{"id":1131,"date":"2005-11-03T14:12:00","date_gmt":"2005-11-03T16:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/2005\/11\/03\/educacao-como-prioridade\/"},"modified":"2005-11-03T14:12:00","modified_gmt":"2005-11-03T16:12:00","slug":"educacao-como-prioridade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/educacao-como-prioridade\/","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o como prioridade"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Werthein, 64 anos, \u00e9 argentino, mas quando fala na educa\u00e7\u00e3o do Brasil repete um ato falho. Invariavelmente usa a primeira pessoa do plural: n\u00f3s. Mas embora argentino, Werthein aterrissou em terras brasileiras em 1977 \u2014 h\u00e1 quase tr\u00eas d\u00e9cadas, portanto \u2014, para trabalhar como especialista de Educa\u00e7\u00e3o Rural do Instituto Interamericano e Coopera\u00e7\u00e3o para a Agricultura. Onze anos depois, em 1996, tornou-se representante da Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a educa\u00e7\u00e3o, a ci\u00eancia e a cultura) no Brasil, atividade da qual se aposentou recentemente, para ceder lugar ao tamb\u00e9m argentino Jorge Grandi. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Eleito por educadores Personalidade Educacional 2005 \u2014 t\u00edtulo institu\u00eddo pela Folha Dirigida e pelas associa\u00e7\u00f5es brasileiras de Educa\u00e7\u00e3o e de Imprensa \u2014, antes de receber o t\u00edtulo, falou \u00e0 Folha Dirigida sobre a iniciativa brasileira de pedir aos credores internacionais a substitui\u00e7\u00e3o de parte da d\u00edvida externa por investimentos educacionais. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Declarando-se a favor da medida, ele diz que o bloco rico n\u00e3o est\u00e1 aplicando os 0,7% de seu PIB nos pa\u00edses em desenvolvimento, como foi acordado, e lembra que os pa\u00edses desenvolvidos viram grandes transforma\u00e7\u00f5es ao elegerem a educa\u00e7\u00e3o como prioridade. O que, segundo diz, ainda n\u00e3o ocorreu no Brasil. \u00a0<br \/> Ph.D em Educa\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento pela Universidade de Standford, \u00e9 conhecida a desenvoltura com que tece considera\u00e7\u00f5es sobre a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Aqui, por\u00e9m, Jorge Werthein fala de todos os segmentos, inclusive do universit\u00e1rio, tema que muito raramente aborda. Da Reforma, ele se diz convencido de que a terceira vers\u00e3o \u2014 que est\u00e1 na Casa Civil e ser\u00e1 encaminhada ao Congresso \u2014 n\u00e3o ser\u00e1 a definitiva. \u201c\u00c9 uma discuss\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 acabada.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> Sobre o Pro-Uni, rebate os que criticam o programa, argumentando n\u00e3o ver nada na nova pol\u00edtica educacional que privilegie o setor privado. \u00a0<br \/> Aqui, Werthein nega tamb\u00e9m que o Brasil esteja aplicando os anunciados 4,8% do Produto Interno Bruto (PIB), mas diz que \u00e9 essencial a presen\u00e7a do Estado na educa\u00e7\u00e3o, e rebate ainda acusa\u00e7\u00f5es de que Unesco e Banco Mundial falam a mesma l\u00edngua. \u201cQuem disse isto n\u00e3o conhece a Unesco. E me preocupa que n\u00e3o conhe\u00e7a\u201c. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> <B>Folha Dirigida \u2014 Como avalia este movimento que est\u00e1 tomando corpo no Brasil, no sentido de pedir perd\u00e3o de parte da d\u00edvida externa para que o Brasil possa investir mais em educa\u00e7\u00e3o? \u00a0<br \/> Jorge Werthein<\/B> \u2014 N\u00e3o h\u00e1 um pedido de perd\u00e3o da d\u00edvida. N\u00e3o existe, tampouco, a inten\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pagar a d\u00edvida. N\u00e3o \u00e9 a atitude de um pa\u00eds devedor, como o Brasil, a Argentina ou outros. O que se faz \u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o com credores. No geral, estas negocia\u00e7\u00f5es s\u00e3o bilaterais, em que o pa\u00eds devedor, geralmente um pa\u00eds em desenvolvimento, solicita ao credor, geralmente um pa\u00eds desenvolvido, uma troca da d\u00edvida. Este movimento teve in\u00edcio nas d\u00e9cadas de 1960, 1970, com \u00eaxito para muitos pa\u00edses. