Os desafios da BNCC para quem trabalha com livros didáticos

É comum ler e ouvir críticas em relação aos livros didáticos e os sistemas de ensino existentes vindas dos mais variados setores da sociedade: pais, alunos, professores e acadêmicos. O que poucos se dão conta é de que os livros didáticos e os sistemas de ensino podem ter problemas, mas constituem a base da educação no Brasil e uma referência para um currículo nacional. Pesquisas indicam que de 75% a 90% do conteúdo instrucional e das atividades aplicadas nas escolas brasileiras são determinadas pelos livros didáticos e os sistemas de ensino.

Muitos professores ou não dominam a disciplina ou não tem tempo para construir seu próprio currículo, especialmente nos anos iniciais do ensino fundamental. Podemos considerar assim, que o livro didático e os sistemas de ensino são referências em relação à disciplina a ser ensinada e as temáticas abordadas, ou seja, qualquer que seja nossa visão sobre o que deve ser ensinado e à maneira pela qual esse conteúdo deve ser apresentado.

Estamos no momento de ampla discussão sobre a adequação dos livros didáticos e dos sistemas de ensino à Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Adequá-los à BNCC constitui a maneira mais econômica e eficiente de melhorar o conteúdo e a aprendizagem em sala de aula. Ao invés de críticas, devemos aprimorá-los. Os materiais didáticos são um importante recurso para a concretização de mudanças significativas na educação. A adequação à BNCC deve ser rápida, pois não temos tempo a perder.

Acredito que o potencial dos livros didáticos e dos sistemas de ensino ainda não foram plenamente explorados. Agora com a BNCC em processo de implantação, devemos nos preocupar com a clareza na escrita e na organização dos materiais didáticos, para que possibilitem a conexão entre a experiência do aluno e o conhecimento especializado. Que desenvolvam um olhar amplo que permita ao aluno visualizar o mundo e interagir com ele no tempo e no espaço. Enfim, é necessário reformular os livros didáticos e os sistemas para que se tornem um instrumento poderoso de estímulo a mente dos alunos.

Temos uma janela de oportunidade no cenário de grandes transformações que o setor editorial ligado à educação está passando. Sim, os livros didáticos e os sistemas de ensino podem transformar a mente das crianças, mas para isso, precisamos abandonar velhas concepções que nos acompanham de longa data: conteúdo enciclopédico, atividades prescritivas e listas intermináveis de conceitos. Em seu lugar devemos propor: adaptabilidade, flexibilidade e conexões dos conteúdos considerando a mobilização das competências e habilidades e a aplicabilidade no contexto social que a criança está inserida. Desta forma, levaremos a criança a “saber de maneira diferente”, e não apenas “saber mais.”



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