{"id":11154,"date":"2020-09-11T17:37:57","date_gmt":"2020-09-11T20:37:57","guid":{"rendered":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/professores-falam-de-desafios-pela-covid-educacao-e-feita-de-contato\/"},"modified":"2020-09-11T17:37:57","modified_gmt":"2020-09-11T20:37:57","slug":"professores-falam-de-desafios-pela-covid-educacao-e-feita-de-contato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/professores-falam-de-desafios-pela-covid-educacao-e-feita-de-contato\/","title":{"rendered":"Professores falam de desafios pela covid: &#8220;educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de contato&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">\u00c1lcool em gel, m\u00e1scaras, distanciamento. Para professores, o protocolo para a volta \u00e0s escolas na pandemia do novo <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/01\/25\/tire-suas-principais-duvidas-sobre-o-coronavirus-que-se-espalha-pelo-mundo.htm\">coronav\u00edrus<\/a> traz ainda um outro desafio: a necessidade de educar e socializar, na sala de aula e nos espa\u00e7os comuns da escola, sem toque e contato pr\u00f3ximo com os alunos.<\/span><\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Alguns alunos chegaram e abriram os bra\u00e7os, mas eles mesmos j\u00e1 disseram: &#8216;ah, n\u00e3o pode abra\u00e7ar'&#8221;, conta Renata Belcaiz, 39, professora do quinto ano do ensino fundamental na escola Maple Bear, em Indaiatuba (SP), onde as atividades presenciais foram retomadas na \u00faltima ter\u00e7a-feira (8).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ela diz que, por confiar nos protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o teve receio de retornar \u00e0 escola, e conta que p\u00f4de ver nos olhos dos alunos a alegria por estarem de volta ao ambiente escolar depois de quase seis meses de isolamento social.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Mesmo assim, a professora afirma que pensar na escola que ficou para tr\u00e1s, em mar\u00e7o, traz &#8220;um sentimento um pouco triste&#8221;. &#8220;A gente sabe que \u00e9 uma necessidade humana a quest\u00e3o do toque, do abra\u00e7o, principalmente para a crian\u00e7a&#8221;, conta Renata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para ela, a nova realidade \u00e9 trabalhosa por dois motivos principais. O primeiro tem a ver com a necessidade de continuar lidando com as ferramentas necess\u00e1rias para o ensino h\u00edbrido, j\u00e1 que nem todos os alunos podem voltar para a escola pelas restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Outra \u00e9 o distanciamento e o impedimento ao toque.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Acho que o trabalho maior que nos d\u00e1 \u00e9 esse, conseguir acolher todas as crian\u00e7as quando elas estiverem em um momento em que precisem de um aconchego&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\"><strong>Cartas e cumprimentos com os cotovelos<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A saudade do ambiente escolar que era normal at\u00e9 o m\u00eas de mar\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 um sentimento da professora J\u00falia Ferreira, 34, que d\u00e1 aulas para o primeiro ano do ensino fundamental no col\u00e9gio Uirapuru, em Sorocaba (SP), onde as atividades retornaram esta semana.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Acho que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de contato&#8221;, diz. &#8220;Mesmo que a gente tenha feito um contato cuidadoso nesse retorno, ainda n\u00e3o consigo dar abra\u00e7o, beijo.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">A professora afirma que n\u00e3o teve medo de voltar para a sala de aula, mas estava apreensiva com a forma como as crian\u00e7as reagiriam a essa &#8220;nova escola&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Como todas as crian\u00e7as, eles nos surpreendem sempre&#8221;, conta. O primeiro dia de retorno, segundo ela, foi mais corrido &#8220;porque eles estavam euf\u00f3ricos&#8221;. &#8220;A crian\u00e7a precisa de uma orienta\u00e7\u00e3o. Conversas aconteceram e acontecer\u00e3o diariamente. Mas eles est\u00e3o se saindo muito bem, seguem as regras extremamente \u00e0 risca.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Segundo J\u00falia, os pr\u00f3prios alunos encontraram novas formas de demonstrar carinho e afeto: &#8220;eu chego e recebo cartas, desenhos&#8221;. &#8220;A gente [professores] tenta retribuir de outros jeitos, conversando, escutando&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">J\u00e1 a professora Renata diz que uma das sa\u00eddas encontradas para a situa\u00e7\u00e3o foi incentivar uma s\u00e9rie de cumprimentos que n\u00e3o envolvem apertos de m\u00e3o, abra\u00e7os ou beijos. &#8220;Foi at\u00e9 divertido combinar isso, com o toque de cotovelos, de p\u00e9s.