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Qual pa\u00eds \u00e9 pioneiro neste movimento? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 A Costa Rica, na \u00e1rea do meio ambiente. Havia como credores v\u00e1rios pa\u00edses desenvolvidos, que aceitaram trocar parte da d\u00edvida, ou de juros da d\u00edvida, para aplicar em projetos de meio ambiente. Pa\u00edses como o Brasil, a Argentina, o M\u00e9xico ou como o Equador negociaram e conseguiram aprovar na Confer\u00eancia Geral da Unesco, como foi aprovado antes, na Confer\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-Americanos, que os pa\u00edses adotem esta postura, e est\u00e3o adotando. \u00c9 um mecanismo importante, um mecanismo eficiente que permite que mais recursos sejam destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 A economia brasileira justifica este tipo de negocia\u00e7\u00e3o? Afinal, a economia do Brasil n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o mal e o Brasil, com seus 4,8% do PIB, n\u00e3o investe t\u00e3o pouco em educa\u00e7\u00e3o assim. \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 \u00c9 claro que sim. O Brasil n\u00e3o tem hoje recursos suficientes para destinar as suas necessidades. Necessidades que s\u00e3o hist\u00f3ricas, de d\u00e9cadas. A mim me causa muita estranheza quando ou\u00e7o argumentos do tipo: \u201cO Brasil n\u00e3o precisa. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds em desenvolvimento, com recursos muito grandes aplicados na \u00e1rea social e educacional\u201c. Claro que precisa! N\u00e3o s\u00e3o os recursos que s\u00e3o importantes somente. N\u00e3o importa se os recursos s\u00e3o de, no caso da Argentina, 60 milh\u00f5es de euros, ou venham a ser 50 ou 100. Primeiro princ\u00edpio: todo recurso que se consiga para ser aplicado em educa\u00e7\u00e3o, e que tem que ser bem aplicado, bem direcionado como, por exemplo, na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, \u00e9 importante. Segundo: est\u00e3o esquecendo um aspecto fundamental, que \u00e9 o simb\u00f3lico. \u00c9 muito importante que os pa\u00edses credores assumam o que se comprometeram e n\u00e3o est\u00e3o cumprindo, que \u00e9 destinar parte do Produto Interno Bruto na coopera\u00e7\u00e3o internacional. O percentual determinado pelos pr\u00f3prios pa\u00edses n\u00e3o est\u00e1 sendo cumprido. E mais: quando o Brasil ou Argentina negociam com os credores os encargos da d\u00edvida por educa\u00e7\u00e3o, est\u00e1 mostrando dentros de seus pr\u00f3prios pa\u00edses que a educa\u00e7\u00e3o tem que ser priorit\u00e1ria, que precisa de mais recursos e que os recursos hoje destinados por pa\u00edses em desenvolvimento s\u00e3o insuficentes. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Mas os quase 5% do PIB investidos pelo Brasil est\u00e3o pr\u00f3ximos do que investem, comparativamente, pa\u00edses do bloco rico. A It\u00e1lia e o Jap\u00e3o s\u00e3o dois exemplos. \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Duas respostas para isto. A primeira \u00e9 que n\u00e3o est\u00e1 aplicando quase 5%&#8230; N\u00e3o est\u00e3o chegando nem a 4% do PIB os recursos que o Brasil destina \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o esque\u00e7a que muitos recursos do PIB que aparecem como destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o