideol\u00f3gico forte, mas quando sua gest\u00e3o come\u00e7ou a tratar de alfabetiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve nenhum tipo de prefer\u00eancia por quest\u00f5es de direita ou esquerda. S\u00f3 quiseram ouvir a ci\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que as evid\u00eancias sintetizadas no Renabe se convertam em pr\u00e1ticas e cheguem literalmente \u00e0s escolas, e para isso, na opini\u00e3o do especialista, o MEC deve atuar como indutor. &#8220;\u00c9 preciso mostrar que estamos do mesmo lado, olhando para evid\u00eancias, para ajudar crian\u00e7as a aprender a ler e escrever e ter sucesso na aprendizagem. Criar esse tipo de ponte \u00e9 muito mais efetivo&#8221;, sugere, embora reconhe\u00e7a que, ao mesmo tempo, o pa\u00eds est\u00e1 tomado por um clima de animosidade que dificulta o di\u00e1logo. &#8220;As pessoas n\u00e3o se ouvem, elas s\u00f3 gritam entre si&#8221;.<\/p>\n<p>Leia a entrevista completa:<\/p>\n<p><strong>O relat\u00f3rio \u00e9 encomendado pelo MEC e decorre da Pol\u00edtica Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o (PNA), correto? O minist\u00e9rio orientou a organiza\u00e7\u00e3o e o teor do documento? Houve diretriz com rela\u00e7\u00e3o ao que deveria ser abordado?<\/strong><\/p>\n<p>Renan Sargiani: O relat\u00f3rio decorre das a\u00e7\u00f5es previstas na PNA referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de s\u00ednteses de evid\u00eancias cient\u00edficas e de boas pr\u00e1ticas de alfabetiza\u00e7\u00e3o, de literacia e de numeracia. Para isso, o MEC instituiu um Painel Nacional de Especialistas e promoveu a Conabe, um espa\u00e7o em que os painelistas e diversos palestrantes convidados puderam sintetizar suas ideias, discutir eixos tem\u00e1ticos, ouvir a audi\u00eancia (composta por diferentes pesquisadores, gestores educacionais e stakeholders), e incorporar as perguntas, d\u00favidas, cr\u00edticas e, em comum acordo, ap\u00f3s reuni\u00f5es internas do Painel de Especialistas, elaborar um documento t\u00e9cnico denominado de Renabe.<\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que n\u00e3o houve media\u00e7\u00e3o ou interfer\u00eancia do MEC em nenhum momento dos trabalhos do painel. As reuni\u00f5es foram sempre t\u00e9cnicas e conduzidas apenas pelos painelistas, mesmo enquanto eu e a Josiane Toledo (vice-presidente do painel) ainda \u00e9ramos funcion\u00e1rios do MEC. Isso foi muito importante para garantir a independ\u00eancia e autonomia dos participantes, conforme desejo expl\u00edcito do pr\u00f3prio secret\u00e1rio de alfabetiza\u00e7\u00e3o [Carlos Nadalim] na abertura da Conabe e do ent\u00e3o ministro da Educa\u00e7\u00e3o [Abraham Weintraub].<\/p>\n<p>Fomos respeitados nesse sentido. N\u00e3o houve qualquer influ\u00eancia quanto ao modo como dever\u00edamos realizar as pesquisas, tivemos autonomia para decidir com base em crit\u00e9rios t\u00e9cnico-cient\u00edficos. O MEC encomendou o relat\u00f3rio, mas deu liberdade para que fiz\u00e9ssemos o melhor poss\u00edvel dentro de uma metodologia s\u00e9ria.<\/p>\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a entre o Renabe e outros documentos j\u00e1 elaborados no pa\u00eds? Por que ele inova?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: \u00c9 importante lembrar que relat\u00f3rios cient\u00edficos s\u00e3o criados mundo afora h\u00e1 muitas d\u00e9cadas. O Renabe n\u00e3o \u00e9 o primeiro relat\u00f3rio sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o, mas, certamente, \u00e9 o primeiro relat\u00f3rio encomendado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) com esse peso de incluir diversos especialistas e explorar diferentes temas relacionados \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o. O MEC j\u00e1 fez outras encomendas, na d\u00e9cada de 80. Por exemplo, a professora Magda Soares, refer\u00eancia sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, j\u00e1 foi convidada pelo minist\u00e9rio e pelo Inep para produzir um relat\u00f3rio muito conhecido. Ou seja, isso j\u00e1 foi feito, mas n\u00e3o com a mesma metodologia adotada no Renabe.