{"id":11349,"date":"2020-10-16T17:17:14","date_gmt":"2020-10-16T20:17:14","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/a-tecnologia-nao-substituira-o-professor\/"},"modified":"2020-10-16T17:17:14","modified_gmt":"2020-10-16T20:17:14","slug":"a-tecnologia-nao-substituira-o-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/a-tecnologia-nao-substituira-o-professor\/","title":{"rendered":"A tecnologia n\u00e3o substituir\u00e1 o professor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Empregos amea\u00e7ados, carreiras em extin\u00e7\u00e3o: a ideia de que as m\u00e1quinas tomariam o trabalho dos humanos nos aterroriza desde que o capitalismo industrial passou a reger o sistema econ\u00f4mico do s\u00e9culo 18. Com os sucessivos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que nos trouxeram at\u00e9 aqui, muito se falou \u2013e ainda se fala\u2013 sobre a escola estar obsoleta, descolada dessa realidade veloz e, portanto, incapaz de formar crian\u00e7as e jovens para viverem nesse mundo midiatizado em transforma\u00e7\u00e3o constante. Os professores seriam, ent\u00e3o, uma das profiss\u00f5es que logo sumiriam, afinal, hoje qualquer um pode aprender sozinho: basta ter acesso \u00e0 internet para explorar o conhecimento infinito dispon\u00edvel na rede.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A pandemia do novo coronav\u00edrus, no entanto, nos mostrou que a coisa n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Alunos em casa, fam\u00edlias despreparadas e um cen\u00e1rio de desigualdade social profunda s\u00e3o vari\u00e1veis de uma equa\u00e7\u00e3o de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o para um pa\u00eds como o Brasil. A figura do professor mostrou-se, em diversos n\u00edveis, o quanto segue sendo essencial para o desenvolvimento de compet\u00eancias e habilidades importantes para a vida presente e futura dos estudantes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O que vemos acontecer neste ano de 2020 \u00e9 mais ou menos o que pesquisador e escritor brit\u00e2nico David Buckingham, um dos maiores especialistas do planeta na \u00e1rea de m\u00eddias e educa\u00e7\u00e3o, vem falando h\u00e1 alguns anos. Ele costuma questionar a ideia de que a escola esteja ultrapassada e que, assim sendo, seu fim como institui\u00e7\u00e3o social basilar estaria pr\u00f3ximo. Ao contr\u00e1rio: na opini\u00e3o dele, sem ela e, claro, sem os professores e demais profissionais, estar\u00edamos desperdi\u00e7ando a chance de apoiar os estudantes na elabora\u00e7\u00e3o de conhecimento e cidadania para o mundo conectado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O que Buckingham quer dizer, em linhas muito gerais, \u00e9 que os educadores devem ter um papel proativo na constru\u00e7\u00e3o da cultura digital, o que ganhou outros contornos em tempos de ensino remoto. A ideia de que os indiv\u00edduos nascidos nos \u00faltimos anos seriam \u201cnativos digitais\u201d, como cunhou outro escritor, o americano Marc Prensky, precisa ser pensada de modo cr\u00edtico: n\u00e3o \u00e9 porque a tal gera\u00e7\u00e3o Z praticamente nasceu nas redes sociais que ela sabe o que fazer com os benef\u00edcios e malef\u00edcios dessa conex\u00e3o. O empoderamento digital n\u00e3o \u00e9 algo \u201cautom\u00e1tico\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ou seja: preparar as crian\u00e7as e os jovens para aprender com senso cr\u00edtico e responsabilidade no s\u00e9culo 21 n\u00e3o \u00e9 miss\u00e3o de nenhuma intelig\u00eancia artificial, mas sim de seres humanos. Se o mundo fica cada vez mais complexo, como desenvolver neles habilidades para ler a realidade e solucionar os problemas da sociedade conectada?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c9 justamente a\u00ed que entra o professor, essa carreira t\u00e3o sobrecarregada e desvalorizada no Brasil: eles recebem, em m\u00e9dia, metade do sal\u00e1rio de um docente do ensino m\u00e9dio dos pa\u00edses que formam a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). Tamb\u00e9m ganham, segundo dados de 2019 do Todos Pela Educa\u00e7\u00e3o, cerca de 71% da m\u00e9dia salarial de profissionais com a mesma escolaridade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">N\u00e3o se trata de colocar nas costas dos educadores mais uma atribui\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso repensar a forma\u00e7\u00e3o docente, uma quest\u00e3o amplamente debatida por pesquisadores brasileiros h\u00e1 d\u00e9cadas. As cr\u00edticas de especialistas como Bernardete Gatti, refer\u00eancia nacional no tema, mencionam o modelo e a qualidade dos cursos superiores, que n\u00e3o preparam o professor para a realidade da sala de aula.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Tal reformula\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o pode estar desassociada da educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica. Se antes o constructo intelectual da educomunica\u00e7\u00e3o, imprescind\u00edvel para qualquer debate sobre as m\u00eddias na escola, era visto como algo \u00e0 parte, agora \u00e9 preciso fazer com que essas ideias apare\u00e7am como uma camada a ser adicionada nas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Essa \u00e9 a realidade de estudantes e educadores que precisa ser espelhada na forma\u00e7\u00e3o do professor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Isso porque estamos falando de um debate mais amplo do que a implementa\u00e7\u00e3o das tecnologias no processo de aprendizagem. Para formarmos alunos e alunas que saibam \u201cargumentar com base em fatos, dados e informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decis\u00f5es comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consci\u00eancia socioambiental e o consumo respons\u00e1vel\u201d, como demanda a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), n\u00e3o podemos ignorar o ambiente digital.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ainda mais se considerarmos que o Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses onde mais se acredita em \u201cfake news\u201d: de acordo com uma pesquisa da consultoria Ipsos divulgada em 2018, 62% dos brasileiros j\u00e1 acreditaram em uma informa\u00e7\u00e3o falsa disseminada nas redes sociais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Pode parecer dif\u00edcil iniciar essa discuss\u00e3o em um Pa\u00eds em que 16% das escolas p\u00fablicas n\u00e3o disp\u00f5em de banheiro dentro do pr\u00e9dio e 49% n\u00e3o est\u00e3o ligadas \u00e0 rede de esgoto, segundo dados do Censo Escolar de 2018. Mas \u00e9 um debate inadi\u00e1vel se pretendemos formar cidad\u00e3os e cidad\u00e3s que saibam consumir informa\u00e7\u00f5es com responsabilidade, combater discursos de \u00f3dio, detectar os diversos tipos de desinforma\u00e7\u00e3o e valorizar a ci\u00eancia e a democracia. E, para form\u00e1-los, precisamos antes formar, apoiar e valorizar nossos professores, profiss\u00e3o fundamental ontem, hoje e sempre no desenvolvimento de um Pa\u00eds melhor.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empregos amea\u00e7ados, carreiras em extin\u00e7\u00e3o: a ideia de que as m\u00e1quinas tomariam o trabalho dos humanos nos aterroriza desde que o capitalismo industrial passou a reger o sistema econ\u00f4mico do s\u00e9culo 18. 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