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Ela diz que as crian\u00e7as n\u00e3o tiveram problemas em se adaptar \u00e0 nova rotina e estavam &#8220;bastante conscientes dos cuidados necess\u00e1rios&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;H\u00e1 outras formas de afeto que podem ser buscadas&#8221;, afirma Claudia Costin, diretora do Ceipe (Centro de Excel\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas Educacionais) da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Como exemplo, ela cita um poss\u00edvel protocolo em que a professora p\u00f5e a m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, olha para a crian\u00e7a e diz: &#8220;gosto de voc\u00ea&#8221;. &#8220;N\u00f3s somos seres de contato, mas a gente pode simbolizar o afeto de outras formas. Vamos ter que aprender a lidar&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Para ela, &#8220;a import\u00e2ncia de n\u00e3o perder o v\u00ednculo \u00e9 fundamental para a crian\u00e7a e, sobretudo, para o jovem que est\u00e1 em risco de abandonar a escola&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Esta \u00e9 justamente uma das preocupa\u00e7\u00f5es do professor Junior Dourado, 30, que d\u00e1 aulas de qu\u00edmica e f\u00edsica para o ensino m\u00e9dio em uma escola estadual em Manaus (AM), onde as atividades presenciais retornaram h\u00e1 cerca de um m\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Sempre fui um professor muito pr\u00f3ximo, amigo, a ponto de tentar ajudar da melhor forma poss\u00edvel, motiv\u00e1-los a estudar, verificar o que eles t\u00eam de bom para oferecer enquanto adolescentes&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Dourado concorda com Costin. Ele sustenta que essa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente importante nos casos de alunos mais vulner\u00e1veis, que t\u00eam maiores chances de abandonar a escola.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Na sua escola, foram criados grupos diferentes para dividir uma mesma turma, em esquema de rod\u00edzio. Mas isso, de acordo com o professor, prejudica o contato com os alunos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">&#8220;Vai um grupo, por exemplo, e na outra aula v\u00e3o outros alunos. Ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma continuidade&#8221;, conta o professor. &#8220;Tenho saudade dessas coisas: do corpo a corpo, de passar o conhecimento em forma de di\u00e1logo, e n\u00e3o em forma de mat\u00e9ria&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">Al\u00e9m disso, Junior acredita que o isolamento tamb\u00e9m afetou a rela\u00e7\u00e3o dos jovens com o ambiente escolar. &#8220;Em uma turma perguntei: &#8216;voc\u00eas est\u00e3o aqui por qu\u00ea? Qual o sonho de voc\u00eas?&#8217;. Eles responderam &#8216;professor, a gente vem, mas ficamos com aquela incerteza, aquela inseguran\u00e7a'&#8221;, relata.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 12pt;\">O pr\u00f3prio professor diz que teve medo de voltar \u00e0 escola e conta que, hoje em dia, os alunos seguem o distanciamento, mas nem sempre obedecem as regras sanit\u00e1rias, como n\u00e3o colocar a m\u00e3o nas m\u00e1scaras.<\/span><\/p>\n<h1 style=\"margin: 0cm; line-height: 45.0pt;\"><span style=\"font-size: 39.0pt; font-family: 'Arial',sans-serif; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; color: #1a1a1a; font-weight: normal;\">Professores falam de desafios pela covid: &#8220;educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de contato&#8221;<\/span><span style=\"mso-fareast-font-family: 'Times New Roman';\"><\/span><\/h1>\n<p class=\"xp-author\" style=\"line-height: 15.0pt;\"><strong><span style=\"font-size: 10.5pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: #4d4d4d;\">Ana Carla Berm\u00fadez<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"xp-author-local\" style=\"line-height: 15.0pt; box-sizing: border-box; display: table;\"><strong><span style=\"font-size: 10.5pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: #4d4d4d;\">Do UOL, em S\u00e3o Paulo<\/span><\/strong><\/p>\n<p class=\"xp-author\" style=\"line-height: 15.0pt; box-sizing: border-box; color: rgba(0,0,0,0.5);\"><span style=\"font-size: 10.5pt; font-family: 'Arial',sans-serif; color: #4d4d4d;\">11\/09\/2020 04h00<\/span><\/p>\n<p style=\"line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">\u00c1lcool em gel, m\u00e1scaras, distanciamento. Para professores, o protocolo para a volta \u00e0s escolas na pandemia do novo&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/01\/25\/tire-suas-principais-duvidas-sobre-o-coronavirus-que-se-espalha-pelo-mundo.htm\"><span style=\"color: #199e47;\">coronav\u00edrus<\/span><\/a>&nbsp;traz ainda um outro desafio: a necessidade de educar e socializar, na sala de aula e nos espa\u00e7os comuns da escola, sem toque e contato pr\u00f3ximo com os alunos.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">&#8220;Alguns alunos chegaram e abriram os bra\u00e7os, mas eles mesmos j\u00e1 disseram: &#8216;ah, n\u00e3o pode abra\u00e7ar'&#8221;, conta Renata Belcaiz, 39, professora do quinto ano do ensino fundamental na escola Maple Bear, em Indaiatuba (SP), onde as atividades presenciais foram retomadas na \u00faltima ter\u00e7a-feira (8).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Ela diz que, por confiar nos protocolos de seguran\u00e7a, n\u00e3o teve receio de retornar \u00e0 escola, e conta que p\u00f4de ver nos olhos dos alunos a alegria por estarem de volta ao ambiente escolar depois de quase seis meses de isolamento social.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Mesmo assim, a professora afirma que pensar na escola que ficou para tr\u00e1s, em mar\u00e7o, traz &#8220;um sentimento um pouco triste&#8221;. &#8220;A gente sabe que \u00e9 uma necessidade humana a quest\u00e3o do toque, do abra\u00e7o, principalmente para a crian\u00e7a&#8221;, conta Renata.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Para ela, a nova realidade \u00e9 trabalhosa por dois motivos principais. O primeiro tem a ver com a necessidade de continuar lidando com as ferramentas necess\u00e1rias para o ensino h\u00edbrido, j\u00e1 que nem todos os alunos podem voltar para a escola pelas restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias. Outra \u00e9 o distanciamento e o impedimento ao toque.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">&#8220;Acho que o trabalho maior que nos d\u00e1 \u00e9 esse, conseguir acolher todas as crian\u00e7as quando elas estiverem em um momento em que precisem de um aconchego&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<h2 style=\"margin-bottom: 22.5pt;\"><span style=\"font-size: 21.0pt; font-family: 'UOLText',serif; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; color: #1a1a1a; font-weight: normal;\">Cartas e cumprimentos com os cotovelos<\/span><span style=\"mso-fareast-font-family: 'Times New Roman';\"><\/span><\/h2>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">A saudade do ambiente escolar que era normal at\u00e9 o m\u00eas de mar\u00e7o tamb\u00e9m \u00e9 um sentimento da professora J\u00falia Ferreira, 34, que d\u00e1 aulas para o primeiro ano do ensino fundamental no col\u00e9gio Uirapuru, em Sorocaba (SP), onde as atividades retornaram esta semana.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">&#8220;Acho que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de contato&#8221;, diz. &#8220;Mesmo que a gente tenha feito um contato cuidadoso nesse retorno, ainda n\u00e3o consigo dar abra\u00e7o, beijo.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">A professora afirma que n\u00e3o teve medo de voltar para a sala de aula, mas estava apreensiva com a forma como as crian\u00e7as reagiriam a essa &#8220;nova escola&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">&#8220;Como todas as crian\u00e7as, eles nos surpreendem sempre&#8221;, conta. O primeiro dia de retorno, segundo ela, foi mais corrido &#8220;porque eles estavam euf\u00f3ricos&#8221;. &#8220;A crian\u00e7a precisa de uma orienta\u00e7\u00e3o. Conversas aconteceram e acontecer\u00e3o diariamente. Mas eles est\u00e3o se saindo muito bem, seguem as regras extremamente \u00e0 risca.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Segundo J\u00falia, os pr\u00f3prios alunos encontraram novas formas de demonstrar carinho e afeto: &#8220;eu chego e recebo cartas, desenhos&#8221;. &#8220;A gente [professores] tenta retribuir de outros jeitos, conversando, escutando&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">J\u00e1 a professora Renata diz que uma das sa\u00eddas encontradas para a situa\u00e7\u00e3o foi incentivar uma s\u00e9rie de cumprimentos que n\u00e3o envolvem apertos de m\u00e3o, abra\u00e7os ou beijos. &#8220;Foi at\u00e9 divertido combinar isso, com o toque de cotovelos, de p\u00e9s.