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Sistema de Ensino precisa de 250 mil professores 
 
Para atender à demanda por professores das turmas de Ensino Médio e de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental do País, que exigem formação superior em licenciatura, o sistema escolar precisa de mais 250 mil docentes atuando nas salas de aula. O alerta está no levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC) a pedido da Secretaria de Ensino Médio e Tecnológico do Ministério.  
 
 
De acordo com o estudo, para atender a demanda atual, são necessários 235 mil professores no Ensino Médio e 476 mil nas turmas de 5ª a 8ª série, totalizando 711 mil docentes. Mas nos últimos anos se formaram 457 mil nos cursos de licenciatura. Esse número não atende sequer à demanda do segundo ciclo do Ensino Fundamental e o déficit chega a 254 mil professores. 
 
 
Para realizar o levantamento, técnicos do Inep levaram em conta a demanda de professores de acordo com o número de turmas existentes no País e a grade horária curricular estimada para o Ensino Fundamental e Médio. Além disso, calcularam a quantidade de estudantes que terminaram o curso de licenciatura nos últimos 12 anos e a expectativa de conclusão até 2010.  
 
 
Em algumas disciplinas, como Física e Química, a situação em relação à escassez de professores é mais crítica. Segundo o estudo, há uma necessidade de 23,5 mil professores de Física apenas para o Ensino Médio e nos últimos 12 anos houve, apenas, 7,2 mil licenciados para essa cadeira. “Mesmo que cada professor desse aula em três turnos, não atenderia nem 50% da demanda”, afirma o secretário de Ensino Médio e Tecnológico do MEC, Antônio Ibañez. Segundo ele, os baixos salários não atraem os docentes dessa área para a sala de aula o que provoca fuga para outras atividades. 
 
 
Na avaliação do presidente do Inep, Otaviano Helene, “é fundamental para a qualidade da educação que o professor esteja bem preparado e, especialmente, que esta formação se dê em um curso superior e na idade mais adequada”. Para ele, outra preocupação dos sistemas de ensino é garantir salários dignos aos docentes. 
 
 
Nos próximos anos, a demanda por professores de Física poderá ser ainda maior. Na análise do diretor de Tratamento e Disseminação de Informações Educacionais do Inep, José Marcelino de Rezende Pinto, a previsão da demanda para esta década, quando o ensino médio apresentará uma grande expansão e, por isso, uma maior necessidade de professores, é de 14 mil novos professores com licenciatura em Física. 
 
 
Na área de Química, segundo o diretor, “a situação também é preocupante apesar da perspectiva de resolução ser melhor do que no caso da Física”. Para uma necessidade de 23,5 mil professores no ensino médio, formaram-se 13,6 mil licenciados nos últimos 12 anos. Nesta década, a expectativa é de que 25 mil terminem o curso superior nesta área.  
 
 
Ciências: Para Jose Marcelino, a dimensão deste problema fica evidente em relação à disciplina de Ciências oferecida aos alunos de 5ª a 8ª série do ensino fundamental. “Essas aulas devem ser ministradas também por licenciados em física e química e não apenas em Biologia, como ocorre com freqüência. Se considerarmos esta demanda adicional, há necessidade de mais 32 mil professores de Física e o mesmo número de Química.” 
 
 
Considerando a área de Ciências da Natureza, a Biologia é a única que não se encontra em uma situação crítica. Nos últimos 12 anos foram licenciados 53 mil biólogos e há uma previsão de mais 126 mil nesta década. “Talvez este fato ajude a entender porque boa parte das aulas de Ciências no ensino fundamental é ministrada por biólogos”, avalia o diretor. 
 
 
Motivação – Para ampliar o quadro de professores, o Ministério da Educação criou um grupo de trabalho que reúne as secretarias do Ensino Médio, da Educação Superior e da Educação a Distância, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Associação dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). O objetivo é apresentar medidas para enfrentar a falta de docentes, principalmente nas áreas com maior demanda.  
 
