Base Nacional Comum Curricular: de que forma colégios se preparam para mudanças no ensino

A partir do ano que vem, os currículos da educação infantil e do ensino fundamental de escolas públicas e particulares de todo o Brasil deverão estar de acordo com os princípios pedagógicos da Base Nacional Comum Curricular , documento que define o conjunto de conhecimentos que os alunos devem adquirir a cada segmento da educação básica , aprovado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) em dezembro de 2018 .

O objetivo é formar indivíduos preparados para concretizar seus projetos de vida e contribuir para o desenvolvimento da sociedade do século XXI. Para o ensino médio, o prazo é 2021. Na Barra e nos bairros vizinhos, enquanto se adaptam às novas diretrizes, diversas escolas vêm constatando que seu projeto pedagógico já contempla diferentes aspectos da Base.

A Eleva é uma delas. O conteúdo relacionado à cultura digital, por exemplo, uma das dez competências fundamentais estabelecidas pela Base, já tem destaque na escola, mas, segundo a direção pedagógica, será incrementado a partir do ano que vem. As mudanças visam a estimular a aprendizagem criativa dos alunos.

— Já tínhamos uma parte digital muito forte, mas, depois que a Base saiu, intensificamos ainda mais a forma de ver esse tema na escola. Criamos um currículo voltado para o digital, da mesma maneira que temos os de matemática, português ou inglês, com um programa detalhado do que pretendemos desenvolver em cada série, desde o início até o final da vida escolar do aluno, em três áreas: letramento digital, Maker Space e programação. A Base nos ajudou a melhorar e formalizar esse currículo — explica Marcio Cohen, diretor pedagógico da Eleva, que vê o documento do Ministério da Educação como um grande progresso em relação aos parâmetros nacionais previamente existentes.

A escola tem uma diretoria dedicada ao currículo e ao treinamento de professores. Tendo a Base como ponto de partida, vem organizando eventos com os docentes para discutir o que pode ser aprimorado: — É muito fácil colocar coisas no papel coerentes com a nova Base. Difícil é ter professores que estejam pensando sobre isso, refletindo sobre isso em sala de aula. Esse é o desafio maior.

O Colégio Cruzeiro, por sua vez, dará mais enfoque à educação tecnológica e às habilidades socioemocionais a partir de 2020.

— Entendemos que estas duas ideias são concepções que vão ajudar o professor em qualquer área do conhecimento; vão modificar a forma como ele trabalha o conteúdo — diz Ana Paula Ramos, diretora estratégica pegadógica do colégio, destacando a independência dos profissionais. — Acreditamos na criatividade e na autonomia de cada professor.

O corpo docente da escola se debruçou sobre o texto da Base durante todo o ano de 2018. Foram montados grupos de trabalho que tinham a tarefa de analisar as diretrizes do documento, verificar o que já era feito em sala e o que precisaria ser modificado.

Embora a coordenação pedagógica do Centro Educacional Miraflores explique que muito do que é proposto pela Base já venha sendo trabalhado no colégio, como pensamento crítico e protagonismo dos alunos, a direção viu necessidade de organizar formalmente o currículo após a regulamentação do documento. Para isso, contratou a assessoria de Lilian Bacich, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano e cofundadora da Tríade Educacional.

Além da reformulação do currículo, o colégio, com turmas do maternal ao 5º ano do fundamental, diz estar dando atenção especial à adequação e à atualização do modo de trabalho de seu corpo docente:

— Uma vez por mês, realizamos grupos de estudos com nossos professores, nos quais são feitas apresentações com debates e dinâmicas, para que seja aprimorada a aprendizagem com foco no que a Base está sugerindo para eles — detalha Cristiane Bloise, coordenadora pedagógica do berçário e da educação infantil do Miraflores.

Mudanças nos currículos também estão previstas, até 2021, para estudantes do ensino médio. De acordo com Andrea Ramal, doutora em Educação pela PUC-Rio, alunos deste segmento deverão ser impactados por mudanças significativas em seus currículos.

— A maior das novidades está no ensino médio, que tem uma altíssima evasão. Quando você pergunta aos jovens por que pararam de estudar, muitos respondem que a escola não era interessante ou não acrescentava nada. A Base, junto com o Novo Ensino Médio (reforma que propõe diferentes grades curriculares, ou itinerários formativos, dependendo do interesse do jovem), propõe um programa diversificado e mais atraente — diz Andrea, que lançou recentemente o livro “Educação no Brasil — Um panorama do ensino na atualidade”, compilação de textos que publicou entre 2014 e 2019 em veículos de comunicação.

Diretora da Escola Suíço-Brasileira, Rachel Guanabara diz que as adaptações necessárias nos ensinos infantil e fundamental já foram feitas. O ensino médio, acredita, será o maior desafio:

— Se o aluno quiser seguir pela Medicina, ele vai optar por um itinerário formativo mais relacionado à área de ciências da natureza; se pretende estudar Engenharia, vai para a área de matemática. Pela primeira vez teremos essa flexibilidade — explica Rachel, ressaltando que, além de trabalhar o currículo nacional, a Escola Suíço-Brasileira utiliza o internacional, que já possibilitava a seus alunos este tipo de escolha.

 

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