{"id":12918,"date":"2021-01-06T11:31:02","date_gmt":"2021-01-06T14:31:02","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/?p=12918"},"modified":"2021-01-06T11:31:02","modified_gmt":"2021-01-06T14:31:02","slug":"um-novo-mercado-editorial-do-nordeste-coletivo-e-independente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/um-novo-mercado-editorial-do-nordeste-coletivo-e-independente\/","title":{"rendered":"Um novo mercado editorial do Nordeste: coletivo e independente"},"content":{"rendered":"<p>Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pr\u00f3-Livro, entre as dez capitais brasileiras que mais leram em 2019, cinco delas ficam no Nordeste.<!--more--><\/p>\n<p>Mas e quando paramos para analisar a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria nordestina?<\/p>\n<p>Primeiramente, \u00e9 importante ressaltar que foi-se o tempo em que era poss\u00edvel falar de uma \u201cliteratura nordestina\u201d de forma unificada. Na verdade, isso nunca foi poss\u00edvel. Existe uma grande diversidade no que \u00e9 publicado, como n\u00e3o poderia deixar de ser, considerando o tamanho e as particularidades dos estados da regi\u00e3o e dos grupos de pessoas que a comp\u00f5em: mulheres, homens, jovens adultos, LGBTQI+, independentes etc.<\/p>\n<p>\u00c9 fato que o mercado editorial nordestino est\u00e1 passando por uma esp\u00e9cie de reformula\u00e7\u00e3o. Enquanto por muito tempo, na Bahia, por exemplo, v\u00edamos apenas acad\u00eamicos publicando seus livros por meio de editoras locais, hoje vemos o cen\u00e1rio independente tomando conta da cena liter\u00e1ria do estado: escritores buscando chances de serem publicados por editoras de outros estados, sobretudo de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro \u2014 j\u00e1 que ser publicado por editoras locais n\u00e3o \u00e9 nem um pouco f\u00e1cil \u2014, e um grande e crescente n\u00famero de publica\u00e7\u00f5es independentes. \u00c9 um mercado em transforma\u00e7\u00e3o, com mais novos e jovens escritores conseguindo ocupar mais espa\u00e7os.<\/p>\n<p>Os principais fatores que podemos considerar separadores da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria do Nordeste da feita no restante do pa\u00eds s\u00e3o a divulga\u00e7\u00e3o e, principalmente, a distribui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 muito investimento para essas duas \u00e1reas \u2013 o que \u00e9 de certa forma compreens\u00edvel, considerando quanto custa um projeto de divulga\u00e7\u00e3o de um livro e a dificuldade em distribuir, ainda mais nesse momento em que tantas livrarias e espa\u00e7os culturais est\u00e3o fechando as portas \u2013, e tamb\u00e9m, claro, por conta da pandemia. Existem editoras locais, de m\u00e9dio porte, mas a maioria delas parece circular somente dentro do pr\u00f3prio estado, quando n\u00e3o tem apenas circula\u00e7\u00e3o na capital. Poucas investem \u2014 por diversos motivos e dificuldades \u2014, nesse caminho de tentar levar as obras para outros cantos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tendo isto em vista, muitos autores novos optam pelo caminho da publica\u00e7\u00e3o independente, que tem como vantagem o escritor ter todo o controle sobre sua obra, monitorando todos os detalhes, sem interven\u00e7\u00e3o ou cumprimento de demandas espec\u00edficas de uma editora \u2014 algo que todas t\u00eam, mesmo as independentes. \u00c9 um processo trabalhoso, que exige a coordena\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios profissionais, mas vale a pena, se existir verba financeira a ser investida, disponibilidade para tal e, sobretudo, a vontade de construir a obra de uma forma bastante espec\u00edfica e diferenciada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, um novo autor n\u00e3o precisa, necessariamente, investir na publica\u00e7\u00e3o independente. Existem editoras que trabalham com recebimento de originais, de forma peri\u00f3dica ou constante; uma forma interessante de se publicar, principalmente quando se trata de um primeiro livro. Tamb\u00e9m, em editoras classificadas como \u201cprestadoras de servi\u00e7os,\u201d \u00e9 poss\u00edvel ser feito financiamento total e \u00e0s vezes parcial da produ\u00e7\u00e3o, algo que depende da possibilidade financeira de cada um, mas podem ir desde investimento pr\u00f3prio at\u00e9 campanhas de financiamento coletivo, algo que tem dado muito certo nos \u00faltimos tempos.<\/p>\n<p>Foi nesse contexto que criei, no ano passado, a Morma\u00e7o Editorial. Ela nasceu de uma demanda observada por mim h\u00e1 bastante tempo aqui na Bahia: percebi que as editoras existentes raramente publicavam novos e\/ou jovens escritores, j\u00e1 conhecidos ou n\u00e3o pela cena liter\u00e1ria, j\u00e1 que muitos rostos s\u00e3o figuras frequentes em eventos culturais e saraus da cidade. A ideia sempre foi ser um editora que oferecesse certo acolhimento aos escritores e, sobretudo, reconhecimento e identifica\u00e7\u00e3o \u2014 \u201cse uma pessoa consegue publicar nesta revista, eu tamb\u00e9m consigo\u201d, \u201cse existe uma editora idealizada por escritores em situa\u00e7\u00e3o parecida com a minha (dificuldade de publica\u00e7\u00e3o, de divulga\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, muitas d\u00favidas quanto ao processo de constru\u00e7\u00e3o de um livro), quem sabe eu tamb\u00e9m n\u00e3o consiga fazer parte do time tamb\u00e9m?\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, \u00e9 importante reiterar que, para incentivar os leitores a consumirem livros escritos por autores contempor\u00e2neos e que publicam de forma independente \u00e9 preciso um trabalho constante de divulga\u00e7\u00e3o das obras, em todos os espa\u00e7os poss\u00edveis. Buscar bibliotecas, formas de divulga\u00e7\u00e3o via redes sociais, realizar eventos, ocupar lugares em que apenas acad\u00eamicos sempre ocuparam. Nota-se que \u00e9 um trabalho que exige participa\u00e7\u00e3o de muitas pessoas e bastante disponibilidade de todos para que seja realizado, mas esse \u00e9 o caminho que eu enxergo na arte independente: coletividade, constru\u00e7\u00e3o de redes e apoio m\u00fatuo de artistas.<\/p>\n<p>* <em>Maria Luiza Machado \u00e9 escritora, poeta e editora respons\u00e1vel pela Morma\u00e7o Editorial. Tantas que aqui passaram, seu terceiro livro, \u00e9 a primeira obra lan\u00e7ada pela editora. Nele, Maria Luiza conta, em forma de poemas narrativos, fragmentos e cenas que fazem parte da hist\u00f3ria de diferentes mulheres. A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 da escritora, cordelista e poeta Jarid Arraes e o projeto gr\u00e1fico \u00e9 assinado pela poeta e ilustradora Isabela Sancho. O posf\u00e1cio ficou por conta da antrop\u00f3loga, colagista e tamb\u00e9m escritora Monique Malcher.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pr\u00f3-Livro, entre as dez capitais brasileiras que mais leram em 2019, cinco delas ficam no Nordeste.<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-12918","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Um novo mercado editorial do Nordeste: coletivo e independente &raquo; Abrelivros<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/um-novo-mercado-editorial-do-nordeste-coletivo-e-independente\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Um novo mercado editorial do Nordeste: coletivo e independente &raquo; 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