destinados \u00e0s responsabilidades que tem o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Um exemplo s\u00e3o os hospitais universit\u00e1rios. Segundo, a Unesco tem mostrado que o m\u00ednimo que deveria ser aplicado na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 6% do PIB. Por\u00e9m, o aspecto mais importante de sua pergunta, \u00e9 que \u00e9 imposs\u00edvel comparar quanto o Brasil aplica, comparativamente com outros pa\u00edses, porque aqueles pa\u00edses fizeram uma revolu\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o h\u00e1 30, 40 anos. Algo que o Brasil ainda n\u00e3o fez. S\u00e3o pa\u00edses que, hoje, como a Cor\u00e9ia, que aplica 4,5% ou pouco mais de 5%, ou pa\u00edses como Mal\u00e1sia, Irlanda, que n\u00e3o t\u00eam a d\u00edvida educacional que tem o Brasil. Eles j\u00e1 fizeram essa mudan\u00e7a, j\u00e1 revolucionaram sua educa\u00e7\u00e3o, a elegeram como prioridade e fizeram investimentos important\u00edssimos. N\u00e3o h\u00e1 como comparar um pa\u00eds educacionalmente desenvolvido, como Finl\u00e2ndia, It\u00e1lia, Cor\u00e9ia, Espanha, com um pa\u00eds como o Brasil, que ainda est\u00e1 por definir uma pol\u00edtica de Estado para a educa\u00e7\u00e3o. O Brasil ainda n\u00e3o definiu que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem que ser s\u00f3 importante, mas priorit\u00e1ria. Os pa\u00edses que citamos definiram uma pol\u00edtica de Estado para a educa\u00e7\u00e3o e definiram que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1ria. Por isso, s\u00e3o necess\u00e1rios mais recursos. Mas \u00e9 tamb\u00e9m certo o argumento de que n\u00e3o s\u00f3 precisa de mais recursos, mas precisa de que esses recursos sejam bem alocados, bem executados, bem aproveitados. O fato de aplicar melhor e mais eficientemente os recursos, n\u00e3o significa que n\u00e3o precisamos de muito mais recursos para a educa\u00e7\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 A educa\u00e7\u00e3o brasileira sempre teve a presen\u00e7a forte do Estado e diz-se que ela n\u00e3o tem qualidade. Como explica a defesa do ensino p\u00fablico? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 A presen\u00e7a do Estado na educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, mas acontece que no Brasil a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a pa\u00edses vizinhos, como a Argentina, que em 1853 definiu uma pol\u00edtica de Estado para a educa\u00e7\u00e3o, definiu que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 priorit\u00e1ria. O Brasil n\u00e3o fez isso. O Brasil come\u00e7a a definir pol\u00edticas p\u00fablicas importantes para a educa\u00e7\u00e3o em meados de 1980. Pa\u00edses da regi\u00e3o, como Argentina, Uruguai, Chile e Costa Rica, que um s\u00e9culo antes se preocuparam em universalizar o acesso, em democratizar o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Mas o Brasil tem um hist\u00f3rico de tentativas de se recuperar e tem avan\u00e7ado muito. Mas, todavia, o Estado n\u00e3o consegue compensar todas as grandes d\u00edvidas que tem com a popula\u00e7\u00e3o brasileira. Estas d\u00edvidas s\u00e3o percebidas pela porcentagem, ainda muito alta, inaceit\u00e1vel, de analfabetos no Brasil. Ainda existe uma porcentagem enorme de analfabetos funcionais, porque temos um sistema educacional sem qualidade. N\u00e3o sabemos capacitar, formar e reconhecer a import\u00e2ncia que tem o professor. O Brasil est\u00e1 pagando estas d\u00edvidas, mas lamentavelmente tem que pagar um pouco mais rapidamente, porque o tempo passa e porque este mundo de hoje \u00e9 t\u00e3o r\u00e1pido e tem como principal capital o conhecimento. Voc\u00ea n\u00e3o pode ficar esperando, sen\u00e3o fica muito atr\u00e1s dos pa\u00edses que est\u00e3o se desenvolvendo rapidamente&#8230; E, para produzir conhecimento, voc\u00ea tem que ter uma popula\u00e7\u00e3o bem educada. Isso ainda est\u00e1 faltando na educa\u00e7\u00e3o brasileira. Uma pol\u00edtica de Estado \u00e9 o principal respons\u00e1vel, tanto federal, quanto estadual, quanto municipal, junto com a sociedade civil tamb\u00e9m, pode promover uma transforma\u00e7\u00e3o fundamental para a educa\u00e7\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 O que \u00e9 preciso para que isso ocorra? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 De um pacto pela educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso determinar que o Brasil tenha, pela primeira vez, um pacto pela educa\u00e7\u00e3o. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 O que elegeria como o principal problema educacional do Brasil, o acesso ou a qualidade? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Os dois. Universalizou-se o acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o fundamental no Brasil e se avan\u00e7ou muito neste sentido. Tem-se, no Brasil, matr\u00edcula inicial em torno de 96%. Mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o se consegue reter o aluno, porque o sistema educacional n\u00e3o tem qualidade, nem atrativos para ret\u00ea-lo. Se formos ao ensino m\u00e9dio, veremos que a matr\u00edcula aumentou tamb\u00e9m de forma significativa, mas a matr\u00edcula no ensino m\u00e9dio \u00e9 extremamente baixa em rela\u00e7\u00e3o a qualquer dos pa\u00edses vizinhos. Talvez ainda n\u00e3o se consiga incorporar tantos jovens que ficam fora do ensino m\u00e9dio, que tem certas defici\u00eancias. Os que entram n\u00e3o ficam e os que ficam n\u00e3o aprendem e continua havendo uma divis\u00e3o muito grande entre o p\u00fablico e o privado. Ou seja, o ensino privado continua sendo de muito melhor qualidade que o p\u00fablico. Isto n\u00e3o deveria ser assim e o Estado tem que entrar com muito mais for\u00e7a para elevar significativamente a qualidade do ensino p\u00fablico brasileiro. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Voltando ao tema da d\u00edvida, h\u00e1 grupos que defendem uma auditoria, sob o argumento que a sociedade n\u00e3o sabe de fato quanto o pa\u00eds deve. Isto n\u00e3o torna injustific\u00e1vel a negocia\u00e7\u00e3o para trocar a d\u00edvida? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 N\u00e3o. Primeiro que o Brasil deve e deve bastante e a popula\u00e7\u00e3o em geral, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas na maioria dos pa\u00edses do mundo, n\u00e3o sabe extamente qual o montante da d\u00edvida. H\u00e1 acesso \u00e0 informa\u00e7\u00f5es que mostram a d\u00edvida bilateral, a d\u00edvida multilateral, a d\u00edvida com os bancos, com o Banco Mundial, com o grupo de pa\u00edses do Clube de Paris. \u00c9 claro que as informa\u00e7\u00f5es existem, mas aqui no Brasil n\u00e3o devemos confundir algo que percebo que \u00e0s vezes se confunde. O Brasil n\u00e3o est\u00e1 dizendo que n\u00e3o vai pagar sua d\u00edvida. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 honrando o seu compromisso. O que o Brasil est\u00e1 dizendo \u00e9 o seguinte: \u201cCooperem, fa\u00e7am a sua parte na coopera\u00e7\u00e3o internacional e troquem minha d\u00edvida por educa\u00e7\u00e3o, que eu vou investir esses recursos que devo a voc\u00eas em educa\u00e7\u00e3o.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Qual interesse mobilizaria os credores nesta negocia\u00e7\u00e3o? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 O interesse de grande parte dos pa\u00edses desenvolvidos \u00e9 apoiar para que os que est\u00e3o em desenvolvimento melhorem sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica. Para ter democracias fortes, est\u00e1veis, \u00e9 preciso que a popula\u00e7\u00e3o tenha educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, emprego, moradia. Quando a popula\u00e7\u00e3o tem isto, \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o que consome mais, \u00e9 um mercado que consome, tanto internamente quanto produtos importados. Por um lado, \u00e9 porque o pa\u00eds quer ajudar um outro a desenvolver-se e, por outro, porque \u00e9 importante que haja possibilidade de maior ingresso para ter mais educa\u00e7\u00e3o e capacita\u00e7\u00e3o que d\u00ea acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, a ser muito mais eficiente na produtividade. Mas tamb\u00e9m por ter a possibilidade de dizer que \u00e9 parte deste pa\u00eds, ter direito de acesso a este bem, que \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Isto est\u00e1 acontecendo na coopera\u00e7\u00e3o multilateral e bilateral faz 60 anos e n\u00e3o \u00e9 nenhuma surpresa que os pa\u00edses, hoje desenvolvidos, queiram apoiar atrav\u00e9s deste mecanismos, pa\u00edses em desenvolvimento que s\u00e3o s\u00e9rios e que est\u00e3o se comprometendo a cumprir as metas. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o do Brasil hoje tem responsabilidade e seriedade suficientes para dizer: \u201cSe voc\u00eas trocarem a d\u00edvida, eu realmente vou cumprir o que estou dizendo.\u201c \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Como v\u00ea o apelo de alguns pa\u00edses ricos para que estudantes brasileiros se desloquem para estudar no exterior? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Eu acho importante que estudantes brasileiros tenham a oportunidade de estudar fora. O Brasil tem uma pol\u00edtica importante de desenvolvimento de recursos humanos e sempre enviou estudantes brasileiros de gradua\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ao exterior, aos Estados Unidos ou Europa. E n\u00f3s dever\u00edamos incentivar, mas ainda n\u00e3o estamos fazendo isto devidamente. O Brasil e a Argentina come\u00e7aram, mas ainda timidamente, o interc\u00e2mbio dentro dos pa\u00edses do Mercosul, pa\u00edses que t\u00eam sistemas educacionais importantes, como o Uruguai, Chile, Argentina, Brasil, que deveriam intercambiar e poder dar acesso para que estudantes de seu pa\u00eds estudem nos outros pa\u00edses. Na Europa existe um programa muito exitoso chamado Erasmus, atrav\u00e9s do qual estudantes espanh\u00f3is podem estudar na It\u00e1lia por um ano e vice-versa. Por que n\u00e3o podemos fazer o mesmo? Fazendo isto, estaremos fortalecendo o conhecimento de nossa sociedade e da identidade de nossa Am\u00e9rica Latina e permitindo fortalecer os mecanismos de integra\u00e7\u00e3o. Dever\u00edamos fazer isto entre nossos pa\u00edses e n\u00e3o somente entre os pa\u00edses desenvolvidos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Estudiosos afirmam que a troca da d\u00edvida por melhores servi\u00e7os educacionais estaria vinculada \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de reformas no sistema educacional atendendo a interesses do Banco Mundial. No seu modo de ver, qual reforma interessaria ao Banco Mundial e aos demais credores? \u00a0<br \/> Werthein<\/B> \u2014 Depois de trabalhar tantos anos na educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 frente da Unesco, posso dizer que este argumento n\u00e3o tem absolutamente nenhum fundamento. Quando o ministro da Educa\u00e7\u00e3o da Argentina negocia com a Espanha e faz com que 60 milh\u00f5es de euros sejam destinados para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, n\u00e3o existe nenhuma pol\u00edtica do Banco Mundial que esteja determinando ao ministro argentino que fa\u00e7a isso. Qual a proposta do ministro Fernando Haddad para o Brasil? Sua proposta, por exemplo, \u00e9 de em troca da d\u00edvida, usar seus recursos na forma\u00e7\u00e3o de professores de espanhol. Isto \u00e9 uma proposta do Banco Mundial? Como desconhecer autonomia de pa\u00edses soberanos como o Brasil, ou como a Argentina, para determinar o que fazer com esta estrat\u00e9gia de troca da d\u00edvida? Colocar isto como uma iniciativa do Banco Mundial, que n\u00e3o \u00e9, est\u00e1 realmente muito errado. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Foram, de fato, as negocia\u00e7\u00f5es entre Espanha e Argentina que inspiraram o Brasil a propor o acordo? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Sim. Brasil e Argentina come\u00e7aram esta iniciativa faz alguns anos e o primeiro pa\u00eds que conseguiu trocar a d\u00edvida foi a Argentina com a Espanha. Obviamente o Brasil est\u00e1 seguindo o exemplo argentino e est\u00e1 fazendo isso com outros pa\u00edses credores do Clube de Paris, que s\u00e3o pa\u00edses europeus com empr\u00e9stimos feitos ao Brasil. Acho excelente a id\u00e9ia de que o Brasil possa fazer esta negocia\u00e7\u00e3o com estes pa\u00edses. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 O fato de o Brasil ser credor de outros pa\u00edses, como os africanos, n\u00e3o torna injustific\u00e1vel o pedido de troca? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 N\u00e3o. Al\u00e9m de ser credor da \u00c1frica, voc\u00ea deve lembrar tamb\u00e9m que o Brasil oferece coopera\u00e7\u00e3o a estes pa\u00edses em algumas \u00e1reas. Na educa\u00e7\u00e3o, na sa\u00fade, na agricultura. O Brasil vem fazendo com pa\u00edses africanos endividados ou pobres o que est\u00e1 pedindo que seja feito com ele tamb\u00e9m, n\u00e3o porque o Brasil seja um pa\u00eds pobre, mas porque o Brasil \u00e9 um pa\u00eds com grandes car\u00eancias, profundamente desigual e precisa de mais recursos. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 O senhor disse que os principais problemas da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o a qualidade e o acesso. As cotas v\u00e3o resolver o problema do acesso? \u00a0<br \/> Werthein<\/B> \u2014 As cotas nunca v\u00e3o resolver o problema do acesso e n\u00e3o foram pensadas para isto. N\u00e3o foram pensadas nos Estados Unidos e n\u00e3o foram pensadas aqui no Brasil. Com as cotas, o que est\u00e1 se tentando \u00e9 uma medida paliativa que permite melhorar a situa\u00e7\u00e3o de exclus\u00e3o de certos setores da popula\u00e7\u00e3o, que atrav\u00e9s das cotas poder\u00e3o ingressar na universidade. \u00c9 como a pol\u00edtica da Fome Zero e da Bolsa Fam\u00edlia, que n\u00e3o v\u00e3o resolver o problema da pobreza no Brasil, mas v\u00e3o ajudar a diminuir o problema da pobreza. O que se precisa s\u00e3o de meios estruturais para resolver o problema da pobreza e o que precisa s\u00e3o de medidas estruturais para resolver o problema educacional do Brasil, que precisa de um sistema p\u00fablico eficiente, de qualidade. E \u00e9 preciso possibilitar a redu\u00e7\u00e3o das desigualdades no Brasil, para que as pessoas marginais \u00e0 educa\u00e7\u00e3o possam receber seus benef\u00edcios, e que hoje n\u00e3o podem. Hoje, se voc\u00ea \u00e9 negro, nordestino, obviamente pobre, sua vida est\u00e1 determinada de uma maneira diferente, e a educa\u00e7\u00e3o reproduz estas desigualdades, porque n\u00e3o estamos conseguindo dar mais e melhor educa\u00e7\u00e3o, sobretudo aos mais exclu\u00eddos e \u00e0s regi\u00f5es mais atrasadas. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Como a Cor\u00e9ia fez? