Bolsonaro impõe demissão a diretor do MEC após conflito com ala de `olavistas`

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) determinou, em reunião realizada nesse domingo (10) com o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, a demissão do diretor de Programas da Secretaria-Executiva do MEC, coronel Ricardo Wagner Roquetti. A demissão foi confirmada nesta segunda-feira (11) pelo próprio Vélez Rodríguez, que agradeceu o desempenho e o `decidido apoio à gestão e preservação da lisura na administração dos recursos público` do agora ex-diretor.

Roquetti esteve no centro de uma disputa no MEC que envolve o chamado grupo técnico da pasta, composto especialmente por profissionais do Centro Paula Souza; os ex-alunos do ideólogo Olavo de Carvalho , guru intelectual do governo Bolsonaro ; e os militares, ala que engloba, principalmente, profissionais ligados ao Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) – tal como o próprio Roquetti.

Nas redes sociais, o militar vinha sendo atacado pelos `olavistas`, que atribuíram ao coronel a responsabilidade pela crise acerca de cartas enviadas pelo MEC a escolas . O ministro da Educação precisou recuar seguidas vezes após pedir que diretores filmassem os alunos cantando o hino nacional e que lessem para os estudantes uma mensagem com o slogan da campanha do presidente (`Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos`).

Olavistas vs. militares na Educação

No Facebook, o assessor especial de Vélez Rodríguez , Silvio Grimaldo, disse que Roquetti `passou a isolar e monopolizar o acesso ao ministro, tendo sobre ele uma influência claramente nociva`.

`[Roquetti] perambulava pelo gabinete como a eminência parda do ministro, dando ordens, tomando decisões, indicando amigos para os cargos que vagavam. Era um poder imenso acompanhado de nenhuma responsabilidade. Ele mandava e desmandava e não precisava assinar um documento, um processo, um papel

Segundo o assessor, Roquetti foi um dos poucos que avalizaram o envio das cartas às escolas – que não teriam passado pelo crivo dos `olavistas` – e, desse modo, `submeteu o ministro a um desnecessário processo de humilhação pública`.

Silvio Grimaldo foi afastado do cargo na última sexta-feira, (8), quando o próprio Olavo de Carvalho evidenciou ainda mais a ruptura entre o grupo formado por seus seguidores e pelos militares no MEC.

Também pelas redes sociais, Olavo recomendou que seus ex-alunos deixassem os cargos no governo e atacou os militares. `Cada politico, em Brasília, está longe do povo e perto da mídia. Logo ele entende a quem deve obedecer`, escreveu o filósofo, na noite de quinta-feira (7). `Imaginem então o general, que, emergindo da tediosa e austera secura da vida militar, se vê de repente cercado de luzes, câmeras e gostosas repórteres. Cai de joelhos`, disse.

`Jamais gostei da ideia de meus alunos ocuparem cargos no governo, mas, como eles se entusiasmaram com a ascensão do Bolsonaro e imaginaram que em determinados postos poderiam fazer algo de bom pelo país, achei cruel destruir essa ilusão num primeiro momento. Mas agora já não posso me calar mais. Todos os meus alunos que ocupam cargos no governo – umas poucas dezenas, creio eu – deveriam, no meu entender, abandoná-los o mais cedo possível e voltar à sua vida de estudos.`

Ao confirmar a demissão de Roquetti, o ministro da Educação reforçou que a `meta prioritária` da pasta é a ` Lava Jato do MEC` , que visa apurar desvios no âmbito da Educação. O presidente Bolsonaro também citou o tema na manhã desta segunda-feira, no Twitter, dizendo que o ambiente acadêmico tem sido `massacrado pela ideologia de esquerda` e prometendo `quebrar o ciclo da massa hipnotizada comendo migalhas enquanto seus líderes nadam em milhões da corrupção`.

 





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