<\/p>\n<p>O modelo de se chamar diversos especialistas a fim de que possam sintetizar evid\u00eancias em um \u00fanico relat\u00f3rio n\u00e3o havia sido adotado ainda. No pa\u00eds, o relat\u00f3rio mais parecido foi o produzido pela C\u00e2mara dos Deputados, em 2003, e o relat\u00f3rio da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC) de 2011. O \u00faltimo, contudo, n\u00e3o se dedicou exclusivamente \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio internacional, um relat\u00f3rio importante que se dedicou apenas \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o foi o National Reading Panel (NRP), que, inclusive, \u00e9 uma das principais refer\u00eancias para a produ\u00e7\u00e3o do Renabe. Produzido nos Estados Unidos a partir de 1997 e publicado em 2000, o relat\u00f3rio envolveu diferentes especialistas que investigaram temas abordados durante uma s\u00e9rie de confer\u00eancias pr\u00e9vias. A partir disso, foram elencados t\u00f3picos que compuseram o documento final, exatamente como aconteceu com o Renabe que seguiu a realiza\u00e7\u00e3o da Conabe.<\/p>\n<p>Cada painelista foi considerado um coordenador de eixo e foi respons\u00e1vel por realizar uma pesquisa de revis\u00e3o de literatura, seguindo os par\u00e2metros iniciais estabelecidos durante a Conabe. Essas pesquisas foram submetidas \u00e0 presid\u00eancia-cient\u00edfica da Conabe, que leu, revisou e sugeriu modifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, para que existisse coes\u00e3o interna no documento e evitar poss\u00edveis sombreamentos dos eixos.<\/p>\n<p><strong>Sob quais crit\u00e9rios foram selecionados os especialistas respons\u00e1veis pela elabora\u00e7\u00e3o do documento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: Os 12 painelistas foram selecionados pelo MEC de acordo com suas expertises. Todos s\u00e3o pesquisadores com doutorado e produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na \u00e1rea de alfabetiza\u00e7\u00e3o. Eles foram respons\u00e1veis por organizar as palestras da Conabe, evento que abriu espa\u00e7o para discutirmos evid\u00eancias e trazer inputs de diferentes atores da sociedade. Dentre os participantes da Conabe havia diretores de escolas, pais, professores, representantes de ONGs, membros do CNE, membros de conselhos estaduais, Undime e Consed.<\/p>\n<p>O \u00fanico crit\u00e9rio para a participa\u00e7\u00e3o no evento foi o n\u00famero de vagas, tendo em vista o tamanho do local onde foi realizado, no audit\u00f3rio da Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior). Cerca de 300 pessoas participaram. Mas todas as sess\u00f5es foram gravadas e os v\u00eddeos est\u00e3o publicados no Youtube. Portanto, n\u00e3o houve, em hip\u00f3tese alguma, indica\u00e7\u00e3o do tipo &#8220;esse palestrante \u00e9 de direita ou de esquerda&#8221;. A escolha foi t\u00e9cnica e o convite foi feito a diversos pesquisadores que algumas vezes n\u00e3o aceitavam por raz\u00f5es pessoais ou de agenda. Entre os painelistas da Conabe, h\u00e1 pessoas de esquerda, de direita, pessoas que n\u00e3o declaram nada. N\u00f3s n\u00e3o fomos movidos por essa raz\u00e3o. Estamos escolhendo o que dizem as pesquisas, estamos escolhendo sempre o caminho da ci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 especialistas que levantam argumentos dessa natureza para defender que a alfabetiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem bandeira pol\u00edtica. Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: Em teoria, a alfabetiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem e nem deveria ter vi\u00e9s ideol\u00f3gico e pol\u00edtico. Estudamos porque queremos compreender a melhor forma de ensinar a ler e escrever, e acreditamos que \u00e9 poss\u00edvel fazer isso de uma maneira independente e t\u00e9cnica. No entanto, historicamente, a alfabetiza\u00e7\u00e3o acaba sendo usada por diferentes correntes ideol\u00f3gicas. Por exemplo, em determinados momentos hist\u00f3ricos se falava que a \u00eanfase deveria ser no ensino de leitura para aprender a ler a B\u00edblia, outros criticavam que deveria ser na escrita para se produzir conhecimento novo. E a\u00ed metodologias passavam a ser defendidas por grupos ideol\u00f3gicos e n\u00e3o cient\u00edficos. Esses debates e vieses acontecem no mundo todo.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 relato de que em Portugal educadores, em que pese de diferentes orienta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\/ideol\u00f3gicas, adotam as mesmas evid\u00eancias cient\u00edficas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 alfabetiza\u00e7\u00e3o. Essas na\u00e7\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o superaram esse tipo de discuss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: Em Portugal, o professor Nuno Crato foi muito atacado quando era ministro da Educa\u00e7\u00e3o. Parte do legado educacional que ele deixou foi praticamente desfeito pelo novo governo, que era de esquerda e muito ligado aos movimentos sindicais. Esse tipo de associa\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia acontece, sim, e n\u00e3o podemos ser indiferentes a isso. O que precisamos \u00e9 manter o que a ci\u00eancia est\u00e1 dizendo e, assim, isolar o fator ideol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O governo Bolsonaro, por exemplo, tem posicionamento ideol\u00f3gico forte, mas quando sua gest\u00e3o come\u00e7ou a tratar de alfabetiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve nenhum tipo de prefer\u00eancia por quest\u00f5es de direita ou esquerda. S\u00f3 quiseram ouvir a ci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A partir das palestras da Conabe dispon\u00edveis no canal do MEC no Youtube, \u00e9 not\u00e1vel certa unanimidade de vis\u00e3o entre os painelistas convidados. Por que isso ocorre?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Snargiai<\/strong>: Na realidade, existem posi\u00e7\u00f5es divergentes sim, nem todos defendem os mesmos pontos, mas todos est\u00e3o embasados por evid\u00eancias. Acontece que no atual estado do conhecimento cient\u00edfico sobre a alfabetiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 existem certos consensos internacionalmente. Al\u00e9m disso, o espa\u00e7o foi aberto a todos, poderiam participar especialistas que defendem posi\u00e7\u00f5es distintas. Mas houve quem foi convidado e n\u00e3o aceitou. Em geral, pessoas contr\u00e1rias ao governo. Algumas delas participaram apenas como ouvintes, e, enquanto ouvintes, contribu\u00edram, pois suas perguntas ou cr\u00edticas foram consideradas tamb\u00e9m pelos painelistas.