&#8221;<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Ela diz que as crian\u00e7as n\u00e3o tiveram problemas em se adaptar \u00e0 nova rotina e estavam &#8220;bastante conscientes dos cuidados necess\u00e1rios&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">&#8220;H\u00e1 outras formas de afeto que podem ser buscadas&#8221;, afirma Claudia Costin, diretora do Ceipe (Centro de Excel\u00eancia e Inova\u00e7\u00e3o em Pol\u00edticas Educacionais) da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas).<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Como exemplo, ela cita um poss\u00edvel protocolo em que a professora p\u00f5e a m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o, olha para a crian\u00e7a e diz: &#8220;gosto de voc\u00ea&#8221;. &#8220;N\u00f3s somos seres de contato, mas a gente pode simbolizar o afeto de outras formas. Vamos ter que aprender a lidar&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Para ela, &#8220;a import\u00e2ncia de n\u00e3o perder o v\u00ednculo \u00e9 fundamental para a crian\u00e7a e, sobretudo, para o jovem que est\u00e1 em risco de abandonar a escola&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Esta \u00e9 justamente uma das preocupa\u00e7\u00f5es do professor Junior Dourado, 30, que d\u00e1 aulas de qu\u00edmica e f\u00edsica para o ensino m\u00e9dio em uma escola estadual em Manaus (AM), onde as atividades presenciais retornaram h\u00e1 cerca de um m\u00eas.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">&#8220;Sempre fui um professor muito pr\u00f3ximo, amigo, a ponto de tentar ajudar da melhor forma poss\u00edvel, motiv\u00e1-los a estudar, verificar o que eles t\u00eam de bom para oferecer enquanto adolescentes&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Dourado concorda com Costin. Ele sustenta que essa intera\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente importante nos casos de alunos mais vulner\u00e1veis, que t\u00eam maiores chances de abandonar a escola.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Na sua escola, foram criados grupos diferentes para dividir uma mesma turma, em esquema de rod\u00edzio. Mas isso, de acordo com o professor, prejudica o contato com os alunos.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">&#8220;Vai um grupo, por exemplo, e na outra aula v\u00e3o outros alunos. Ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 uma continuidade&#8221;, conta o professor. &#8220;Tenho saudade dessas coisas: do corpo a corpo, de passar o conhecimento em forma de di\u00e1logo, e n\u00e3o em forma de mat\u00e9ria&#8221;.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">Al\u00e9m disso, Junior acredita que o isolamento tamb\u00e9m afetou a rela\u00e7\u00e3o dos jovens com o ambiente escolar. &#8220;Em uma turma perguntei: &#8216;voc\u00eas est\u00e3o aqui por qu\u00ea? Qual o sonho de voc\u00eas?&#8217;. Eles responderam &#8216;professor, a gente vem, mas ficamos com aquela incerteza, aquela inseguran\u00e7a'&#8221;, relata.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 22.5pt; line-height: 22.5pt; box-sizing: border-box;\"><span style=\"font-size: 15.0pt; font-family: 'UOLText',serif; color: #1a1a1a;\">O pr\u00f3prio professor diz que teve medo de voltar \u00e0 escola e conta que, hoje em dia, os alunos seguem o distanciamento, mas nem sempre obedecem as regras sanit\u00e1rias, como n\u00e3o colocar a m\u00e3o nas m\u00e1scaras.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c1lcool em gel, m\u00e1scaras, distanciamento. Para professores, o protocolo para a volta \u00e0s escolas na pandemia do novo coronav\u00edrus traz ainda um outro desafio: a necessidade de educar e socializar, na sala de aula e nos espa\u00e7os comuns da escola, sem toque e contato pr\u00f3ximo com os alunos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-11154","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias-da-imprensa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.1 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Professores falam de desafios pela covid: &quot;educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de contato&quot; &raquo; Abrelivros<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/abrelivros.org.br\/site\/professores-falam-de-desafios-pela-covid-educacao-e-feita-de-contato\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Professores falam de desafios pela covid: &quot;educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita de contato&quot; &raquo; Abrelivros\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u00c1lcool em gel, m\u00e1scaras, distanciamento. 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