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Claro! A Cor\u00e9ia \u00e9 um pa\u00eds muito menor e um pa\u00eds que n\u00e3o tinha problemas t\u00e3o grandes como o Brasil. O que a Cor\u00e9ia fez, h\u00e1 30 ou 40 anos, quando seus indicadores educacionais eram iguais ou piores que os brasileiros, como os espanh\u00f3is, como na rep\u00fablica da Irlanda. Estes pa\u00edses decidiram fazer um investimento importante, porque viram que, se n\u00e3o fosse por um investimento maci\u00e7o em educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sa\u00edriam da situa\u00e7\u00e3o em que se encontravam. Claro que n\u00e3o foi s\u00f3 na educa\u00e7\u00e3o. Nunca \u00e9 s\u00f3 na educa\u00e7\u00e3o. Mas a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, \u00e9 um dos instrumentos mais importantes para o processo de crescimento de um pa\u00eds. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 H\u00e1 grupos que dizem que, com o Pro-Uni, o governo privilegia as institui\u00e7\u00f5es privadas. O senhor concorda? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 N\u00e3o. \u00c9 uma estrat\u00e9gia para utilizar vagas existentes no setor privado, para dar acesso a alunos que n\u00e3o teriam condi\u00e7\u00f5es. De nenhuma maneira vejo, na pol\u00edtica educacional brasileira, que se esteja privilegiando o setor privado. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Reforma Universit\u00e1ria. Ela est\u00e1 de fato referenciada no Acordo de Bolonha, como dizem? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 A reforma vem tentando incorporar diferentes posi\u00e7\u00f5es e discuss\u00f5es na reuni\u00e3o mundial da Unesco sobre educa\u00e7\u00e3o superior e eu acho que \u00e9 uma discuss\u00e3o que n\u00e3o est\u00e1 acabada. A Reforma Universit\u00e1ria ainda vai requerer, vai produzir e vai provocar muito mais debate. \u00c9 um tema dif\u00edcil e \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o dizer que est\u00e1 calcada neste acordo. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Acredita que a terceira vers\u00e3o seja a definitiva? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 N\u00e3o. Acho que a terceira vers\u00e3o vai entrar em debate e quando come\u00e7ar o debate no Congresso, obviamente vai haver muito mais discuss\u00f5es e seguramente bastante modifica\u00e7\u00f5es, o que \u00e9 natural. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 A Comunidade Europ\u00e9ia mudou o conceito de universidade? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Mudou para uma universidade mais integradora, uma universidade que est\u00e1 muito mais desenvolvida que a nossa, uma universidade mais din\u00e2mica, mais inclusiva, mais pluralista e, sobretudo, uma universidade que aceita, recebe e se enriquece com a diversidade cultural dos pa\u00edses que formam a comunidade. N\u00f3s n\u00e3o estamos conseguindo fazer isso. Por que n\u00e3o temos um Erasmus na Am\u00e9rica Latina, recriando o tr\u00e2nsito de professores e estudantes no Mercosul? \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Voltando ao ensino b\u00e1sico, acredita na aprova\u00e7\u00e3o do Fundeb ainda este ano? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Creio que \u00e9 dif\u00edcil, porque tamb\u00e9m vai ser objeto de muitas discuss\u00f5es e est\u00e1 menos dif\u00edcil conseguir os recursos necess\u00e1rios. Eu acho que \u00e9 um avan\u00e7o importante, \u00e9 necess\u00e1rio que os recursos existam e que os estados possam ser beneficiados por isto. Seguimos discutindo um problema tamb\u00e9m de educa\u00e7\u00e3o infantil e da necessidade que se cubra da educa\u00e7\u00e3o infantil ao ensino m\u00e9dio. E se n\u00e3o temos os recursos necess\u00e1rios para n\u00e3o formar um fundo, n\u00e3o vamos poder cumprir o que estamos querendo. E este fundo \u00e9 importante e, para que seja eficiente, tem que ter os recursos necess\u00e1rios. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Como v\u00ea a repercuss\u00e3o na Am\u00e9rica Latina da crise que o partido do governo, o PT, est\u00e1 enfrentando? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 As crises pol\u00edticas na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o constantes. Os pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o acostumados. Afortunadamente, esta crise est\u00e1 se desenvolvendo fundamentalmente dentro de uma democracia, sem as interven\u00e7\u00f5es como sucediam no passado, quando havia interven\u00e7\u00f5es armadas de ditaduras militares que tomavam o poder. \u00c9 uma discuss\u00e3o que, sem d\u00favida, preocupa a Am\u00e9rica Latina, que acompanha com muita aten\u00e7\u00e3o. E essa \u00e9 uma discuss\u00e3o que tamb\u00e9m est\u00e1 ocorrendo em algus outros pa\u00edses que enfrentam situa\u00e7\u00f5es similares. Quando vivemos democracias muito adolescentes, muito jovens como a argentina, como a brasileira, n\u00e3o \u00e9 raro que isto ocorra, mas estou seguro que o processo democr\u00e1tico num pa\u00eds como o Brasil \u00e9 muito mais forte que esta crise e, obviamente, vejo com otimismo o futuro do Brasil. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Sobre a lei recentemente sancionada pelo presidente Lula, tornando obrigat\u00f3rio o ensino da l\u00edngua espanhola no Brasil. O Mercosul sair\u00e1 fortalecido com ela? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Muito. Foi uma decis\u00e3o muito importante, muito inteligente por parte do presidente, porque est\u00e1 criando um mecanismo de fortalecimento da integra\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do aprendizado do espanhol. J\u00e1 h\u00e1, h\u00e1 dois ou tr\u00eas anos, na Argentina, escolas que ensinam portugu\u00eas. Ao tornar obrigat\u00f3rio o ensino do espanhol no ensino m\u00e9dio, ao mesmo tempo que significa um esfor\u00e7o importante, porque ter\u00e1 que formar e capacitar quase 2 mil professores em espanhol, \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o muito importante. A iniciativa que est\u00e1 se desenvolveno aqui no Brasil chama-se TAL, Televis\u00e3o de Am\u00e9rica Latina, para que 20 pa\u00edses hoje associados tenham programa\u00e7\u00e3o educacional, cultural, e atrav\u00e9s desta programa\u00e7\u00e3o se fortale\u00e7am mecanismos de integra\u00e7\u00e3o. A programa\u00e7\u00e3o brasileira tem legendas em espanhol, e a produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses que falam espanhol ser\u00e1 legendada em portugu\u00eas. S\u00e3o mecanismos fundamentais para fortalecer a integra\u00e7\u00e3o de nossos pa\u00edses e os blocos sul-americanos, mercosurianos, latino-americanos, como est\u00e1 acontecendo no bloco europeu. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 Em um de nossos debates para o Suplemento do Professor, foi dito que a Unesco fala a mesma l\u00edngua do Banco Mundial. O senhor confirma? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Quem disse isso n\u00e3o conhece a Unesco. E me preocupa que n\u00e3o conhe\u00e7a. Foi dito por uma pessoa importante, uma acad\u00eamica importante, de grande forma\u00e7\u00e3o, mas dizer que Banco Mundial e Unesco falam a mesma l\u00edngua significa realmente n\u00e3o conhecer as posi\u00e7\u00f5es da Unesco e do Banco Mundial. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/><B> Folha Dirigida \u2014 S\u00e3o antag\u00f4nicas? \u00a0<br \/> Werthein <\/B>\u2014 Em algumas coisas sim e noutras n\u00e3o. \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Werthein, 64 anos, \u00e9 argentino, mas quando fala na educa\u00e7\u00e3o do Brasil repete um ato falho. Invariavelmente usa a primeira pessoa do plural: n\u00f3s. 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