<\/p>\n<p><strong>O documento cient\u00edfico trata exclusivamente da alfabetiza\u00e7\u00e3o? Seu objetivo \u00e9 orientar pol\u00edticas p\u00fablicas da \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: O relat\u00f3rio \u00e9 composto por tr\u00eas partes e trata da alfabetiza\u00e7\u00e3o e do ensino de matem\u00e1tica. Seu objetivo principal \u00e9 apresentar o estado da arte das pesquisas sobre alfabetiza\u00e7\u00e3o, literacia e numeracia com vistas a orienta\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas da \u00e1rea. A primeira parte do relat\u00f3rio, por exemplo, aborda quest\u00f5es de fundamentos, como as ci\u00eancias cognitivas e pesquisas translacionais em alfabetiza\u00e7\u00e3o, bases neurobiol\u00f3gicas da aprendizagem da leitura e da escrita e teorias e evid\u00eancias sobre aprendizagem e o desenvolvimento da leitura e da escrita em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, a segunda parte trata das estrat\u00e9gias de ensino, a autorregula\u00e7\u00e3o comportamental, cognitiva, emocional e motivacional no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, as dificuldades e dist\u00farbios da leitura e da escrita e desafios na alfabetiza\u00e7\u00e3o em diferentes contextos, a exemplo da variabilidade sensorial, crian\u00e7as com dificuldades lingu\u00edsticas, cognitivas, imigrantes, ind\u00edgenas e quilombolas. Ainda s\u00e3o tratadas as quest\u00f5es referentes \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o e o monitoramento das habilidades de leitura e de escrita.<\/p>\n<p>Por fim, na terceira parte, o Renabe traz pesquisas documentais, ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma revis\u00e3o de artigos cient\u00edficos, mas sim de documentos normativos de diferentes pa\u00edses. Na pr\u00e1tica, s\u00e3o an\u00e1lises de documentos t\u00e9cnicos que permitem mostrar como \u00e9 poss\u00edvel transpor o que \u00e9 evid\u00eancia cient\u00edfica para a pr\u00e1tica, como levar a ci\u00eancia para a sala de aula. As duas pesquisas apresentadas nessa parte s\u00e3o integradas e fazem um mapeamento do curr\u00edculo de pa\u00edses com bom resultado em estudos internacionais e de suas pol\u00edticas de curr\u00edculo e forma\u00e7\u00e3o de professores.<\/p>\n<p>O documento \u00e9 conclu\u00eddo com uma s\u00edntese dos principais achados e recomenda\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o s\u00e3o do tipo &#8220;eu gosto, ou eu prefiro&#8221;, mas sim produtos do que foi observado na literatura cient\u00edfica ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de todos os estudos que comp\u00f5em o Relat\u00f3rio. Esse \u00e9 o esp\u00edrito do relat\u00f3rio, manter o rigor cient\u00edfico do come\u00e7o ao fim. Ele reflete todo um conhecimento acumulado ao longo de muitas d\u00e9cadas<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os novos achados trazidos pelo Renabe? Esses que fazem com que o documento se destaque quando comparado ao NRP, cujas evid\u00eancias s\u00e3o de mais de 20 anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: Eu diria que dentre os principais achados est\u00e3o as evid\u00eancias oriundas das neuroci\u00eancias, avan\u00e7amos muitos nas \u00faltimas d\u00e9cadas sobre o conhecimento do c\u00e9rebro em rela\u00e7\u00e3o a aprendizagem da leitura e da escrita. Al\u00e9m disso, s\u00e3o apresentadas evid\u00eancias sobre a import\u00e2ncia da autorregula\u00e7\u00e3o da aprendizagem e de fun\u00e7\u00f5es executivas que s\u00e3o tamb\u00e9m mais recentes e est\u00e3o sendo estudadas pelos cientistas nas \u00faltimas d\u00e9cadas. \u00c9 importante destacar que o Renabe se diferencia do NRP por v\u00e1rios motivos, mas principalmente porque o documento produzido nos EUA foca nos componentes essenciais da alfabetiza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, por outro lado, estamos discutindo as grandes \u00e1reas, grandes tem\u00e1ticas como curr\u00edculo, forma\u00e7\u00e3o de professores, rela\u00e7\u00e3o entre alfabetiza\u00e7\u00e3o e ensino de matem\u00e1tica, avalia\u00e7\u00e3o e monitoramento da aprendizagem.