 
De acordo com Antônio Ibañez, o MEC pretende discutir com toda a rede de Ensino Superior a ampliação do número de vagas de formação de professores das áreas onde há escassez. Segundo ele, é preciso, ainda, reavaliar o número de horas-aula dos professores de Ensino Médio, bem como o de alunos por classe. “Também tem que haver outras motivações, como criação de uma coordenação de aperfeiçoamento para professores de Ensino Médio e Educação Profissional, semelhante à da Capes para o Ensino Superior, para que o profissional possa receber incentivos, de forma que o trabalho de sala de aula possa se transformar em trabalho acadêmico de pesquisa.”  
 
 
Metodologia – O estudo do Inep foi elaborado a partir de um modelo educacional ideal, onde o professor possa dedicar mais do seu tempo no planejamento da aula e no atendimento ao aluno. José Marcelino lembra que a pesquisa não considera os professores que efetivamente estão lecionando (muitos dos quais formados há mais de 12 anos), “mas apresenta uma primeira aproximação dos desafios que enfrentaremos nesta próxima década”. 
 
 
Para um quadro mais preciso da situação atual, o diretor informa que o Inep irá realizar este ano o Censo do Professor, que pretende fazer um diagnóstico completo do perfil do docente brasileiro. Segundo ele, os dados mais atuais ainda são do levantamento feito em 1997, em que não constam a carga efetiva de trabalho, o curso de formação e a área de atuação. 
 

Distribuição de livros em braile será ampliada 
 
 
Começou no dia 26/05 e vai até 18 de junho o censo especial para dimensionar a quantidade de alunos cegos e com baixa visão matriculados, por série, no ensino fundamental. O levantamento vai apontar a quantidade de livros em braile necessários para que, além dos alunos da 1ª à 4ª série, também sejam atendidos os estudantes da 5ª à 8ª, e deve ser respondido pelos Correios ou pela internet . 

A partir dos dados levantados, o Ministério da Educação pretende realizar a distribuição de livros didáticos em braile para todas as séries do Ensino Fundamental. Até o ano passado, apenas os alunos da 1ª à 4ª série com problemas de visão recebiam as publicações. 

O levantamento será realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) em parceria com a Secretaria de Educação Especial (Seesp/MEC). A distribuição de livros para alunos com problemas visuais é feita pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD/Braile) do Ministério da Educação. 

De acordo com dados do Censo Escolar de 2002, há, no Brasil, 20.257 estudantes do Ensino Básico com problemas visuais. Dentre eles, 9.622 estudam em escolas especializadas ou em classes especiais de escolas regulares; 7.275 em classes comuns de escolas desprovidas de recursos e 3.360 em classes comuns de instituições com recursos. 

As escolas que participarem do censo devem informar quantos alunos cegos e com baixa visão estão matriculados e em que série. O levantamento também pretende identificar os professores que dominam o Método Braile e estão aptos a trabalhar com esses alunos. 

Os estabelecimentos de ensino podem escolher a melhor forma de responder ao censo, mas devem optar por apenas um sistema para evitar a duplicidade nos dados. Todas as escolas que tenham alunos portadores de deficiência visual constantes do cadastro do Inep já estão recebendo o formulário impresso.  
 
 
MEC quer aumentar ensino fundamental para nove anos

O Ministério da Educação (MEC) apresentou na última semana uma proposta de ampliação do período de Ensino Fundamental de oito para nove anos. Com essa mudança, a rede pública passaria a oferecer vagas na primeira série para alunos a partir dos seis anos. Também serão criados programas de valorização e de formação de professores e sistemas estaduais de avaliação.  
 
A proposta que amplia o período do Ensino Fundamental já foi apresentada aos secretários estaduais e municipais de Educação e à Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e teve boa recepção. A implantação começa no próximo ano, com 460 mil crianças de seis anos que não freqüentam a pré-escola.  
 
A implantação de mais um ano no Ensino Fundamental depende da liberação de R$ 2,6 bilhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef).