Sistemas de ensino atraem o interesse de editoras

A Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares (Abrelivros) ainda não contabilizou o faturamento obtido com livros didáticos em 2014. Os dados só devem se tornar públicos no final de fevereiro. Em 2013, a comercialização de 183,4 milhões de exemplares gerou uma receita de R$ 2,23 bilhões, sendo R$ 1,16 bilhão com vendas para a rede pública de ensino e R$ 1,07 bilhão para os alunos da rede particular.

A estimativa é que o valor faturado tenha crescido 5% no ano passado, abaixo da inflação. O presidente da associação Antônio Luiz Rios da Silva projeta um crescimento real de 1%, acompanhando a média da década, e nominal entre 6% e 7% em 2015.

Não existem dados oficiais sobre o mercado de sistemas de ensino, mas empresários do ramo avaliam que 40% das escolas particulares já adotam o modelo e há uma grande migração de municípios, principalmente nos estados do Sul e Sudeste para a metodologia. Nesse caso, as secretarias municipais abrem mão de suas cotas de livros didáticos fornecidos pelo Ministério da Educação em troca de verba em dinheiro para ser empregada na compra de material didático.

Estima-se que o faturamento no segmento de sistemas de ensino em 2014 tenha superado R$ 1 bilhão, empatando com o mercado de livros didáticos. Nos últimos cinco anos, o tamanho do negócio praticamente dobrou.

O dinamismo desse segmento do mercado tem estimulado as editoras a desenvolver metodologias próprias para disputar espaço nas redes pública e privada com empresas originadas em colégios tradicionais bem sucedidos que comercializam seus métodos educativos.

Rios da Silva diz que os sistemas educativos são atrativos para as escolas e para as editoras. Para as escolas representam adquirir uma metodologia pedagógica completa para todas as disciplinas já testada no mercado. Para as editoras, representam maior rentabilidade. A negociação é realizada diretamente com a escola, aumentando a escala de cada venda. Não há a intermediação de livrarias. A tarefa de venda do material didático é de responsabilidade das escolas. A produção do material é feita de acordo com a demanda, reduzindo desperdícios e o custo logístico.

A tendência, diz Rios da Silva, é de um equilíbrio nas escolas particulares, com aproximadamente a metade adotando livros didáticos e a outra metade sistemas de ensino. "Muitos colégios apostam em seus próprios métodos de ensino como diferencial e adotar livros didáticos permite um maior grau de liberdade metodológica", diz.

A Editora FTD, dirigida por Rios da Silva, entrou no mercado de sistemas de ensino há dez anos e obteve em 2014 por volta de 15% de seu faturamento nesse segmento de mercado. Essa participação é crescente. No ano passado a editora contabilizava 300 escolas conveniadas ao seu sistema. Para 2015 já são 420. "Entramos no mercado oferecendo produtos apenas para escolas com alunos de alta renda, mas agora também temos soluções adequadas para o público de renda média, o que impulsiona os negócios", diz.

A editora Ibep - Instituto Brasileiro de Edições Pedagógicas entrou no segmento de sistemas de ensino há dois anos. Segundo o diretor Mauro Bueno Godoy a proposta inicial é privilegiar o mercado público. O primeiro contrato já foi realizado com a prefeitura de Montes Claros (MG), e no momento a empresa acompanha a abertura de editais de concorrência pública em outros oito municípios. "É um trabalho que só apresentará resultados em longo prazo, mas tem grande potencial de impulsionar nossos negócios", diz.

O segmento de livros didáticos, avalia Godoy, não apresenta muitas oportunidades de crescimento. A exceção é limitada a grandes lançamentos, que são disputadíssimos pelas editoras, ou a novas demandas do Ministério da Educação. Em 2014, o Ibep teve seu melhor ano, ao vender ao MEC quatro milhões de livros para o ensino de arte.

O Sistema Ari de Sá (SAS) foi criado em 2014 tendo como referência a metodologia do Colégio Ari de Sá Cavalcante, estabelecido desde 1967 em Duque de Caxias (RJ). A proposta da empresa, diz Ari de Sá Cavalcante Neto, diretor geral do SAS, é oferecer aos colégios conveniados uma gama de serviços que inclui a formação complementar dos professores para lidar com o método, um sistema de diagnóstico do aprendizado e consultoria de gestão administrativa para os colégios. "A ideia é auxiliar nossos conveniados a ter um bom negócio, tanto do ponto de vista da oferta acadêmica quanto financeiro", diz. Em 2014 eram 330 escolas conveniadas ao SAS e em 2015 já são 430. Cavalcante Neto acredita que há ainda um grande potencial de expansão para a empresa, mesmo mantendo como alvo mercadológico apenas a conversão de escolas particulares de alto padrão pedagógico.

O Grupo Positivo, que nasceu nos anos 1970 como um curso pré-vestibular de Curitiba, atua nos segmentos de livros didáticos, com a Editora Positivo, e de sistemas de ensino, com três métodos. O Sistema Positivo de Ensino, voltado para a rede particular. O Sistema Aprende Brasil voltado para a rede pública, já implementado em 1.300 municípios. Em 2014 lançou o Conquista Solução Educacional, que tem previsão de chegar a 70 mil alunos atendidos nesse ano. Ao todo, os três sistemas agregam mais de um milhão de alunos.

Emerson Walter Santos, diretor geral da Editora Positivo, acredita que em poucos anos os sistemas de ensino serão responsáveis por mais de 50% do mercado didático brasileiro, somando a rede pública e privada. Em parte, o impulso para o crescimento se dará, em sua opinião, diante da maior preocupação das empresas de sistemas de ensino de capacitar os professores para lidar com suas metodologias. Tarefa que será cada vez mais facilitada por meio de tecnologias digitais. "Estamos empenhados hoje em desenvolver soluções que ampliem as ferramentas disponíveis para os professores e os alunos nas salas de aulas, mas que ao mesmo tempo facilitem o trabalho do professor", diz.

 

 

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