<\/p>\n<p>Ainda, o NRP avaliou pelo menos 100 mil artigos. De 2000 para c\u00e1, existe pelo menos o dobro de artigos publicados. Toda a parte de neurobiologia, por exemplo, n\u00e3o foi abordada no NRP, tendo em vista que foi escrito h\u00e1 20 anos. E, certamente, nesse sentido o Renabe se destaca.<\/p>\n<p>As pesquisas brasileiras foram consideradas pelo documento? Em sua perspectiva, o que se produz no pa\u00eds agrega, tem credibilidade na \u00e1rea de alfabetiza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: Nosso objetivo foi tentar articular pesquisas brasileiras e estrangeiras, artigos em portugu\u00eas, ingl\u00eas, espanhol, franc\u00eas e alem\u00e3o principalmente. Tentamos mostrar um conjunto de evid\u00eancias atualizadas e que, de modo geral, n\u00e3o vinham sendo utilizadas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Algumas das cr\u00edticas direcionadas \u00e0 Conabe e \u00e0 PNA s\u00e3o lament\u00e1veis, do tipo &#8220;n\u00e3o consideraram pesquisas brasileiras&#8221;. Ora, apenas na Conabe participaram mais de 50 pesquisadores que produzem ativamente h\u00e1 d\u00e9cadas no Brasil, mas que por diferentes raz\u00f5es n\u00e3o tinham espa\u00e7o e n\u00e3o eram ouvidos pelos cr\u00edticos. Essas pesquisas produzidas muitas vezes s\u00e3o inclusive publicadas em peri\u00f3dicos estrangeiros e mais conhecidas por estrangeiros do que brasileiros.<\/p>\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m \u00e9 importante refletir sobre a qualidade das pesquisas brasileiras na \u00e1rea de alfabetiza\u00e7\u00e3o. A maior parte dos especialistas respons\u00e1veis pelo Renabe analisou estudos experimentais mais rigorosos, estudos correlacionais, longitudinais etc. Enquanto que a maior parte das pesquisas brasileiras \u00e9 de estudos te\u00f3ricos e de revis\u00e3o de literatura. Estudos te\u00f3ricos s\u00e3o importantes, mas eles carecem muitas vezes de evid\u00eancias que permitam corroborar ou rejeitar as ideias apresentadas. Imagine uma hip\u00f3tese te\u00f3rica esdr\u00faxula do tipo: crian\u00e7as devem aprender a ler e escrever comendo chocolate, simplesmente porque voc\u00ea, enquanto pesquisador, gosta de chocolate e acha que essa \u00e9 a melhor forma de aprender. Mas \u00e9 preciso que o especialista v\u00e1 a campo, crie condi\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas apropriadas, investigue e descubra empiricamente que, ao comer chocolate, as crian\u00e7as ficam felizes e aprendem melhor ou n\u00e3o. Isso, de fato, \u00e9 uma evid\u00eancia, que ainda assim precisar\u00e1 de mais estudos.<\/p>\n<p>Em casos de revis\u00e3o de literatura, \u00e9 preciso escolher estudos que apresentem evid\u00eancias, n\u00e3o apenas os que s\u00e3o de hip\u00f3teses te\u00f3ricas. E a maior parte da literatura nacional \u00e9 de discuss\u00f5es te\u00f3ricas, reflex\u00f5es cr\u00edticas. At\u00e9 mesmo agora durante a pandemia, no campo da alfabetiza\u00e7\u00e3o, o grande problema foi que s\u00f3 s\u00e3o apresentados argumentos te\u00f3ricos no Brasil, poucos t\u00eam feito pesquisas a campo, diferente do que se observa em outros pa\u00edses. A qualidade das pesquisas brasileiras, portanto, deixa a desejar \u00e0s vezes e nem sempre foi poss\u00edvel incluir pesquisas brasileiras que n\u00e3o preenchiam os crit\u00e9rios t\u00e9cnicos adotados.