O novo corona vírus e suas implicações na indústria editorial brasileira

O novo corona vírus tem feito estragos na China, o que repercute mundo afora. De acordo com dados oficiais até a noite desta segunda-feira (03), eram 20 mil infectados e 400 mortes em decorrência do surto. Para além das perdas de pessoas, a economia tem sofrido com a suspensão de atividades e fechamento de cidades inteiras. E isso afeta, claro, a indústria do livro. A Feira do Livro de Taiwan, programada para começar nesta terça-feira (4), foi adiada para maio, por exemplo. E já há relatos de falta de e-readers – daqueles produzidos na China – em mercados a quilômetros de distância do país oriental.

Por aqui, até a noite desta segunda-feira (03), havia 14 casos suspeitos e nenhum confirmado. Mas e na economia do livro? De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, entre janeiro e novembro do ano passado, o Brasil importou 3,2 milhões de quilos de “livros, revistas, jornais e impressos semelhantes” da China. Isso contou US$ 14 milhões a favor da balança comercial da China. Essa cifra já é muito menor do que a ano anterior, quando o Brasil importou mais de US$ 26 milhões.

Essa queda, de acordo com Donaldo Buchweitz, da Ciranda Cultural, tem muito a ver com o câmbio. A escalada do dólar tornou menos atraente a impressão do outro lado do mundo, explicou o editor. Ele disse também que diminuiu o envio de pedidos para os parques gráficos chineses e que não há nenhuma encomenda parada por conta do vírus.

Há casos, sobretudo de livros infantis cartonados, que a única opção é imprimir fora do Brasil, explicou ao PublishNews Karine Pansa, diretora da Girassol Brasil, editora que tradicionalmente imprime muitos dos seus livros na China. Ela conta que tem encomendas paradas por conta do surto do vírus. Um dos títulos que está embargado do outro lado do mundo é Uma lagarta muito comilona (Callis / Girassol), do designer, ilustrador e escritor norte-americano Eric Carle. “Esse livro é um ícone, vende sempre, não pode faltar”, lamenta. O livro é um best-seller internacional, traduzido para 66 idiomas e com 50 milhões de cópias vendidas no mundo, segundo Karine. A maioria dos exemplares de Uma lagarta muito comilona para abastecimento de todo o mundo é impressa na China.

Rogério Rosa, da DCL, outra editora conhecida por imprimir na China, comentou que, por conta do Ano Novo Chinês, não sentiu de pronto os efeitos do corona vírus. O país para sempre nessa época do ano para celebrar a virada do ano lunar. É o período em que as pessoas viajam e tiram seu descanso anual. Ele disse ao PublishNews que, já sabendo desse período de férias coletivas, adiantou seus pedidos e quase tudo o que precisava vir já foi embarcado. Uma única carga ainda não veio, mas segundo seus contatos lá, a previsão de embarque está mantida.

Isso não tira a preocupação do editor, no entanto. “Por hora não sentimos os efeitos, mas esperamos um impacto no futuro de curto prazo”, disse. Ele explica que, muito por conta da crise do varejo de livros no Brasil, tem operado com estoques no limite de segurança. “Não temos grandes estoques. O nosso respiro é curto. A gente deve sofrer um pequeno atraso a partir de março. Passando o Ano Novo Chinês e se as coisas não estiverem muito bem resolvidas ou controladas, vai haver um impacto, certamente”, disse. O editor prevê, além de um possível desabastecimento de livros de alto giro, atraso em alguns lançamentos.

 

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