Painel da Nielsen apura que varejo fechou no azul pela primeira vez em 2019

Desde abril de 2015, a Nielsen e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) publicam mensalmente um relatório que aponta a evolução das vendas de livros em livrarias, supermercados e lojas de autoatendimento monitorados pelo instituto de pesquisa no Brasil. Até agora, o nome do estudo era Painel das Vendas de Livros no Brasil. O título suscitava muitas dúvidas. Isso porque o sistema de distribuição e comercialização de livros é bastante complexo no Brasil. Além do canal mais tradicional e natural – as livrarias – os livros conquistaram novos postos de vendas: templos religiosos, posto de gasolina, lojas de brinquedos, salão de cabeleireiros e até – e por que não – açougues e padarias. Isso sem contar no porta-a-porta que vende volumes enormes em regiões mais afastadas do País, além das importantes compras governamentais. Essas vendas não estão computadas na pesquisa da Nielsen / SNEL. Por isso, eles resolveram mudar o nome do estudo que passa a se chamar Painel do Varejo de Livros no Brasil, dando mais clareza dos seus objetivos e escopo.

Tendo feito essa explicação, vamos aos números. O período analisado neste relatório vai de 20 de maio a 16 de junho. Na comparação com igual intervalo do ano passado, os números, pela primeira vez em 2019, ficaram no azul. O faturamento saltou de R$ 107,9 milhões para R$ 112,6 milhões, aumento de 4,37%. Foram 2,85 milhões de exemplares vendidos, aumento de 2,24% em comparação com o ano passado quando foram vendidas 2,78 milhões de cópias.

No acumulado do ano – e aí a Nielsen já apresenta um consolidado do primeiro semestres –, a venda de livros nos estabelecimentos monitorados pelo instituto de pesquisa ainda está no vermelho, com queda de 14,5% em faturamento e de 15,07% em volume.

Aqui cabe uma outra explicação. Entre o fim do ano passado e até agora, a Saraiva fechou quase 30 lojas, a Cultura fechou mais algumas e a FNAC saiu do Brasil. Essas cadeias são (ou eram, no caso da FNAC) muito relevantes na amostragem total do estudo que não considera na sua metodologia uma comparação “mesmas lojas”. Além disso, com a crise instalada nas duas cadeias (ambas em recuperação judicial), as editoras de livros Didáticos e de Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) deixaram de vender seus livros pelo canal Livrarias. Não quer dizer que estes livros não foram vendidos. Eles foram, mas por outros canais que não são sensíveis à Nielsen. Isso também impactou os números do relatório, já que o Volta às Aulas, importante data do calendário da venda de livros no País, não aconteceu nas livrarias em 2019. Esses dois fatores causaram uma “distorção”, palavra usada pelos realizadores da pesquisa, nos números. Prova disso é que boa parte das perdas acumuladas no primeiro semestre está concentrada nas categorias citadas acima.

Um outro destaque que merece ser observado no Painel é o nível do desconto médio praticado pelos canais de vendas no período acumulado, que ficou 2,15 pontos percentuais abaixo do mesmo período em 2018. “Desde o início do ano temos acompanhado uma mudança de comportamento do mercado em relação à oferta de desconto. Percebemos que as próprias editoras têm tratado desse assunto com maior cuidado, para que o leitor melhore a percepção do valor dos livros”, afirma Ismael Borges, gestor da divisão de Bookscan, a ferramenta da Nielsen que acompanha o varejo de livros.

Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL, fala em “alívio” e que os números indicam que o mercado pode estar se recuperando. “Os números de vendas começam a apresentar crescimento a cada semana, e temos eventos negativos para o varejo ao longo de 2018 [que serve de base para o Painel], como a Copa do Mundo e fechamento de lojas, que não se repetirão em 2019. Acredito que o próximo período posso trazer números ainda melhores”, comentou.

Clique aqui para conferir a íntegra do estudo.

 

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