<\/p>\n<p>A pesquisa brasileira \u00e9 recente se comparada a de outros pa\u00edses, e h\u00e1 diferen\u00e7as significativas na forma como a produzimos. Na pandemia, por exemplo, foram realizados v\u00e1rios estudos de revis\u00e3o de literatura e poucos estudos emp\u00edricos. De modo geral, n\u00f3s olhamos muito para o retrovisor, e isso agrega pouca coisa na literatura. Outro fator importante \u00e9 que os estudos mais avan\u00e7ados, de alta qualidade, s\u00e3o publicados em sua maioria em ingl\u00eas, a l\u00edngua que mais se utiliza na ci\u00eancia hoje. H\u00e1 muitas pesquisas brasileiras de qualidade, mas os bons peri\u00f3dicos brasileiros, considerados A1, em geral, publicam apenas vers\u00f5es em portugu\u00eas e ingl\u00eas ou apenas em ingl\u00eas. Temos cada vez mais um esvaziamento de pesquisa de boa qualidade em portugu\u00eas, e esse \u00e9 um desafio muito grande, porque pessoas s\u00f3 leem pesquisa de baixa qualidade ou revis\u00e3o de literatura antiga.<\/p>\n<p>Outro problema \u00e9 que, principalmente nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o e da psicologia, tradicionalmente se esquece que na ci\u00eancia as &#8220;evid\u00eancias n\u00e3o deveriam ter autores&#8221;. Isso \u00e9, n\u00f3s n\u00e3o dever\u00edamos olhar para os autores o tempo todo, mas sim para a qualidade do estudo. Mas, no Brasil, h\u00e1 uma tend\u00eancia de se atribuir \u00e0 figura do autor uma import\u00e2ncia maior do que a pr\u00f3pria evid\u00eancia que ele produz. O grande problema de se personalizar as evid\u00eancias \u00e9 que n\u00e3o se pode criticar figuras importantes, como acontece muito com Paulo Freire, Em\u00edlia Ferreiro, por exemplo. Esse \u00e9 um grande desafio e, se n\u00e3o o superarmos, n\u00e3o conseguiremos entender que as evid\u00eancias mudam. N\u00e3o \u00e9 porque um trabalho foi muito importante durante um certo tempo que ele n\u00e3o possa ser revisto em face de novas evid\u00eancias. O mundo muda muito e os novos estudos permitem grandes avan\u00e7os. Por exemplo, hoje, comer ovo \u00e9 bom, amanh\u00e3 talvez n\u00e3o, depende do estudo, da metodologia, da popula\u00e7\u00e3o estudada.<\/p>\n<p><strong>Em sua perspectiva, o cen\u00e1rio \u00e9 diferente na comunidade internacional? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Renan Sargiani<\/strong>: Sim. As pessoas de fato costumam olhar mais para as evid\u00eancias. Por exemplo, sabemos que os primeiros estudos sobre consci\u00eancia fon\u00eamica s\u00e3o da Isabelle Liberman e Alvin Liberman. Mas n\u00e3o ficamos referenciando o tempo todo, queremos saber quais s\u00e3o as novas evid\u00eancias, o que se sabe sobre consci\u00eancia fon\u00eamica hoje. Quem descobriu a vacina da Covid-19? Ningu\u00e9m fica discutindo isso, o que importa \u00e9 se \u00e9 eficaz ou n\u00e3o. As evid\u00eancias devem ser mais fortes do que as pessoas que a produziram.<\/p>\n<p>Que o Renabe seja recebido justamente como algo que tenta promover esses espa\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o de evid\u00eancias cient\u00edficas, sem bandeiras de um ou outro autor. N\u00e3o \u00e9 o primeiro relat\u00f3rio, nem o \u00fanico e nem o \u00faltimo, \u00e9 apenas um caminho para mostrarmos o que j\u00e1 fizemos at\u00e9 agora e o que precisamos fazer.<\/p>\n<p><strong>Como estabelecer um di\u00e1logo com esse p\u00fablico, a fim de que haja unanimidade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s evid\u00eancias? Em sua opini\u00e3o, \u00e9 papel do MEC fazer essa articula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O MEC deve ser um indutor. Os discursos agressivos do tipo &#8220;voc\u00ea est\u00e1 errado&#8221;, \u201cfulano n\u00e3o tem valor\u201d, &#8220;nada do passado estava certo&#8221;, &#8220;precisamos desconsiderar tudo&#8221; impedem a comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso, sim, olhar para o que foi feito, para as conquistas e, a partir disso, analisarmos onde podemos avan\u00e7ar. O MEC deveria promover espa\u00e7os de debate saud\u00e1veis, como foi a Conabe, por exemplo. Isso deveria ser ampliado e incluir diferentes olhares, cada vez mais.<\/p>\n<p>Quando temos a oportunidade de mostrar aos professores o que outros pa\u00edses est\u00e3o fazendo e o caminho que precisamos seguir, eles compreendem que n\u00e3o se trata de algo s\u00e1dico ou cruel com as crian\u00e7as. Na verdade, todos queremos a mesma coisa: que os alunos aprendam a ler e escrever com prazer e sucesso, que sejam felizes, que obtenham conhecimento a partir da leitura. Queremos que todos tenham uma alfabetiza\u00e7\u00e3o com qualidade e equidade. Certamente temos muito mais em comum do que coisas que nos separam.<\/p>\n<p>Deveria ser papel do MEC tamb\u00e9m mostrar que estamos do mesmo lado, olhando para evid\u00eancias, para ajudar crian\u00e7as a aprender a ler e escrever e ter sucesso na aprendizagem. Criar esse tipo de ponte \u00e9 muito mais efetivo do que qualquer muro. Mas \u00e9 preciso reconhecer que j\u00e1 existe muita animosidade no pa\u00eds, e isso dificulta muito o di\u00e1logo, pois as pessoas n\u00e3o se ouvem mais, elas s\u00f3 gritam entre si. \u00c9 preciso recuperar os espa\u00e7os de di\u00e1logos, de trocas.<\/p>\n<p><strong>E os especialistas\/educadores contr\u00e1rios ao governo que, embora convidados, n\u00e3o aceitaram o convite para participar do evento?<\/strong><\/p>\n<p>Quando se cria um clima de guerra, a tend\u00eancia \u00e9 sempre achar que um convite \u00e9 um &#8220;cavalo de troia&#8221;. A maneira mais f\u00e1cil \u00e9 sentar, conversar e ser franco. Apenas por meio de um esp\u00edrito aberto de tentar ouvir o outro lado e incorporar as novas evid\u00eancias \u00e9 poss\u00edvel mudar as coisas.<\/p>\n<p>N\u00e3o falo em nome dos outros painelistas e n\u00e3o estou tecendo uma cr\u00edtica ao MEC. Estou chamando a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que educadores n\u00e3o est\u00e3o incorporando a ci\u00eancia, e estamos criando mais barreiras do que pontes. N\u00e3o tenho qualquer pretens\u00e3o, por exemplo, de confrontar a professora Magda Soares e dizer que a minha evid\u00eancia \u00e9 melhor do que a dela. At\u00e9 porque toda a experi\u00eancia acumulada por esta pesquisadora de 88 anos \u00e9 muito importante para nosso pa\u00eds. E seu livro &#8220;Alfabetiza\u00e7\u00e3o: Quest\u00e3o de M\u00e9todos&#8221; traz muitas das mesmas evid\u00eancias que defendemos. Isso significa que, na pr\u00e1tica, \u00e9 s\u00f3 quest\u00e3o de tentarmos comunicar melhor as coisas. Essa \u00e9 uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es que o Renabe pode dar \u00e0 sociedade: apontar o que j\u00e1 se sabe, o que temos a fazer, e mostrar que ningu\u00e9m est\u00e1 guerreando, temos todos o mesmo objetivo, isso \u00e9, que crian\u00e7as melhorem no acesso, na qualidade e na equidade da alfabetiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Composto por evid\u00eancias cient\u00edficas no \u00e2mbito da alfabetiza\u00e7\u00e3o, um dos documentos mais aguardados pelos educadores brasileiros deve ser lan\u00e7ado em breve. Trata-se do Relat\u00f3rio Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o Baseada em Evid\u00eancia (Renabe), cuja elabora\u00e7\u00e3o foi possibilitada pela 1.\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o Baseada em Ci\u00eancia (Conabe), iniciativa do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC).<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-13200","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Brasil finalmente chegou ao que h\u00e1 de mais avan\u00e7ado em alfabetiza\u00e7\u00e3o. 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